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Uma equipe não divide seus esforços entre a F1 e a Indy desde o final da década de 1970. Curiosamente, o último time a fazer isso foi justamente a McLaren – que, agora em 2017, retorna ao Indianápolis Motor Speedway. Ok, trata-se de uma parceria técnica com a Andretti, mas não deixa de ser uma volta ao automobilismo dos EUA.

E, se há 40 anos a McLaren fabricava seus próprios carros para a Indianápolis, agora o cenário é diferente. A Indy é uma categoria com apenas um modelo de chassis, o DW12, fabricado pela italiana Dallara. Além disso, há uma diferença técnica grande entre os dois lados do Atlântico. Um bom momento, então, para fazer uma comparação entre os modelos utilizados por Fernando Alonso (em Indianápolis) e a dupla Jenson Button/Stoffel Vandoorne (no GP de Mônaco) neste domingo (28).

As diferenças são as mais diversas possíveis. Começando pelas dimensões do carro, com o McLaren de F1, o MCL32, com um entre-eixos cerca de meio metro maior do que aquele visto no carro da Indy, enquanto os carros que competem nos EUA são um pouco mais altos.

Já o motor, em um primeiro momento, pode parecer semelhante: ambos os propulsores Honda são V6 turbo, com o da McLaren na F1 com um volume de deslocamento (‘cilindrada’, na linguagem popular) de 1,6l, contra 2,2 do motor que equipa o DW 12. No entanto, a unidade de potência da F1 vai muito além do motor à combustão: há o chamado MGU-K (a evolução do KERS), que permite recuperar energia cinética das frenagens e transformá-la em mais potência; e o MGU-H, que transforma o calor dos gases do escapamento em força para ajudar a girar o próprio turbocompressor – o que praticamente acaba com o chamado ‘turbolag’, tão comum na F1 dos anos 1980.

Mesmo que a unidade de potência da Honda na F1 entregue muito mais força na teoria, na prática, o que se vê é uma falta de confiabilidade do conjunto, refletindo em limitações que o colocam como o mais fraco da categoria, atualmente. Enquanto isso, na Indy, as coisas são muito mais equilibradas – com os V6 da Honda povoando boa parte das primeiras posições do grid de largada da Indy 500 deste ano.

Os carros da Indy ainda possuem o chamado ‘push-to-pass’, recurso que garante mais potência em momentos limitados, como em uma ultrapassagem, nos circuitos mistos ou de rua. Já na F1 há o Drag Reduction System (DRS), que torna possível ‘abrir a asa traseira’, reduzindo o arrasto aerodinâmico para ultrapassagens em pontos específicos do circuito. 

O que realmente não se vê nos detalhes técnicos é o propósito de construção de cada chassi: na Indy, os modelos são pensados tanto para circuitos mistos quanto para ovais, enquanto que o uso de um modelo único por toda a categoria e a contenção de despesas limita a evolução. Já a F1 tem foco exclusivo em circuitos mistos, alguns deles bem travados (como o caso de Mônaco), e há uma maior liberdade para a evolução dos carros durante o ano – o que, por outro lado, aumenta custos e eventuais diferenças entre times. 

Outro reflexo dessa competitividade dos times europeus é que boa parte das informações do MCL32 não são divulgadas. No entanto, existem algumas estimativas e dados de regulamento, que permitem fazer uma comparação mais próxima com o Dallara DW12 com o qual Fernando Alonso disputará a Indy 500:

Dallara DW12

 

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Material do chassis: fibra de carbono e kevlar

Comprimento: 5,012m

Largura: 2,011m

Altura: 1,129m

Entre-eixos: 2,997m a 3,073

Motor: Honda HI16TT (V6 em 90º, biturbo de 2,2l), montado longitudinalmente

Potência máxima: 575hp em speedways como Indianápolis, 675hp em circuitos mitos e ovais curtos (+ 60hp com push-to-pass)

Rotação máxima: 12 mil RPM

Transmissão: 6 velocidades, semiautomática + ré

Freios: fibra de carbono

Peso total: 701kg em Indianápolis e ovais; 714kg em ovais curtos e circuitos mistos, excluindo 84kg equivalentes ao peso do piloto ou combustível.

Velocidade média máxima: 365 km/h (Indy 500 de 2013)
 

(Photo by Chris Owens-2016 IMS Photo)

McLaren MCL32

 

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Material do chassis: fibra de carbono

Comprimento: não divulgado (estimado em 5,1m)

Largura: não divulgada (máximo de 2m, excluindo os pneus, pelo regulamento)

Altura: não divulgada (por regulamento, a altura máxima não pode ser superior a 0,95m)

Entre-eixos: não divulgado (estimado em 3,584m)

Motor: Honda RA617H (Híbrido V6 em 90º, turbo de 1,6l com injeção direta de combustível, com MGU-K e MGU-H), montado longitudinalmente

Potência máxima: não divulgada (estimada em 998hp de potência total na classificação, incluindo MGU-K e MGU-H)

Rotação máxima: 15mil RPM

Transmissão: 8 velocidades, semiautomática + ré

Freios: disco de carbono com pinças de aço

Peso total: 728kg (incluindo o piloto)

Velocidade máxima registrada:  332,6 Km/h (GP da Espanha de 2017; recorde da atual F1: 372,5 Km/h em linha reta com a Williams de Valtteri Bottas no GP do México de 2016)
 

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