Nas últimas cinco temporadas, a Mercedes fez o que bem entendeu na Fórmula 1. Com melhor carro mas, sobretudo, com mais organização, o time alemão no fim das contas engoliu a Ferrari por mais que tenha passado um ou outro momento de aperto. O domingo (4) de GP da Hungria mostrou que com tamanha superioridade pode colocar no bolso também a Red Bull. Lewis Hamilton contou com uma estratégia surpreendente para superar Max Verstappen nas voltas finais. Sebastian Vettel foi o terceiro.
A dificuldade imposta, desta vez, foi tanta que fez Toto Wolff e companhia gastarem a calculadora para tentar colocar Hamilton na frente. Na 49ª de 70 voltas, a equipe surpreendeu e chamou o inglês para uma nova troca de pneus. A intenção era ter o seu piloto com mais borracha para brigar pela vitória contra o holandês nas voltas finais apesar dos 20 segundos de desvantagem. Dentro da sua sensação de impotência no carro, Verstappen sentiu que a derrota poderia chegar. Restava acelerar para se defender já que, com o passar das voltas, repetir a estratégia dos concorrentes era entregar a vitória ainda mais facilmente.
Verstappen a partir daí comprovou mais uma vez o seu enorme talento ainda que tenha terminado em segundo. Embalado pela conquista da primeira pole-position em 92 corridas na carreira, o #33 tratou de apertar o pedal da direita. Tanto que, pelo rádio, o #44 se espantou com o tempo de volta do adversário: “[1min]19s5”, exclamou Hamilton, sem esconder sua surpresa. Coube ao engenheiro justificar uma suposta pista limpa, sem carros à frente, para tranquilizar o piloto. Os modernos cálculos davam conta de que a emoção estaria para a reta final.

Hamilton partiu para estratégia ousada e ultrapassou Verstappen nas voltas finais do GP da Hungria (AFP)
Foi o que aconteceu. Hamilton, depois de tanto remar, encostou em Verstappen nas últimas cinco voltas. Uma perseguição um tanto menos agressiva da anterior à primeira tentativa de ultrapassagem fez o inglês conseguir a manobra decisiva, na curva 1, na volta 67, para vencer pela 81ª vez na carreira — agora são dez vitórias para igualar o recorde histórico de Michael Schumacher. Em resumo, a estratégia deu, muito, certo. Ainda que com maior grau de dificuldade, a Mercedes engoliu a Ferrari e agora a Red Bull na campanha pelo hexacampeonato da Hamilton.
“Estou muito bem. Quero agradecer ao time que acreditou em mim e aceitou correr um risco por uma estratégia diferente. Essa sensação é sempre incrível. Você nunca se acostuma”, disse Hamilton, ainda um tanto cansado, após a corrida.
“Tentei tudo que podia com os pneus mais duros mas, infelizmente, não foi o suficiente para nós. Ainda assim são pontos importantes para o campeonato. Quero parabenizar o Lewis por que ele mereceu muito e me pressionou demais nas últimas voltas”, afirmou Verstappen, que aparentemente aceitou a derrota.

A vitória de Hamilton, a sétima no ano, é também uma forma de restabelecer a ordem no Mundial de Pilotos. Para quem já andava assanhando com uma possível aproximação de Verstappen em uma improvável (para não dizer “impossível”) briga pelo título, o inglês alcançou os 250 pontos, contra 181 do holandês, o terceiro colocado. Entre eles, Valtteri Bottas, com 188 pontos, é o vice-líder.
Ainda assim, à parte Verstappen-Hamilton, o GP da Hungria não foi dos mais emocionantes, como haviam sido as últimas três corridas da temporada. Por outro lado, deixará saudade já que a F1 agora parte para as férias do verão europeu. O próximo compromisso é só em 1º de setembro, com o GP da Bélgica.
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