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Mudar uma criança de escola, em geral, não é tarefa das mais fáceis. A tarefa pode se tornar traumática em alguns casos diante do medo do desconhecido. Fernando Alonso foi no último domingo (23), em sua primeira visita à Indy, a exceção à regra. O espanhol de 35 anos se divertiu como um menino ao acompanhar o GP do Alabama, em Barber, da garagem de Michael Andretti. O bicampeão de F1 até se divertiu nos Estados Unidos e esqueceu momentaneamente a tragédia do outro lado do Oceano Atlântico. Gonzalo Basurto, de 10 anos, morreu depois de grave acidente no kartódromo e museu que leva o nome do piloto, na região de La Morgal, nas Asturias, na Espanha.
Kartista que é, – não precisa mais que olhar as diversas fotos que publica em seus perfis nas suas redes sociais para perceber isso – Alonso sentiu demais a morte até agora não tão bem explicada de uma criança dentro de limites que promove. De volta às redes sociais, o piloto se mostrava empolgado com a disputa do Campeonato Asturiano de Kart em fotos e mais fotos publicadas. Os carros não só levam hoje as conhecidas cores da bandeira da comunidade autônoma, como também adesivos com as iniciais “FA” igualmente em azul e amarelo. Assim, logo na primeira postagem, horas antes da aguardada entrevista coletiva, Alonso se mostrou “destroçado”.
Despierto de madrugada en uno de los días más tristes. Destrozado. Desde aquí, un abrazo enorme a la familia de Gonzalo y a todo el Karting.
— Fernando Alonso (@alo_oficial) 23 de abril de 2017
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Passadas as primeiras horas agitadas em solo americano, era hora de encarar os jornalistas locais, alguns que, no fundo, precisavam relembrar de quem era mesmo que se tratava. O currículo recheado de conquistas foi sendo lembrado, o ceticismo relativo ao projeto McLaren-Honda foi ficando para trás e Alonso então ganhou de vez o público presente quando mais uma vez demonstrou o quanto é um ‘racer’. Verdadeiramente apaixonado por velocidade não importa a categoria. O espanhol deixou bem claro que estava ali para cumprir um objetivo pessoal “de competir nas melhores corridas é o objetivo principal, contra os melhores pilotos, contra os melhores e mais rápidos carros no mundo”. Longe do sonhado tricampeonato de F1, decidiu então procurar as 500 Milhas de Indianápolis para ser um “piloto mais completo”.
"Sei que é um grande desafio para mim. Tenho que me acostumar com o carro, com os superovais, as técnicas que você precisa para se dar bem”, disse. “É muito desafiador e animador ao mesmo tempo, porque acho que preciso tomar passos diferentes nesse processo."
Só o desejo de participar da prova no tradicionalíssimo, e até agora desconhecido para ele, oval americano já encantou os mais apaixonados por velocidade. Mas Alonso quer ainda mais. O espanhol reafirmou que quer algo além do que uma simples estreia ao outra vez citar que apenas Graham Hill conquistou a Tríplice Coroa do Automobilismo: vitórias no GP de Mônaco, 500 Milhas de Indianápolis e 24 Horas de Le Mans. Até por isso, ao lado de Zak Brown, diretor-executivo da McLaren, e de Michael Andretti, chefe da Andretti Autosport e que ganhou também a McLaren-Honda-Andretti, Alonso disse que não planeja correr uma temporada na categoria, mas considera a Indy 500 também para 2018.
(Reprodução/Twitter/McLarenF1)

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Diferentemente do sisudo ambiente da F1, Alonso, ao menos por enquanto, parou de reclamar da equipe. Para ficar apenas no último GP disputado, no Bahrein, o piloto disse no país dos maiores acionistas da McLaren que nunca havia corrido “com tão pouca potência”. Desta vez, pelo contrário, enfatizou que terá a melhor equipe à sua disposição – apesar do desempenho abaixo do esperado na vitória de Josef Newgarden, da Penske, a primeira da Chevrolet em três corridas. Alonso, no entanto, deve ter ficado assustado com o não alinhamento Marco Andretti para a largada.
De tão leve, Alonso se permitiu rir de uma pergunta ao melhor estilo ‘Espanglês’ e ficou na dúvida sobre o idioma que deveria responder. Depois dos pouco mais de 30 minutos de entrevista, sentou no carro da Andretti, conversou com engenheiros, mecânicos e recebeu as boas-vindas de seus futuros adversários na pista. Como raramente acontece na F1, pôde observar de perto os carros, examinar os pneus, sentir falta e gostar da ausência de uma complexa telemetria em um sentimento que trouxe a ele de volta os tempos da corrida por amor à velocidade, justamente o que foi buscar em outra parte do mundo. Nenhum detalhe escapava aos olhos de quem sabe que precisaria de dois anos para aprender a guiar em ovais, mas terá três semanas para isso.
Six (count them, SIX)! Say it with us now… Is it May yet?! #IndyCar #Indy500 #McLarenIndy #LetsGoRacing pic.twitter.com/9IbdBo6w6y
— Andretti Autosport (@FollowAndretti) 23 de abril de 2017
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A prova final de que Alonso está contente com sua nova escola acabou traduzida no que disse sobre a fria reação dos companheiros de F1 à decisão de correr a Indy 500:
“Nós não falamos muito lá na F1. São mundos diferentes. Não sei… A única coisa que sei, é o que vocês também leram. Alguns deles estão feliz por mim e curiosos por ver o quão competitivos podemos ser, outros não estão felizes com nada na vida”, disse Alonso, arrancando gargalhadas e deixando os presentes ainda mais ansiosos para 28 de maio, dia das 500 Milhas de Indianápolis.
Watching from the @FollowAndretti pits, @alo_oficial is here @BarberMotorPark for the #HIGPA! #INDYCAR https://t.co/1I2Xejdij6 pic.twitter.com/GOKMpnqYbD
— IndyCar Series (@IndyCar) 23 de abril de 2017
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