Foi só em 2014 que a FIA adotou a numeração fixa para os pilotos de F1. Já a partir daquela temporada, o algarismo estampado no carro acompanharia para sempre o piloto independentemente de qual cockpit estivesse sentado ao longo de sua carreira. Nem por isso, a principal categoria deixou de ter símbolos icônicos ao longo dos anos. Fosse pela história dos bastidores ou simplesmente pela forma e uso das cores com que foi escrito, numerais marcaram época e viraram extensões das próprias personalidades dos pilotos.
A recente medida – que em nada tem de inédita, já que outras tantas categorias do esporte a motor exigem numeração fixa – deu aos pilotos a oportunidade de desenvolverem ainda mais suas marcas. Por diferentes motivos, os atores do espetáculo escolheram valores que os acompanharia dali em diante. Números da época do kart (como Fernando Alonso e Felipe Massa, 14 e 19 respectivamente), uma homenagem ao pai (como Nico Rosberg, que escolheu o mesmo 6 com qual Keke foi campeão), simpatia (como Sérgio Perez com o 11) ou uso comercial (como Valtteri Bottas, com o 77 para escrever Bo77as) foram alguns dos critérios para as escolhas de 2 a 99.
No primeiro ano da numeração fixa, Sebastian Vettel reservou o 5 em alusão ao ainda sonhado pentacampeonato, mas correu com o 1 pela Red Bull. Já Lewis Hamilton preferiu seguir com o vitorioso 44 mesmo após o bicampeonato com a Mercedes.
Seja como for, os números são para sempre na F1. A seguir, estão em ordem numérica, como não poderia deixar de ser, os 10+ icônicos ao longo dos anos:

(Divulgação/Williams)
#0 – Damon Hill
Muita gente ficou perplexa com o 0 na Williams de Damon Hill em 1993. No entanto, havia um motivo bastante plausível. O então campeão Nigel Mansell havia se despedido da F1 e, com ele, levado o 1. Hill então não se sentiu confortável para usar o algarismo reservado até hoje ao campeão do ano anterior. Como seu companheiro de Williams Allain Prost já estava com o número 2, a saída foi adotar o 0 mesmo.
O que pouco se fala é que essa foi uma volta do 0 às pistas. O número foi usado de forma experimental pelo sul-africano Jody Scheckter em duas corridas na temporada de 1973.

#3 – Michael Schumacher
Em sua fase áurea pela Ferrari, Michael Schumacher se acostumou a vencer e comemorar títulos com o 1 na frente do seu carro. Os dois pareciam feitos um para o outro na metade da última década. No entanto, foi a bordo do 3 que em 2000 tirou a escuderia italiana de longos 21 anos de fila – Jody Scheckter havia sido o último a levantar o caneco. O número em preto também chamava atenção pelo inusitado contraste com o vermelho do carro.
Dos seus sete títulos mundiais, Schumacher não foi campeão com o 1 em apenas outra oportunidade: justamente no começo de sua trajetória, com a Benneton, em 1994.

#3 e #4 – Tyrrell
A numeração dos carros de F1 não obedecia lá muitas regras até 1973. Os números inclusive poderiam mudar de GP para GP quando se condicionou que a campeã do ano anterior usaria os carros 1 e 2. No ano seguinte, começaria a história da Tyrrell com os 3 e 4 que durou até 1995, em uma nova alteração no regulamento. Os números são os recordistas de permanência em uma mesma equipe.
Para os mais ligados em números, os 3 e 4 são até mais emblemáticos que as seis rodas da metade da década de 1970.

#5 – Nigel Mansell
Nigel Mansell foi um dos casos em que a cor foi até mais emblemática que o próprio número. O inglês marcou época com o 5 em vermelho, mundialmente conhecido como Red 5, e caiu no gosto popular. E olha que tudo começou sem lá muitas pretensões.
A ideia do piloto e da Williams era apenas facilitar a identificação. O companheiro Keke Rosberg usava o 6, também em branco, também com o topo do capacete em azul. A partir então do GP do Canadá, a quinta etapa da temporada, a equipe decidiu pintar o algarismo de vermelho. Coincidiu com uma ótima sequência de resultados e foi o suficiente para virar febre na Inglaterra, muito por influência de Murray Walker, um conhecido narrador da britânica BBC.

#6 – Emerson Fittipaldi
O 6 inicia a vitoriosa história brasileira na F1. Na Lotus de Emerson Fittipaldi, o numeral em preto, com fundo em círculo dourado, cruzou a linha de chegada do GP da Itália de 1972 para a conquista do primeiro título na principal categoria do automobilismo.
Mas não era só o número 6, havia também um detalhe na fonte em itálico que deixava o carro por inteiro ainda mais charmoso.

#12 – Ayrton Senna
Talvez não seja exagero dizer que 12 seja o número mais representativo de Ayrton Senna na F1. Mais até que o igualmente vencedor 1, historicamente destinado aos campeões do ano anterior no Mundial de Pilotos.
Senna conquistou, sim, seu primeiro título na principal categoria do automobilismo a bordo do 12, já pela McLaren, mas a história começou ainda muito antes de 1988. Três anos antes, o brasileiro conquistou suas primeiras vitórias com o mesmo número que viria a se sagrar campeão pela primeira vez. Então com a Lotus, com os algarismos dourados contrastando com o carro preto, Senna venceu os GPs de Estoril e Spa-Francorchamps.

#13 – Pastor Maldonado
Pastor Maldonado pode até ter dado sopa para o azar como se diz por aí, mas fato é que o venezuelano aproveitou a introdução da numeração fixa da F1 em 2014 e escolheu logo o 13. O número estava afastado das pistas por estar ligado a má sorte em muitos países. Na época, Maldonado ainda se deu ao trabalho de explicar que o número era de grande sucesso no esporte venezuelano, sobretudo, no beisebol, e seguramente isso não lhe traria azar algum.
Antes do então piloto da Lotus, apenas o mexicano Moisés Solana (no GP do México de 1963) e a inglesa Divina Galica (que não avançou sequer para a classificação do GP da Inglaterra de 1976).

#27 – Gilles Villeneuve
O 27 foi um destes casos que passou para a história como número ligado a uma personalidade de piloto. Depois de Gilles Villeneuve, como foi usado por outros pilotos talentosos e arrojados (Ayrton Senna foi bicampeão mundial a bordo do 27 por exemplo), passou a ser uma característica intrínseca ao numeral mesmo para quem dava pouca bola para o assunto.
O canadense precisou apenas de uma temporada completa para fazer do número até hoje um dos mais representativos da F1. No acidente fatal no treino classificatório para o GP da Bélgica de 1982, pilotava o mesmo número que o colocou para sempre na história.

#44 – Lewis Hamilton
Lewis Hamilton vem construindo uma relação fiel com o 44. Número com o qual ganhou seu primeiro campeonato no kart, levou também o bicampeonato da F1. Mais do que isso, o inglês abdicou de usar o tradicional 1, reservado aos campeões em 2016, para se manter com o 44. Foi a primeira vez desde a aposentadoria de Alain Prost em 1994 que a principal categoria do automobilismo não teve o 1 no grid.
Na prateada Mercedes, há ainda um contraste interessante com um surpreendente tom de vermelho. A cor não aparece em nenhum outro detalhe do carro e tem acompanhado um cada vez mais supersticioso Hamilton.

#101 – Alberto Ascari
A numeração para o GP da Alemanha de 1952 era, no mínimo, curiosa. Mas tem fundamento. Como manda o pragmatismo germânico, as corridas preliminares tradicionalmente deveriam ter os algarismos mais baixos deixando o 101 em diante para os pilotos da principal categoria. Foi assim que Alberto Ascari, o 101, venceu a prova de Nurburgring. Nino Farina (102) e Rudi Fischer (117) chegaram logo atrás.
Como não poderia deixar de ser, a Ferrari era vermelha, com os numerais em branco, bastante grandes, na parte traseira do carro. Simples, porém, bastante icônico.
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