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Max Verstappen é o melhor piloto da temporada? Provavelmente não. É, contudo, o que mais chama a atenção: pela pouca idade e pela forma como conseguiu resultados surpreendentes e quebrou recordes em 2016.
Com o garoto tendo apenas 18 anos, a cada bom resultado, a cada dia no centro dos holofotes, a pergunta fica na cabeça: o que ele vai ser capaz de alcançar na F1?
Quando decidi falar sobre Verstappen nesta pausa da F1, tive a curiosidade de buscar o que escrevi há três meses, no dia em que a Red Bull rebaixou Daniil Kvyat para promovê-lo.

Max Verstappen é a sensação da temporada até aqui (Max Verstappen, o novo fenômeno do esporte, não somou pontos desta vez (Foto: Red Bull/Getty Images))
"Verstappen é talentoso e tido por muitos como um futuro campeão mundial. Pode vir a ser. Também tem um ego enorme e está se mostrando impaciente, doido para pular para uma equipe de ponta sem medo de deixar os rubro-taurinos para trás. Colocá-lo na RBR é uma forma de segurá-lo na empresa. […] Sinceramente, eu não ficaria surpreso se ele de cara já se saísse melhor que o russo. Só que, no fundo, Max é apenas um piloto de 18 anos com nem 40 finais de semana de corrida de carro na vida. Não faz muito tempo que Franz Tost disse que considera que três temporadas na Toro Rosso é o período ideal de “graduação”. Kvyat teve uma, hoje está sendo rebaixado; a experiência de Verstappen não é muito diferente."
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Em todas as ressalvas feitas, Verstappen vem surpreendendo positivamente. Claro, a vitória na primeira corrida contribui muito para isso. Ninguém vencia na estreia por uma nova equipe desde Fernando Alonso com a Ferrari em 2010.
A essa corrida, seguiu o pior fim de semana do ano: Mônaco, com três acidentes em dois dias. E ele reagiu muito bem nas corridas seguintes, com boas apresentações e pódios na Áustria, no Reino Unido e na Alemanha.
Para traduzir em números o que o filho de Jos Verstappen fez desde o GP da Espanha, só Lewis Hamilton tem mais pontos (160). Max vem depois com 102, seguido por Nico Rosberg (98), Daniel Ricciardo (97), Sebastian Vettel (87) e Kimi Räikkönen (79). É uma impressionante média de 12,75 pontos por prova, aproveitamento de quem brigou por título nos equilibrados campeonatos de 2010 e 2012.
Kvyat, em compensação, fez apenas dois pontos até agora. Sua desgraça, por mais que tenha sido motivada por esse processe de fritura ao qual foi submetido, torna genial a decisão tomada por Helmut Marko e Christian Horner em maio.

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E o ego? Pode parecer coisa pouca, e realmente não era uma situação dramática, mas ele facilitou a ultrapassagem de Daniel Ricciardo no GP da Alemanha. A equipe o avisou que era importante para a estratégia e para as chances de um pódio duplo. Deu certo, e Rosberg ficou apenas em quarto.
Por tudo o que fez nas últimas oito corridas, já dá para dizer que, por mais promissor que seja, Verstappen não é mais uma promessa: é realidade. Está conseguindo resultados dentro de uma grande equipe contra grandes pilotos.
O que ainda falta? Duelos diretos com os grandes campeões. As suas brigas têm sido sempre com Rosberg e com Kimi Räikkönen, dois pilotos que são sempre criticados pela falta de agressividade nas disputas por posição. Contra Rosberg, deu um baile em Silverstone. Max defendeu-se muito bem nos confrontos, colocando o carro nos lugares corretos, porém não teve batalhas marcantes com nomes como Lewis Hamilton e Sebastian Vettel. Até agora, fez a lição de casa. Falta passar na prova.
Verstappen ainda vai melhorar muito. Se já faz o que faz aos 18 anos, imagine aos 21. Aos 24. É um fenômeno, sem dúvida alguma. Ele já o vencedor mais jovem de todos os tempos. Ainda tem quase dois anos para se tornar o mais jovem pole-position e mais cinco para se tornar o mais jovem campeão.
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Na seção 'Por Fora dos Boxes', Renan do Couto publica às terças e sextas-feiras opiniões, análises, reportagens e outros conteúdos especiais a respeito do Mundial de F1 e das demais categorias do automobilismo mundial. Renan também é narrador dos canais ESPN e ganhou, em 2015, o Prêmio ACEESP de melhor reportagem de automobilismo com o Grande Prêmio.