26 corridas depois, 16 pilotos seguem com chances de título na Nascar. A temporada regular acabou em Richmond, com vitória de Denny Hamlin, e o Chase já se inicia neste domingo (18), com a etapa de Chicagoland. Serão apenas os primeiros passos do formato mais imprevisível de todos no mundo do automobilismo.

Disputado através daquilo que pode ser considerado o mata-mata do automobilismo, o Chase exige regularidade dos pilotos. De nada adianta ser terceiro em uma corrida e 33º em outra. Assim, em uma categoria que costuma brindar os fãs com surpresas, as eliminações estão longe de seguir um roteiro. Ryan Newman vice-campeão em 2014 que o diga.

Mesmo pregando condições de igualdade para todos os 16 pilotos, é evidente que alguns chegam com chances melhores do que outros. As 26 corridas anteriores servem para ter uma ideia de o que vira pela frente. O GRANDE PREMIUM analisou a trajetória de cada um dos chasers até aqui, e já dá seu pitaco sobre como o futuro vai se desenhar.

Brad Keselowski

Vitórias: 4
Pontos: 834

Brad Keselowski é uma grata surpresa na temporada 2016 da Nascar. Depois de um 2015 cheio de altos e baixos, o campeão de 2012 finalmente conseguiu acompanhar – e superar – o companheiro Joey Logano. Em um ano marcado pela grande fase da Joe Gibbs, surpreende ter um piloto da Penske entre os mais vitoriosos – quatro triunfos até aqui. E mais do que isso: mesmo quando não vence, Brad deixa clara sua força – é difícil ter uma prova sem Keselowski brigando pelo menos pelo top-10.

É evidente que ter vencido tanto até aqui não significa nada no Chase, mas é um belo indicativo. Se em 2015 Keselowski ficou entre os oito melhores, em 2016 chegar à decisão em Homestead é quase obrigação. O bicampeonato é muito possível.

Kyle Busch

Vitórias: 4
Pontos: 759

Kyle Busch tem o mesmo número de vitórias que Keselowski, mas isso certamente não significa que os dois estejam fazendo temporadas semelhantes. Depois de duas vitórias seguidas, Martinsville e Texas, começou a ficar claro que o atual campeão estava relaxando, talvez não concentrado o suficiente. Mesmo sendo capaz de andar muito bem, parecia faltar um impulso. E os resultados despencaram ao ponto de, em um espaço de quatro provas, não conseguir um resultado melhor do que 30º.

Kyle parte para o Chase ainda como uma ameaça, mas muito menor do que se imaginava que seria. Ao longo das últimas semanas o #18 estava atrás até dos companheiros de equipe, outrora dominados. O segundo título é possível, mas certamente não virá sem sustos.

Denny Hamlin

Vitórias: 3
Pontos: 773

Denny Hamlin abriu o ano com um triunfo histórico nas 500 Milhas de Daytona, feito único em sua carreira. A vitória, apesar de marcante, antecedeu um momento de raros brilhos na temporada 2016: nas 14 provas que separam Atlanta e Michigan, apenas três top-5 e quatro provas fora do top-30. Muito pouco para alguém que conta com um dos melhores equipamentos do grid.

A boa notícia é que Hamlin se recuperou, começando o segundo semestre em um momento bem mais promissor: nas últimas oito provas, oito top-10 e duas vitórias – em Watkins Glen e Richmond. Trata-se, hoje, do piloto em melhor forma na Gibbs, e isso é um excelente sinal. Ninguém dirá que Denny é o favorito ao título – a fama de amarelão não existe por acaso. Mas é bom ficar de olho: no Chase, pode muito bem ser uma grande surpresa.

Kevin Harvick

Vitórias: 2
Pontos: 876

Fosse a Nascar disputada em um formato tradicional de pontos corridos, Kevin Harvick estaria em grande forma. De longe o piloto com mais pontos, o #4 foi capaz de manter a mesma pilotagem bem-sucedida de 2015. Mas o problema segue sendo o de antes: mesmo andando sempre entre os cinco primeiros, as vitórias são poucas. E isso é um problema sério em um campeonato que valoriza tanto a vitória.

Harvick não foi campeão em 2015 por conta do Chase, mesmo formato que o ajudou tanto em 2014. Em 2016, sua presença na decisão de Homestead é provável, mas isso não deve bastar para levantar a taça. Kevin e sua equipe ainda não foram capazes de melhorar nos detalhes que impediram o título no ano passado.

Carl Edwards

Vitórias: 2
Pontos: 755

Mesmo sendo um protagonista da Nascar, Carl Edwards já não parece estar no auge de sua carreira. É bem verdade que o #19 conseguiu duas vitórias, além de disputar as primeiras posições com frequência, mas parece faltar algo para ser um sério candidato ao título inédito. Assim como em 2015, o veterano está longe de ser um dos mais cotados ao título.

A afirmação anterior não parece fazer muito sentido quando olhamos a tabela – dentre os pilotos da Joe Gibbs, Edwards tem uma boa pontuação. Mas isso é consequência da regularidade, não dos resultados brilhantes. Algo parecido com o que Harvick faz, mas em menor escala. E, assim como Kevin, Carl vai precisar se crescer no Chase para evitar uma eliminação precoce.

Martin Truex Jr.

Vitórias: 2
Pontos: 736

O 2016 de Martin Truex Jr. já é seu ano mais vitorioso. O piloto que tanto sofreu com carros ruins ajudou a erguer a Furniture Row, levando a vitória em duas grandes provas do calendário: 600 Milhas de Charlote e Darlington. Pela primeira vez na carreira, dois triunfos em um só ano. Mesmo sendo vitorioso, Truex Jr. não pinta nos radares como o grande candidato ao título. A regularidade de 2015 parece ter ficado no passado e, seja por azar ou por problemas próprios, o #78 sempre parece pecar nos detalhes. Não são poucos os casos de provas em que um ótimo carro acabou com um resultado modesto.

É um piloto que pode surpreender? Sim. Mas, sem a sorte que caracterizou o Chase de 2015, Truex Jr. é só mais um na fila de concorrentes.

Jimmie Johnson

Vitórias: 2
Pontos: 686

Jimmie Johnson parte para o Chase como franco atirador. O #48 conseguiu suas duas vitórias no começo do ano, em uma boa fase que ficou no passado. Da última visita ao Victory Lane para cá, o hexacampeão da Nascar virou o símbolo maior de uma equipe Hendrick cada vez mais deprimente.

Salvo aparições esporádicas, Johnson está muito apagado. Ou erra e fica para trás, ou o carro limitado já facilita o trabalho de perder terreno. Nunca se descarta uma recuperação do #48, mas até ficar entre os oito melhores do Chase já parece uma missão complexa. Os pontos vão zerar e o jogo pode virar, mas, até lá, Jimmie é só mais um que parece cumprir tabela.

Matt Kenseth

Vitórias: 2
Pontos: 673

É bom que Matt Kenseth esteja listado imediatamente após Johnson, pois a dupla tem jornada semelhante. São dois caras ainda velozes, mas pouco ameaçadores. Kenseth, depois de partir para o Chase do ano passado como um dos pilotos com mais vitórias, chega em 2016 como alguém que não tem muito para oferecer. Levou muito tempo até o #20 engrenar, conseguindo a primeira vitória em Bristol. E, mesmo depois disso, os resultados são, de longe, os piores dentro do quarteto da Joe Gibbs: apenas quatro top-5 nas últimas 25 corridas.

Sejamos francos: Kenseth está muito longe de ser campeão. Não deve ser favorito nem se fizermos uma pesquisa entre os familiares. Se chegar à decisão em Homestead, já deve se considerar mais do que vitorioso.

Joey Logano

Vitórias: 1
Pontos: 783

Joey Logano é um caso curioso. O #22 certamente é um dos protagonistas, mas vence pouco – só uma vez até aqui. É um piloto que faz boa temporada, mas nem tanto – Keselowski virou dono da Penske. Mas, mesmo sem ser dos mais espetaculares no ano, Logano parece plenamente capaz de fazer um bom Chase.

O histórico está aí para nos mostrar isso. Logano se agigantou no mata-mata de 2015, conseguindo um feito raríssimo: três vitórias seguidas. Certamente iria para a decisão como o favorito, não fossem as desventuras com Matt Kenseth. Esse ano, começando do zero, Logano certamente não é o mais forte dos candidatos. Mas tem tudo para ficar entre os quatro melhores: a Penske pinta como segunda melhor equipe, e pode muito bem encaixar seus dois ótimos pilotos na finaleira.

Kurt Busch

Vitórias: 1
Pontos: 762

Kurt Busch está longe de fazer uma temporada ruim. O piloto do #41 prima pela constância, cometendo poucos erros e coletando bons pontos – a sequência recente de dez top-10 seguidos fala por sim. Mas recentemente algo começou a mudar: de julho para cá, Kurt claramente começou a ficar devendo. Mais acidentes, menos brilho. Timing horrível para isso, considerando a proximidade do Chase.

Mesmo em queda, Kurt deve ser capaz de fazer uma boa participação do Chase. As poucas vitórias não devem impedir o #41 de ficar entre os oito melhores, pelo menos. Mais do que isso, todavia, é sonhar demais: o campeão de 2004 simplesmente não parece ter o ritmo para alcançar a final e vencer o título.

Kyle Larson

Vitórias: 1
Pontos: 661

Kyle Larson é, sem qualquer dúvida, o piloto que mais sofreu para entrar no Chase. Depois de um começo de ano muito inconstante, o #42 conseguiu encaixar bons resultados, além de bater menos. A vitória quase foi possível em Dover. Mesmo assim, o fardo do começo do ano era enorme: não seria possível entrar no top-16 por pontos. O triunfo em Michigan salvou Kyle, que seria crucificado por não entrar no mata-mata outra vez.

Mesmo sem pontuar tanto até aqui, Larson chega ao Chase podendo surpreender. O jovem vive grande fase, além de contar com uma sequência de pistas que lhe agradam pela frente. Se tudo der certo, dá para ficar entre os oito melhores. Mais do que isso, só com muita sorte. Mas isso nem importa tanto: só por ter vencido, Kyle já cumpriu sua missão em 2016.

Tony Stewart

Vitórias: 1
Pontos: 434

Larson pode ter sofrido mais, mas Tony Stewart teve a classificação mais emocionante. O #14, sem vitórias desde 2013, acabou de vez com uma fase péssima de sua carreira ao triunfar em Sonoma. Ninguém acreditava, mas Tony conseguiu. O ano da aposentadoria, que poderia muito bem ter sido jogado no lixo por conta do acidente de buggy em fevereiro, virou uma festa. Começava aí uma sequência de bons resultados, entusiasmando o público.

A história deve ser outra no Chase. Batendo de frente com o que há de melhor no grid, Stewart não deve ir muito longe. Passar da primeira fase já estaria de bom tamanho. Sim, esqueçam: Tony não vai conseguir imitar Jeff Gordon em 2015, brigando por título em Homestead.

Chris Buescher

Vitórias: 1
Pontos: 375

Se Stewart não deve criar grandes expectativas para o Chase, o que dizer de Chris Buescher? Depois da vitória surreal em Pocono, Buescher somou os pontos necessários para entrar na fase decisiva do campeonato. E agora?

Bom, agora Buescher deve tratar de aproveitar sua vida curta no Chase. Mesmo com um carro melhor do que antes – os resultados nitidamente melhoraram após a vitória, apontando para um apoio mais direto da Roush Fenway, que ‘emprestou’ seu piloto para a Front Row –, está na cara que Chris cai fora já na primeira fase. Salvo uma série de azares de outros pilotos, seu destino está selado. O Chase faz mágica, mas até a magia tem limite.

Chase Elliott

Vitórias: 0
Pontos: 682

Chase Elliott é uma verdadeira incógnita. O #24, com a melhor temporada de estreia na Nascar em dez anos, causou uma boa impressão. Os pontos vieram aos montes, consequência direta da rápida adaptação ao material da Hendrick. O momento ruim no meio do ano – quatro corridas seguidas fora do top-20 – não conseguiu apagar o bom trabalho visto até aqui. A vitória não veio, mas isso não era obrigação.

Assim como Larson, Elliott parte para o mata-mata em plena condição de surpreender. No talento, o #24 dribla o momento ruim da Hendrick. Assim como Gordon fez em 2015, dá até para alcançar a decisão se tudo der certo – uma combinação de regularidade e vitórias, nada muito difícil de imaginar. Chegar entre os oito melhores estaria de bom tamanho, de qualquer forma.

Austin Dillon

Vitórias: 0
Pontos: 679

Austin Dillon ficou devendo apenas três pontos para Elliott, mas parece destinado a um Chase muito distinto. Mesmo pilotando bem, Austin sofre com o equipamento ainda mais limitado da Richard Childress. Em um dia bom, o #24 é segundo. Em um dia bom, o #3 é oitavo.

Essa diferença, combinada com a falta de vitórias, deve resultar em um mata-mata curto para Austin. Certamente dá para chegar entre os 12 melhores, mas vai ser difícil ir além. Claro, a regularidade é um trunfo – é raro ver Austin batendo – mas o carro medíocre ainda é um fardo pesado. Ter chegado no mata-mata já está de bom tamanho.

Jamie McMurray

Vitórias: 0
Pontos: 676

Jamie McMurray levou a última vaga do Chase, mas isso não deve ser interpretado como um sinal de piloto figurante dos playoffs. O veterano conta com a evolução da Ganassi como um trunfo, e pode muito bem surpreender, talvez tanto quanto Larson.

Mas, note, o conceito de ‘surpresa’ não deve ser superestimado aqui. McMurray é um piloto que, apesar de constante, não vence desde 2013. 2016 é uma boa temporada, mas ainda é uma temporada do McMurray. Passar da primeira fase é muito plausível, mas, a partir daí, o que vier é lucro.

Chase: modo de uso

O formato do Chase pode parecer um pouco complexo, mas é fácil de ser entendido. De três em três provas, os quatro pilotos com pior desempenho são eliminados do mata-mata. Simples assim. Assim como na temporada regular, uma vitória classifica automaticamente para a fase seguinte, enquanto as demais vagas ficam com os pilotos de melhor pontuação.

Aos poucos, as eliminações dão a cara da decisão do Chase. Ao fim das três primeiras fases, quatro pilotos decidirão o título em Homestead-Miami.

1ª fase (Chicagoland/New Hampshire/Dover): 16 pilotos

2ª fase (Charlotte/Kansas/Talladega): 12 pilotos

3ª fase (Martinsville/Texas/Phoenix): 8 pilotos

Final (Homestead): 4 pilotos