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Com tantos anos de automobilismo europeu nas costas, Augusto Farfus se tornou um dos melhores pilotos brasileiro de turismo – talvez até o melhor. O vice-campeonato no DTM em 2013 parecia um aperitivo de um Farfus que ainda poderia oferecer mais nos anos seguintes. Mas algo aconteceu: de 2014 para cá, o brasileiro não foi capaz de ir além do 12º lugar na classificação do campeonato.

Uma análise mais simplista poderia indicar que Farfus simplesmente perdeu a mão – mas o buraco parece estar mais embaixo. Entre trocas de carros e equipes, Farfus lida com uma equação mais complexa para reencontrar a boa forma do passado.

A temporada 2017, por exemplo, é quase um enigma para Farfus. 16º colocado, tendo um sexto lugar como melhor resultado, o piloto da BMW acredita que tinha mais velocidade do que os números indicam.

“Essa foi uma temporada em que o resultado final da tabela não representou o verdadeiro potencial do carro e meu, já que várias vezes enquanto eu estava andando nos pontos, na frente, acabei não pontuando ou nem chegando ao fim”, comenta Farfus, entrevistado pelo GRANDE PREMIUM. “Isso prejudicou a pontuação final, mas a temporada em si, do ponto de vista da performance foi positiva. Do ponto de vista dos resultados, foi muito abaixo da expectativa”, resume.

Em meio aos resultados decepcionantes, com seis top-10 em 18 corridas, dois momentos foram mais brilhantes. Primeiro, Farfus fez pole na corrida 2 de Zandvoort – mas precisou tomar uma estratégia diferente para ajudar companheiros da BMW que lutavam pelo título. Na corrida 1 de Nürburgring, uma verdadeira lástima – depois de tomar a liderança na largada e fazer uma corrida livre de erros na chuva, a decisão de colocar novos pneus de chuva antes do tempo abrir se provou fatal. “Foi sem dúvidas a corrida em que a vitória esteve mais próxima”, diz Farfus.
(Augusto Farfus – 2017)

No DTM, quando você tem um começo de temporada não à altura, você acaba tendo que ajudar os companheiros

Augusto Farfus teve em 2017 a pior temporada no DTM (Augusto Farfus – 2017)
Voltemos três anos no tempo. Era março de 2014 quando a BMW revelou o M4 que seria levado às pistas do DTM. Na apresentação, o carro apareceu com uma aerodinâmica reformulada: novas entradas de ar, novo design das janelas e até novos espelhos retrovisores. Tudo isso para melhorar o fluxo de ar e encontrar desempenho. Além disso, o carro passou por uma redução de peso de 80 kg.

Tudo isso parece muito bom no papel. Mas foram pedras no sapato de Farfus, que não encontrou na M4 o mesmo desempenho da época de M3.
(Augusto Farfus)

“A temporada de 2013 com a M3 foi a minha melhor no DTM. Desde a introdução da nova M4, principalmente no ano passado, eu nunca consegui encontrar o equilíbrio do carro, o balanço ideal”, conta. “[2016] foi uma temporada muito difícil. Na pilotagem acho que não fico devendo porque o piloto é o piloto. Tem carros que se adaptam melhor aos estilos, e pilotos que têm mais dificuldades de se adaptar ao carro. A M4 foi um carro que, sem dúvida nenhuma, tanto eu quanto o Bruno Spengler, que foi campeão em 2012, tivemos dificuldades de encontrar o balanço ideal”, reflete.

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E Farfus até teve uma relação melhor com a M4 em 2017. Mas aí o problema foi outro. “Esse ano a temporada podia ter sido, sem dúvida nenhuma, muito melhor. Mas… No DTM, quando você tem um começo de temporada não à altura, que não é bom, e você acaba tendo que ajudar os companheiros de equipe na temporada e acaba sacrificando os próprios resultados”, aponta. Mesmo assim, a Audi foi campeã entre construtores e levou René Rast ao título.

“Mas esse ano eu fiquei muito feliz porque, por mais que a pontuação no campeonato tenha sido muito ruim a performance por muitas vezes esteve lá. A gente só não conseguiu converter a performance em pontos”, segue.

Em 2013, ainda com a BMW M3, Farfus alcançou o vice-campeonato (Augusto Farfus – 2013)

O futuro de Farfus…

 

Duas semanas após o fim da temporada 2017 do DTM, Farfus ainda não sabe ao certo o que vai fazer em 2018. Após seis temporadas no turismo alemão, ainda é incerto se a sétima virá – mas o desejo do brasileiro está aí.

“O objetivo é continuar no DTM em 2018”, afirma. “Com a BMW a gente está fazendo um carro para Le Mans e o WEC, a nova M8. Os programas estão se expandindo, aumentando. Eu não tenho a confirmação nessa altura se vou continuar no DTM ou se vai ter algumas mudanças. Mas meu objetivo principal é, sem dúvida nenhuma, continuar no DTM”, segue.

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Farfus já sobreviveu a uma temporada de transição do DTM – de 2016 para 2017, as equipes concordaram em diminuir o número de carros de oito para seis. Neste corte, Augusto sobreviveu na BMW e António Félix da Costa e Martin Tomczyk rodaram. A política de seis carros segue em 2018, mas ainda não é certo se a marca de Munique vai manter o grupo de pilotos.

Caso continue, Farfus vai ter a oportunidade de seguir com a mesma equipe, a RMG. Isso seria importante para um piloto que trocou de equipe dentro do programa da BMW por dois anos seguidos – da RBM para a MTEK, e da MTEK para a RMG.

“O objetivo é continuar e converter tudo que aprendi esse ano com minha nova equipe, que também teve um período de adaptação e de conhecer novos engenheiros até criar aquela relação importante. Quero colher os frutos no ano que vem”, destaca.

 

…E o futuro do DTM

 

Assim como Farfus, o próprio DTM vive um momento de instabilidade. A categoria vai perder a Mercedes ao fim de 2018 e corre o risco de ficar apenas com BMW e Audi. A mudança de foco da marca de Stuttgart para a F-E passou a ser uma bomba no colo do campeonato de turismo.

A solução emergencial para o DTM foi a busca de uma aliança com o Super GT, campeonato japonês de turismo. As categorias ainda não anunciaram nada, mas a relação está em franca evolução – tanto que carros de Nissan e Lexus no certame nipônico foram demonstrados em Hockenheim, antes da última corrida da temporada alemã.

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“O DTM tem um futuro brilhante pela frente, ainda mais com esse caminho do DTM e o Super GT se encontrando. Por mais que a Mercedes tenha anunciado que vai sair, existe um trabalho muito grande entre o DTM e o Super GT para unificar 100% os regulamentos”, diz Farfus. "Hoje em dia os regulamentos técnicos são muito parecidos, mas os carros não são os mesmos”, pontua.

“O objetivo é que ano que vem toda a parte de aerodinâmica seja a mesma, eles continuam usando motor de quatro cilindros turbo, e aí em 2019 a gente começa a usar motor turbo que nem eles usam no Japão”, segue. “O futuro do DTM é muito promissor. Agora, você sabe como é automobilismo, as coisas precisam ser oficializadas e realmente acontecer. Mas eu acho que um grande futuro vem pela frente”, encerra. Agora resta apenas saber se Farfus vai fazer parte deste futuro.

 

(DTM e Super GT)