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De repente, a Williams precisa de mais um 2014. Os resultados bem abaixo das expectativas que vêm sendo obtidos pelo time nesta temporada ameaçam até mesmo a quarta colocação no Mundial de Construtores. De todo modo, o foco está na próxima temporada, quando a F1 passará por mais uma mudança no regulamento.

Trata-se de um momento de muitas dúvidas a respeito da equipe. Um time que deu uma surpreendente volta por cima de 2013 para 2014, e que novamente se vê nesta situação. Por que chegaram a este ponto e como se recuperar?

Há pouco mais de dois anos, a Williams teve seu grande momento nesta fase na F1. Hoje, parece distante de conseguir repetir o feito (Felipe Massa largando na pole na Áustria em 2014 (Foto: Getty Images))

O que deu errado

 

  
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Em 2014, por mais que tenha ficado na terceira posição do Mundial de Construtores, a Williams teve o segundo melhor pacote carro-motor. Era um conjunto melhor que o da Red Bull, mas a operação atrapalhou muito os resultados no início da temporada.

Algumas fraquezas ficaram evidentes e foram atacadas em 2015, mas não mudaram o status do time, uma vez mais na terceira posição do Mundial, passando a Red Bull, só que perdendo para  a Ferrari. E então chegou um 2016 em que não só a Williams deixou de brigar pelas primeiras posições, como está ameaçada no pelotão intermediário. Hoje, a Force India é mais forte.

Exatamente. Nas últimas cinco corridas, a Force India marcou 59 pontos e conseguiu dois pódios. A Williams somou 27 e teve um pódio. Menos da metade. O quarto lugar está ameaçado: 92 a 73 no meio da temporada. Uma diferença descontável em uma corrida.

O maior fator de preocupação em Grove se dá pelo fato de que em pistas onde o time deveria andar bem os resultados foram insatisfatórios. No ano passado, por exemplo, a equipe só deixou de pontuar por falta de performance em Mônaco e na Hungria. Mas em Silverstone, onde lutou pela vitória há 12 meses, desta vez se viu em uma amarga 11ª posição com Felipe Massa, e Valtteri Bottas teve um resultado ainda pior. Rob Smedley tratou como um fim de semana “para esquecer”. Na Áustria, já não tinha sido grande coisa, tampouco em Baku.

Em entrevista ao site da F1, Pat Symonds avaliou que faltou ambição para seu time técnico ao longo do inverno. “A maioria das nossas adversárias melhorou mais do que esperávamos. Nós melhoramos mais ou menos o que esperávamos. Provavelmente a nossa meta tenha sido baixa demais”, disse o engenheiro, que ainda destacou que as unidades de potência estão melhores neste ano e, com isso, parte da vantagem que os FW tinha sumiu.

Nas últimas corridas, problemas mecânicos e falta de performance vêm atrapalhando muito Massa e Bottas (Felipe Massa (Foto: Williams/Twitter))

Um resto de 2016 no meio do grid

 

A partir das palavras de Symonds, é o que dá para esperar. Vem aí uma mudança grande de regulamento para o ano que vem, e a Williams já mudou o foco para a próxima temporada. Por saber que só assim garantiria um 2017 decente, o que está certo, e por crer que o quarto lugar está garantido. Como vimos, longe disso.

A próxima corrida é na Hungria, que tende a ser terrível para a Williams, a não ser que algum milagre apareça. Um novo assoalho será introduzido no FW38. Mas se levarmos em conta que a Force India surpreendentemente foi ao pódio em Mônaco e em Baku e que a Toro Rosso e a McLaren Honda vão bem em autódromos travados, a Williams chega a Hungaroring como a sétima força.

E vai dar para esperar algo muito melhor para o resto do ano? Eu não arrisco cravar.

A ascensão da Force India já ameaça o quarto lugar da WIlliams (Sergio Pérez passou Felipe Massa no Mundial de Pilotos (Foto: Force India))

O trabalho para 2017

 

  
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A mudança no foco do trabalho na fábrica de Grove se deu já no início de junho. Como ela se deu? Não é que há um prazo e, a partir de uma data x, os funcionários mudam de atuação. Há diferentes projetos, voltados para os carros deste ano e do ano que vem. Quando um projeto de 2016 se encerra, a equipe que estava encarregada dele passa a trabalhar visando 2017. Há mais de um mês que há mais gente pensando no futuro do que o presente.

“É uma decisão estratégica, mas também necessária. Somos uma equipe pequena e não podemos nos dar ao luxo de fazer essa mudança muito tarde. Nós, a Force India, a Toro Rosso, nós precisamos fazer essa mudança cedo, ao passo que gente como Ferrari, Red Bull, Mercedes, McLaren têm o dobro de gente que nós temos”, afirmou Symonds.

Ele está confiante de que será possível dar uma volta por cima. “O carro de 2013 era muito ruim na aerodinâmica. O carro de 2014 foi um passo enorme à frente com a introdução do novo regulamento, e não tenho motivo para duvidar que vamos fazer isso outra vez”, completou.

“A equipe está empenhada a entender os motivos desta falta de performance, e espero que em breve nós possamos voltar para as posições que sei que nós devemos lutar”, comentou Massa depois da última corrida. “Devido ao desgaste dos pneus traseiros, sofri muito na classificação, e isso não me permitiu andar bem como achei que deveria. Valtteri teve menos problemas do que eu em volta lançada, mas em corrida tive um ritmo melhor, como foi confirmado no domingo.”

Vale a pena continuar com Massa e Bottas em 2017? (Valtteri Bottas (Foto: Glenn Dunbar/Williams))

E quanto aos pilotos?

 

Os contratos de Massa e Bottas se encerram ao final deste ano. O que fazer? Claire Williams falou à Rádio Band News que o brasileiro está “no topo da lista” para 2017. Já a manutenção de Kimi Räikkönen na Ferrari tranca um pouco o mercado e deve contribuir para que Bottas fique com a Williams no próximo ano.

Não ficarei surpreso se Massa e Bottas forem mantidos, assim como não será nada chocante ver um dos dois deixando o time. Pessoalmente, eu faria uma troca.

Acredito que a Williams chegou a um momento em que precisa de mais uma mudança. Todas as mudanças que aconteceram de 2013 para 2014 tiveram um efeito positivíssimo. Agora, contudo, a coisa parece ter estabilizado. É nos pilotos que está o problema? Não. A verdade é que a Williams tem um orçamento modesto em relação às outras grandes equipes e deve ser tratada como tal — não adianta mais criar uma expectativa muito grande.

E Jenson Button dando sopa no mercado ainda pode ser um nome interessante. Da mesma forma que Massa levou muita experiência da Ferrari para a Williams, Button está há sete anos na McLaren e, por mais que os últimos anos não venham sendo bons, certamente ele contribuiria.

Boa parte das respostas que se procura sobre a Williams devem vir nas próximas semanas, com os GPs da Hungria e da Alemanha, a pausa para as férias e as corridas na Bélgica e na Itália. Será preciso emendar atuações perfeitas nessas três últimas para encaminhar o quarto lugar nos Construtores antes de deixar a Europa. E, a esta altura, a equipe estará em uma posição melhor para anunciar seus pilotos. Mas para quem quer ver a Williams cutucando as grandes novamente, como foi em 2014 e em 2015, o mais sensato hoje é esperar por 2017 e ver o que rola. 2016 já é mais para minimizar o prejuízo.

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Na seção 'Por Fora dos Boxes', Renan do Couto publica às terças e sextas-feiras opiniões, análises, reportagens e outros conteúdos especiais a respeito do Mundial de F1 e das demais categorias do automobilismo mundial. Renan também é narrador dos canais ESPN e ganhou, em 2015, o Prêmio ACEESP de melhor reportagem de automobilismo com o Grande Prêmio.

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