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Não é a Netflix. Sean Bratches, diretor de operações comerciais do Liberty Media, grupo que comprou a Fórmula 1 há um ano, esclareceu as recentes declarações sobre um acordo com a plataforma de streaming – e confirmou, em entrevista publicada neste sábado (21) pela 'Autosport', que a categoria está planejando o lançamento de um serviço próprio de conteúdo Over-the-Top (OTT) em 2018.

OTT é um termo que designa a tecnologia que permite transmitir vídeo pela internet, sem a necessidade de assinar uma operadora de TV paga, ou ter uma antena ou cabo instalados para a recepção do sinal.

Bratches afirmou que “nós temos a obrigação com nossos fãs, de forma bem clara, de garantir o acesso ao nosso conteúdo de todas as formas possíveis”. E o caminho escolhido pelo Liberty Media seria fazer isso dentro de casa. “Nosso objetivo é criar uma plataforma direta para o consumidor, que engaje os fãs e eleve os nossos ativos – sejam eles corridas ao vivo, arquivo ou informações”.

(Daniel Ricciardo)

Vettel x Hamilton, A Revanche, acontecendo no streaming em 2018?

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Atualmente, quem oferece um serviço por assinatura neste formato, em nível global, é a NBA, que tem o 'NBA League Pass'. São oferecidos três tipos de pacotes aos fãs, que podem escolher se querem ver apenas os jogos do seu time do coração, oito partidas por mês ou todas os jogos do campeonato – sendo que esta última opção engloba também o NBA TV, com 24 horas de programação.

Dentro dos esportes a motor, a MotoGP também é exemplo. A categoria oferece o 'VideoPass', que conta com corridas ao vivo e cerca de 45 mil outros vídeos, incluindo corridas completas de 1992 para cá. O serviço é acessível aos brasileiros, mas o valor cobrado é em euros.  

“Nós estamos tentando criar conteúdo que viva além do fim de semana de corrida, que tem sido praticamente inexistente no digital ou na mídia linear”, complementou o executivo. “Mídia linear”, no caso, é um termo de mercado usado para os canais de TV tradicionais, justamente por sua programação linear, com atrações com horário marcado.

Nesse sentido, um outro exemplo norte-americano para o Liberty Media pode ser a liga de futebol americano local, que oferece a 'NFL Network'. Por mais que seja um canal de TV pago mais tradicional, assinado por meio das operadoras, traz, além das partidas do campeonato, conteúdos que vão desde jornalismo a produções originais e análises técnicas. São formatos que, de acordo com a fala de Bratches, poderiam estar no escopo da plataforma da F1.

Obviamente, o ponto mais importante para engajar assinantes seria o das transmissões ao vivo. Porém, fica a dúvida sobre como isso funcionaria, já que a categoria possui acordos de transmissão em boa parte dos principais mercados globais. Para a ‘Autosport’, é provável que a nova plataforma estaria impedida de atuar com corridas ao vivo nestes países – o que incluiria Brasil, Reino Unido e até os Estados Unidos.

No entanto, o próprio executivo dá a entender que os atuais contratos com os grupos de TV não englobariam, de alguma forma, o video on demand. “Eu não quero entrar em detalhes de nenhum contrato, mas, em termos gerais, nossa capacidade de explorar o mercado digital virá em acordos que não estão em perspectiva, e não em negócios já existentes”, comentou Bratches. “Não havia um ponto de vista tão forte quanto à exploração do digital nos negócios existentes que foram feitos”.

Vale lembrar que, este ano, o Liberty Media não conseguiu renovar o contrato com a NBC no mercado dos EUA justamente porque não entrou em um acordo sobre o streaming com a rede norte-americana. A F1 ficará, por lá, nas mãos da ESPN a partir do próximo ano.

Halo não deve ser única novidade de 2018… (AFP)

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Ainda que tenha uma plataforma de video on demand própria, Bratches afirmou que a categoria não deixará de lado os serviços já estabelecidos, mas sem mencionar provas ao vivo – esclarecendo as declarações que fez durante a semana. “Nosso objetivo é nos envolver com as Netflix do mundo, ou com as Amazons, e criar conteúdo que os fãs podem consumir, o que é atraente e conta diferentes histórias sobre o que está acontecendo na F1”.

Os atuais acordos com as televisões tradicionais continuarão valorizados, também. A intenção do grupo de mídia é acabar com transmissões padronizadas das corridas para diversas regiões do mundo, disponibilizando em 2018 um sinal específico para cada país ou região — dando mais destaque para o que estes espectadores querem ver. “Nós vamos colocar um feed [sinal] único em cada território no próximo ano, refletindo as métricas que são adotadas nestes territórios específicos”, disse Bratches.

Enquanto isso, já em 2017, o Liberty Media segue ampliando a atuação nas redes sociais, com corridas históricas sendo disponibilizados no YouTube e transmissões ao vivo no Facebook durante cada fim de semana de GP, por exemplo.

Como podemos ver, a Fórmula 1 de hoje é, mais do que nunca, uma categoria que está buscando tirar o tempo perdido e finalmente se posicionar em um mundo multiconectado. 

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