A notícia da proposta da Williams para que Felipe Massa desista da aposentadoria apenas algumas semanas após ela ter começado pegou o mundo do esporte a motor de surpresa. Massa tem tudo para voltar ao grid da F1 em 2017, abandonando por mais um ano a ideia de deixar de lado a F1. Mas Felipe está longe de ser um pioneiro em retornar às pistas depois de dizer adeus.
O GRANDE PREMIUM lembra outros dez pilotos que voltaram às pistas depois de saírem de cena afirmando aposentadoria.
10 – Sete Gibernau
O espanhol Sete Gibernau resolveu se aposentar da MotoGP em 2006 após perder o lugar na Ducati para Casey Stoner. Gibernau recebeu propostas para continuar no Mundial, mas, aos 34 anos de idade e sem acreditar nas equipes que o chamaram, resolveu dizer adeus. Só que em 2008 foi chamado para testar a Desmosedici GP9 e apresentou resultados muito fortes. Falou-se num contrato de curta duração da Ducati para terminar o ano, o que logo foi descartado, mas a Onde, equipe-satélite, chamou no ano seguinte. Gibernau voltou, mas o ano de 2009 foi longe do que esperou. Sem top-10 em oito etapas – das quais ficou de fora de duas por causa de uma fratura de clavícula – viu a equipe se retirar após algumas provas, encerrando de vez a carreira de Sete.

Sete Gibernau teve um regresso rápido (Sete Gibernau (Foto: Reprodução))
9 – Jarno Trulli
Foram 15 anos de F1 entre 1997 e 2011 – e até uma vitória. Jarno Trulli construiu uma reputação sólida durante seus tempos no Mundial e ficou reconhecido por conseguir segurar carros mais rápidos que tentavam passá-lo. A 'chicane ambulante' deixou a F1 antes da temporada 2012, quando estava acertado com a Caterham, mas o italiano não quis andar no fim do grid. Ficou fora das corridas até entrar para a F-E, em 2014, com uma equipe própria. E por lá, apesar uma pole-position, não conseguiu replicar o que havia feito na F1. Passou quase o tempo inteiro andando no temido fim do grid e resolveu ficar apenas como executivo ao fim do primeiro ano. Acabou terminando de forma melancólica, sem sequer conseguir levar os carros para a segunda temporada da categoria elétrica.

8 – Ingo Hoffmann
Maior campeão da Stock Car, piloto de F1 e parte da história do automobilismo brasileiro, Ingo Hoffmann dificilmente poderia ter feito mais coisa na carreira no Brasil. Quando se aposentou, em 2003 e já aos 50 anos de idade, recebeu homenagens de todas as partes pela longa carreira. Mas, a convite de Rubens Barrichello, Ingo voltou em 2015 para participar da Corrida de Duplas da Stock Car quase que num final de semana de homenagem prolongada. A dupla terminou no 14º posto, com Hoffmann, de 62 anos de idade, prometendo que seria a última vez.

7 – Max Biaggi
Dono de quatro títulos mundiais da MotoGP – embora nenhum da Classe Rainha -, Max Biaggi teve uma carreira de sucesso na principal categoria do motociclismo mundial. E em 2007, mais de um ano após deixar a MotoGP, foi para o Mundial de Superbike. Fez sucesso por lá também, sendo campeão em 2010 e 2012, já aos 41 anos de idade, quando anunciou a aposentadoria definitiva. Só que em 2015, a convite da Aprilia, retornou para mais duas etapas aos 44 anos. Conseguiu um pódio na Malásia, deixando a cena novamente.

6 – Jeff Gordon
Alguns meses antes, Jeff Gordon teve toda uma comemoração quando correu a última prova de sua carreira em Homestead podendo ser campeão da Nascar uma última vez – o que acabou não acontecendo. Gordon foi quatro vezes campeão da Nascar durante mais de duas décadas sendo altamente competitivo. Seu retorno em 2016, aos 44 anos de idade, foi para uma série de provas na categoria e se deu por conta do afastamento de Dale Earnhardt Jr., que sofria os efeitos de uma concussão. Foram oito provas para o delírio da torcida e com um sexto posto em Martinsville sendo a melhor participação.

5 – Mario Andretti
Campeão da F1, quatro vezes campeão da Indy e vencedor das 500 Milhas de Indianápolis, Mario Andretti se tornou sinônimo de esporte a motor nos Estados Unidos. A carreira de Mario foi gloriosa e longa, visto que guiou em monopostos até os 54 anos de idade e correu em Le Mans até os 60. Mas uma tentativa de deixar a aposentadoria em 2003 quase custou sua vida. Andretti, aos 63 anos, testava um monoposto após dez anos fora dos cockpits enquanto substituía Tony Kanaan, que sofrera uma fratura e talvez não conseguisse participar do Pole Day daquele ano. O plano na Andretti era que Mario estivesse preparado para classificar o carro de Tony, assegurando a vaga do brasileiro. Mas Mario encontrou destroços na pista em dado momento, levantou voo, capotou no ar e acertou o alambrado violentamente. De forma quase que milagrosa, o veterano não sofreu grandes lesões: apenas um corte no queixo.
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4 – Nigel Mansell
Quando parecia que Nigel Mansell encerraria sua carreira na F1 sem conquistar títulos, veio a Super Williams de 1992. O inglês dominou o ano e foi campeão com facilidade, mas nem isso evitou brigas com a Williams. O time, então com os motores da Renault, demorou a assumir para Mansell que havia assinado com Alain Prost para 1993. Mansell não gostou, achou que seria colocado como segundo piloto como sentia que aconteceu na Ferrari quando os dois andaram juntos. No fim das contas, a Williams também não quis mantê-lo, mas era tarde para conseguir outra boa vaga. Resolveu partir para os Estados Unidos, onde foi campeão da Indy em 1993. Sua carreira na F1 parecia encerrada até que o acidente fatal com Ayrton Senna fez a Williams chamá-lo de volta. Com a ajuda de Bernie Ecclestone, conseguiu sair da Indy para andar por quatro provas em 1994. Ainda correu mais duas vezes pela McLaren em 1995, mas o clima com Ron Dennis era ruim e Mansell não quis ficar. Até testou pela Jordan para voltar em 1997, mas acabou não acontecendo e a aposentadoria foi imposta.

3 – Michael Schumacher
O maior campeão da F1 tinha 37 anos de idade quando surpreendeu o mundo em 2006 ao anunciar que estava se retirando do automobilismo profissional. Depois de uma sequência de cinco títulos entre 2000 e 2004, um terceiro posto em 2005 e um vice em 2006 – ele ainda estava na disputa com Fernando Alonso em 2006 quando anunciou que pararia ao fim do ano -, estava deixando a vida de piloto da F1 para aproveitar a família – e também dar uma chance na Ferrari ao amigo Felipe Massa. Seguiu trabalhando na Ferrari e quase voltou para substituir Massa após o grave acidente de 2009 na Hungria – o que não aconteceu por conta de uma lesão no pescoço que ganhou num acidente de motor. Mas o interesse de voltar ficou plantado em Michael, que aceitou o convite da Mercedes para regressar no ano seguinte. Guiou por três temporadas, entre 2010 e 2012, mas jamais conseguiu brigar por novos títulos. Foi ao pódio apenas uma vez, em 2012, no GP da Europa disputado em Valência.

2 – Emerson Fittipaldi
Emerson Fittipaldi era dono de dois títulos da F1 quando decidiu deixar a McLaren para fundar sua própria equipe. Os primeiros anos ainda viram um relativo sucesso do time nas pistas, mas conforme o dinheiro foi saindo, os resultados foram ficando cada vez mais complicados. Fittipaldi jamais venceu como piloto/dono de equipe e resolveu se aposentar ao fim da temporada 1980. A Fittipaldi ainda durou mais dois anos, terminando em 1982. A aposentadoria terminou em 1984, quando ele foi para a Indy. Ficou por lá mais 13 anos, sendo campeão pela Patrick em 1989 e vencendo as 500 Milhas de Indianápolis duas vezes. A nova aposentadoria foi forçada por um acidente sério em Michigan, aos 49 anos de idade, em 1996. De lá para cá até fez algumas corridas, mas nada tão profissional.

1 – Niki Lauda
Duas vezes campeão mundial pela Ferrari e sobrevivente de uma das mais impressionantes batidas na história moderna da F1, Lauda já era laureado como um dos grandes de todos os tempos quando se irritou com a Brabham próximo ao final da temporada 1979. Pediu o boné antes que o ano chegasse ao final e foi cuidar da vida e de seus negócios pessoais, como a companhia aérea que começou. Mas em 1982 a McLaren chamou, e Lauda regressou. E conseguiu capturar o terceiro título mundial em 1984, batendo Alain Prost por 1/2 ponto. Se aposentou novamente – e de vez – ao fim de 1985.
