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A confortável pole de Lewis Hamilton e o forte ritmo de Sebastian Vettel após assumir a liderança na largada chamaram a atenção no GP da Austrália, mas é a batalha no pelotão intermediário que deixa a pulga atrás da orelha neste início de campeonato. Da Williams para trás, parece que tudo pode acontecer, com, a cada semana, uma equipe diferente aparecendo como terceira força.
A Toro Rosso chamou bastante a atenção, mas não foi capaz de anotar um grande resultado. Na verdade, somou apenas três pontos, ficando em último lugar entre as sete equipes que pontuaram. Ela poderia ser a terceira.
A Williams, por outro lado, por mais que tenha sido discreta, foi capaz de somar 14 pontos e encabeçar essa turma. No meio disso tudo, tem a Haas, que não tem um carro de sexta posição, porém de fato fez uma apresentação louvável em Melbourne.
É uma muvuca danada, e é difícil prever como se desenhará essa batalha no GP do Bahrein — até porque Melbourne nunca foi uma pista de dar indicativos confiáveis para o restante do ano. Mas vamos lá, ao Power Ranking #1 aqui no GRANDE PREMIUM. Equipe por equipe, quem parece melhor neste momento do campeonato. Algumas impressões e conclusões nós já podemos tirar.
(E clicando aqui você pode conferir a versão inicial do Power Ranking)

Mercedes
Último ranking: P1
A pole de Lewis Hamilton foi confortável no sábado, e Nico Rosberg quase se complicou, mas encaixou uma última volta para garantir o primeiro lugar no grid. O grande problema do time foi a largada. Com a primeira tentativa abortada por causa de Daniil Kvyat, o sistema de partida não funcionou como deveria. Rosberg caiu para terceiro; Hamilton, para sexto. Dali em diante, o ritmo não seria capaz de bater o da Ferrari não fosse aquele safety-car e o acerto na estratégia para a relargada. De qualquer maneira, essa estratégia é mérito, e não demérito. A Mercedes mostrou confiar no próprio taco, fez uma escolha que não era tão óbvia e colheu os frutos com mais uma dobradinha, a 24ª em dois anos e uma corrida. Continua sendo a equipe a ser batida, claro.
(Nico Rosberg (Foto: Daimler))

Último ranking: P2
Os italianos, apesar disso, podem ficar mais otimistas. O ritmo na corrida foi muito bom. Era justamente no domingo que Sebastian Vettel e Kimi Räikkönen se aproximavam mais de Hamilton e Rosberg, e eles poderiam muito bem ter saído de Melbourne com o troféu do primeiro lugar. O que vão precisar fazer para ter mais chances de bater a Mercedes: ganhar a posição de pista. Atacar na largada para se colocar à frente das Flechas de Prata. A partir daí, não vai ser tão fácil para os alemães darem o troco. A Ferrari vem bem.
Ah, e claro, faz calor no deserto barenita. Tudo bem que a corrida é noturna, mas a Ferrari gosta bastante de lugares quentes.
(Sebastian Vettel assume a ponta na largada do GP da Austrália (Foto: Getty Images))

Último ranking: P3
A evolução não parece satisfatória quanto o time certamente esperava. Se no ano passado a Williams passou mais tempo sozinha do que perto de Ferrari e Mercedes, desta vez, começa 2016 tentando escapar do pelotão intermediário.
Já há atualizações previstas, e só vendo para saber o impacto que elas terão. Apesar da atuação discreta no GP da Austrália, Felipe Massa me pareceu surpreendentemente animado após a corrida. O quinto lugar certamente foi um grande resultado pelo modo como a prova se desenhou nas voltas iniciais. Em Sakhir, o time deve ter certa vantagem sobre a Toro Rosso e a Red Bull — se isso não aconteceu, é porque algo deu ruim.
(Felipe Massa e Valtteri Bottas no GP da Austrália (Foto: Williams))

Último ranking: P4
A Force India mantém a quarta posição do ranking inicial também por conta do histórico: costuma andar bem no Bahrein. Seu carro sempre vai bem em pistas que exigem menos da aerodinâmica. E, claro, tem um motor Mercedes embaixo da carenagem para empurrar Nico Hülkenberg e Sergio Pérez. Na Austrália, o desempenho foi discreto, com Hülk passando mais de meia corrida atrás de Romain Grosjean. Pérez se complicou na hora da bandeira vermelha.
(Sergio Pérez (Foto: Force India))

Último ranking: P6 (+1)
O porquê de a Toro Rosso não estar no terceiro lugar, você deve estar se perguntando? Justamente as características do circuito de Sakhir — um traçado que casa mais com os carros de Williams e Force India. Fora que a Toro Rosso tem o motor Ferrari de 2015, que, em uma pista com muitas retas, vai estar mais atrás. O que o time precisa melhorar após o GP da Austrália: sua operação nas corridas. A estratégia foi ruim e comprometeu o resultado final. Era para se somar pelo menos dez pontos — por baixo. Foram apenas três.
(Max Verstappen (Foto: Getty Images))

Último ranking: P5 (-1)
A suspeita inicial se confirmou. A Red Bull está atrás da Toro Rosso. Fez mais pontos na Austrália por causa de sua operação superior e pelo desempenho de Daniel Ricciardo, que conseguiu um ótimo quarto lugar em casa. No Bahrein, todavia, vai ser bem complicado para um time com motor Renault acompanhar quem tem Mercedes e Ferrari na traseira. Pontos serão lucro.
(Daniel Ricciardo)

Último ranking: P9 (+2)
Pois é, a McLaren merece este salto depois do GP da Austrália. Fernando Alonso e Jenson Button se classificaram à frente das duas Renault e seguiam à frente delas na corrida. Era capaz de o espanhol até conseguir pontuar. Depois, a bandeira vermelha que ele mesmo causou acabou atrapalhando um pouco Jenson Button. De qualquer forma, foi um começo promissor. Talvez colocá-la à frente da Renault no Bahrein, em uma condição em que ainda não sabemos como se comportará o motor Honda, seja apostar alto demais. Só que não ficarei nada surpreso se isso acontecer.
(Jenson Button (Foto: Getty Images))

Último ranking: P7 (-1)
Nada demais. Seus pilotos foram os primeiros eliminados no Q2 e só apareceram na corrida quando estavam sob pressão. Jolyon Palmer foi ultrapassado por fora por Valtteri Bottas no começo e, no fim, de uma vez pelas duas Toro Rosso — embora seja bem verdade que o inglês as segurou por um bom tempo. Em 2015, a equipe de Enstone vinha em uma ascensão, mas a segunda troca de motor em dois anos e todas as incertezas vividas ao longo do inverno prejudicaram o desenvolvimento do carro, isso é um fato. É correr para vez ou outra marcar pontos.
(Jolyon Palmer (Foto: Getty Images))

Último ranking: P10 (+1)
A Haas merece esse ganho de posição. Ok, a classificação foi bem ruim. Romain Grosjean e Esteban Gutiérrez caíram precocemente no Q1 e com tempos de volta bem acima dos da Sauber, por exemplo. Só que o que Grosjean foi capaz de fazer no domingo é, sim, para levantar o moral do time. Não foi só chegar em sexto. Foi administrar bem a vantagem para uma relativamente forte Force India e sequer ser atacado com maior intensidade. Não deixou Hülkenberg chegar. Excelente o início dos norte-americanos na F1.
(Romain Grosjean, Haas, Austrália, 2016)

Último ranking: P8 (-2)
Xiii… Nada muito animador por parte da Sauber. O carro andou pouco na pré-temporada, é verdade, e não é todo ano que vai rolar o milagre de 2015 — um quinto lugar de um estreante que sequer participara dos treinos na sexta-feira. Mas em momento algum o time suíço mostrou força. É um carro modesto que conta com o motor Ferrari do ano passado — a Haas tem o de 2016. Será um campeonato complicado para Nasr e Ericsson.
(Marcus Ericsson e Felipe Nasr (Foto: Sauber))

Último ranking: P11
Houve quem se animou com os tempos da Manor ao colocar o motor Mercedes na pré-temporada, mas, em uma situação de competição, ela continua sendo a nanica do grid. E, quem diria, Rio Haryanto ainda foi capaz de se classificar à frente de Pascal Wehrlein e no mesmo décimo de Esteban Gutiérrez. Na corrida, Wehrlein apareceu por um bom tempo em 14º antes de terminar em último — 16º — e uma volta atrás. Vamos ver se o motor Mercedes pode fazer alguma diferença no Bahrein…
(Pascal Wehrlein (Foto: Manor))
Na seção 'Por Fora dos Boxes', Renan do Couto publica às terças e sextas-feiras opiniões, análises, reportagens e outros conteúdos especiais a respeito do Mundial de F1 e das demais categorias do automobilismo mundial. Renan também é narrador dos canais ESPN e ganhou, em 2015, o Prêmio ACEESP de melhor reportagem de automobilismo com o Grande Prêmio.