É a virada de setembro pra outubro, mas estamos diante do GP da Malásia. Confuso, não? Pois é. Depois de 15 anos com a corrida na fase inicial do campeonato, o GP volta a acontecer na reta final da temporada.
A novidade não é apenas essa. O traçado foi recapeado neste ano de modo que até mesmo algumas curvas foram alteradas — nove, para ser mais preciso. Elas terão inclinações diferentes e muitas perderam ondulações presentes em outros anos. Parte dos trabalhos foi com a intenção de evitar o acúmulo de água tão frequente em outros anos.
A última curva foi a que recebeu a modificação mais significativa, com o lado interno sendo elevado em um metro. Assim, o hairpin passa a ter inclinação negativa. Segundo o projetista Jarno Zaffeli, isso deve mudar a linha de pilotagem, tornar o trehco mais lento e favorecer ultrapassagens no local.
[youtube https://www.youtube.com/watch?v=n7OWfq8hO6o]
Com as alterações, os treinos livres serão de aprendizados para equipes e pilotos. A fórmula usada por mais de uma década pode não servir mais, e será preciso redescobrir os pontos de freada, aceleração e tangência, bem como o acerto dos carros. Isso resultará em surpresas? Provavelmente não na divisão de forças. Em condições normais, a evolução da pista seria enorme de um treino para outro. A classificação ficaria divertida, e, aí sim, com o risco de alguma zebra. A questão é que a previsão é de chuva para os três dias.
Equipe por equipe, o que esperar do GP da Malásia?

1. MERCEDES
Último ranking: 1º (+1)
Sepang foi das Mercedes nos últimos anos e deve ser de novo — ainda que Sebastian Vettel tenha vencido em 2015. Na disputa interna, por mais que essa seja uma pista com “cara” de Rosberg, é Hamilton quem costuma se sair melhor.
(Nico Rosberg (Foto: Mercedes))

Último ranking: 1º (-1)
O circuito malaio é de alta, mas possui algumas curvas em que a aerodinâmica é bem útil, tanto é que Vettel ganhou três vezes lá enquanto guiava pelo time. E se chover, a Red Bull é que não vai reclamar.
(Daniel Ricciardo na Red Bull (Foto: Red Bull))

Último ranking: 3º
A Ferrari chega para defender a vitória de 2015 em Cingapura. Digo, Malásia. Fiquei com preguiça e copiei a primeira frase da semana passada. O carro italiano costuma andar bem no calor, pena para ele que o verão europeu não deu as caras em 2016. Na Malásia, entre uma chuva e outra, pode ser que o sol dê as caras, e aí os termômetros estarão acima dos 30ºC.
(Sebastian Vettel (Foto: Ferrari))

Último ranking: 4º
Essa é uma pista em que a tendência é a Force India andar bem. Calor, alta velocidade, mas também curvas em que o equilibrado carro deste ano pode levar vantagem sobre a Williams. Sergio Pérez quase venceu em 2012.
(Sergio Pérez (Foto: Force India))

Último ranking: 7º (+2)
Depois de ficar fora dos pontos pela segunda vez no ano, a Williams tem pela frente um autódromo que deve lhe ser mais gentil. Exceto, é claro, se chover. No molhado, nem mesmo em Silverstone os pilotos Felipe Massa e Valtteri Bottas ficaram fora do top-10.
(Valtteri Bottas (Foto: Williams))

Último ranking: 6º
Daniil Kvyat pareceu acordar em Cingapura, passando para o Q3 e brigando bem com Max Verstappen no meio da prova. A Toro Rosso vai precisar dele para brigar com a McLaren pela sexta posição no Mundial de Construtores — e também por alguns pontinhos na Malásia. Não dá para depender só de Carlos Sainz.
(Carlos Sainz (Foto: Getty Images))

Último ranking: 5º (-2)
A McLaren quer estrear em Sepang uma versão atualizada do motor Honda, o que acarretaria em punições. Melhor cumpri-las agora do que na próxima corrida, no Japão. E, convenhamos, as chances de um resultado melhor são em Suzuka. Se a unidade de potência atualizada ficar pronta, eu realizaria a troca agora e apostaria na chuva para me recuperar no domingo.

Último ranking: 8º
A Haas mandou fabricar em sua sede na Europa um novo sistema de freios para solucionar a falha que não deixou Romain Grosjean largar em Cingapura — um problema no brake-by-wire. No seco, até acho que poderiam conseguir algo de bom. Na chuva, precisarão de sorte.
(Esteban Gutiérrez (Foto: Haas))

Último ranking: 9º
A Renault admitiu nesta semana que os maus resultados estão atrapalhando nas negociações com pilotos para o ano que vem. Com um pouco de sorte, não duvido que o time surpreenda no seco ou no molhado. Na última corrida, Magnussen pontuou pela primeira vez desde o GP da Rússia.
(Jolyon Palmer (Foto: Getty Images))

Último ranking: 10º
Sepang pode ser interessante para a Manor e o seu motor Mercedes. E se por um lado a sua dupla não conhece o circuito, o aprendizado será para todos devido à reforma, então a desvantagem não é tão grande.
(Pascal Wehrlein (Foto: Manor))

Último ranking: 11º
Quando a F1 esteve na Malásia pela última vez, a Sauber vivia uma condição mais animadora dentro da pista. Marcus Ericsson foi ao Q3 e não brigou por pontos porque errou nas voltas iniciais. Desta vez vai ser bem mais complicado.
(Felipe Nasr (Foto: Sauber))
Na seção 'Por Fora dos Boxes', Renan do Couto publica às terças e sextas-feiras opiniões, análises, reportagens e outros conteúdos especiais a respeito do Mundial de F1 e das demais categorias do automobilismo mundial. Renan também é narrador dos canais ESPN e ganhou, em 2015, o Prêmio ACEESP de melhor reportagem de automobilismo com o Grande Prêmio.