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Estou me fazendo esta pergunta desde que o GP do Bahrein terminou, já pensando neste Power Ranking. A Williams não parece merecer ocupar o terceiro lugar na divisão de forças da F1 2016, mas alguém realmente merece mais do que ela? Não é bem assim, por mais que a tabela de pontuaçãoo possa mostrar a Red Bull com dez pontos a mais.

Nas duas corridas disputadas até agora, Felipe Massa e Valtteri Bottas não conseguiram a quinta posição no grid de largada. Da Austrália, a equipe de Grove saiu na terceira posição entre os Construtores. No Bahrein, decepcionou, mas principalmente pela estratégia ruim, nem tanto pelo carro em si – ainda.

Ao mesmo tempo, a Red Bull conseguiu dois quartos lugares, porém apenas com Daniel Ricciardo. Daniil Kvyat se complicou nas duas classificações e não fez nada demais em Sakhir. Já a Toro Rosso, pelo o que rolou até agora, nos leva a crer que vai oscilar um pouco.

A grande decepção deste pelotão intermediário é a Force India, e a grande surpresa, a Haas. Uma perde posições, outra ganha – e muitas.

Mas comecemos pelo começo, é claro, e pela briga que está mais próxima do que se esperava na pré-temporada. Quem são os mais fortes do momento?

1. MERCEDES

Último ranking: P1

 

De novo com dobradinha no grid e vitória, a Mercedes tem 50 pontos de vantagem para a Ferrari no Mundial de Construtores. A longo prazo, a distância entre as duas equipes tende mesmo a ser assim, grande. Mas corrida a corrida, é bom os alemães ficarem espertos. Novamente o time mostrou ter dificuldades nas largadas. Ok, Nico Rosberg manteve a ponta, mas as Williams, saindo da terceira e da quarta filas, chegaram dividindo a primeira curva – o que culminou no toque de Valtteri Bottas em Lewis Hamilton. É algo que precisa continuar sendo trabalhado para evitar dores de cabeça no futuro.
(Lewis Hamilton e Nico Rosberg travaram um duelo épico no Bahrein em 2014 (Foto: Getty Images))

2. FERRARI

Último ranking: P2

 

Na classificação, desvantagem de 0s5. Em alguma prova, é capaz que chegue mais perto. Na corrida, é diferente. Questiona-se a capacidade de Kimi Räikkönen andar no limite. Bem, em diversos momentos ele andou no mesmo ritmo de Rosberg. Não a corrida inteira, e a Mercedes ainda tem alguma vantagem. Mas podem ter certeza que, aos domingos, a Ferrari realmente se aproxima. Nas corridas em que Kimi ou Sebastian Vettel passarem à frente, Rosberg e Hamilton terão que suar para se recuperarem. O lado negativo para a Ferrari, pensando principalmente no Mundial de Construtores: foram duas falhas mecânicas em duas corridas.
(Kimi Räikkönen fez boas ultrapassagens no começo da prova (Foto: Beto Issa))

3. WILLIAMS

Último ranking: P3

 

Sim, estou mantendo a Williams na terceira posição. Mas é pelo simples fato de que ninguém me convenceu de que vai andar consistentemente à frente. E o que me dá essa impressão no momento é que Massa e Bottas têm andado perto um do outro, o que não acontece com a Red Bull. Quanto que isso é Daniel Ricciardo tirando mais do que o carro tem a oferecer? De qualquer maneira, esse GP da China deve ser ainda mais difícil para a Williams, e, a julgar pela escolha de pneus, eles vão se complicar de novo na estratégia. No Bahrein, uma pista onde acelerar do início ao fim era a melhor tática, eles tinham pneus para fazer duas paradas. E, para a China, onde o desgaste é mais alto, estarão com pneus mais moles. Ou vai dar muito certo, ou vai dar muito errado, e se eu tivesse de apostar hoje, iria com a segunda opção. No ano passado, Massa e Bottas ficaram e quinto e sexto sem ameaçar nem serem ameaçados.
(Felipe Massa em segundo na corrida (Foto: Beto Issa))

4. RED BULL

Último ranking: P6 (+2)

 

A Red Bull, todavia, merece ao menos ganhar as posições da Toro Rosso e da Force India. A volta de Ricciardo no sábado no Bahrein foi excelente e o desempenho na corrida, também. Kvyat é que precisa mostrar mais serviço – a estratégia tratou de coloca-lo nos pontos no deserto, mas o russo pouco apareceu.

O que está claro é que o time compreende bem melhor o chassi neste ano do que no ano passado, e está conseguindo contornar melhor as deficiências do motor Renault em relação aos demais – afinal de contas, vimos a equipe de fábrica da Renault andando atrás da McLaren Honda.
(Daniel Ricciardo (Foto: Beto Issa))

5. TORO ROSSO

Último ranking: P5

 

Max Verstappen e Carlos Sainz nem foram ao Q3 no Bahrein. Na corrida, porém, Verstappen conseguiu mostrar um bom ritmo, aliado à boa estratégia, para passar à frente das duas Williams. Sainz é que pôde mostrar pouco depois de seu carro ficar danificado por um choque com Sergio Pérez na segunda volta. Esse time pode até ter um resultado brilhante aqui ou outro ali, mas ainda precisa mostrar que é capaz de ser consistente.
(Carlos Sainz (Foto: Beto Issa))

6. FORCE INDIA

Último ranking: P4 (-2)

 

A Williams até admitiu estar longe de onde esperava, mas, para mim, a grande decepção deste começo de ano é a Force India. O time terminou 2015 em alta, tem um bom motor e precisava dar continuidade ao que vinha fazendo. Até agora, não conseguiu. Seus dois pilotos foram para o fim do pelotão nas primeiras voltas e não tiveram ritmo para se recuperar. E o circuito de Xangai não é muito amigo do time. Foram só três top-10 lá desde a estreia na F1 em 2008, e o melhor resultado foi o sexto lugar de Hülkenberg em 2014. Em condições normais, repetir isso em 2016 me deixaria bem surpreso.
(Nico Hülkenberg (Foto: Beto Issa))

7. HAAS

Último ranking: P9 (+2)

 

Pois é! A Haas, novata, construída do zero, hoje ocupa a quinta posição do Mundial de Construtores e vem na sétima posição aqui no Power Ranking. Mas, olha, não se assustem se o time ganhar ainda mais posições depois do GP da China. Ao que parece, o VF-16 é dócil com os pneus, e isso pode fazer diferença em Xangai. Esteban Gutiérrez ter abandonado as duas corridas complica um pouco o julgamento, embora ele tenha se classificado bem e estivesse bem no Bahrein. Por enquanto, há, de certa forma, o mesmo dilema da Red Bull: quanto que Romain Grosjean tirou do carro para conseguir os 18 pontos somados em duas corridas? Falando no francês, vamos resgatar um pouco do histórico dele em solo chinês: em quatro oportunidades, sempre se classificou entre os dez primeiros, e só não pontuou em 2014 devido à quebra do câmbio da Lotus. Dá para se animar.
(Romain Grosjean (Foto: Beto Issa))

8. McLAREN

Último ranking: P7 (-1)

 

A McLaren perdeu a posição para a Haas no Power Ranking, mas isso não quer dizer que o fim de semana no Bahrein – apesar da ausência de Fernando Alonso – foi negativo. Na verdade, o time realmente se mostrou mais forte. Ok, o motor de Jenson Button quebrou, mas o circuito de Sakhir exige potência dos motores, com suas longas retas que começam após curvas de baixa. E a equipe foi bem tanto na classificação quanto na corrida, com Stoffel Vandoorne marcando o primeiro ponto de sua carreira e da McLaren em 2016. Hoje, a McLaren Honda é melhor que a Renault, e a tendência é que isso se confirme na China.
(Stoffel Vandoorne (Foto: Beto Issa))

9. RENAULT

Último ranking: P8 (-1)

 

Os problemas financeiros e a segunda mudança de motor em dois anos seguem fazendo a equipe de Enstone, ex-Lotus, hoje Renault novamente, amargar a segunda metade do pelotão. Os dois pilotos foram eliminados ainda no Q1, ficando atrás de uma Manor e de uma Sauber. Tudo bem que Kevin Magnussen largaria em último por causa de uma punição, e que um problema hidráulico não tenha deixado Jolyon Palmer ir além da volta de apresentação, mas é um começo de ano bem ruim.

Quando a Lotus mudou do motor Renault para o Mercedes em 2015, decidiu ir ‘all-in’ na concepção de um chassi que permitisse as mais altas velocidades, prejudicando a aerodinâmica nas curvas. Era um plano para mais de um ano. Com a volta da Renault, o conceito não funciona. É preciso que o carro compense a falta de potência do motor, como a Red Bull está fazendo.
(Kevin Magnussen (Foto: Beto Issa))

10. SAUBER

Último ranking: P10

 

É melhor a Sauber se cuidar, ou, muito em breve, vira a pior equipe do grid – o que seria muito triste, levando em conta a história do time. A crise dos últimos atingiu Hinwil com força, e a administração está com dificuldades para angariar fundos para manter os carros em um bom nível. O reflexo está no que vemos na pista, e quem perde são os pilotos – principalmente Felipe Nasr, que é melhor que Marcus Ericsson, mas não consegue se sentir confortável com o equipamento e está andando atrás do sueco. Aí que está a chave: na condição atual, o duelo interno não diz muita coisa, é questão de saber quem é o menos pior com um carro que é ruim; por outro lado, é o único parâmetro que há para se avaliar a performance dos pilotos. 
(Felipe Nasr (Foto: Beto Issa))

11. MANOR

Último ranking: P11

 

Quanto que Pascal Wehrlein tirou do carro e quanto que Rio Haryanto causa de prejuízo? Difícil dizer. Mas o alemão está começando a impressionar, e, se continuar assim, nem vai ser preciso que Haryanto mostre um pouco mais de desempenho para que possamos pôr de vez a Manor à frente da Sauber. Fato é que o time, pela primeira vez em sua história, está conseguindo ao menos brigar com alguém.
(Rio Haryanto (Foto: Beto Issa))

Na seção 'Por Fora dos Boxes', Renan do Couto publica às terças e sextas-feiras opiniões, análises, reportagens e outros conteúdos especiais a respeito do Mundial de F1 e das demais categorias do automobilismo mundial. Renan também é narrador dos canais ESPN e ganhou, em 2015, o Prêmio ACEESP de melhor reportagem de automobilismo com o Grande Prêmio.

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