A etapa de Road America foi a última do primeiro trimestre de temporada 2016 da Indy. A vitória de Will Power, é verdade, deu um pouco mais de equilíbrio a um campeonato que, até aqui, vê Simon Pagenaud como favoritíssimo ao título.
 
Com dois segundos lugares e três vitórias consecutivas nas cinco primeiras etapas, o francês despontava para fazer uma temporada histórica na Indy. O rendimento de Pagenaud nas últimas quatro provas caiu e o #22 da Penske só foi ao pódio em Detroit. Mesmo assim, 74 pontos é uma vantagem bem confortável com sete corridas para o final.
 
E não é por acaso que Pagenaud está aí. O crescimento assustador do gaulês é fruto de muito trabalho e aprendizado ao lado da Penske e de seus experientes companheiros de equipe. Errando pouco ou quase nada e mesclando muita velocidade a uma dose considerável de cautela, Pagenaud foi pavimentando uma excelente vantagem no início do ano. 
 
Após uma corrida 1 bem ruim em Detroit, o francês parece também ter aprendido que não deve correr apenas para assegurar alguns pontos e, desta forma, foi segundo na corrida 2 de Detroit e tinha tudo para ir ao pódio em Road America, quando sofreu com problemas no motor. Focado e em grande forma, Pagenaud segue marchando firme para seu primeiro título na Indy.

Simon Pagenaud está brilhando na temporada 2016 (Simon Pagenaud)

Duas poles e dois pódios após nove etapas. Você diria que uma campanha dessas credenciaria alguém a disputar o título da Indy? Pois é, Helio Castroneves é o atual vice-líder do campeonato com esses números. É bom que se diga que o brasileiro vem fazendo algo raro na categoria: chegando ao final de todas as corridas e, quase sempre, entre os dez primeiros.
 
Mesmo que a regularidade de Castroneves mereça ser exaltada, parece óbvio que, se quiser ser campeão, o #3 da Penske vai precisar frequentar o pódio em maior escala, além de, é claro, ter de encerrar o jejum e vencer corridas. Caso isso aconteça, é possível que o brasileiro três vezes vencedor da Indy 500 conquiste o tão sonhado título da Indy.
 
Ausência na primeira prova quando sairia da pole, péssimos resultados em Detroit 1 e no misto de Indianápolis…a temporada de Power parecia fadada ao fracasso, especialmente se lembrarmos que as três corridas citadas são algumas de suas especialidades. Mas as coisas mudam rapidamente no automobilismo e, com duas vitórias seguidas em Detroit 2 e Road America, quem ousa descartar Power da briga pelo título?
 
Na Belle Isle, a sorte sorriu para o australiano, já que Castroneves tinha tudo para vencer quando foi atrapalhado por uma bandeira amarela. Em Elkhart Lake, a vitória veio no talento. Pole e excelente nas relargadas e nas defesas de posição, Power voltou a lembrar o piloto que foi campeão em 2014 e, 81 pontos atrás de Pagenaud com sete corridas pela frente, é um cara que precisa ser respeitado.
Helio Castroneves é o vice-líder da temporada (Helio Castroneves)
Logo atrás do trio de Penske aparece Josef Newgarden. Repetindo o grande desempenho que teve em 2015, o americano vem brilhando com as cores da CFH e soma dois pódios nesses primeiros três meses. A exibição no último fim de semana ainda em recuperação de fratura na clavícula foi heroica, terminando a etapa de Road America em oitavo.
 
É indiscutível que o desempenho de Newgarden é muito acima da média, principalmente se levarmos em conta que o piloto corre por um time médio. Mesmo assim, as chances de título são remotas para 2016 já que, além do carro inferior ao da Penske, o americano ficará de fora da etapa texana que, quando foi adiada, já havia abandonado.
 
A quebra de motor em Road America complicou muito a vida de Scott Dixon. Com um grande carro e ótimo ritmo, o neozelandês era um forte candidato à vitória quando a unidade de potência da Chevrolet o deixou na mão. Com um triunfo no ano, a Ganassi ao lado e uma carreira gloriosa na Indy, Dixon não pode ser deixado de fora da lista de postulantes ao título, mas a tarefa será ainda mais árdua que em 2015 caso queira chegar lá.
Josef Newgarden vem dando um show em 2016 (Josef Newgarden)
A sexta colocação na classificação geral é de Tony Kanaan. Muito cobrado por não conseguir acompanhar o ritmo de Dixon, o brasileiro aparece agora apenas cinco pontos atrás do companheiro e parte para os três meses finais de campeonato impulsionado por uma grande exibição em Road America, onde quase bateu Power e encerrou o jejum de vitórias.
 
Geralmente melhor em ovais que em circuitos mistos e de rua, Kanaan provou no último fim de semana que ainda tem muita lenha para queimar e, mantendo este nível nas próximas apresentações, deve passar o restante do campeonato perto das primeiras colocações. Vale destacar, também, a exibição muito boa que o baiano teve na Indy 500, quando deu pinta de que poderia até fazer uma dobradinha brasileira com Castroneves.
 
Outro destaque que se repete em relação a 2015 é Graham Rahal. Enfrentando limitações com o carro da família e o motor da Honda, o americano compensa tudo isso com muito arrojo. Até aqui em oitavo, é muito provável que seja Graham o melhor representante da fabricante japonesa por mais uma temporada.
Graham Rahal é mais um dos destaques positivos do campeonato (Graham Rahal)
 
A vitória logo na primeira etapa da temporada parecia indicar que o ano de Juan Pablo Montoya seria excelente. Pois é, os resultados foram sumindo, veio o acidente e a consequente última colocação na Indy 500, mais resultados ruins e aí está o colombiano em nono na classificação geral, seis posições abaixo dos companheiros de equipe. 
 
Ninguém desaprende a guiar da noite para o dia, então é óbvio que algo vem acontecendo com Juan Pablo. Visivelmente fora de forma e pouco inspirado durante as corridas e, principalmente, durante as classificações, o colombiano já precisa esquecer os pontos e pensar mais em se recuperar pensando no futuro.
Juan Pablo Montoya é a decepção do ano (Juan Pablo Montoya)
 
A Andretti é, inegavelmente, uma decepção na temporada 2016 no que diz respeito à performance. Quase sempre mais lenta que Penske, Ganassi, CFH e até a parceira de Honda RLL, a equipe vive de brilharecos e tem tido mais bons resultados pelo talento de seus pilotos e por boas estratégias do que pela qualidade dos carros.
 
Um desses brilharecos, porém, veio em hora perfeita. Com uma tática arrojada e quase sem uma gota de combustível no fim da corrida, o quarto carro da equipe – aquele, em parceria com a Bryan Herta – guiado por Alexander Rossi faturou a histórica edição 100 das 500 Milhas de Indianápolis. Convenhamos, com uma conquista dessas, é difícil dizer que o ano é catastrófico para o time.
 
Outro alento para a Andretti é a clara evolução de Carlos Muñoz. Segundo colocado na Indy 500 e pole no Texas, o colombiano vem chamando a atenção pela pilotagem agressiva e ótimos resultados. De resto, a equipe tem Ryan Hunter-Reay em uma montanha-russa, com três pódios e dois péssimos resultados, além de Marco Andretti, dono de uma campanha, até aqui, pífia, com apenas um top-10.
Carlos Muñoz vem sendo o melhor da Andretti em 2016 (Carlos Muñoz)
Do resto do grid, os destaques ficam por conta de James Hinchcliffe, Sébastien Bourdais e Conor Daly. O canadense é quem leva a Schmidt Peterson nas costas, com a pole na Indy 500 sendo o ponto alto de seu campeonato. O francês já conseguiu tirar o zero do placar de vitórias com uma grande atuação em Detroit, enquanto o americano vai fazendo milagres com as cores da Dale Coyne. 
 
Com mais um trimestre de temporada pela frente, muita coisa pode mudar, mas o ano parece mesmo ser da Penske e, principalmente, de Pagenaud.