O rádio foi protagonista da F1 em 2016. Se por vezes a disputa na pista deixou a desejar em provas monótonas, chatas mesmo, a comunicação entre equipes e pilotos foi pelo menos um alento na transmissão para a TV. Aqui neste último 10+ de 2016, você encontra diálogos marcantes ao longo da temporada.
Apesar da boca suja — sobretudo do alemão Sebastian Vettel, que ganhou o simbólico título de “brigão do ano” e aparece em quatro dos dez momentos selecionados —, é importante dizer que os pilotos não estão mais ou menos reclamões. O espírito vencedor, a incansável busca pela vitória em um ambiente duro como o da principal categoria do automobilismo sempre fez com que pilotos vociferassem no rádio. O que se vê hoje, no entanto, é uma proliferação de mensagens no canto direito de quem se diverte com a corrida, no sofá de casa.
E isso ainda tende a aumentar. Os novos donos da F1 já espalharam para os quatro cantos que estão empenhados em aumentar o entretenimento. Se a corrida não tem sido propriamente um show, artimanhas têm sido feitas para atrair ainda mais o público. Assim como acontecia no início dos anos de 1990, até mesmo entrevistas com pilotos já dentro do cockpit foram feitas nestes anos.

Sonho de criança – Nico Rosberg, no GP de Abu Dhabi
Conquistar o título da F1 é o sonho de qualquer criança que começa no kart. O alemão Nico Rosberg demorou, mas enfim conseguiu o tão sonhado título. Foi na última corrida, já com os fogos de artifício iluminando a artificial Yas Marina, que o piloto da Mercedes chamou a equipe no rádio e gritou:
“Obrigado, rapazes. É um sonho de criança se tornando realidade. Muito obrigado”, disse Rosberg.
Em meio aos mundialmente conhecidos “yeah” e “uhuu”, o piloto alemão, que anunciou sua aposentadoria cinco dias depois, também ouviu a mulher Vivian Sibold dar-lhe os parabéns para depois retribuir com “nós conseguimos”.
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(Divulgação/Mercedes)

Não soube perder – Lewis Hamilton, no GP de Abu Dhabi
Nesse mesmo GP de Abu Dhabi, o tricampeão Lewis Hamilton não se mostrou lá dos melhores perdedores. O inglês liderava a prova, mas dependia de uma combinação de resultados para mais uma vez levar o título mundial. Deliberadamente, reduziu o ritmo de sua Mercedes a fim de atrapalhar a vida do companheiro Nico Rosberg. Ouvi um chamado de Paddy Lowe e, mesmo assim, retrucou:
“Neste momento, estou perdendo o campeonato então não estou incomodado se vou vencer ou perder esta corrida”, disse Hamilton.
A estratégia não deu certo e Hamilton ficou com o honroso vice-campeonato. Com o triunfo em Abu Dhabi, foram dez vitórias, uma a mais que Rosberg.
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(Divulgação/Mercedes)

O GP do Brasil foi aquele com a cara de Interlagos. Chovia muito, chovia pouco, parava… Tudo em questão de minutos. Como não poderia deixar de ser, equipes e pilotos ficaram malucos com as estratégias para encontrar o melhor tipo de pneu. Sebastian Vettel, que já tinha visto seu companheiro de Ferrari se chocar contra o muro em plena reta dos boxes, liderou uma campanha para pedir a interrupção da prova:
“Acho que isso é uma verdadeira loucura. É estupido. Bandeira vermelha. É isso”, iniciou Vettel.
Pouco tempo depois, sem encontrar coro suficiente em suas manifestações, elevou o tom da discussão:
“Precisamos de pneus de chuva extrema, primeiro de tudo. Depois, precisamos parar a corrida. Não está dando certo. Quantas pessoas mais vocês querem que batam? Quase bati no Kimi no meio da reta. Não dá para ver nada”, esbravejou.
Assim que a corrida foi interrompida pela primeira vez, claro, veio a comemoração. “Bandeira vermelha. Yeah. Finalmente.”
(Divulgação/Ferrari)
Novela mexicana – Sebastian Vettel, no GP do México
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A prova no Autódromo Hermanos Rodriguez seguia um tanto lenta. A três voltas do fim, tudo aconteceu em uma sucessão de atos capaz de trocar o terceiro colocado em três oportunidades. Uma autêntica novela mexicana.
Tudo começou quando o impetuoso Max Verstappen viu Sebastian Vettel crescer no seu retrovisor, retardou a freada, travou as rodas e acabou passando pela grama, o que lhe permitiu manter a terceira posição. Foi aí que o alemão vociferou pelo rádio. O então chefe de equipe Maurizio Arrivabene tomar as rédeas da situação para acalmar o alemão. Sobrou até para o diretor de provas Charlie Whiting.
No fim das contas, teve de lavar a boca suja e aprender a se comportar na F1 já que lhe tiraram o terceiro lugar no fim do dia. Os comissários consideraram que o piloto havia feito uma manobra anormal para defender a posição dos ataques de Daniel Ricciardo.
Boca suja – Sebastian Vettel, no GP da Rússia
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Sebastian Vettel já sofria com sua queda de desempenho desde as primeiras corridas do campeonato. Aos poucos, o alemão da Ferrari parecia perceber que também não seria em 2016 que alcançaria o pentacampeonato. Isso, naturalmente, o deixou furioso, capaz de exagerar nos palavrões no rádio com a equipe.
Nada que não merecesse entrar para a história como uma das conversas mais divertidas da F1, algo que também salvou a própria corrida na Rússia. Na largada, Daniil Kvyat furou o pneu de Vettel logo na primeira curva. Pouco tempo depois, outro toque, desta vez, o suficiente para colocar o #5 para fora da pista e protagonizar o rádio marcante.
“Que p… Quem foi o filho da p… que bateu em mim? Estou fora. Bati. Alguém bateu na minha traseira na p… da curva 2 e depois de novo na curva 3. P… Honestamente, que p… estamos fazendo aqui?”, disse.
Tome piiiiiii – Sebastian Vettel, no GP da Espanha
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Logo após o GP da Rússia, mais boca suja. E de novo com Sebastian Vettel. Desta vez, no GP da Espanha.
O alemão não gostou nada nada de um ataque do australiano Daniel Ricciardo e reclamou no rádio. Até aí, tudo bem. Mesmo a essa altura do campeonato, já era até esperado. O problema é que o piloto sugeriu que a equipe também estava fazendo corpo mole e não defendendo os próprios interesses. O clima, como não poderia deixar de ser, não ficou nada bom na garagem da escuderia.
“P… Se eu não evitasse, ele bateria no meu carro. Ele veio direto no meu carro. Honestamente, o que nós estamos fazendo aqui? Correndo ou jogando ping-pong?”, reclamou o alemão.

O “ah não, não…” de Lewis Hamilton no GP da Malásia foi de cortar o coração de mesmo quem não gosta de esporte. O inglês liderava tranquilamente no circuito de Sepang e já fazia as contas para o tetracampeonato.
Nico Rosberg nesse momento sofria com a queda para a última colocação na corrida e buscava apenas recuperar terreno (terminou na terceira colocação e com o rival fora da prova).
Mas Hamilton só não contava com o estouro do Mercedes ao fim da reta. O motor que tanto o ajudou no campeonato agora o deixava a pé em um cena que inclusive inspirou os 10+ abandonos dramáticos da F1.
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(Lewis Hamilton (Foto: Reprodução/Facebook))

Homenagem campeã – Lewis Hamilton, GP do Canadá
“Flutue como uma borboleta, ferroe como uma abelha. Essa foi para o Muhammad Ali”, assim disse Lewis Hamilton após sua vitória no GP do Canadá. O inglês da Mercedes usou uma frase do ex-campeão mundial e lenda do boxe, que havia morrido naquela semana, como forma de homenagem.
Hamilton, que sempre mostrou cultura até surpreendente no mundo dos esportes, vide as homenagens a Ayrton Senna, ainda desceu do carro e arriscou alguns socos no ar.
(Lewis Hamilton (Foto: Mercedes))
Ordens de equipe – Felipe Nasr, no GP de Mônaco
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A Sauber pouco fez ao longo da temporada, ainda assim, se deu ao luxo de fazer jogo de equipe. Pelo rádio, na metade do GP de Mônaco, o time pediu para Felipe Nasr deixar o companheiro Marcus Ericsson ultrapassar.
O brasileiro não gostou nada do pedido e ameaçou não cumprir a ordem, pedindo explicações para ceder a 15ª posição. A equipe ainda tentou explicar dizendo que Ericsson estava mais rápido e tinha mais condições de alcançar o 14º colocado.
Com a demora na troca de posições, o sueco não quis nem saber e forçou uma ultrapassagem no apertado traçado do Principado. O resultado não poderia ser diferente, Nasr foi tocado e rodou na Rascasse.
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Como uma vitória – Romain Grosjean, no GP da Austrália
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A estreante Haas foi muito bem, obrigado, em sua primeira corrida na F1. Mais do que isso, foi muito bem ao longo do ano. A primeira metade surpreendeu, sobretudo, com o francês Romain Grosjean, contratado para liderar a equipe em uma temporada complicada.
E foi justamente de Grosjean que veio o rádio marcante. Com a voz emocionada, o francês disse soube mensurar o quão importante era aquela corrida para o time norte-americano:
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(Romain Grosjean, Haas, Austrália, 2016)