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Não foi uma ultrapassagem ordinária — nem mesmo em tempos de DRS para facilitar o trabalho. Em Monza, o efeito das asas móveis já é menor na comparação com outros circuitos, levando em conta que os carros usam configurações com menos pressão aerodinâmica. Soma-se a isso um motor Renault sabidamente inferior em relação ao Mercedes. Por último, deve ser exaltada a coragem para um mergulho na Variante del Rettifilo mesmo estando a uma distância considerável do carro da frente.
Foi de se tirar o chapéu a manobra que Daniel Ricciardo executou para ganhar o quinto lugar de Valtteri Bottas no GP da Itália. O melhor momento da corrida, sem dúvida. “Ultrapassagem do ano”, exclamou Martin Brundle na transmissão da Sky para o Reino Unido. E o próprio Ricciardo não escondeu a alegria: vibrou dentro do carro e depois carregou o já conhecido sorriso paddock afora.
A corrida em Monza não foi das melhores. Pouca ação, pouca emoção. A vitória foi definida na largada, com Lewis Hamilton tracionando muito mal e caindo para sexto. Os pilotos da Ferrari nem entre si brigaram, e sequer tiveram chance de almejar o segundo lugar com a estratégia inferior que o time escolheu.
Piloto por piloto, vamos mais afundo no que foi a 14ª etapa do campeonato — e, claro, às notas do Ranking GP.

Não demorou muito para que Lewis Hamilton se visse em sexto na Itália (A largada do GP da Itália (Foto: Beto Issa))
1 — Nico Rosberg (Mercedes) — 8,0
De novo, Rosberg saiu vencedor, mas não merecedor de uma grande nota. Perdeu a pole para Hamilton, ganhou a ponta no erro do rival na largada. No fundo, o que lhe importa é que a diferença na classificação caiu.
2 — Lewis Hamilton (Mercedes) — 7,0
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Hamilton perdeu pontos em relação a Rosberg por ter largado mal. Em sexto ao final da primeira volta, o segundo lugar era o máximo que poderia conseguir — e a obrigação.
3 — Sebastian Vettel (Ferrari) — 8,0
Primeiro pódio da Ferrari desde a Áustria. Pois é… Para Vettel, o primeiro desde Baku. Ele tirou da Ferrari o que era possível em Monza: largou e chegou em terceiro.

4 — Kimi Räikkönen (Ferrari) — 7,5
Embolsou 12 pontos importantes para aproximar novamente a Ferrari da Red Bull nos Construtores. No conjunto da obra, embora atrás de Vettel, foi um bom fim de semana.
5 — Daniel Ricciardo (Red Bull) — 8,5
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A partir do que se viu no fim de semana, o quinto lugar era, realisticamente, o máximo para a Red Bull — e ainda assim não seria fácil. É por isso que Ricciardo mais uma vez leva uma nota alta aqui no Ranking GP. É uma constante em 2016.
6 — Valtteri Bottas (Williams) — 8,0
Se tinha uma corrida para a Williams andar bem, era essa. Ainda assim, admito que fiquei surpreso por ver Bottas em quinto no grid e em sexto no final da corrida sem que nenhum dos rivais abandonasse. Foi um bom trabalho.
7 — Max Verstappen (Red Bull) — 6,5
Max foi outro que largou mal. Ele errou, seu carro entrou em anti-stall e de repente o holandês estava em 11º. Foi se recuperando até recuperar a sétima posição do grid.

8 — Sergio Pérez (Force India) — 6,5
Em nenhum momento a Force India apareceu bem. Se por um lado o carro de fato está melhor neste ano, mais completo, por outro perdeu a ótima performance que tinha em pistas mais velozes. Pérez passou o domingo andando por aqui.
9 — Felipe Massa (Williams) — 6,0
Não passou para o Q3 no sábado, mas fez uma boa largada no domingo. Foi corajoso para atirar o carro por dentro na chicane como fez. Depois disso, não teve muito o que fazer em um domingo pouco tumultuado.
10 — Nico Hülkenberg (Force India) — 6,0
Largou em nono, chegou em décimo, também não viveu um domingo tumultuado.
11 — Romain Grosjean (Haas) — 6,5
O francês foi o único piloto a fazer apenas uma parada usando supermacios e médios. A tática deu certo, e ele ganhou posições para chegar em 11º. Para pontuar, só mesmo se alguém à frente abandonasse.
12 — Jenson Button (McLaren) — 5,5
A prova do inglês ficou comprometida depois que ele perdeu várias posições na largada. Depois, até que a recuperação foi boa, incluindo uma ultrapassagem sobre Fernando Alonso. Terminou atacando Grosjean, mas sem conseguir passá-lo.

13 — Esteban Gutiérrez (Haas) — 5,0
A ida ao Q3 foi seu grande momento no ano até aqui — apenas a terceira de sua carreira na F1. No entanto, na primeira volta, já passou em 18º, comprometendo qualquer chance de um bom resultado.
14 — Fernando Alonso (McLaren) — 4,5
Alonso fez a melhor volta!Bem, pouco importa. Ele parou nas voltas finais, já de tanque vazio, colocou pneus novos e conseguiu a primeira volta mais rápida da Honda em 24 anos.
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15 — Carlos Sainz (Toro Rosso) — 4,0
Alguém viu Carlos Sainz por aí? Se ele não tivesse ido a Monza, talvez fosse mais notado no fim de semana. De todo modo, não era uma corrida em que a Toro Rosso prometia muito.
16 — Marcus Ericsson (Sauber) — 3,5
Atrás de Nasr no sábado, distante na 16º colocação no domingo. Mais um fim de semana em que há pouco a ser dito ao seu respeito.
17 — Kevin Magnussen (Renault) — 2,5
Ok, o carro não era capaz de ir mais além. Mesmo assim, não deixa de ser um vexame a Renault ficar com os dois piores tempos do treino classificatório. Magnussen foi o último. Possivelmente o ponto mais baixo do ano.
18 — Esteban Ocon (Manor) — 2,5
Não há muito o que falar: sequer deixou os boxes na classificação devido a problemas elétricos, último colocado durante a maior parte da prova no domingo.
19 — Daniil Kvyat (Toro Rosso) — 2,0
Outro fim de semana grandioso do russo. Não passou do Q1, viu surgir um boato — já negado — de que perderá a vaga ainda neste ano e abandonou com problemas no carro depois de receber uma punição por excesso de velocidade nos boxes.

20 — Pascal Wehrlein (Manor) — 6,0
13º no grid, à frente de carros da McLaren, da Haas, da Renault, da Toro Rosso e da Sauber. Andava em 12º, 13º, no momento em que seu motor falhou. Isso, correndo pela Manor. Merece subir para um time melhor em 2017.
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21 — Jolyon Palmer (Renault) — 2,0
22 — Felipe Nasr (Sauber) — 2,0
Independentemente de quem tem culpa, os dois podiam evitar o acidente. E Palmer inclusive era quem tinha uma visão melhor do lance. Estava atrás. Já para quem critica Nasr, ele foi menos agressivo do que Max Verstappen vem sendo há algum tempo. Aconteceu, ambos jogaram a corrida fora. O GP de Cingapura pode ser mais positivo.

Uma corrida praticamente decidida na largada. Rapidamente se tornou evidente que Lewis Hamilton chegaria sem grandes dificuldades ao segundo lugar. Seguiu-se uma procissão. Monza, com o baixo desgaste de pneus, oferece menos variáveis estratégias, então é só mesmo com equipes próximas que as corridas ficam boas.
Melhor corrida:
GP da Espanha — 9,5
Pior corrida:
GP da Europa — 2,0
Média: 6,75
(Aviões desenham bandeira da Itália no céu (Foto: Beto Issa))
Os melhores do ano
O top-3 continua o mesmo, mas Daniel Ricciardo se aproximou de Lewis Hamilton. Olha, o ano do australiano pode estar sendo discreto em relação ao de outros pilotos, mas ele está guiando bem demais. Mais abaixo, Sebastian Vettel passou Max Verstappen
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1 — Lewis Hamilton — 7,86
2 — Daniel Ricciardo — 7,75
3 — Nico Rosberg — 7,64
4 — Kimi Räikkönen — 7,32
5 — Sebastian Vettel — 7,06
6 — Max Verstappen — 6,98
7 — Sergio Pérez e Valtteri Bottas — 6,32
9 — Fernando Alonso — 6,00
10 — Carlos Sainz — 5,86
11 — Nico Hülkenberg — 5,82
12 — Jenson Button — 5,71
13 — Felipe Massa — 5,64
14 — Romain Grosjean — 5,57
15 — Esteban Gutiérrez e Pascal Wehrlein — 4,68
17 — Kevin Magnussen — 4,14
18 — Daniil Kvyat — 4,07
19 — Felipe Nasr — 4,00
20 — Jolyon Palmer — 3,71
21 — Marcus Ericsson — 3,50
22 — Esteban Ocon — 3,25
23 — Rio Haryanto — 2,83
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Na seção 'Por Fora dos Boxes', Renan do Couto publica às terças e sextas-feiras opiniões, análises, reportagens e outros conteúdos especiais a respeito do Mundial de F1 e das demais categorias do automobilismo mundial. Renan também é narrador dos canais ESPN e ganhou, em 2015, o Prêmio ACEESP de melhor reportagem de automobilismo com o Grande Prêmio.