Nico Rosberg teve um grande fim de semana em Cingapura. Um de seus melhores do ano. Se era para reassumir a liderança do campeonato, que fosse desta maneira. O alemão não foi mais exaltado pela pole no sábado porque é quem é. Foram 0s5 de vantagem para Daniel Ricciardo. Foram 0s7 para Lewis Hamilton. Isso, em uma pista em que a Mercedes não rendeu tão bem quanto se esperava dela nos últimos três anos.

Na corrida, Rosberg foi dominante, embora ameaçado pelas estratégias diferentes no final. Conseguiu abrir para Ricciardo nas voltas iniciais, quando tinha pneus mais moles, e em uma prova de estratégias diferentes, colocou-se o suficiente à frente do australiano para segurá-lo e vencer.

Destaque da corrida? Talvez. Mas é preciso elogiar também as atuações de outros pilotos, como o próprio Ricciardo, que agora está empatado com Lewis Hamilton na liderança do Ranking GP, e os campeões Sebastian Vettel e Fernando Alonso. Vettel largou em último após os problemas mecânicos do Q1 e chegou em quinto. Alonso, de novo, foi consistente e derrotou carros mais velozes para chegar em sétimo — terceira vez no ano.

Daniel Ricciardo agora está empatado com Lewis Hamilton no Ranking GP (Daniel Ricciardo na Red Bull (Foto: Red Bull))

1 — Nico Rosberg (Mercedes) — 9,0

Rosberg dominou o fim de semana. Colocou Hamilton no bolso. O fim de semana de Nico tem de servir de alerta para o rival: é bom andar pra valer, ele pode ganhar corridas.

2 — Daniel Ricciardo (Red Bull) — 9,0

Eu acreditava que a Red Bull poderia surpreender. Não deu para vencer, mas Ricciardo chegou bem perto, além de ter superado Hamilton para largar na primeira fila. Grande atuação, o que não é exatamente uma novidade em 2016.

3 — Lewis Hamilton (Mercedes) — 7,5

Teve problemas nos treinos livres, é verdade, mas faltou guiar melhor. Jamais ameaçou Ricciardo na briga pela segunda posição e precisou contar com a estratégia para salvar o pódio. Ele acha — com alguma razão — que em condições normais vai sempre andar na frente de Rosberg. É bom não descuidar.

Nico Rosberg na festa pela vitória na noite de Cingapura (Nico Rosberg fazendo a festa em Cingapura (Foto: Mercedes))

4 — Kimi Räikkönen (Ferrari) — 8,0

Kimi estava extremamente rápido no Q1 e no Q2, mas não conseguiu capitalizar no Q3. Fez uma boa corrida e uma boa ultrapassagem para cima de Hamilton, mas depois perdeu a posição no pulo do gato da Mercedes.

5 — Sebastian Vettel (Ferrari) — 9,0

Alguns pilotos rápidos, como Hülkenberg e Bottas, saíram de sua frente devido a problemas, é verdade, mas isso não torna menos impressionante a recuperação do alemão. De último para quinto sem ajuda do safety-car ou quebras generalizadas em uma pista de rua. Diante das circunstâncias, ótimo domingo.

6 — Max Verstappen (Red Bull) — 7,0

Já não bastasse ter, de novo, largado mal, ainda perdeu mais tempo ao evitar a rodada de Hülkenberg. Dali em diante, ficou preso no tráfego, não conseguiu passar Daniil Kvyat — ah, que ironia — e se viu apenas em sexto na hora da bandeirada. Perdeu

7 — Fernando Alonso (McLaren) — 7,5

Alonso foi outra vez para o Q3 e conseguiu ser consistente para somar mais seis pontos para a McLaren. Nas CNTP, o máximo que se pode conquistar na F1 atual com Mercedes, Red Bull e Ferrari todas na pista.

8 — Sergio Pérez (Force India) — 6,0

As chances de um bom resultado, como tinha sido nos outros circuitos de rua, foram embora com a punição do sábado. E a responsabilidade foi toda do Pérez ao desrespeitar as bandeiras amarelas no Q2.

9 — Daniil Kvyat (Red Bull) — 7,5

Melhor corrida desde que voltou para a Toro Rosso, tranquilamente. Passou para o Q3, terminou nos pontos e fez Max Verstappen engolir alguns sapos. Grande dia para o russo, apesar de ter terminado duas posições atrás de onde largou.

10 — Kevin Magnussen (Renault) — 7,5

É preciso elogiar Magnussen, que saiu de 16º, mas soube aproveitar as oportunidades para colocar a Renault nos pontos pela segunda vez no ano. O resultado pode ajudá-lo a se manter no grid em 2016.

Daniil Kvyat pontuou pela primeira vez desde o GP da Inglaterra (Daniil Kvyat em Cingapura (Foto: Red Bull))

11 — Esteban Gutiérrez (Haas) — 5,5

Gutiérrez estava o tempo todo brigando no pelotão do meio — e foi ultrapassado algumas vezes. Talvez até merecesse pontos. Em vez disso, terminou em 11º pela quinta vez no ano.

12 — Felipe Massa (Williams) — 5,0

Não era corrida para se esperar muito da Williams, e a equipe de fato não surpreendeu. Massa fez uma prova tão apagada quanto seu carro em Cingapura.

13 — Felipe Nasr (Sauber) — 5,5

Agora, para Nasr, o resultado pode sim ser considerado mais digno. Dentro das limitações do carro da Sauber, ser 13º é motivo para ficar contente. Ficou à frente até de uma Toro Rosso.

14 — Carlos Sainz (Toro Rosso) — 4,5

O enrosco com Hülkenberg na largada comprometeu seu domingo. Ele sobreviveu e até tinha um ritmo ok, mas a estratégia ficou comprometida pela necessidade de parar cedo demais no box.

15 — Jolyon Palmer (Renault) — 3,5

Outro que foi cedo para os boxe, por causa de um pneu furado. Passou o resto da corrida brigando com os pilotos da Manor e com Ericsson.

Vettel saiu lá de trás para salvar um top-5 no GP de Cingapura (Sebastian Vettel em Cingapura (Foto: Ferrari))

16 — Pascal Wehrlein (Manor) — 3,5

Este não foi um grande fim de semana da Manor. Wehrlein largou só em 20º e teve problemas de freios ao longo da prova. Ao menos superou Ericsson.

17 — Marcus Ericsson (Sauber) — 3,0

A mesma estratégia de três paradas que deu certo para Nasr acabou atrapalhando, disse Ericsson, que alegou ter ficado preso no tráfego após seus pit-stops.

18 — Esteban Ocon (Manor) — 2,5

Ocon é muito melhor do que era Haryanto, só que é difícil pegar a mão do carro no meio do ano, e em Cingapura isso se reflete. Complicou-se ainda mais ao ser punido por ultrapassar durante o safety-car.

19 — Jenson Button (McLaren) — 4,0

Um enrosco com Bottas para desviar de Hülkenberg na largada danificou a asa, o duto de freio e o assoalho, e as chances de um bom resultado em Cingapura foram embora — ter feito apenas o 13º tempo no Q2 já não ajudava muito.

20 — Valtteri Bottas (Williams) — 4,0

Também fez prova discreta até abandonar na 35ª volta com a Williams suspeitando de problemas mecânicas. O fim de semana já não prometia muito mesmo.

21 — Nico Hülkenberg (Force India) — 5,0

Esse é um que podia ir longe. Não dá para culpar ninguém pelo toque, mas a sua largada já ia colocá-lo na briga pela quinta posição, pelo menos. Tinha se classificado em oitavo.

22 — Romain Grosjean (Haas) — 4,0

Um problema no brake-by-wire não o deixou chegar ao grid, onde largaria na 14ª posição, atrás de Gutiérrez. 

GP DE CINGAPURA — 5,5

O grande problema do GP de Cingapura: a vitória pareceu encaminhada para Rosberg do início ao fim. A prova começou extremamente monótona, com pouca ação entre os primeiros, mas ficou bem interessante com as estratégias diferentes na fase final. Se Ricciardo tivesse vencido, a reação do público em geral certamente seria diferente.

Melhor corrida:
GP da Espanha — 9,5

Pior corrida: 
GP da Europa — 2,0

Média: 6,67
(Getty Images/Red Bull Content Pool)

Os melhores do ano

Daniel Ricciardo empatou Lewis Hamilton na liderança do Ranking GP após 15 corridas no ano. É realmente uma pena que o australiano ainda não tenha vencido apesar de fazer esta grande temporada. Nico Rosberg continua em terceiro.

1 — Lewis Hamilton e Daniel Ricciardo — 7,83 
3 — Nico Rosberg — 7,73
4 — Kimi Räikkönen — 7,37
5 — Sebastian Vettel — 7,17
6 — Max Verstappen — 6,97
7 — Sergio Pérez — 6,40
8 —  Valtteri Bottas — 6,27
9 — Fernando Alonso — 6,11
10 — Carlos Sainz e Nico Hülkenberg — 5,77
12 — Jenson Button e Felipe Massa — 5,60
14 — Romain Grosjean — 5,47
15 — Esteban Gutiérrez — 4,73
16 — Pascal Wehrlein — 4,60
17 — Kevin Magnussen — 4,37
18 — Daniil Kvyat — 4,30
19 — Felipe Nasr — 4,10
20 — Jolyon Palmer — 3,70
21 — Marcus Ericsson — 3,47
22 — Esteban Ocon — 3,00
23 — Rio Haryanto — 2,83

Na seção 'Por Fora dos Boxes', Renan do Couto publica às terças e sextas-feiras opiniões, análises, reportagens e outros conteúdos especiais a respeito do Mundial de F1 e das demais categorias do automobilismo mundial. Renan também é narrador dos canais ESPN e ganhou, em 2015, o Prêmio ACEESP de melhor reportagem de automobilismo com o Grande Prêmio.

Leia as colunas anteriores

Siga no Twitter