Ele está vivo, bem como o campeonato. Duas corridas disputadas em 2016 e duas vitórias de Nico Rosberg, que já abre 17 pontos na liderança do Mundial de Pilotos. E a julgar por como foram agitados os GPs da Austrália e do Bahrein, todo o pessimismo dos últimos meses pode começar a ser deixado de lado — a temporada 2016 começou prometendo ser animada.

Terminei 2015 perguntando qual é o verdadeiro Rosberg? O que fizera frente a Hamilton nos dois primeiros anos juntos na Mercedes ou o que sumira em 2015, completamente perdido.

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 As três vitórias do fim do ano passado não são um bom parâmetro. As duas deste ano, são. E nessa brincadeira, já são cinco vitórias consecutivas na F1. Sabe quem são os pilotos, em toda a história da F1, que chegaram a ganhar cinco seguidas? Sebastian Vettel, Alberto Ascari, Michael Schumacher, Jim Clark, Jack Brabham, Nigel Mansell e Hamilton. Todos campeões mundiais.

Rosberg, dessa vez, conseguiu fazer uma boa largada. Saiu bem melhor que Hamilton e ganhou a ponta. Assim se livrou de Valtteri Bottas, que no melhor estilo “If you no longer go for a gap which exists you are no longer a racing driver”, deu no meio do carro #44. Os comissários, no entanto, interpretaram que o espaço não existia, e o puniram.

Nico Rosberg venceu sem ser atacado. Ele rapidamente abriu para Massa (Rosberg rapidamente disparou em relação à Williams de Massa (Foto: Beto Issa))

Para Hamilton, aquilo matou a corrida não só pela rodada e a queda para a sétima posição. Seu carro ficou prejudicado pelo impacto, e, a partir da metade da prova, ele passou a ter muitas dificuldades para acompanhar o ritmo de Kimi Räikkönen.

Falando em Kimi, o finlandês fez sua melhor apresentação em um bom tempo, e comprovou como é bom o desempenho da Ferrari em ritmo de corrida. Fez boas ultrapassagens sobre Daniel Ricciardo e as Williams no começo da prova, foi para segundo e, em diversos momentos da prova, virava muito próximo de Rosberg.

Outro astro: Romain Grosjean. Aliás, o astro. Pela segunda corrida seguida, sai com a maior nota deste Ranking GP. Fez ultrapassagens, andou forte e constantemente entre os dez primeiros até chegar em quinto. Não deu “sorte” como na Austrália, de ir parar lá por causa de uma bandeira vermelha. Dessa vez, foi por mérito absoluto dele e da Haas.

As decepções, algumas: a Williams, a Force India e a Sauber. Bem, chega de enrolação e vamos lá, às notas do GP do Bahrein!

Kimi Räikkönen fez boas ultrapassagens em Sakhir (Kimi Räikkönen fez boas ultrapassagens no começo da prova (Foto: Beto Issa))

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1 — Nico Rosberg (Mercedes) — 8,5

Rosberg foi batido por Hamilton na classificação, de novo, mas foi impecável na corrida. Tomou a ponta na largada e, a partir de então, não correu riscos — nem havia necessidade. Administrou bem a vantagem para Räikkönen e venceu com folga.

2 — Kimi Räikkönen (Ferrari) — 8,5

Räikkönen não merece uma nota maior porque perdeu para Vettel na classificação, mas que belo trabalho. Apático? Desmotivado? Que nada. Foram lindas ultrapassagens no começo da corrida e um excelente trabalho dali em diante. Oitavo pódio dele no Bahrein, quinta vez na segunda posição — só falta vencer.

3 — Lewis Hamilton (Mercedes) — 7,5

A volta da pole foi excelente, o problema foi quando as luzes se apagaram. Hamilton novamente foi mal e perdeu a posição. Depois, chances de vitória comprometidas pela pancada que levou de Bottas. Ainda assim, chegou ao pódio.

4 — Daniel Ricciardo (Red Bull) — 8,0

Mais um grande resultado para o australiano, que também tinha sido quarto em Melbourne. Perdeu a posição para as duas Williams na largada, mas, no fundo, nem chegou a brigar por estes 12 pontos. Não tinha como fazer frente a Mercedes e Ferrari, não foi ameaçado por quem vinha atrás.

5 — Romain Grosjean (Haas) — 9,5

Fantástico resultado. Mesmo. O sexto lugar na Austrália pareceu circunstancial, apesar do bom desempenho do francês durante toda a segunda parte da prova. No Bahrein, ele andou o tempo todo na frente, fez boas ultrapassagens e somou dez pontos. “I love you”, declarou pelo rádio para sua nova equipe.

6 — Max Verstappen (Toro Rosso) — 7,5

A Toro Rosso nunca tinha pontuado no Bahrein. Pois é. Então é bem digno o resultado de Max Verstappen, que chegou na sexta posição neste domingo. Tanto ele quanto Sainz haviam se classificado mal. Na corrida, Verstappen teve bons momentos e também fez boas ultrapassagens.

7— Daniil Kvyat (Red Bull) — 6,0

Quem sabe o sétimo lugar ajuda o russo a finalmente acordar na temporada. Kvyat foi precocemente eliminado nas duas classificações e sequer largou na Austrália. Hoje, conseguiu esse resultado na base da estratégia. Segurou mais tempo no primeiro stint, escapou das confusões e ganhou posição de pista. 

8 — Felipe Massa (Williams) — 5,5

Foi mais culpa da Williams do que dele, mas, no fundo, não tem como dar uma nota maior para o Massa. Ele era segundo após a largada, terminou uma volta atrás. Aconteceu que o time de Grove só tinha pneus médios que ainda não tinham sido usados, e acreditou que conseguiria se dar bem fazendo duas paradas. Não foi o caso.

9 — Valtteri Bottas (Williams) — 5,5

Apesar do drive-through que recebeu, terminou a só 6s de Massa. Também fez duas paradas, mais a passagem pelo box, não chamou a atenção durante a prova. A Williams está deixando a desejar até agora.

10 — Stoffel Vandoorne (McLaren) — 8,0

A McLaren paga mais de R$ 150 milhões para os campeões Fernando Alonso e Jenson Button, e é o belga Stoffel Vandoorne que dá ao time o primeiro ponto de 2016. O representante da ‘Ótima Geração Belga’ também se classificou à frente de Button no sábado. E nas vezes em que foi mostrado em meio a disputas de posição, comportou-se bem diante de pilotos mais experientes.

Stoffel Vandoorne estreou na zona de pontuação (Stoffel Vandoorne estreou na zona de pontuação (Foto: Beto Issa))

11 — Kevin Magnussen (Renault) — 5,0

Foi punido por causa de um erro nos treinos, teve de vir de trás e até foi capaz de galgar posições com sua estratégia de três paradas. Acabou perdendo o último ponto para o piloto que o fez ser preterido dentro da McLaren.

12 — Marcus Ericsson (Sauber) — 5,5

O 12º lugar é mais do que a Sauber parece ser capaz hoje. O sueco esteve brigando por posições o tempo todo. Ultrapassou, foi ultrapassado… Ainda assim, nada que fosse de saltar os olhos.

13 — Pascal Wehrlein (Manor) — 7,5

É… A Manor está ficando mais competitiva. Em condições normais, Wehrlein conseguiu bater uma Sauber e, pasmem, duas Force India. O alemão tem futuro na F1. Não estivesse Rosberg em grande fase, pensariam em colocá-lo na Mercedes muito em breve.

14 — Felipe Nasr (Sauber) — 3,0

Último na classificação, fez uma boa ultrapassagem sobre Ericsson nas voltas iniciais, mas foi só. O brasileiro tem se queixado de muitos problemas no carro. Isso certamente prejudica o seu desempenho, porém o fato é que ele está andando na rabeira do pelotão e sem conseguir se destacar.

15— Nico Hülkenberg (Force India) — 4,5

Ah, a Force India, que decepção. Andou nada no Bahrein. Hülk merece aplausos por ter avançado ao Q3, mas foi lá para trás nas voltas iniciais, parando para trocar a asa dianteira, e não se recuperou — isso porque nos últimos anos o ritmo de corrida vinha sendo a força dos indianos. Duas paradas, de fato, não era a melhor estratégia no domingo.

16 — Sergio Pérez (Force India) — 3,5

Não passou do Q1, não passou de 12º na corrida. O carro está devendo, e ficou prejudicado após uma colisão com Sainz na segunda volta, mas ‘Checo’ começa o ano devendo também em relação ao seu companheiro de equipe.

17 — Rio Haryanto (Manor) — 3,0

Ter se classificado à frente de Felipe Nasr seria um grande feito se Pascal Wehrlein não tivesse sido mais rápido que as duas Renault, as duas Sauber e Sergio Pérez para largar em 16º.

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18 — Carlos Sainz (Toro Rosso) — 4,0

Saiu da prova cedo depois com um problema que o mandou para o fim da fila, originado pelo toque com Pérez. Classificou-se em 11º, abaixo do que a Toro Rosso era capaz, e nem teve a chance de mostrar serviço na corrida. Seu carro estava inguiável e reagiu muito mal nas curvas para a direita. Parou por segurança.

19 — Esteban Gutiérrez (Haas) — 6,0

Passou para o Q2 e ganhou muitas posições para ficar entre os dez primeiros enquanto esteve na pista, perto de Grosjean. Tudo foi por água abaixo com um problema terminal nos freios do VF-16.

20 — Jenson Button (McLaren) — 5,5

A McLaren avançou tranquilamente para o Q2 neste fim de semana, e no Bahrein, uma pista que tem muitas retas e exige dos motores. Pena que a sua participação durou bem pouco: depois de subir para décimo na largada, parou com o motor quebrado após seis voltas.

21 — Sebastian Vettel (Ferrari) — 6,0

Vettel merece ganhar uma nota “na média” pelo o que fez no sábado: ameaçou dividir a primeira fila da Mercedes e se classificou na melhor posição possível, a terceira. A Ferrari tem um carro tão bom quanto a Mercedes para os domingos, não para as tomadas de tempos. 

22 — Jolyon Palmer (Renault) — 4,0

Esse não merece a nota na média. Foi mal demais na classificação, de novo. Levou 0s3 do Magnussen e amargou a 20ª posição. Precisaria da corrida para se recuperar, não teve a chance.

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GP do Bahrein — 8,5

É, a média da F1 2016 até agora é 8,5. O GP do Bahrein foi tão bom quanto o da Austrália. Muitas ultrapassagens, várias disputas e estratégias bem diferentes umas das outras. A liberação para se usar um terceiro tipo de pneu vai surtindo efeito neste começo de ano.

Na seção 'Por Fora dos Boxes', Renan do Couto publica às terças e sextas-feiras opiniões, análises, reportagens e outros conteúdos especiais a respeito do Mundial de F1 e das demais categorias do automobilismo mundial. Renan também é narrador dos canais ESPN e ganhou, em 2015, o Prêmio ACEESP de melhor reportagem de automobilismo com o Grande Prêmio.

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