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Não tem outro jeito de dizer isso: a primeira corrida da F1 em 2017 decepcionou. Com um resultado melhor do que a própria disputa, a madrugada só serviu para ver a vitória de Sebastian Vettel com uma boa Ferrari.
Mas quem dera a competição fosse o único problema: em um dia de poucas coisas dando certo, até a transmissão do GP da Austrália ficou devendo. Seja por problemas da transmissão da TV Globo ou da geração de imagens da FOM, o público ficou confuso do início ao fim.
As duas esferas das desventuras do GP da Austrália foram avaliadas pelo GRANDE PREMIUM. E a conclusão é simples: seja pelo que aconteceu dentro da pista ou fora dela, o fã de F1 foi dormir com um gosto amargo na boca.
Corrida chata…
Todos aqueles que acordaram na madrugada sabiam do alto risco de o GP da Austrália ser chato. Para começo de conversa, Albert Park sempre proporcionou mais acidentes do que ultrapassagens. E também tem o fato de que o novo regulamento, que deixou os carros mais rápidos e bonitos, dificultou as ultrapassagens. Essa é uma combinação perigosa, como poderíamos imaginar. A questão é que ver uma corrida monótona sempre é mais doloroso do que esperamos. Foi às 2h da madrugada de um domingo que descobrimos que estávamos certos.
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Não é exagero dizer que dá para contar nos dedos das mãos as ultrapassagens do GP da Austrália. E todas foram por posições intermediárias – o posto mais alto conquistado na pista foi o sétimo lugar, com Sergio Pérez superando Carlos Sainz. Praticamente todas as outras foram por posições que nem valiam nada. A ultrapassagem mais bonita – a de Esteban Ocon para cima de Fernando Alonso, com Nico Hülkenberg por perto – só valeu o décimo lugar. Não é o ideal.
Mas também seria exagero dizer que a disputa pela liderança foi monótona. A briga de Sebastian Vettel com Lewis Hamilton foi intensa, apesar de ter durado meia dúzia de voltas. Isso, de certa forma, mostra que a F1 teve mais sorte do que juízo: na temporada de menos ultrapassagens dos últimos tempos, voltaremos a ter uma briga de igual para igual por vitórias e título. Mas ainda é muito pouco: campeonato nenhum se sustenta só com ultrapassagem nos boxes. E talvez essa seja a toada de 2017.

O GP da Austrália foi monótono (Largada do GP da Austrália)
Ainda é muito cedo para falar de 2018 – ou simplesmente precipitado. Mas já parece evidente que uma mudança será necessária. Boa parte dos circuitos do calendário padece dos mesmos problemas de Albert Park. Até funcionavam bem com o regulamento antigo, mas agora a história é outra.
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A solução mais simples tem a ver com os pneus. A Pirelli errou a mão ao fazer pneus que não só se desgastam pouco como também têm rendimentos parecidos. A diferença entre um ultramacio e um macio não é tão grande quanto já foi.
Para resolver isso, a Pirelli devia olhar para 2012. Naquela época o alto desgaste apimentava as corridas, valorizando muito mais as estratégias. Além disso, a Pirelli colocava ‘degraus’ na escalação dos pneus: ao invés de supermacio, macio e médio, a fornecedora levava supermacio, médio e duro. A diferença de rendimento entre supermacios e médios era enorme, o que facilitava reviravoltas.
No fim das contas, ver o GP da Austrália foi que nem comer salada quando se está com fome. Matamos a saudade da F1, mas não exatamente da forma que queríamos. A F1 de 2017 atravessa um período de reestruturação e o produto que temos hoje certamente não é bom o suficiente. Está ruim, bem ruim. O que nos resta é a esperança de que as longas retas de Xangai permitam algo minimamente movimentado.

…E transmissão perdida
Se a F1 viu ao menos alguns sinais animadores no ponto de vista da competitividade, a parte da transmissão oficial da categoria foi qualquer coisa de trágica. Faltou informação, sobraram erros e quem não tinha um bom tempo real ao lado certamente ficou perdidinho.
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Para os brasileiros, o primeiro incômodo veio na volta de apresentação, quando a Rede Globo cortou para o intervalo comercial e voltou praticamente na hora em que os carros alinhavam no grid. Daí para frente, os problemas mais graves vieram em âmbito mundial.
Um grande momento de confusão aconteceu antes mesmo da corrida começar. Sem motivo aparente, a direção de prova abortou a largada em cima da hora e, então, a transmissão oficial ficou insistentemente mostrando repetições do momento em que Nico Hülkenberg alinhava no grid. Porém, horas depois, Charlie Whiting explicou que o problema era com a luz de aviso acionada ao lado de onde partia Daniil Kvyat.
Logo na sequência, alguns momentos de desespero para os fãs da categoria se seguiram com o demorado período até a primeira aparição da classificação da prova na tela. Só perto da volta 3 que a ordem do pelotão era revelada.
Antes mesmo de a classificação surgir na tela, Kevin Magnussen já havia acertado em cheio o colega nórdico Marcus Ericsson. E tudo que o espectador sabia era que o enrosco estava sendo investigado. O resultado da investigação, porém, não veio.

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Outros problemas vieram na sequência e causaram muita irritação nas redes sociais. Os gráficos com a classificação, que já pouco apareciam, ainda começaram a apresentar erros, como a troca das faixas de cores das equipes. Felipe Massa e Lance Stroll pareciam ser da McLaren, por exemplo.
Além disso, foram recorrentes os momentos em que a câmera estava parada em pontos pouco movimentados da pista ou que a transmissão perdia alguma disputa interessante. Saber quem já havia parado era quase exercício de adivinhação, com os boxes aparecendo bem pouco.
Com pouco ou quase nada de repetições, o telespectador mais desatento não deve ter entendido nada do que se passou na briga entre Sergio Pérez e as Toro Rosso. Os taurinos, que tinham seus pilotos em estratégias diferentes, foram trocando posições de forma estratégica, mas podemos apostar que teve gente achando que o oitavo lugar de Carlos Sainz Jr. veio após dura briga com seu companheiro Daniil Kvyat.
cês também tão sentindo que todo mundo esqueceu que a estreia da F1 era esse fim de semana, e aí saíram correndo pra entregar o que dava?
— Paula Gondim (@gondimpaula) 26 de março de 2017
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A impressão foi exatamente essa, a de que o mundo da F1 descobriu que tinha corrida esse final de semana em cima da hora. Considerando o desastre que foi a transmissão da categoria, o mínimo que a F1 tem é a obrigação de corrigir os erros para o GP da China, mesmo que isso signifique ter de voltar ao pacote gráfico e informações do ano passado.