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Uma procissão. Se for para analisar o GP de Mônaco de 2017 em uma só frase, seria essa: uma procissão. O combo formado pelo novo regulamento técnico da F1 — que inclui carros maiores — e o estreito e travado circuito de Monte Carlo nos deu uma das corridas mais chatas dos últimos anos. Se não foi a mais chata.

Mas teve alguma emoção, sim. Principalmente quando Pascal Wehrlein tocou com sua Sauber na McLaren de Jenson Button e acabou de lado, encostada no guard-rail de Mônaco. O acidente provocou a entrada de um safety-car, aproximando os carros e aumentando as disputas da parte final — muito porque, a essa altura, os carros estavam mais leves, pilotos mais cansados e pneus mais desgastados.

Já o momento historicamente relevante foi antes da largada, quando Button conversou com Fernando Alonso pelo rádio. Ou pelo telefone, enfim. A McLaren não só encampou essa história de ‘Corrida dos Dois Mundos’, também o próprio Liberty Media. Pela primeira vez a F1 aproveitou o GP de Mônaco para promover as 500 Milhas de Indianápolis, algo que nunca aconteceria durante a liderança de Bernie Ecclestone — e que até desconcertou a equipe de transmissão da Globo por alguns segundos.

Button e Alonso conversam antes do GP

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Com a corrida iniciada, o foco do campeonato ficou na disputa entre Sebastian Vettel e Kimi Räikkönen, para saber quem daria a vitória para a Ferrari, e em Lewis Hamilton, para determinar quanto o inglês tiraria de sua corrida de recuperação após uma desastrosa classificação. E foi tudo bem parado.

Largando na pole, Räikkönen liderou a primeira parte da corrida com uma tocada praticamente perfeita, inclusive colocando uma boa diferença de tempo para o companheiro. Já Hamilton ganhou uma posição na largada, mas ficou um bom tempo encaixotado na 12ª posição.

As coisas começaram a mudar lá pela 20ª volta. Vettel passou a andar mais, pressionando o finlandês — isso enquanto Lewis já era décimo, ainda lutando com um carro que tinha problemas de equilíbrio e aderência. É, não foi um bom fim de semana para o tricampeão. 

Hamilton pelas ruas de Mônaco

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No 34º giro, Kimi fez o seu primeiro e único pit-stop da prova. A essa altura, ele tinha um pouco mais de 1s à frente de Vettel, mas foi aí que o tetracampeão começou a ganhar o GP. Primeiro, a Ferrari deu uma ajuda, perdendo um pouco de tempo na parada do carro #7. Depois, o alemão pisou fundo no #5, parou e conseguiu sair na frente do companheiro no giro de número 39.

A partir dali, com tamanha dificuldade para ultrapassar, o GP estava decidido. Quer dizer, o imponderável até tentou ajudar: seja com o asfalto soltando na curva Sainte-Dévote, seja com o safety car que aproximou todo mundo após a batida do Wehrlein. Mas não deu.

O que foi uma pena para o campeonato, claro. Com a terceira vitória no ano, Vettel ampliou a diferença na liderança do campeonato – agora ficou 129 do alemão contra 104 do inglês. Pensando na temporada, seria importante vê-los mais próximos a esta altura. Além disso, caso Kimi tivesse saído vitorioso, poderíamos começar a sonhar por uma disputa pelo título entre três pilotos. Com o finlandês com 67 pontos após seis provas, isso fica bem mais difícil.

Mais para trás, Hamilton tentou melhorar essa situação na tabela. Ele escolheu trocar os pneus mais tarde, pressionou os adversários e contou com algumas barbeiragens dos adversários para alcançar o sétimo lugar. Após a saída do carro de segurança, ele até que pressionou a Toro Rosso de Carlos Sainz, mas acabou ficando onde estava e levou seis pontos para casa. 
 

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Agora é bom o Hamilton abrir os olhos. A Mercedes não tem mais o grande carro da temporada e Mônaco mostrou que, excluindo o motor, os bólidos vermelhos são bem melhores. Nem mesmo Bottas, que teve menos problemas com o seu #77 prateado quando comparado com parceiro de time, conseguiu fazer uma boa corrida e se viu superado pela Red Bull de Daniel Ricciardo. Pela primeira vez desde o GP da Espanha de 2016, aquele da batida entre Hamilton e Nico Rosberg, não tivemos um piloto da Mercedes no pódio.

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E olha que, desta vez, os dois terminaram a corrida — algo que, com esse critério, não acontece há mais tempo: desde Hungria-2015.

O fato é que, nessa primeira parte de 2017, Ferrari e Vettel foram os melhores. A partir de agora, Lewis terá de contar não só com um bom desempenho da Mercedes, mas também que Bottas consiga superar Vettel aqui e ali, tirando alguns pontos do adversário. Ou acender umas velas e rezar para uma quebra da Ferrari. Se isso acontecer na próxima corrida e o inglês vencer, bom, eles empatam, e aí teremos um campeonato.

O GP do Canadá acontece daqui a duas semanas no circuito Gilles Villeneuve. Uma pista na qual, teoricamente, a disputa deve voltar a ficar um pouco mais equilibrada. E que, por favor, conte com ultrapassagens. 

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