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A Yamaha ficou longe do Mundial de Superbike por quatro anos, mas decidiu voltar ao grid para tentar recuperar o título que conquistou pela última — e primeira — vez em 2009, com Ben Spies. Usando a YZF-R1, a casa de Iwata retorna à série de produção ciente de que tem um longo caminho pela frente para enfrentar marcas como Kawasaki e Ducati, mas confiante na evolução da moto.
Nesta nova aventura, a marca dos três diapasões tem sua equipe operada pela Crescent Racing, uma estrutura britânica que, além do Mundial de Superbike, tem experiência com o Campeonato Britânico de Superbike e a MotoGP, sempre no comando dos esforços da Suzuki.
Líder da Crescent, Paul Denning conversou com o GRANDE PREMIUM e destacou que, embora confiante na capacidade da R1 e no talento de Sylvain Guintoli e Alex Lowes, sabe que 2016 será um ano de aprendizado.
Depois de uma longa relação com a Suzuki, a parceria com a Yamaha chega em uma base diferente, com uma ligação muito mais estreita com a marca japonesa.
“A Crescent trabalhou com a Suzuki no Campeonato Britânico de Superbike, no Mundial de Superbike e na MotoGP — todas estruturas comerciais e parcerias bem diferentes”, lembrou Denning. “A parceria com a Yamaha no Mundial de Superbike é também diferente, e, como o acordo é com a Yamaha Motor Europe, baseada em Amsterdã, é uma coisa muito direta e de fácil comunicação. Nós estamos desenvolvendo esse entendimento passo a passo”, seguiu.

Paul Denning comanda o esforço da Yamaha no retorno ao Mundial de Superbike (Paul Denning (Foto: Yamaha))

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Embora tenha uma longa história nas corridas, 2015 não foi um bom ano para a equipe de Denning no Mundial de Superbike, com a Suzuki somando apenas 163 pontos na disputa entre os Construtores, 436 a menos que a campeã Kawasaki.
Mesmo assim, Paul não vê o interesse da Yamaha como surpresa, já que a Suzuki não tinha um envolvimento grande com o projeto, o que limitava os resultados.
“Não foi uma surpresa e parece uma união bem natural”, opinou. “A Yamaha podia ver que a nossa estrutura é muito séria e profissional, e que nós éramos responsáveis por todo o aspecto técnico sem nenhum apoio de fábrica. Além disso, nós já conhecíamos muitas das pessoas da Yamaha no Japão e na Europa da nossa época na MotoGP, então já tinha alguma história”, continuou.
Apesar da ligação com uma nova fábrica, Denning não precisou promover grandes mudanças na estrutura da Crescent, que já contava com um material humano satisfatório.
“Nós temos uma nova oficina que é exclusiva para o projeto com a Yamaha, mas a estrutura da equipe é bem consistente — nós já tínhamos investido na quantidade e na qualidade correta do time”, sublinhou. “Algumas pequenas mudanças — Alex tem um novo chefe de equipe, com quem ele conquistou o título do Britânico de Superbike em 2013 [Ian Prestwood, que estreia no Mundial neste ano] —, mas, basicamente, é o mesmo time”, resumiu.
Questionado pelo GP* se já via a YZF-R1 em condições de enfrentar as máquinas de Kawasaki e Ducati, Denning se mostrou confiante no “potencial vencedor” da moto, mas reconheceu que vai ser preciso trabalhar para colocá-lo no patamar das rivais.
“Ela tem potencial para ser a moto dominante”, opinou. “Mas temos de trabalhar para levá-la ao nível dos competidores top e isso vai levar algum tempo”, admitiu.
(Sylvain Guintoli (Foto: Yamaha))


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Ciente dos desafios, Paul traça meta claras, mas também cautelosas: “Fazer o nosso melhor no início, ver onde estamos e trabalhar nos pontos fracos o mais rápido que pudermos”.
“Nós esperamos brigar pelo pódio e tentar vencer corridas na segunda metade da temporada, e lutar pelo título em 2017”, anunciou.
Além disso, o dirigente também se mostrou bastante satisfeito com sua dupla de pilotos. Guintoli foi campeão do Mundial de Superbike em 2014 e Lowes já trabalhava com a Crescent na época da Suzuki. A permanência do britânico, aliás, foi escolha de Paul, mas ganhou o aval da Yamaha graças à excelente performance do gêmeo de Sam nas 8 Horas de Suzuka.
Perguntado se o time de 2016 é o melhor que já teve no Mundial de Superbike, Paul respondeu: “Talvez”.
“Com certeza, a moto é a melhor que nós já tivemos. A Suzuki já era um pouco velha quando começamos no Mundial de Superbike, em 2012”, justificou. “Este line-up de pilotos talvez esteja no mesmo nível de [Eugene] Laverty e Lowes em 2014, mas agora Alex tem dois anos de experiência no Mundial de Superbike e está em uma posição muito mais forte”, seguiu.
Além disso, Denning acredita que a experiência da Yamaha nas mais variadas categorias, como MotoGP, motocross e no próprio Rali Dakar, vai ajudar no desenvolvimento da R1.
“Para 2016, o apoio do Japão não é enorme, mas eles estão ajudando e com um grande interesse. Para 2017, o apoio vai aumentar — a Yamaha sempre quer vencer”, destacou.
(Alex Lowes (Foto: Yamaha))

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Nos últimos dois anos, Aprilia e Kawasaki se revezaram no olimpo da Superbike, um indício de que a Yamaha não vai precisar de tanto tempo para se readaptar.
“Correto, mas nós precisamos de um pouco de paciência e melhorar a performance ao nível do Mundial de Superbike”, defendeu.
Junto com um novo cronograma, que dividiu as corridas da rodada dupla entre sábado e domingo, e a chegada da Yamaha, a temporada 2016 do Mundial de Superbike também vê a chegada de caras novas, como Nicky Hayden, Karel Abraham e Alex de Angelis, todos vindos da MotoGP.
“Parece um campeonato muito mais interessante”, opinou Denning. “A Suzuki está fora, mas, honestamente, eles não estavam comprometidos em vencer como a Yamaha está. As outras adições — especialmente Nicky — vão trazer muitos novos sabores para a categoria”, declarou.
Apesar de o Mundial já visitar alguns mercados diferentes daqueles da motovelocidade, como Tailândia e Rússia, por exemplo, Denning acredita que é possível expandir mais e coloca Japão e América do Sul como prioridades.
“Apenas para fazer as fábricas ficarem mais diretamente conscientes do Mundial de Superbike, uma corrida no Japão seria bom — e também uma visita à América do Sul deve acontecer logo, eu acho”, falou.
Por fim, ao ser questionado se o Mundial de Superbike é melhor para vender motos do que a MotoGP, Paul avaliou que são campeonatos com característica promocionais diferentes.
“É uma promoção diferente — o Mundial de Superbike é muito mais sobre acesso dos fãs, clientes, concessionárias e etc. — é uma plataforma mais fácil para incluir e envolver os distribuidores. A imagem da MotoGP é maior e mais ampla, mas o Mundial de Superbike permite uma promoção mais ‘pé no chão’ que é mais fácil de se relacionar”, concluiu.
