
Sebastian Vettel estava em um péssimo momento. Sem vencer desde o GP da Bélgica do ano passado, vendo o companheiro (e novato) sendo mais rápido e o sonho do pentacampeonato indo pelo ralo em um ano que, na pré-temporada, a Ferrari parecia ter o melhor carro. Nada poderia estar pior para o alemão.
Só que, neste domingo (22), o #5 conseguiu encerrar a má fase. Sebastian Vettel venceu o GP de Singapura – uma prova cansativa, complicada e estressante para pilotos e carros.
A conquista veio justamente no melhor momento de Charles Leclerc. Três poles e duas vitórias seguidas do #16, o que o colocava, na manhã deste domingo, com 100% de aproveitamento no pós-férias. O P1 em Marina Bay parecia também vir fácil para o monegasco, mas Vettel teve a melhor estratégia possível para lutar pela vitória no circuito: parou antes do companheiro, indo mais rápido com pneus novos e ficando à frente após o pit stop do companheiro.

Tudo isso para a ira de Charles, que estava claramente desconfortável no pódio. Afinal, como líder da prova e estando à frente no campeonato, era de se esperar que ele tivesse a preferência da melhor estratégia – como o próprio Vettel, em diversos momentos, teve. O pulo do gato do alemão parece ter sido obra dele e do engenheiro, unindo sorte, velocidade e matemática. Mas, será que a Ferrari, enquanto time, não previu o que estava por vir? Ou foi apenas um efeito colateral na tentativa de superar a Mercedes de Hamilton?
De acordo com as declarações pós-corrida de Mattia Binotto, o chefe da equipe, foi justamente esse último caso. Bom, a reunião pós-GP, em Maranello, será bem quente.
A estratégia também foi o calcanhar de Aquiles da Mercedes. Os alemães mantiveram Lewis Hamilton na pista o máximo possível antes da primeira parada, esperando um habitual safety-car em Singapura. Não deu certo e o pentacampeão se viu também ultrapassado pela Red Bull de Max Verstappen, além do próprio Vettel.
Se tivesse dado certo, o inglês teria grandes chances, sim, de ser o vencedor – tal qual Fernando Alonso fez no fatídico GP de Singapura de 2008, naquela oportunidade beneficiado pelo acerto com Nelsinho Piquet. Foi uma aposta (que deu errado).
O importante aqui é o contexto geral. O SF90 esteve no mesmo ritmo ou foi mais rápido que os F1 W10 EQ Power+ da Mercedes em todo o fim de semana – isso em uma pista na qual até as porcas e os parafusos de Brackley contavam com a vantagem de terem o melhor bólido em Marina Bay. Na bandeira final, viram uma dobradinha vermelha – a primeira na história do GP de Singapura, que começou em 2008, e a primeira dos italianos desde Hungria-2007.

Com isso, já são três vitórias seguidas da Ferrari. Tudo bem: no atual momento, a equipe alemã tem uma distância considerável no Mundial de Construtores, assim como Hamilton tem uma enorme folga no Mundial de Pilotos. Só um cataclisma tira o hexa do inglês.
“Cataclisma” não é exagero. O segundo colocado no campeonato é Valtteri Bottas e já está claro que o finlandês é, no máximo, um segundo piloto de luxo. Já Max Verstappen e Charles Leclerc estão 96 pontos atrás de Hamilton. Com isso, o inglês pode ser quarto em todos os GPs até o final do ano, com um dos dois vencendo todas as corridas e fazendo a melhor volta, que ainda assim será campeão com uma folga de 12 pontos. Se ele for quinto, nessa mesma difícil situação hipotética, haverá um empate de pontos – e aí seria necessário ver as situações de desempate.
Para Vettel, a situação é ainda pior. São 101 pontos para tirar, com 156 em jogo. O alemão teria que contar com abandonos e grandes erros do adversário para continuar tendo esperanças.
Impossível não é, mas é bem improvável.
Pelo menos fica a perspectiva de uma segunda parte da temporada mais animada, com a disputa interna na Ferrari, Hamilton correndo apenas para pontuar e Verstappen consistente. Ainda que o título de 2019 esteja encaminhado, isso abre boas perspectivas para 2020 – o provável último ano do atual regulamento técnico da categoria.
No momento, a Ferrari pode ao menos comemorar que, finalmente, o tão aguardado bom momento chegou de vez. Eles só torcem para que dure o suficiente…
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