A saída de Christian Lundgaard da McLaren fez com que o dinamarquês recebesse uma promoção dentro da Indy: uma vaga na Ganassi, equipe que levou os últimos quatro títulos — e sete nas últimas nove temporadas. No entanto, o piloto vai desembarcar em um time que perde uma peça histórica, já que Scott Dixon faz o caminho inverso, o que pode bagunçar um pouco o coreto.
O desempenho de Álex Palou foi exuberante ao longo de 2026, portanto, não dá para imaginar que a Ganassi vá cair de prateleira, o que deve manter Lundgaard como um postulante ao título em 2027.
Ainda assim, há uma pulga atrás da orelha de todos na equipe: desde que Dixon anunciou a migração para a McLaren — o que fez a Honda deixá-lo fora da programação do simulador, apurou o GRANDE PRÊMIO —, Palou venceu duas corridas, em Nashville e Portland, mas não subiu mais ao pódio nas cinco etapas restantes, algo inédito na passagem do espanhol pela Ganassi.
Seria Dixon a fortaleza da Ganassi? E a McLaren se fortalece com a chegada do veterano, apontado como crucial para o acerto do time 18 vezes campeão? A resposta é sim para as duas perguntas, mas não será a saída do neozelandês que vai minguar a equipe, que conta com Palou e se reforça muito bem com Lundgaard.
O dinamarquês vai, enfim, ter a chance de brigar por títulos. Por mais que estivesse em um time grande, a McLaren — assim como a Penske e a Andretti — não teve o mesmo nível de excelência da Ganassi nos últimos anos. Apesar de figurar na frente na maioria das etapas, oscilou em algumas outras — e, com Dixon, essa oscilação costuma diminuir.

Ao mesmo tempo em que ganha no quesito acerto com Dixon, a McLaren também perde em desempenho com a saída de Lundgaard, enquanto a Ganassi ganha. Afinal, enquanto o dinamarquês se destacou bastante na última temporada, o mesmo não se pode dizer do hexacampeão.
Lundgaard tem capacidade de sobra para desafiar Palou e mostrou que compete de igual para igual nos circuitos mistos, além de andar muito próximo nos traçados de rua, onde a Honda dominou. Pesa contra o rendimento nos ovais, em que o espanhol leva ampla vantagem, mas, desta vez, o dinamarquês terá um equipamento idêntico ao do piloto que dominou a categoria — e isso é um ponto a ser considerado nos demais traçados.
Contudo, Lundgaard precisará adotar uma postura diferente se quiser se consolidar na Ganassi. O dinamarquês tem a fama de ter uma personalidade complicada, o que fez Chip Ganassi optar por um contrato mais curto, justamente para ter margem de manobra caso o comportamento volte a ser um problema. Entra na equipe sob olhares bem próximos, ainda mais após deixar McLaren com rusgas pública com Pato O’Ward.
Lundgaard cai em pé com a mudança, mas terá uma série de pratos para equilibrar se quiser ter sucesso e desafiar o protagonismo de Palou — exatamente como o próprio espanhol fez um dia com Dixon.