Indy
Retrospectiva 2025: Palou se coloca na lista de vencedores em pior Indy 500 dos últimos anos
Ainda que tenha sido uma prova interessante do ponto de vista estratégico, retardatários no fim fizeram com que final da Indy 500 2025 perdesse em dinamismo
Costumeiramente, as 500 Milhas de Indianápolis produzem voltas finais e chegadas espetaculares, mantendo até a última curva a expectativa para saber quem será o vencedor. Em 2025, Álex Palou entrou no olimpo dos vencedores da principal prova da Indy, mas, por ironia do destino, o consagrado piloto venceu uma das edições com um dos finais menos espetaculares dos últimos anos — ao menos de 2020 para cá.
Mais uma vez, o GRANDE PRÊMIO esteve presente no Indianapolis Motor Speedway para a cobertura da Indy 500. Uma edição que começou carregada de expectativas e polêmicas desde a classificação, com um surpreendente Robert Shwartzman cravando a pole para a estreante Prema, mas que acabou ofuscada pela polêmica dos atenuadores adulterados da Penske, deflagrada somente por denúncia, já que as falhas não foram encontradas pelos técnicos da categoria.
Os dias seguintes foram marcados por tensão diante das resoluções da organização da Indy em torno da polêmica dos atenuadores. Primeiro, garantiram que os carros da Penske estavam legais no sábado, dia 1 da classificação, que definiu os 12 que brigariam pela pole-position e os quatro que lutariam para fugir da eliminação do grid.
Depois, ficou evidente que o carro da Penske já tinha os atenuadores adulterados na Indy antes mesmo da edição das 500 Milhas de Indianápolis — ao fim, Roger Penske admitiu que Josef Newgarden venceu a edição de 2024 da prova com a modificação ilegal. A alta cúpula da equipe acabou demitida, enquanto Power e Newgarden foram punidos e largariam da última fila.

Na quinta-feira seguinte à classificação, os pilotos da Indy participaram do Media Day, quando todos os 33 classificados falaram aos jornalistas do mundo inteiro. Will Power, da Penske, e Rinus VeeKay, companheiro do eliminado Jacob Abel na Dale Coyne, foram os primeiros a falar. Moderação e palavras cuidadosamente calculadas nas primeiras entrevistas deram o tom do dia — apesar de uma leve cutucada no neerlandês — deixando a polêmica em segundo plano, com um discurso aparentemente alinhado entre as partes.
Com exclusividade ao GRANDE PRÊMIO, Josef Newgarden, naquele mesmo dia, se esquivou do assunto e afirmou que o foco, a partir de então, seria somente na vitória. “Agora é hora de focar na corrida. Trabalhamos muito para chegar a esse momento. É fundamental mirar naquilo que viemos fazer, que é tentar ganhar a corrida”, comentou o piloto, que buscava o inédito feito de vencer três vezes seguidas a Indy 500.
Curiosamente, a punição para Power e Newgarden deixou as expectativas ainda mais altas para uma corrida repleta de imprevisibilidade, já que a Penske era apontada como favorita pelo desempenho apresentado ao longo da semana de treinos, mas teria Scott McLaughlin largando em décimo como melhor colocado no grid.
As expectativas de ver como seria uma corrida com a Prema, com Shwartzman, e a RLL, com Takuma Sato, saindo na frente, e a Penske largando atrás precisaram esperar um pouco mais para começar, pois uma inesperada garoa caiu sobre a pista e atrasou o início em 40 minutos.
O clima gerou outro anseio: Tony Kanaan, chefe da McLaren, poderia assumir o carro de Kyle Larson, que tinha a Charlotte 600 como prioridade naquele ano. A chuva cessou e a pista secou, mas a primeira bandeira amarela veio antes da verde: McLaughlin bateu antes da largada.
Quando veio a bandeira verde, Shwartzman liderou por pouco tempo, sendo superado por Sato, que foi o primeiro grande destaque da corrida. Largando em sexto, Palou se manteve entre os pilotos do topo do pelotão.
Na volta 19, uma leve garoa provocou nova bandeira amarela, levando os líderes aos boxes, enquanto alguns pilotos, como o trio da Carpenter, permaneceram na pista. Do ponto de vista estratégico, esse momento foi fundamental para o resultado final. Entre os que pararam, a economia de combustível passou a ser primordial, já que a relargada aconteceu apenas no giro 30.
A bandeira amarela voltou a aparecer na 82ª volta, após VeeKay rodar e bater no muro dentro dos boxes. Um incidente que favoreceu ainda mais aqueles que haviam parado na neutralização da volta 19. A janela de pit-stops foi aberta na sequência e ficou marcada pelos erros de Sato e Shwartzman no momento da parada — o japonês caiu para o meio do pelotão, enquanto o russo-israelense chegou a atropelar um mecânico e abandonou a corrida.
A partir desse momento, Ryan Hunter-Reay passou a fazer parte dos protagonistas da prova, indo à liderança por conta da estratégia — havia parado um pouco antes da bandeira amarela e estava na mesma volta do líder.
Ao mesmo tempo, Palou e Marcus Ericsson cresceram na Indy 500, mesmo adotando estratégias distintas. O espanhol passou a demonstrar que selecionava os adversários para os momentos decisivos da prova, acompanhando alguns pilotos, como Devlin DeFrancesco e Conor Daly, quando estavam à sua frente, mas sendo mais agressivo contra outros concorrentes, como David Malukas, Santino Ferrucci e Pato O’Ward.
Ericsson estava em outra janela estratégica, mais semelhante à de Hunter-Reay. Os indícios para a relargada da volta 108, após a última intervenção do safety-car, apontavam que o sueco — até então em uma temporada apagada — estaria na briga pela vitória.
A última janela de pit-stops colocou fim ao jogo de xadrez e nivelou todos os competidores, ao mesmo tempo em que tirou Hunter-Reay da disputa, já que a DRR teve problemas no abastecimento do carro.

Ericsson e Palou retornaram à frente, com certa vantagem sobre David Malukas. A 14 voltas do fim, o espanhol colocou por dentro e, sem resistência do sueco, assumiu a liderança. Diferentemente de outros anos, a constante troca de posições não aconteceu, pois Louis Foster e DeFrancesco estavam logo à frente como retardatários, fornecendo vácuo ao carro #10.
O cenário lembrou 2021, quando Helio Castroneves ultrapassou Palou a duas voltas do fim e evitou o contra-ataque do espanhol ao se valer dos retardatários. Em 2025, mais experiente, o piloto da Ganassi conseguiu administrar a situação até o fim da prova, sem permitir que Ericsson atacasse.
O fim da Indy 500, de fato, virou uma procissão. Ganhou ainda mais melancolia com a bandeira amarela no trecho final da última volta, após Nolan Siegel bater. Ainda assim, não foi uma vitória injusta: triunfou o piloto que melhor soube lidar com todas as situações da corrida.
Mas a Indy 500 só terminou de fato no dia seguinte à prova: Marcus Ericsson, que cruzou em segundo, além de Kyle Kirkwood e Callum Ilott, tiveram seus resultados anulados por infração técnica e foram relegados às três últimas posições da classificação final.
Entre os brasileiros, Helio Castroneves esteve presente. Apesar de um equipamento melhor da Meyer Shank, o tetracampeão da Indy 500 largou em 22º e andou entre os dez primeiros da metade para o fim da prova, no entanto, longe de brigar pela vitória. No fim, uma parada por combustível o jogou para 13º, mas ficou com o décimo lugar após a desclassificação de Ericsson, Kirkwood e Ilott.
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