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Crutchlow vê ineficiência em janela de transferências na MotoGP: “Não é futebol”
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Crutchlow vê ineficiência em janela de transferências na MotoGP: “Não é futebol”

Substituto de Johann Zarco na LCR, Cal Crutchlow avaliou a proposta de adotar na MotoGP uma janela de transferências similar ao que é praticado no futebol. Britânico considerou que as coisas não funcionam do mesmo jeito

Juliana Tesser

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Cal Crutchlow avaliou que uma janela de transferências como a que é praticada no futebol não seria eficiente na MotoGP. O substituto de Johann Zarco reconheceu que o mercado de pilotos é “monótono”, já que as informações vazam com antecedência, mas considerou que um período predefinido serviria apenas para organizar os anúncios, mas não para conter negociações precoces.

Bastante comuns no futebol, janelas de transferências são períodos oficiais nos quais as equipes podem contratar atletas. A FIFA, por exemplo, adotou o sistema no início dos anos 2000. No Brasil, a janela onde clubes podem registrar jogadores vindos de fora ou negociar nacionalmente acontece entre 20 de julho de 2026 e 11 de setembro de 2026.

Há alguns dias, Lucio Cecchinello, que é chefe da LCR e presidente da IRTA (Associação Internacional das Equipes de Corrida), admitiu que a MotoGP debatia uma proposta para replicar a prática do futebol e criar uma janela de transferências.

“É um dos tópicos que estamos discutindo dentro da IRTA com as equipes. Estamos considerando um regulamento que permitiria que equipes e pilotos assinem contratos apenas dentro de uma janela de tempo pré-determinada, por exemplo, de junho a setembro ou de julho a outubro”, disse Cecchinello em entrevista ao site italiano GPOne. “A meta é evitar situações como a que vimos recentemente, com pilotos assinando contratos com muita antecedência”, seguiu.

Cal Crutchlow voltou à MotoGP em 2026 para substituir o lesionado Johann Zarco (Foto: LCR)

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“As fábricas investem milhões de euros nos salários dos pilotos e na imagem pública deles, e querem poder capitalizar com essa imagem sem se verem em uma situação paradoxal de promover um piloto que eles sabem que vai correr por outra equipe no ano seguinte”, ponderou. “Pois, claramente, hoje, se você tem [Pedro] Acosta ― que está correndo pela KTM, mas que sabemos que vai correr por outra equipe ― aparecendo em um comercial, isso não faz sentido do ponto de vista da comunicação. Queremos evitar isso, as fábricas querem evitar isso, então estamos considerando mudar para essa janela e criar um novo cronograma”, encerrou.

A temporada 2026 foi marcada por uma silly-season bastante precoce. Antes mesmo do início do campeonato, a imprensa especializada já circulava informações, especialmente sobre o acerto de Pedro Acosta com a Ducati ― oficializado na semana passada ― e de Fabio Quartararo com a Honda ― a confirmação ainda não veio, mas a Yamaha já anunciou a saída do francês.

Veterano da MotoGP, Crutchlow reconheceu que o mercado de pilotos do Mundial de Motovelocidade é monótono, já que as informações vazam com muita antecedência, mas opinou que uma janela de transferências não traria resultados.

“O mercado de pilotos é bastante monótono, pois todos sabem para onde eles vão com três meses de antecedência, ou até seis meses antes do anúncio”, disse Crutchlow. “Então não acho que uma janela de transferências faça diferença, pois eles vão negociar o contrato no ano anterior, ou em dezembro, janeiro. Não acho que faça diferença, exceto pelo anúncio”, seguiu.

“A maioria dos anúncios aconteceu há cinco meses, pois digamos que nós todos sabemos para onde vão todos de qualquer forma”, comentou. “O problema é que, nas corridas, acho que isso nunca vai mudar. Os pilotos irão para onde quiserem. As equipes vão contratar o piloto que quiserem”, acrescentou.

Cal apontou que o cenário é diferente do futebol, mas evitou detalhar a opinião.

“Não acho que seja realmente como no futebol, onde eles estão em uma fábrica durante o dia e aí, de novo, assinam por outra pessoa. Não funciona deste jeito”, analisou. “Tenho muito a falar a respeito disso, mas nada que seja publicável, com certeza”, brincou.

Apesar da antecipação nas negociações, os anúncios tardaram a sair por causa na demora do desfecho das negociações entre as fábricas e a organização do Mundial por um novo acordo comercial e da assinatura de um novo Acordo de Participação entre o grupo MotoGP Sports Entertainment e as 11 equipes atuais.

Desde a semana passada, porém, a Ducati já confirmou Marc Márquez e Pedro Acosta, enquanto a Aprilia revelou um acerto com Francesco Bagnaia, que será companheiro de Marco Bezzecchi. Nesta semana, a Yamaha confirmou Jorge Martín e Ai Ogura, e a Gresini nomeou Joan Mir e Dani Holgado.

MotoGP volta a acelerar entre os dias 10 a 12 de julho, com o GP da Alemanha, em Sachsenring, para a 11ª etapa da temporada 2026. O GRANDE PRÊMIO acompanha toda a programação do fim de semana, assim como as demais categorias do Mundial de Motovelocidade.

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