A Ducati viveu um sábado (9) histórico em Austin. Graças a Jorge Martín, Jack Miller, Francesco Bagnaia, Johann Zarco e Enea Bastianini, a marca de Borgo Panigale lacrou o top-5 do grid do GP das Américas, um feito que não era alcançado por um Construtor na classe rainha desde o GP do Pacifico de 2003.
Naquele 4 de outubro de 2003, Max Biaggi, Makoto Tamada, Valentino Rossi, Sete Gibernau e Nicky Hayden colocaram cinco Honda nas primeiras cinco posições do grid de Motegi, separados por 0s922. 6.762 dias depois, o top-5 da Ducati aparece coberto por 0s539.

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No traçado do Texas, a pole-position ficou com Martín, da satélite Pramac, que conseguiu a segunda pole do ano ao cravar 2min02s039, só 0s003 melhor do que Jack Miller, o segundo colocado.
“Estou duplamente feliz, pois depois da minha queda no TL3, não esperava terminar na pole hoje”, assumiu Martín. “Quero agradecer à equipe, porque todos fizeram um trabalho incrível para que a moto voltasse ao normal. Estou contente, porque a pole importante muito aqui e somos rápidos”, frisou.
“Pilotar aqui no Circuito das Américas é incrível, realmente desfruto estando aqui”, comentou. “Agora temos de focar em amanhã, que promete ser um dia duro, especialmente com todas essas Ducati atrás de mim. São muitos pilotos que têm bom ritmo, mas nós também temos. Então vamos lutar até o final”, avisou.
“Hoje foi um dia um pouco raro. A verdade é que eu não me sentia cômodo para fazer um bom ritmo. Duvidei que entraria no Q2, mas fizemos um bom TL4, voltei a encontrar o feeling, testamos uma coisa na moto que me ajudou muito, especialmente na freada”, explicou. “Eu estava muito frustrado de manhã, pois estava dando tudo e mesmo assim as coisas não saiam. Acho que isso é também a experiência que está me ajudando a sair dessas situações. Acho que fazer esta pole conta por duas ou três”, comentou.
Questionado se vê como favorito para a corrida, Martín respondeu: “Não sei. No ano passado eu também não estava bem e fui quinto, perto de subir no pódio. Acho que estou aqui, mas não me vejo como favorito, tampouco vejo ninguém favorito. Talvez, vendo o ritmo de Fabio [Quartararo], o vejo muito forte, mas vamos ver. Acho que estou melhor com as altas temperaturas, pois não posso usar o macio e, quando a temperatura sobe, posso usar o duro. Vamos ver amanhã, acho que posso aguentar. Mas prefiro lutar com a Ducati do que com outras marcas”, analisou.

Só 0s003 atrás de Martín, Miller se mostrou muito satisfeito com o resultado e também confiante para a corrida de domingo, quarta etapa da temporada 2022.
“Estou muito feliz em estar na primeira fila, especialmente neste circuito”, comemorou Miller. “O primeiro setor é muito apertado e é quase impossível ultrapassar, então ter um pouco de ar livre na primeira volta será importante”, defendeu.
“Desde as primeiras sessões, a moto trabalhou bem e eu me senti confortável imediatamente”, contou. “São cinco Ducati nas cinco primeiras posições, o que é um resultado fantástico! Estou confiante. Posso ter uma boa corrida amanhã. Não sei o que está reservado para nós, mas será crucial controlar o pneu dianteiro durante a corrida”, observou.
Mais 0s125 atrás, Francesco Bagnaia surge para fechar a primeira fila, uma recuperação importante depois de um fim de semana duro na Argentina, marcado especialmente pela irritação do italiano.
“Esta primeira quase parece um pole-position depois do início de temporada que tivemos”, desabafou. “Ano passado, meu ponto forte era entrar na pista e forçar imediatamente, mas, ultimamente, tem sido mais difícil fazer isso, mas aqui nós conseguimos fazer isso’, declarou.
“Demos um grande passo à frente no TL4, e estou realmente feliz. Senti falta desta sensação. Estou muito empolgado e pronto para a corrida de amanhã”, avisou.
Enea Bastianini foi só 0s008 mais lento que o francês, mas apesar da posição na metade da segunda fila, saiu da classificação um pouquinho decepcionado, já que sente que, sem a queda que sofreu no início do Q2, poderia ter conseguido um resultado melhor.
“Estou um pouco triste por ser a última Ducati do top-5, mas o fato é que estamos todos próximos e isso é um bom sinal para amanhã”, avaliou Enea. “Podemos estar entre os protagonistas, não sei se para a vitória, mas, com certeza, para o pódio. Vamos precisar controlar bem a corrida, que será muito exigente do lado físico, mas estamos prontos nesse sentido também”, declarou.

Melhor do resto, Fabio Quartararo registrou 2min02s634 na classificação e ficou com a sexta colocação, 0s595 atrás de Martín.
“Dei tudo no Q2”, começou Quartararo. “Sabia que se quisesse fazer uma grande corrida amanhã, teria de apostar nisso e dei 100%, mas sofremos uma queda. Na segunda saída, também tentei fazer o melhor possível, as coisas foram melhores, mas eu cometi muitos erros no primeiro setor”, comentou.
“Poderia ter melhorado nos setores três e quatro, mas quando faz calor, nos custa um pouco mais ter aderência e precisamos ir ao limite para conseguir os tempos”, explicou. “Mas estou contente, pois dei o melhor de mim e não tenho nada a dizer, pois quedas acontecem”, frisou.
Atrás de um paredão vermelho, Fabio sabe que será difícil lutar contra os protótipos de Bolonha, especialmente porque eles superam a Yamaha facilmente em termos de potência e velocidade final. E justamente em um traçado que conta com uma reta de 1.200 metros.
“Vamos ver como tudo vai acontecer, mas acho que temos de dar o máximo desde o início se quisermos ter alguma opção. Não vou dizer que espero limitar os danos, mas tem muita gente com um grande ritmo”, apontou. “Por sorte, as Aprilia ficaram no Q1, pois o ritmo delas é muito forte”, comemorou.
“Para mim, basicamente, os favoritos são Marc [Márquez] e Bastianini. Eles têm um ritmo realmente fort. Justo antes do Q2, eu estava vento o setor 3 do Bastianini com pneus velhos no TL4 e, basicamente, era o tempo do meu setor de ataque. Então tenho certeza que sofreremos muito na reta oposta”, previu.
Dono de um histórico invejável em Austin, Marc Márquez vai largar em nono depois de cravar 2min03s038, 0s999 mais lento que Martín. De volta à MotoGP após o forte do tombo da Indonésia e de ter perdido o GP da Argentina por causa da diplopia, um sintoma que faz com que ele enxergue em dobro, o espanhol reconheceu que faltou confiança.
“Na classificação, eu não confiei em mim, simples assim. Ao longo do fim de semana, eu trabalhei bem, no meu ritmo. Mas no Q2 eu encontrei tráfego, então não quis forçar. Com o segundo pneu, tive algum problema que me impediu de forçar como eu gostaria”, apontou. “A primeira fila não seria possível, mas acho que a segunda era a minha posição. Por sorte, largo em nono, pois foi a minha pior volta”, assumiu.
Partindo do fim da terceira fila, Marc, que já venceu sete vezes na pista texana, descartou o rótulo de favorito.
“Não posso ser favorito largando em nono. Se olhar bem, fiz um fim de semana muito estranho. Mas era a única maneira de sobreviver”, indicou. “Só forcei em um par de voltas na sexta-feira e em um par de voltas na classificação. Mas o único treino normal foi o TL4, no qual tentei entender qual era o meu ritmo. Esta é a forma que tenho que trabalhar no momento”, continuou.
“Venho de um dos piores fins de semana da minha vida, de um acidente forte. Já disse na quinta-feira, não me sinto bem. Neste contexto, é normal que uma pessoa tenha dúvidas”, ponderou. “Quando coloquei pneus novos na cronometrada, não me senti cômodo, me assustei um pouco e não forcei. Corri os mesmos riscos que na Indonésia. Mas lá, a cada vez que coloquei pneus novos, caí. Depois de um fim de semana como o da Indonésia, passar duas semanas fora, não fisicamente, mas de cabeça, estar aqui já é muito importante. Não posso focar o fim de semana no ataque”, concluiu.
A largada do GP das Américas de MotoGP acontece neste domingo (10), à 15h (de Brasília), no Circuito das Américas. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades da quarta etapa do Mundial de Motovelocidade 2022.