Quartararo toca Marc Márquez, cai e abandona em Aragão (Vídeo: DAZN)

Enea Bastianini não esperou muito para dar o troco em Francesco Bagnaia. Depois de ser derrotado por só 0s034 no GP de San Marino e da Riviera de Rimini, o piloto da Gresini foi à forra neste domingo (18) e venceu o GP de Aragão por 0s042. Até aí, tudo normal. Mas o dia no MotorLand não teve nada de normal. É que Fabio Quartararo caiu ainda na primeira volta, o que fez a vantagem na liderança do Mundial de Pilotos derreter.

Fabio viajou sabendo que a pista de Alcañiz não lhe é ‘muy amiga’. Ele nunca passou do quinto lugar por lá. Mas este dia 18 de setembro mostrou, quando se trata do piloto da Yamaha, o MotorLand é o verdadeiro ‘El Diablo’. Sexto no grid, Quartararo precisava de uma boa largada para tentar ter chances contra o pelotão da Ducati, mas, ainda nos primeiros metros, se viu atrás de um Marc Márquez que iniciou o GP de forma bastante agressiva.

CLASSIFICAÇÃO DA MOTOGP
Quartararo queima gordura com queda e vê rivais mais perto na MotoGP

Enea Bastianini e Francesco Bagnaia protagonizaram um espetáculo em Aragão (Foto: Divulgação/MotoGP)

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O hexacampeão, junto com Brad Binder, fez uma excelente saída e tinha escalado o pelotão, mas, na curva 3, perdeu ligeiramente a traseira da RC213V, o que o fez reduzir a velocidade. No meio do bolo, Fabio não teve espaço para reagir, atingiu a traseira do espanhol e caiu, abandonando a disputa.

Com o campeão vigente fora de combate, duas coisas eram certas: o caminho estava aberto para a Ducati aproveitar o primeiro match-point e conquistar o Mundial de Construtores — já que Franco Morbidelli Darryn Binder não tem estado entre os ponteiros e Cal Crutchlow acaba de pausar a aposentadoria — e o Mundial de Pilotos ia pegar fogo.

Antes do tombo, Fabio tinha 30 pontos de frente para Bagnaia. E 33 de margem para Aleix Espargaró. Se seguisse a tendência das últimas corridas e conquistasse a quinta vitória consecutiva, Pecco cortaria 25 pontos e ficaria a cinco do #20.

Na maior parte da corrida, Francesco caminhou para isso. Mas Bastianini esteve sempre ali, ensaiando uma ultrapassagem. O lance decisivo veio na volta final, deixando Pecco sem condições de buscar o troco.

“Foi outra grande corria e outra grande luta, como em Misano”, disse Enea. “O começo foi difícil, porque quando Aleix me passou, perdi algumas posições em relação ao meu lugar no grid. Mas, na volta 9, assumi a ponta e voltei a errar na curva 12, saí da pista, então decidi manter a calma, cortar a distância para Pecco, que estava muito rápido e não tinha errado. Na última volta, me aproximei mais do que em Misano, consegui passar e foi uma grande vitória, porque é muito difícil passar Pecco”, frisou.

Agora, Bastianini ocupa a quarta colocação no Mundial, com 48 pontos de atraso para Quartararo. Mas apesar da boa fase e dos 125 pontos que ainda restam em disputa, o italiano do time de Nadia Padovani opta por pensar corrida a corrida.

“Me avisam que Fabio caiu depois da corrida, não me comunicaram no momento”, contou. “48 pontos para o líder é muita coisa para pensar nisso, vou pensar corrida a corrida. Temos um grande acerto e estamos adubando bem o terreno para o futuro”, considerou. “O campeonato é importante e agora eu estou mais próximo dos três primeiros, mas isso, no momento, não é uma pressão para mim. Eu precisaria recuperar muitos pontos e, como sempre digo, vou corrida a corrida para ver o que acontece. O mais importante agora é começar mais para frente possível no grid, pois, sem isso, é muito difícil. Pessoalmente, o objetivo são as corridas, não o campeonato”, insistiu.

Enea Bastianini segue vivo na briga pelo título (Foto: Michelin)

Dono da pole em Aragão, Bagnaia passou boa parte da corrida no comando e não se deixou abalar pela ausência de Quartararo. Até porque, ele sabia que Bastianini estaria na disputa.

“Sinceramente, não mudou a minha estratégia”, declarou Bagnaia. “A minha estratégia era impor meu ritmo, volta a volta, pois, no início, estava sentindo que a aderência não era a mesma do TL4. Estava calmo, apenas tentando ser muito suave com o acelerador e aí comecei a forçar um pouco mais e mais”, detalhou.

“E eu sabia que só Enea estava na mesma situação, pois só Fabio e Enea tinham o mesmo ritmo durante a corrida, então já sabia que, com certeza, teria Enea comigo durante a corrida”, contou.

Pecco contou que soube do abandono de Fabio pelas imagens de um telão, mas manteve o foco e entendeu que não poderia errar para aproveitar ao máximo o revés de Fabio.

“Mas isso não mudou muita coisa para mim. Quando saí da curva 7, olhei para um telão e vi que Fabio tinha caído, então já sabia. Hoje era muito importante não cometer erros, pois Fabio teve azar e nos deu uma grande oportunidade para recuperar muitos pontos”, reconheceu. “Na última volta, era muito importante terminar a corrida. Quando vi e senti que Enea estava perto demais, tentei ficar relaxado e pensei que, se ele me ultrapassasse, não correria nenhum risco. Só encerraria a corrida da melhor maneira possível. Se visse algum erro, aí tentaria recuperar”, relevou.

“Mas ele não errou, então estou feliz com o resultado. Dei meu melhor hoje e acho que fizemos uma grande diferença em comparação com os outros hoje”, avaliou.

Em Misano, Pecco declarou que só começaria a pensar no campeonato quando estivesse a dez pontos de Quartararo, o que aconteceu hoje.

“Com certeza, agora está mais claro que estamos perto. Dez pontos é a menor diferença que já tive desde o início da temporada”, ressaltou. “Então, com certeza, vou tentar pensar no campeonato, mas não tanto. Vou pensar só no meu trabalho, sei que no Japão não será fácil”, previu.

Bagnaia, contudo, se mostrou preocupado com a mudança na programação do GP do Japão. Temendo problemas logísticos, a MotoGP anunciou ainda em junho uma mudança na programação em Motegi, adiando da manhã para a tarde os treinos de sexta-feira. Assim, ao invés de dois treinos com os tradicionais 45 minutos, os competidores passam a ter 75 minutos na sexta-feira.

“Teremos menos tempo para testar a nossa moto, para melhorar a moto e sabemos que precisamos de mais tempo para preparar em comparação com os outros”, frisou. “Mas estou certo de que podemos ser muito competitivos e vamos tentar trabalhar como estamos fazendo e terminar as corridas como já sabemos”, concluiu.

Depois de ser criticado por alguns torcedores por não vencer na semana passada, desta vez Bastianini foi criticado por outros por ter vencido. Muitos defendem que a Ducati deveria ter dado ordens de equipe para proteger Pecco.

Sendo sincera, eu prefiro um esporte sem ordens de equipe. Mas não vou ser hipócrita: no lugar da Ducati, eu colocaria sete pilotos para trabalhar por um. Mas isso não significa protagonizar lances como aqueles já vistos na Fórmula 1, em que alguém quase estaciona na pista para o companheiro de equipe passar ainda no início da temporada.

A ordem que a Ducati deu — até aqui, pelo menos — é para todos tenham cuidado extra em disputas que envolvem Bagnaia. Afinal, ele é o ponta de lança da casa de Bolonha. Ninguém precisa deixá-lo vencer. Mas nenhum piloto montado em uma Desmosedici pode ultrapassá-lo como um aloprado e arriscar derrubá-lo.

A Ducati tem certos traumas — oi, Iannone. Mas, mais do que isso, os italianos amargam um jejum de títulos que vem desde de 2007, quando Casey Stoner foi o único campeão pela marca. E olha que, desde 2020, a Desmosedici tem sido a melhor moto do grid.

A Ducati investiu muito para chegar onde está hoje e não pode dar bobeira e ficar sem título de novo. Não por causa de um erro.

Tem muita gente que compara a Ducati com a Ferrari na Fórmula 1. Mas, fora a cor e a nacionalidade, as duas equipes estão em polos opostos do universo. Enquanto Maranello erra aos montes ao longo de 2022, a casa de Borgo Panigale tem sido certeira. Inclusive em não pesar a mão nas ordens de equipe.

Bastianini ainda tem chances de título. Poucas? Talvez, mas 48 pontos com 125 disponíveis ainda permitem que ele fique de fora deste ordenamento mais severo.

Gigi Dall’Igna, o ‘pai’ das Desmosedici vencedoras, reconheceu que seria melhor ter uma diferença de cinco pontos no Mundial, mas elogiou a atuação de Enea.

“Devo dizer que eles deram um show”, disse Dall’Igna à emissora Sky Italia. “Enea me pareceu em mais dificuldade com a traseira, mas fez uma grande ultrapassagem. Claramente, teria sido melhor levar para casa mais cinco pontos pelo Mundial de Pilotos, mas acho que foi um dia muito bom para a Ducati. Recuperamos 20 pontos em relação a Quartararo. Faltam cinco corridas e estamos a dez pontos”, frisou.

“Estou satisfeito e feliz com o desempenho dos meus pilotos e das nossas motos”, destacou.

Questionado se não é hora de a Ducati se valer de ordens de equipe para ajudar Bagnaia na briga pelo título, Dall’Igna respondeu: “Eu sempre digo que os pilotos são os meus principais colaboradores. E aos nossos colaboradores nós sempre devemos solicitar coisas que eles podem aceitar fazer”.

“Acho que ainda não chegou a hora de fazer certas escolhas. Provavelmente mais tarde, se houver necessidade, acredito que terá de ser feito”, assumiu. “Mas acho que Enea fez uma grande corrida e merece essa vitória”, concluiu.

Dall’Igna segue a filosofia dos funcionários satisfeitos. E, até aqui, eles não deram motivos para a chefia desconfiar que vai ficar contrariada no final.

A MotoGP volta na próxima semana, com o GP do Japão, em Motegi. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do Mundial de Motovelocidade 2022.

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