A FIM (Federação Internacional de Motociclismo) garantiu que não teme que o atraso na entrega das obras de modernização e ampliação do Autódromo Internacional Ayrton Senna, em Goiânia, resultem no cancelamento do GP do Brasil de MotoGP, marcado para o próximo dia 22 de março. Em contato com o GRANDE PRÊMIO, a entidade afirmou que “ainda há muito trabalho a ser feito”, mas reconheceu que houve um “enorme progresso” desde a vistoria anterior, realizada em novembro do ano passado.
Representantes da entidade máxima do motociclismo estiveram no circuito goiano nos últimos dias 13 e 14 para checar o avanço dos trabalhos na pista e na infraestrutura do autódromo. Entre os itens inspecionados estavam as áreas de escape, dispositivos de segurança, marcações da pista, postos de comissários, equipamentos de manutenção e o pit-lane.
Na semana passada, a Brasil Motorsport, que organiza o GP do Brasil, já tinha feito um balanço positivo da vistoria e dito ao GP que o “cronograma estava sendo cumprido”. O governo de Goiás também anunciou que a FIM tinha aprovado as “adequações estruturais” que tinham sido solicitadas ainda no ano passado.
A visita, que foi agendada com antecedência, faz parte do processo de homologação do traçado para que Goiânia possa receber a MotoGP. A vistoria foi acompanhada por representantes do governo, da CBM (Confederação Brasileira de Motociclismo) e da promotora local.

▶️ Inscreva-se nos dois canais do GRANDE PRÊMIO no YouTube: GP | GP2
Procurado pelo GRANDE PRÊMIO, Paul Duparc, que é diretor-esportivo da Comissão de Circuitos da FIM, destacou que “os trabalhadores no local estão trabalhando incansavelmente para terminar a tempo”.
Duparc apontou que “o asfalto já foi aplicado”, mas “ainda faltam alguns detalhes a serem feitos nas zebras (e pintura adicional)”.
O dirigente indicou, ainda, que as áreas de escape “foram preparadas”, mas “alguns ajustes ainda precisam ser feitos e nivelados (tem muita brita neste momento)”.
O regulamento da FIM para circuitos determina que a superfície da caixa de brita deve ser “completamente plana, sem ondulações” e deve ser “nivelada com a pista ou com a parte inferior da zebra”. O código recomenda, ainda, que o “nível da brita esteja 1 ou 2 cm abaixo da borda do circuito”.
Duparc aponta, também, que os “painéis de LED, luzes e posições de câmera foram checadas. Algumas posições foram alteradas. A largura e as dimensões do pit-lane ainda precisam ser revisadas (pintura). As posições de largada e chegada ainda precisam ser revisadas. O trabalho no paddock e nos boxes ainda está em andamento”.
O dirigente reforça, porém, que é preciso “dar crédito à equipe pelo trabalho completado até o momento, já que um enorme progresso foi feito desde a visita anterior”.
“No entanto, ainda há muito trabalho a ser feito, faltando dois meses para o evento da MotoGP e um mês para o evento teste. É preciso seguir trabalhando duro”, frisou Duparc ao GP. “Nós seguimos recebendo vídeos e fotos semanalmente, que nos mantém informados do progresso do trabalho para que possamos cumprir os passos estabelecidos”, acrescentou.
Questionado pelo GRANDE PRÊMIO se existe algum temor de que a corrida seja cancelada por causa do atraso na conclusão das obras, Duparc respondeu: “Não temos qualquer receio de que a corrida seja cancelada por causa do atraso”.
A fase final da homologação da pista será feita por meio de um evento teste, que acontece entre os dias 28 de fevereiro e 1 de março, mesmo fim de semana da abertura da temporada da MotoGP, na Tailândia. O evento vai reunir as categorias GP 600, R3 Talent Cup e GP 1000. Nas provas, estarão presentes todas as equipes de sinalização, resgate, bombeiros, segurança de pista e todo o sistema de segurança que será utilizado no Mundial de Motovelocidade.
A Secretaria de Estado de Esportes e Lazer explicou que, no dia 28 de fevereiro, serão realizadas quatro simulações de 40 minutos de corrida. No dia seguinte, serão 17 sessões simuladas, com duração variando entre 20 minutos e 1 hora.
O GRANDE PRÊMIO apurou que parte dos fiscais de pista que vão atuar durante o GP do Brasil serão os mesmos que já participam no GP de São Paulo de Fórmula 1. No total, cerca de 400 pessoas vão agir no controle da corrida, inclusive na direção de prova. Destas, cerca de 60 serão levadas da capital paulista.
A equipe já está em treinamento para estar adaptada às necessidades de uma categoria FIM. O GP apurou que a parte online da preparação já foi concluída, mas falta uma parte prática, que será feita na semana do evento teste.

A equipe médica que vai atuar no GP do Brasil será chefiada pelo Dr. Dino Altmann, que também trabalha na etapa da F1, atuando em conjunto com o Dr. Marcos Kawasaki, que é diretor-médico da CBM.
O governo de Goiás está investindo R$ 55 milhões nas obras de modernização do circuito, que contemplam a reconstrução e ampliação do paddock; modernização de arquibancadas, sala de imprensa e camarotes; construção de uma nova torre de controle e centro médico; reforma do setor de administração, bloco de apoio e depósito de materiais, resíduos e óleo. Além disso, os 3.825 metros da pista foram completamente reconstruídos e recapeados, com troca das barreiras de pneus, guard-rails e zebras.
Um estudo do Instituto Mauro Borges de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos apontou para uma movimentação financeira superior a R$ 898 milhões com a realização do GP do Brasil.
A MotoGP correu pela última vez no país em 2004, no hoje extinto Autódromo de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. Desde então, a Dorna já havia assinado outros dois protocolos de intenção — um para Deodoro e outro para Brasília —, mas nenhum deles avançou.
Esta, porém, não será a primeira vez que Goiânia vai receber uma etapa do Mundial de Motovelocidade. O Autódromo Internacional Ayrton Senna foi palco de etapas entre 1987 e 1989. Depois, a categoria chegou a passar por Interlagos, em 1992, antes de rumar para o Rio de Janeiro, onde correu durante uma década.
A MotoGP está de férias e só volta a acelerar nos dias 29, 30 e 31 de janeiro de 2026, com o shakedown direto de Sepang, na Malásia. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa, assim como das outras classes do Mundial de Motovelocidade.
MotoGP hoje: saiba aqui as notícias mais importantes da MotoGP
A redação do GRANDE PRÊMIO selecionou as notícias mais importantes das últimas horas para você ficar por dentro de tudo que acontece na MotoGP.
▶️ Marc Márquez nega interferência na escolha de dupla: “Só olho meu projeto”
▶️ Yamaha inicia era V4 e exibe motos de Quartararo e Rins para MotoGP 2026
▶️ Yamaha inícia nova fase e apresenta YZR-M1 de Quartararo e Rins para MotoGP 2026
▶️ Yamaha vê “sinais encorajadores” com nova moto e garante: “Resultados virão”
▶️ Quartararo cita “novo capítulo” e se anima com motor V4 da Yamaha: “Mal posso esperar”
▶️ Diretor diz que nova moto dá à Yamaha “mais margem de desenvolvimento do que antes”
▶️ Chefe prevê “curva íngreme de aprendizado” com projeto “completamente novo” da Yamaha
▶️ Rins valoriza “nova era” da Yamaha: “Mais oportunidades de desenvolvimento”