Mandalika tinha tudo para ser um daqueles fins de semana em que Marc Márquez precisaria pensar mais em minimizar prejuízos do que propriamente em brigar por vitórias. A Ducati chegou à Indonésia em desvantagem diante de uma Aprilia que mostrou força desde os primeiros treinos, em um circuito de curvas rápidas e características que historicamente dificultam a vida do heptacampeão. No fim das contas, porém, o espanhol conseguiu sair de um cenário potencialmente perigoso sem deixar o principal rival disparar na classificação.

A vitória na corrida sprint foi determinante para esse resultado. No sábado, o #93 aproveitou o caos que atingiu a Aprilia na primeira curva, escapou dos incidentes que tiraram Marco Bezzecchi e Raúl Fernández da disputa e encontrou uma oportunidade valiosa para assumir a liderança provisória do certame.

Largada do GP da Indonésia da MotoGP (Vídeo: MotoGP)

Neste domingo, por outro lado, mostrou que a Ducati ainda estava um degrau abaixo das motos de Noale. Marc teve dificuldades para sustentar o ritmo, perdeu terreno para Pedro Acosta e terminou apenas na sexta posição. Enquanto isso, a Aprilia ocupou as quatro primeiras colocações, com Bezzecchi, Fernández, Jorge Martín e Ai Ogura. O resultado deixou evidente a diferença de desempenho entre as fabricantes em Mandalika.

Ainda assim, o prejuízo para Marc Márquez foi limitado. O espanhol saiu da Indonésia como entrou. Martín terminou em terceiro, recuperou a liderança do campeonato e chegou aos 355 pontos, apenas dois à frente dos 353 do rival. A diferença permaneceu em dois pontos, embora a liderança tenha mudado de mãos.

Marc Márquez (Foto: AFP)

Diante do favoritismo da Aprilia e das dificuldades históricas de Marc na Indonésia, a Ducati tem motivos para considerar o saldo do fim de semana positivo.

Isso não significa que o desempenho tenha sido satisfatório. A sexta posição reforça que o time de Borgo Panigale precisa encontrar respostas para circuitos em que a combinação de curvas rápidas e exigência de estabilidade favorece os adversários. Porém, a disputa pelo título não se resume a vencer nos fins de semana mais favoráveis. Saber atravessar etapas complicadas sem perder contato com o principal concorrente também faz parte da campanha de defesa ao campeonato.

Marc Márquez cumpriu esta missão. A vitória na sprint compensou parte das dificuldades do domingo e evitou que Martín convertesse a superioridade da Aprilia em uma vantagem mais confortável para a sequência da MotoGP, que agora segue para a despedida de Phillip Island do calendário. Com apenas dois tentos entre os dois, a briga segue totalmente aberta.

Marc Márquez (Foto: Michelin)

“Na quinta-feira, se alguém me dissesse que, ao longo de todo o fim de semana, perderia apenas três pontos para [Marco] Bezzecchi e ficaria empatado com [Jorge] Martín, seria um sonho. E conseguimos isso no meu pior circuito. Fizemos um ótimo fim de semana e conseguimos manter a consistência durante toda a etapa. É verdade que tivemos muitas dificuldades na corrida, especialmente na segunda metade, mas estou feliz com a maneira como o fim de semana terminou”, afirmou após a prova.

No mais, se a corrida sprint foi um golpe duro para Bezzecchi, o domingo serviu como resposta à altura. Depois de cair na prova curta, o italiano perseguiu Raúl Fernández durante boa parte da corrida principal e encontrou o momento certo para ultrapassar o espanhol na abertura da 19ª volta. Na sequência, construiu vantagem e confirmou a vitória.

Para o #72, foi uma maneira de transformar a frustração de sábado em uma vitória que reforça o potencial da RS-GP e mantém o piloto como uma ameaça — mesmo que ainda pequena — na temporada.

Marco Bezzecchi (Foto: Divulgação/MotoGP)

Para Diogo Moreira, Mandalika terminou abaixo das expectativas. Depois de mostrar sinais positivos em etapas anteriores e conquistar o segundo lugar na sprint do Japão, o brasileiro não conseguiu repetir o desempenho na Indonésia e fechou a corrida principal em 16º, fora da zona de pontuação.

O resultado, porém, precisa ser analisado para além da atuação individual. A Honda voltou a apresentar dificuldades para acompanhar o ritmo das principais fabricantes, e os resultados dos demais pilotos da marca também evidenciaram as limitações do equipamento.

O #11 teve um fim de semana difícil, mas seria precipitado atribuir o resultado exclusivamente ao brasileiro em uma etapa na qual a moto não ofereceu condições competitivas consistentes.

Diogo Moreira (Foto: LCR)

A MotoGP volta a acelerar de 23 a 25 de outubro, em Phillip Island, para o GP da Austrália, 18ª etapa da temporada 2026. O GRANDE PRÊMIO acompanha toda a programação do fim de semana, assim como as demais categorias do Mundial de Motovelocidade.