Jorge Martín decidiu encerrar a participação na etapa de Sepang neste sábado (31) após constatar que ainda não tinha condições físicas para competir em alto nível. A decisão veio após duas tentativas de avaliar sua condição física nos treinos livres.
O espanhol retornou às pistas apenas seis dias depois de fraturar o punho direito em um acidente durante a corrida sprint do GP da Austrália. Nos treinos livres de sexta-feira (30), Martín completou algumas voltas, mas sentiu dificuldades para pilotar e encerrou antecipadamente sua participação.
No sábado, voltou à pista para um último teste, porém continuou distante do ritmo dos principais concorrentes. A desistência representa um revés importante para o espanhol na disputa pelo título mundial de 2026, mas também reflete a preocupação em não agravar a lesão.
A experiência acumulada em temporadas anteriores pesou na decisão de não insistir em uma recuperação que ainda não estava completa. A decisão também está relacionada ao histórico de lesões que marcou sua trajetória recente.
Depois de enfrentar um período complicado de recuperação, o espanhol sabe que insistir em competir sem estar plenamente recuperado pode trazer consequências ainda mais graves. “Tentei ao máximo, mas o processo de recuperação exige tempo, embora esteja avançando rapidamente. O problema não é a dor, é a falta de firmeza na hora de frear. Agora, meu objetivo é estar pronto para o Catar“, falou à imprensa.
A principal preocupação era a condição do punho direito, fundamental para controlar o acelerador, acionar o freio dianteiro e administrar os movimentos da moto. Mesmo com o acompanhamento médico e fisioterapia, o piloto não conseguiu recuperar a força necessária para encarar as exigências de uma MotoGP.

“Falta-me firmeza (na mão), e continuar significaria que não aprendi nada com o passado. Em 2025, achei que nunca mais subiria em uma moto, e aqui estou, lutando pelo título. Não fazia sentido correr riscos com o nível de desempenho que estava apresentando.”
A ausência na Malásia representa um golpe nas pretensões de Martín de conquistar seu segundo título mundial de MotoGP. Antes da etapa, o espanhol estava dez pontos atrás de Marc Márquez, seu principal rival na luta pelo campeonato.
“É claro que o campeonato ainda está em disputa. Mas acho que, agora, não devo pensar no Mundial. Talvez ainda possa vencê-lo, mas, para mim, ele já está perdido. Sem dúvida, lutarei até o fim. Mas não apenas por mim — afinal, já sou campeão [2024] —, e sim pela minha equipe, pelo meu pessoal, lutarei até o fim.”
O espanhol precisará acompanhar os desdobramentos da etapa enquanto concentra seus esforços na recuperação física. A situação também coloca em dúvida sua participação no GP de Lusail, previsto para o próximo fim de semana. A proximidade entre as etapas deixa pouco tempo para a recuperação da fratura, o que pode dificultar uma nova tentativa de retorno.
“Andar só piorava a situação do osso. No Catar, estarei muito melhor, mas não fazia sentido continuar, forçar a barra e acabar em último. Volto para casa hoje, porque assim posso começar a recuperação amanhã. Consegui pilotar uma moto com o pulso quebrado, e ainda fazer voltas em Sepang abaixo de dois minutos. Isso é incrível. Se a recuperação continuar nesse ritmo, talvez chegue [ao Catar] com 80% da minha capacidade”, analisou Martín.
A MotoGP volta à pista neste sábado (31), a partir das 4h (de Brasília), para a corrida sprint do GP da Malásia. O GRANDE PRÊMIO acompanha toda a programação do fim de semana de Sepang, com cobertura também das demais categorias do Mundial de Motovelocidade.