A MotoGP chega à segunda etapa da fase asiática da temporada 2026 com a disputa pelo título completamente aberta. Marc Márquez dominou o GP do Japão, venceu tanto a sprint quanto a corrida principal e reduziu de 12 para apenas dois pontos a diferença para Jorge Martín.

O piloto da Ducati soma agora 331 pontos, contra 333 do espanhol da Aprilia. A aproximação transformou a sequência asiática em um momento potencialmente decisivo do campeonato, com seis etapas ainda pela frente.

Enquanto a briga pelo título esquenta, Diogo Moreira também deixou Motegi em evidência. O brasileiro conquistou o primeiro pódio da carreira na MotoGP ao terminar a sprint em segundo, mas caiu na corrida principal e abandonou. Mesmo assim, a atuação aumentou a pressão sobre a Honda na definição da equipe para 2027.

Márquez transforma Japão em ponto de virada

Marc Márquez teve o fim de semana perfeito em Motegi. O espanhol venceu a sprint e depois repetiu o resultado na corrida principal, somando os 37 pontos disponíveis.

Na prova de domingo, Jorge Martín largou da pole e liderou as primeiras voltas. Márquez, porém, aumentou progressivamente o ritmo e ultrapassou o rival na 11ª volta. A partir daí, controlou a vantagem até a bandeirada.

O resultado foi particularmente importante porque Martín ainda lidera o campeonato, mas viu uma vantagem que chegou a ser confortável praticamente desaparecer. O espanhol tem 333 pontos, apenas dois a mais que Márquez.

A análise de Juliana Tesser aponta justamente esse movimento como o principal efeito do GP do Japão: Márquez voltou a aproveitar uma oportunidade importante e colocou a Aprilia em uma situação cada vez mais delicada na disputa pelo campeonato.

Mandalika é o grande obstáculo de Márquez

Marc Márquez queda em Mandalika em 2023 (Foto: MotoGP)

A próxima etapa será o GP da Indonésia, em Mandalika, entre 9 e 11 de outubro. E o circuito apresenta um histórico incômodo para Márquez.

Desde a entrada de Mandalika no calendário, em 2022, o espanhol nunca terminou uma corrida principal no traçado. Em 2022, não largou depois de uma queda no warm-up; em 2023, abandonou após uma queda; em 2024, teve uma falha de motor que provocou incêndio na Ducati da Gresini; e, em 2025, foi atingido por Marco Bezzecchi na primeira volta.

O retrospecto, portanto, não aponta necessariamente para uma tendência esportiva — os quatro episódios tiveram causas diferentes —, mas cria um desafio evidente para o líder da Ducati justamente quando a margem para Martín está reduzida a dois pontos.

A própria Ducati já trabalha com esse cenário. Davide Tardozzi reconheceu que o histórico de Márquez em Mandalika não é favorável e afirmou que perder alguns pontos não seria um desastre, embora a meta da equipe continue sendo vencer.

Martín mantém liderança, mas Aprilia vive fim de semana histórico

Se Márquez foi o grande vencedor individual de Motegi, Jorge Martín também saiu do Japão com pontos importantes.

O piloto da Aprilia terminou a corrida principal em segundo e preservou a liderança do campeonato. Mais do que isso, ajudou a fabricante italiana a alcançar um resultado inédito no circuito japonês.

A Aprilia colocou Martín e Marco Bezzecchi no pódio da corrida principal, o primeiro pódio duplo da marca em Motegi desde sua chegada à MotoGP. Martín também havia terminado a sprint no top-3.

O resultado mostra que a Aprilia continua competitiva na fase decisiva da temporada, mas a recuperação de Márquez colocou uma nova pressão sobre a equipe. O #93 mostrou novamente capacidade de transformar uma etapa favorável em uma grande pontuação, enquanto Martín precisa evitar que a vantagem construída ao longo do campeonato desapareça.

Diogo Moreira ganha força na disputa da Honda para 2027

Diogo Moreira (Foto: Michelin)

Diogo Moreira foi outro dos protagonistas de Motegi. O brasileiro conquistou o segundo lugar na sprint, resultado que representou seu primeiro pódio na categoria.

A classificação final da sprint, porém, foi alterada depois da bandeirada por punições aplicadas a Jorge Martín e Brad Binder. Moreira terminou oficialmente em segundo, atrás apenas de Márquez.

Na corrida principal, o brasileiro largou em nono, chegou a andar entre os dez primeiros, mas caiu na nona volta e abandonou.

Apesar disso, a atuação reforçou a candidatura do piloto da LCR à vaga na equipe oficial da Honda em 2027. O GRANDE PRÊMIO apurou que a decisão da montadora já estaria tomada antes mesmo da sprint de Motegi, embora o anúncio oficial ainda não tenha sido feito. A disputa envolve Moreira e David Alonso, enquanto Fabio Quartararo já está confirmado na equipe de fábrica.

Moreira ocupa atualmente a 14ª posição do campeonato e pontuou em 14 das 16 etapas realizadas até aqui, segundo levantamento publicado pelo GP.

Honda confirma Aleix Espargaró no lugar de Mir

A Honda também chega à Indonésia com uma mudança no grid. Joan Mir segue em recuperação e não participará da etapa de Mandalika.

Para substituí-lo, a equipe confirmou Aleix Espargaró, que retorna ao grid da MotoGP neste fim de semana. A mudança adiciona mais uma variável ao GP da Indonésia, especialmente porque a Honda vive um momento importante de definição de sua estrutura para 2027.

Perguntas Frequentes

Quem lidera o campeonato da MotoGP 2026?

Jorge Martín lidera com 333 pontos, apenas dois à frente de Marc Márquez, que chegou a 331 após vencer sprint e corrida principal do GP do Japão.

Por que Mandalika preocupa Marc Márquez?

Porque Márquez nunca terminou uma corrida principal no circuito. Desde 2022, ele acumulou uma ausência médica e três abandonos em Mandalika, por acidente, falha mecânica e incidente com outro piloto.

Diogo Moreira vai correr na Honda oficial em 2027?

A decisão da Honda já estaria tomada, segundo apuração publicada pelo GRANDE PRÊMIO, mas a montadora ainda não anunciou oficialmente a composição da equipe. Moreira disputa a definição com David Alonso.