Dona da Gresini, Nadia Padovani abriu o jogo sobre casos de machismo enfrentados desde que assumiu o comando da equipe, em 2021. A dirigente italiana contou que perdeu um patrocinador importante por estar à frente da equipe e revelou que, mesmo dentro da garagem, já teve de lidar com sexismo.

Padovani assumiu o comando da Gresini após a morte do marido, Fausto Gresini, no início de 2021, vítima de Covid-19. Mesmo sem experiência na gestão, a italiana, que é enfermeira de formação, conduziu a equipe ao topo da MotoGP, conquistando vitórias, acolhendo Marc Márquez e, em 2025, testemunhando Álex Márquez assegurar o vice-campeonato no Mundial de Pilotos.

Para 2026, o bom trabalho de Álex e da Gresini será reconhecido com uma moto do ano, já que o espanhol terá nas mãos uma GP26.

Os resultados, contudo, não livraram Nadia do preconceito tão comum contra as mulheres.

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Nadia Padovani conduziu a equipe aos maiores sucessos da Gresini (Foto: Gresini)

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Questionada pelo jornal italiano La Gazzetta dello Sport se os patrocinadores tinham abandonado a equipe quando ela assumiu o comando, Padovani respondeu: “Muitos, não, pois gostavam muito da Gresini. Alguns, sim”.

“Um grande patrocinador, uma companhia do extremo Oriente que devia entrar na equipe em 2022, quando soube que o Fausto não estava mais aqui, não quis mais ficar”, contou Nadia. “Eles realmente não gostaram da ideia de ter uma mulher no comando da equipe. Foi um golpe duro”, admitiu.

“Quando eles deram para trás, eu tinha acabado de dar o ok para a Ducati pelas motos. Não dormi naquela noite”, relatou. “Além disso, tivemos muitos problemas e questões em 2021. Coisas pequenas, mas que juntas foram estressantes. Mas conseguimos lidar com tudo”, frisou.

Nadia contou, também, que apesar de todo o sucesso da Gresini durante a gestão dela, ainda vive situações de machismo dentro do paddock, inclusive na garagem da equipe onde homens buscam conversar com outros homens “assumindo que uma mulher não sabe como lidar com determinados tópicos”.

“Acontece menos do que antes, mas ainda acontece”, disse Padovani. “Primeiro, eu me sentia mal, mas agora eu nem noto. Sei o que fiz ao longo dos anos, resolvendo as coisas, situações, conflitos que estavam lá há muito tempo, nunca resolvidos pelo meu marido”, salientou.

“Até mesmo deixando em casa pessoas que não aceitavam o meu papel. Ou aquelas que diziam: ‘Sempre fizemos isso desse jeito’, uma atitude que não cai bem comigo”, contou Nadia. “Nunca tolerei isso. Homens tendem a tornar as coisas mais difíceis do que são. Nós, mulheres, somos mais inteligentes. Combinando trabalho com filhos e, no meu caso, com meus pais, nós nos acostumamos a resolver problemas rapidamente”, encerrou.

MotoGP está de férias e só volta a acelerar nos dias 29, 30 e 31 de janeiro de 2026, com o shakedown direto de Sepang, na Malásia. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa, assim como das outras classes do Mundial de Motovelocidade.

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