Pol Espargaró evitou escolher um lado na guerra pública entre Maverick Viñales e KTM, mas disse que entende a situação do ‘Top Gun’ na MotoGP. Substituto do #12 no GP da Grã-Bretanha, Pol afirmou que o piloto da Tech3 viveu um cenário sem solução desde a lesão sofrida no ombro, em julho do ano passado, e avaliou que o baixo rendimento apresentado em 2026 está muito distante do potencial real pela questão física.
Viñales está fora da etapa de Silverstone por causa dos problemas persistentes no ombro lesionado no GP da Alemanha de 2025. A recuperação incompleta comprometeu o desempenho ao longo da temporada, reduziu as chances de permanecer no grid em 2027 e ainda provocou um desgaste público na relação com a KTM.
Questionado sobre o fato de Viñales ter retornado às pistas antes de estar plenamente recuperado, Pol disse que o ‘Top Gun‘ enfrentou um dilema sem solução.
“É uma história complicada, porque, se você não está aqui correndo, ninguém vê você e acaba ficando sem vaga”, afirmou. “Mas, se volta machucado, consegue resultados ruins e as equipes deixam de querer você justamente porque os resultados são ruins. Então não existe um final feliz para essa situação”, analisou.

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Para Espargaró, o motociclismo impõe uma pressão muito maior sobre pilotos lesionados do que esportes coletivos. “Quando você se machuca neste esporte, tudo fica complicado. Não é como um esporte coletivo, tipo o futebol, por exemplo, em que, se você não consegue render, há companheiros para ocupar o lugar, você pode descansar mais e não fica tão exposto. Aqui, quando você está ausente, é a própria marca que perde valor um pouco mais a cada dia.”
“Então entendo todas as situações. Entendo que Maverick tenha ficado em casa pensando na saúde, mas também entendo que tenha voltado, como eu já fiz, mesmo sem estar 100%, tentando competir. Tenho absoluta certeza de que ele é muito melhor do que mostrou nas últimas corridas desta temporada”, defendeu.
“Desde a lesão do ano passado, Maverick vem sofrendo, e certamente o desempenho na pista está muito, muito abaixo do que realmente é capaz de fazer”, completou o piloto.

Além de substituir Viñales em Silverstone, Espargaró revelou que precisou mudar rapidamente o foco do trabalho. O espanhol desembarcou na Inglaterra depois de participar dos testes da KTM com a moto de 850cc, e voltou a pilotar a atual RC16 de 1000cc equipada com pneus Michelin.
“É uma situação complicada para nós, sem dúvida, porque estamos completamente mergulhados no projeto da moto de 850cc. Na verdade, desde fevereiro eu não pilotava a moto de 1000cc com pneus Michelin. Fiz o shakedown e, depois disso, em Sepang, paramos o desenvolvimento da moto. Houve pequenas evoluções, mas conduzidas pelos pilotos da equipe de corrida ou durante os testes de segunda-feira, como aconteceu em Barcelona. Então é uma situação complicada”, disse.
“Estamos tentando entender qual é a situação do Maverick neste momento, se ele poderá voltar, quando isso vai acontecer e se estará bem, mais cedo ou mais tarde. Isso vai nos ajudar a entender melhor o futuro. Por enquanto, estamos apenas esperando. Vim apenas para esta corrida em Silverstone. Depois veremos o que acontece. Esperamos, todos nós, que Maverick volte o mais rápido possível”, concluiu.
A MotoGP volta a acelerar entre os dias 7 a 9 de agosto, com o GP da Grã-Bretanha, 12ª etapa da temporada 2026. O GRANDE PRÊMIO acompanha toda a programação do fim de semana, assim como as demais categorias do Mundial de Motovelocidade.