A Yamaha não surpreendeu nem um pouco na primeira metade da temporada 2026 da MotoGP. Com uma moto recém-nascida, a casa de Iwata sofreu com falta de performance tal qual era de se imaginar.
No fim do ano passado, pressionada pela falta de desempenho e de resultados, a marca nipônica decidiu deixar para trás a tradição dos motores de quatro cilindros em linha e acompanhar a concorrência com um propulsor V4. A mudança tinha por objetivo colocar na pista uma moto mais competitiva, mas, desde o início, estava claro que o caminho seria árduo, já que a opção por um propulsor com os cilindros divididos em dois blocos dispostos em V exigiu o redesenho completo da moto.
A questão é que, com a mudança, a Yamaha não passou a ter o melhor motor do pedaço, mas também perdeu qualidades não apenas históricas da YZR-M1, mas que também estavam presentes na moto do ano passado, quando Fabio Quartararo conquistou poles e chegou até a flertar com a vitória antes de ser traído por um problema de confiabilidade.
Atrás das rivais, especialmente as europeias, a Yamaha fez o que tinha de fazer: revolucionou o projeto. Mas aqueles que esperavam desempenho imediato sonharam em excesso. A MotoGP chega ao fim da era 1000cc em 2026 e, justamente por isso, a maioria das fábricas trabalha com motos que foram sendo desenvolvidas ano a ano. A marca dos três diapasões, por outro lado, colocou na pista um bebê, uma moto que ainda está em fase inicial de desenvolvimento.

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E não dá para dizer que o desempenho atual foi decisivo para a separação com Fabio Quartararo, inclusive porque a negociação e os rumores de acerto entre o francês e a Honda começaram antes de ele sequer competir com a nova M1. Mas ‘El Diablo’ já tinha dado todos os sinais e deixado claro que, sem uma mudança completa no nível de performance, ele não mais renovaria o contrato.
Apesar dos pesares, a primeira metade de 2026 trouxe um ganho importante para a Yamaha. Sim, ela perdeu Quartararo, o piloto que a carregou nas costas nos últimos anos, mas conseguiu substitutos bons o bastante para preencher o vazio. Com Jorge Martín e Ai Ogura, a casa de Iwata tem nas mãos dois bons pilotos, que podem suprir a falta que Fabio certamente vai fazer.
Agora, com 11 corridas ainda pela frente, a Yamaha tem de fazer tudo que estiver ao alcance dela para aprender, testar soluções, buscar alternativas que possam ser aplicadas na moto de 2027. Não há muito mais a fazer em prol de um resultado melhor em 2026, mas a temporada atual pode ser o primeiro degrau em direção ao lugar que os japoneses costumavam ocupar na MotoGP.
A MotoGP agora parte para as férias e só volta a acelerar entre os dias 7 a 9 de agosto, com o GP da Grã-Bretanha, 12ª etapa da temporada 2026. O GRANDE PRÊMIO acompanha toda a programação do fim de semana, assim como as demais categorias do Mundial de Motovelocidade.