Bruno Baptista vê equipes como “vítimas” na Stock Car e reclama: “Falta informação”
Bruno Baptista continua insatisfeito com a ausência de respostas em relação aos carros de 2025 e lamenta: "É muito difícil correr em uma categoria em que um terço dos carros quebra"
Bernardo Castro e Giovani Danjo
Publicado emBruno Baptista voltou a mostrar o descontentamento com a temporada 2025 da Stock Car. Depois de sofrer com inúmeras quebras e falta de potência do motor na primeira metade do campeonato, o piloto entende que as equipes do grid são vítimas da situação, uma vez que a organização e os fornecedores de peças sequer compreendem o próprio equipamento.
A Stock Car adotou um regulamento com carros e motores completamente novos em 2025, mas vem sofrendo com falhas relacionadas à confiabilidade. Os problemas começaram antes mesmo de o campeonato ter início, em Interlagos. Conforme apurou o GRANDE PRÊMIO, houve um contratempo na entrega das peças e dias antes da abertura em São Paulo, duas equipes ainda estavam sem volante. Além disso, apenas quatro carros haviam sido ligados em um teste que aconteceu às vésperas da etapa inaugural.
Em meio ao caos, houve uma mudança no cronograma da etapa em Interlagos, que contou com mais treinos e apenas uma corrida. As quebras, no entanto, foram inevitáveis. Os problemas persistiram nas etapas de Cascavel e Velopark, e a organização se viu obrigada a adiar a etapa prevista para junho no Velocitta. O objetivo era utilizar o período para desenvolver atualizações e realizar novos testes. Só que a medida não trouxe o resultado esperado.
O número de quebras até diminuiu, mas ainda era demasiadamente grande e prejudicou inúmeros pilotos. Gabriel Casagrande, por exemplo, disse que o campeonato sequer deveria ter começado. Bruno e Felipe Massa também cobraram melhorias, mas foram multados em R$ 100 mil pela organização.

Apesar da melhora sutil em Curvelo e Cascavel, as quebras foram mais constantes durante a segunda visita da Stock Car ao Velocitta. Na corrida principal, sete pilotos abandonaram e outros quatro não conseguiram terminar na mesma volta do líder. E na mais recente passagem pelo circuito de Mogi Guaçu, entre 3 e 5 de outubro, Cacá Bueno perdeu a paciência e disse que a incompetência da organização supera o desrespeito.
Diante do cenário, Bruno voltou a criticar a situação da Stock Car e adotou uma postura similar à de Bueno, afirmando que nem mesmo os técnicos responsáveis pelos motores conseguem detectar os problemas. E isso, consequentemente, atrapalha a tentativa das equipes de contornar os problemas.
“A equipe é uma das vítimas também. Todas as equipes da Stock Car podem se pôr como vítimas do que está acontecendo. Eles não têm muita informação também sobre várias coisas que acontecem. Vários problemas que acontecem, eles têm de esperar alguém da organização vir para diagnosticar o problema. Ou até mesmo o nosso problema de motor, a própria fornecedora fala que a gente não tem um problema de motor, que eles não estão vendo nada diferente nos dados”, explicou Baptista ao GRANDE PRÊMIO.
“Eles conseguem ver que o meu motor é mais lento, mas que todo o funcionamento dele ocorre normal. Para mim, é algo que os próprios técnicos lá de dentro estão um pouco confusos — e confundem mais ainda a equipe. Então, a equipe é vítima também”, acrescentou.

Bruno até percebeu alguns passos à frente em termos de confiabilidade em seu carro, mas ainda entende que não é suficiente, diante do “tamanho do campeonato”. O piloto também fez um recorte da temporada para exemplificar os problemas enfrentados pelas equipes.
“No começo do ano, houve quebras, passei metade do campeonato quebrando em quase todas as corridas e treinos classificatórios. De Curvelo para cá, a gente viu uma melhora na confiabilidade do carro. Mas a equalização é muito ruim, e não consigo ser competitivo de jeito algum”, disse. “E se você pegar a porcentagem de carros quebrando em corrida e treino, não vejo melhora — vejo até uma piora. Curvelo teve um pouco menos, aí Cascavel [segunda passagem] teve menos. E agora no Velocitta [7ª etapa], não tive nenhuma quebra, mas olhando os outros do grid, era para eu chegar em 15º na corrida 2 e cheguei em 10º, só que não passei ninguém na pista. Passei cinco pilotos que quebraram na minha frente. Então, se você pega no papel quem quebrou, foi um terço do grid”, completou.
Baptista, então, lamentou o momento da Stock Car. “É algo que não acontece em nenhuma categoria. É muito difícil competir em uma categoria em que um terço dos pilotos quebra. Então, acredito que houve uma melhora, mas uma melhora pouco expressiva para o tamanho do campeonato.”
A Stock Car retoma as atividades entre 24 e 26 de outubro com a etapa em Campo Grande. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do fim de semana.
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