{"id":39773,"date":"2018-08-14T19:57:54","date_gmt":"2018-08-14T22:57:54","guid":{"rendered":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/blogs\/sem-autor\/noticias\/el-fodon-2\/"},"modified":"2026-06-16T22:38:43","modified_gmt":"2026-06-17T01:38:43","slug":"el-fodon-2","status":"publish","type":"42wp_blog","link":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/blogs\/flavio-gomes\/f1\/el-fodon-2\/","title":{"rendered":"EL FOD\u00d3N"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>S\u00c3O PAULO<\/strong> <em>(h\u00e1 vida por a\u00ed)<\/em> &#8211; A primeira vez que olhei com alguma aten\u00e7\u00e3o para o tal de Fernando Alonso foi numa corrida de F-3000 na B\u00e9lgica, h\u00e1 exatos 18 anos. Foi sua \u00fanica vit\u00f3ria na categoria, e n\u00e3o foi uma vit\u00f3ria qualquer. Ali\u00e1s, n\u00e3o foi um s\u00e1bado qualquer, aquele. O t\u00edtulo da temporada seria decidido naquela prova, com a disputa restrita a Bruno Junqueira e Nicolas Minassian. O brasileiro, da\u00a0Petrobras Junior, precisava de um quarto lugar, apenas. O franc\u00eas, da Supernova, tinha de vencer de qualquer forma e torcer para um mau resultado do rival.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/grandepremio.com\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/alonso2000.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-173937\" src=\"https:\/\/grandepremio.com\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/alonso2000.jpg\" alt=\"alonso2000\" width=\"450\" height=\"302\" \/><\/a>Foi uma corrida muito tensa. Bruno terminou apenas em nono, com o advers\u00e1rio flertando com a vit\u00f3ria. Mas no fim das contas Minassian terminou em terceiro, atr\u00e1s da dupla de uma certa Astromega &#8212; que corria com carros amarelos, um deles patrocinado pela Telef\u00f3nica espanhola. O primeiro colocado, Fernando Alonso, um rapaz de 19 anos. O segundo, um belga de 30 anos j\u00e1 veterano chamado Marc Goossens &#8212; que tinha estreado na F-3000 em 1994, pulou alguns campeonatos, e voltou na virada do s\u00e9culo.<\/p>\n<p>Bruno foi o campe\u00e3o. Mas, por alguma raz\u00e3o, foi o tal de Alonso que saiu de Spa com jeito de que no ano seguinte estaria na F-1, ainda que tivesse terminado o campeonato apenas em quarto lugar. Talvez porque na etapa anterior, na Hungria, tivesse chegado em segundo. Sei l\u00e1. At\u00e9 ent\u00e3o, tinha um m\u00edsero ponto no campeonato. Bruno, o campe\u00e3o, incrivelmente j\u00e1 n\u00e3o era mais cotado para ascender, j\u00e1 que meses antes havia sido preterido numa esp\u00e9cie de vestibular da Williams &#8212; cliente da Petrobras &#8212; em favor de um garoto desconhecido de nome Jenson Button.<\/p>\n<p>Par\u00eanteses aqui. Turma boa, aquela da F-3000 no ano 2000. Al\u00e9m de Bruno e Minassian, campe\u00e3o e vice, disputavam o campeonato meninos como Mark Webber, Justin Wilson, Tomas Enge (que eu chamava, no r\u00e1dio, de checo-jamaicano), S\u00e9bastien Bourdais, Jaime Melo Jr., Enrique Bernoldi, Ricardo Maur\u00edcio, Stephane Sarrazin&#8230; Alguns deles engataram carreiras internacionais s\u00f3lidas, como Wilson, Webber e Bourdais. A dupla da Red Bull Junior era brasileira &#8212; Bernoldi e Ricardinho. A marca dava seus primeiros passos no automobilismo, ainda n\u00e3o estava na F-1 &#8212; a equipe s\u00f3 faria sua estreia em 2005 &#8211;, mas j\u00e1 demonstrava que tinha m\u00e1s inten\u00e7\u00f5es para o futuro. Enfim, foi um grande ano para a categoria. Fechados os par\u00eanteses.<\/p>\n<p>E, de fato, no ano seguinte era Alonso quem dava suas primeiras aceleradas na F-1. Entrou como piloto pagante &#8212; talvez seja melhor dizer &#8220;financiado&#8221;, j\u00e1 que o dinheiro n\u00e3o sa\u00eda de seu bolso, nem do de sua fam\u00edlia &#8212; na Minardi, com forte patroc\u00ednio da mesma Telef\u00f3nica.<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode dizer que tenha feito um campeonato brilhante. Mas quem, na Minardi, seria capaz de? Seu melhor resultado foi um d\u00e9cimo lugar na Alemanha. Como apenas os seis primeiros pontuavam, na \u00e9poca, terminou o ano zerado, assim como os dois companheiros que teve no time de Faenza naquela temporada: Tarso Marques, por 14 corridas, e o inesquec\u00edvel malaio Alex Yoong, nas \u00faltimas tr\u00eas.<\/p>\n<p>Alonso, pelo menos, largava na frente de Marques constantemente. Foram apenas duas derrotas para o brasileiro em grids. Tarso, deve ser dito, sempre foi citado pelo espanhol como figura importante em seu in\u00edcio de carreira. Com ele, costuma dizer o asturiano, aprendeu muito &#8212; embora o paranaense tivesse uma experi\u00eancia restrita a 12 GPs pela mesma Minardi nos j\u00e1 distantes campeonatos de 1996 e 1997. S\u00f3 que milagre ningu\u00e9m faz. O que tinha era uma boa perspectiva de futuro por conta do apoio da patrocinadora espanhola, que resolveu ir adiante com ele fechando um contrato de piloto de testes da Renault para 2002. Ele chegou a andar de Jaguar, tamb\u00e9m. Mas acabou com os franceses.<\/p>\n<p>Em 2003, era titular do time azul, ganharia seu primeiro GP, na Hungria, e em 2005 e 2006 conquistaria o bicampeonato encerrando a sequ\u00eancia de cinco t\u00edtulos de Schumacher na Ferrari.<\/p>\n<p>O resto \u00e9 hist\u00f3ria, como se diz. Alonso virou &#8220;El Fod\u00f3n&#8221; nas palavras chulas deste blogueiro, porque sempre achei o cara foda, mesmo. \u00c9 senso comum afirmar que o espanhol n\u00e3o ganhou tanto quando poderia porque fez escolhas erradas ao longo de sua trajet\u00f3ria. Seus n\u00fameros, embora impressionantes &#8212; dois t\u00edtulos, 32 vit\u00f3rias, 97 p\u00f3dios, 22 poles em mais de 300 GPs &#8212; n\u00e3o estariam \u00e0 altura de seu talento.<\/p>\n<p>Tendo a concordar, porque ao fim e ao cabo \u00e9 o que aconteceu, mas cito apenas uma escolha talvez equivocada, ao menos do ponto de vista t\u00e9cnico e profissional: a sa\u00edda da McLaren depois de apenas um ano com os prateados, em 2007, pelo simples fato de n\u00e3o suportar a conviv\u00eancia com Hamilton, ou com o que ele representava. Mas hoje \u00e9 f\u00e1cil afirmar que a volta \u00e0 Renault era uma aposta alta demais. S\u00f3 que, \u00e0quela altura, nem era tanto. As duas eras hegem\u00f4nicas que se sucederam na F-1, da Red Bull e da Mercedes, n\u00e3o eram propriamente um padr\u00e3o para a categoria e n\u00e3o estavam muito claras no horizonte. Tanto que depois do per\u00edodo de dom\u00ednio de Schumacher e da Ferrari, quatro equipes diferentes ganharam campeonatos nas temporadas seguintes: a Renault, com ele mesmo, depois Ferrari (com Raikkonen, 2007), McLaren (Hamilton, 2008) e Brawn (Button, 2009).<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/grandepremio.com\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Alonso-Interlagos-2005-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/grandepremio.com\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/Alonso-Interlagos-2005-2.jpg\" alt=\"Alonso-Interlagos-2005-2\" width=\"700\" height=\"412\" class=\"aligncenter size-full wp-image-173941\" \/><\/a><\/p>\n<p>Foi s\u00f3 em 2010 que a Red Bull passou a enfileirar vit\u00f3rias e t\u00edtulos, e mesmo assim Alonso conseguiu tr\u00eas vice-campeonatos defendendo\u00a0a Ferrari com ardor e paix\u00e3o. Sair de Maranello para retornar \u00e0 McLaren foi um erro? Pode ser que sim, mas quais seriam suas op\u00e7\u00f5es? Ele j\u00e1 tinha cinco anos de vermelho, e apesar do esfor\u00e7o n\u00e3o conseguiu ser campe\u00e3o de novo. E ningu\u00e9m imaginava que a Mercedes iria se impor como se imp\u00f4s com o in\u00edcio da era h\u00edbrida, deixando migalhas para\u00a0o resto.<\/p>\n<p>Alonso fez apostas. Mas n\u00e3o foi s\u00f3 ele. A McLaren tamb\u00e9m apostou na Honda e caiu do cavalo. E qualquer outro caminho que ele tomasse a partir de 2015, quando voltou a Woking, daria mais ou menos na mesma coisa se ele n\u00e3o tivesse uma Mercedes nas m\u00e3os. E a Mercedes nunca pensou nele. N\u00e3o precisava.<\/p>\n<p>A verdadeira mudan\u00e7a de rumo na carreira Alonso foi encontrar no ano passado ao decidir disputar as 500 Milhas de Indian\u00e1polis. Apaixonou-se pela corrida, mais do que pela categoria. Foi a Le Mans neste ano e se apaixonou de novo. Dois novos amores em dois anos. <a href=\"https:\/\/www.grandepremio.com\/br\/f1\/noticias\/mclaren-acaba-com-misterio-e-informa-que-alonso-deixa-f1-no-fim-da-temporada-2018\" target=\"_blank\">Era chegada a hora de deixar o velho amor para tr\u00e1s<\/a>.<\/p>\n<p>Alonso far\u00e1 falta pelo talento que tem. \u00c9 sempre bom ver um piloto excepcional guiando o que for. Mas para um cara como ele, a dist\u00e2ncia cada vez maior das vit\u00f3rias deve aborrecer. Fernando n\u00e3o ganha um GP h\u00e1 cinco anos. \u00c9 muita coisa para um sujeito que sabe que executa seu of\u00edcio em alt\u00edssimo n\u00edvel.<\/p>\n<p>Tem\u00a0uma frase famosa do escritor e cineasta franc\u00eas Jean Cocteau (1889-1963) que diz: sem saber que era imposs\u00edvel, ele foi l\u00e1 e fez. Na F-1, ela n\u00e3o se aplica. Sabendo que \u00e9 imposs\u00edvel, Alonso resolveu que n\u00e3o \u00e9 mais o caso de ir e tentar fazer.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\nhttps:\/\/www.youtube.com\/watch?v=0dixxud4RCM\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p><em>O v\u00eddeo de despedida de Alonso \u00e9 muito bonito na sua simplicidade e singeleza. At\u00e9 agora, nenhuma palavra foi dita sobre o futuro. \u00c9 poss\u00edvel que dispute a temporada da Indy em 2019. \u00c9 poss\u00edvel tamb\u00e9m que ele tenha algum projeto voltado exclusivamente para Indian\u00e1polis, com a participa\u00e7\u00e3o em algumas provas em ovais para adquirir a experi\u00eancia necess\u00e1ria para vencer a grande corrida dos EUA. Por enquanto, o que se sabe \u00e9 que ele segue com a Toyota no WEC. Onde quer que resolva correr, ser\u00e1 seguido por milh\u00f5es de f\u00e3s. Alonso tem 37 anos. Mansell foi campe\u00e3o na F-1 com 39 e na Indy, com 40. Pilotos, hoje em dia, s\u00e3o atletas muito mais preparados do que eram h\u00e1 25 anos. O espanhol tem muita estrada pela frente, ainda. Mas o que conta, a essa altura da vida, \u00e9 a motiva\u00e7\u00e3o. Essa ser\u00e1 sua busca, agora.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO (h\u00e1 vida por a\u00ed) &#8211; A primeira vez que olhei com alguma aten\u00e7\u00e3o para o tal de Fernando Alonso foi numa corrida de F-3000 na B\u00e9lgica, h\u00e1 exatos 18 anos. Foi sua \u00fanica vit\u00f3ria na categoria, e n\u00e3o foi uma vit\u00f3ria qualquer. Ali\u00e1s, n\u00e3o foi um s\u00e1bado qualquer, aquele. 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