{"id":48103,"date":"2015-01-12T20:16:51","date_gmt":"2015-01-12T22:16:51","guid":{"rendered":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/blogs\/sem-autor\/noticias\/copersucar-40\/"},"modified":"2026-06-16T23:40:40","modified_gmt":"2026-06-17T02:40:40","slug":"copersucar-40","status":"publish","type":"42wp_blog","link":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/blogs\/flavio-gomes\/f1\/copersucar-40\/","title":{"rendered":"COPERSUCAR, 40"},"content":{"rendered":"\n\n<p><strong>S\u00c3O PAULO<\/strong> <em>(melhor do que pensam)<\/em> &#8211; Foi num dia 12 de janeiro, exatamente 40 anos atr\u00e1s, que a aventura brasileira na F-1 deu seu primeiro passo. Em 23\u00b0 num grid de 23 carros, Wilson Fittipaldi Jr. alinhava o FD-01 (Fittipaldi\/Divila) com um tempo 11s pior que o de Jean-Pierre Jarier, da Shadow, que partiria na pole para o GP da Argentina, em Buenos Aires.<\/p>\n<p>Parecia um abismo, era, mas n\u00e3o importava. Importava terminar a corrida com o primeiro carro de F-1 constru\u00eddo no Brasil, com apoio do regime militar, de uma cooperativa de produtores de a\u00e7\u00facar e da Embraer.<\/p>\n<p>Fazer um F-1 fora da Europa era uma maluquice, mas Wilsinho resolveu bancar. O carro prateado, com o n\u00famero 30 na carenagem, era lindo, mas pouco competitivo. Depois de 12 voltas,\u00a0o sonho da estreia virou fuma\u00e7a. Literalmente. A quebra de uma pe\u00e7a da suspens\u00e3o fez o piloto perder o controle e se espatifar no guard-rail. O FD-01 pegou fogo. Wilsinho n\u00e3o se machucou. Mas saiu ferido na alma.<\/p>\n<p>Seu irm\u00e3o Emerson acabaria vencendo aquela prova, pela McLaren. A hist\u00f3ria da Copersucar n\u00e3o terminou ali, longe disso. Persistiu at\u00e9 1982, j\u00e1 com outro nome, Fittipaldi. No total foram 103 GPs e tr\u00eas p\u00f3dios, todos eles hist\u00f3ricos. O primeiro no Rio, em 1978, j\u00e1 com Emerson ao volante, segundo colocado &#8212; ent\u00e3o bicampe\u00e3o do mundo, o Rato abra\u00e7ou a iniciativa familiar e foi para o time brasileiro, enquanto Wilsinho passsava a atuar fora das pistas. Em 1980, mais dois, ambos com terceiros lugares: Keke Rosberg na Argentina e Emerson em Long Beach, no dia em que Nelson Piquet venceu seu primeiro GP.<\/p>\n<p>Primeira vit\u00f3ria de Piquet, \u00faltimo p\u00f3dio de Fittipaldi, bast\u00e3o definitivamente passado para a gera\u00e7\u00e3o que depois teria ainda Senna como um de seus filhotes. Sim, os Fittipaldi, sem medo de errar, s\u00e3o os pais do automobilismo nacional contempor\u00e2neo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos irm\u00e3os Wilson e Emerson, pilotaram carros da Copersucar\/Fittipaldi o j\u00e1 citado Keke, mais Arturo Merzario, Ingo Hoffmann, Alex Dias Ribeiro e Chico Serra. Com um s\u00e9timo lugar em 1978 (na frente de McLaren e Williams, por exemplo) e um oitavo em 1980 (\u00e0 frente de Ferrari e McLaren), a Copersucar n\u00e3o pode ser considerada um fiasco na F-1. Seu maior problema, talvez, tenha sido a imprensa brasileira.<\/p>\n<p>Formados basicamente nos campos de futebol, muitos jornalistas\u00a0esportivos\u00a0tiveram de ser deslocados para a F-1 no in\u00edcio dos anos 70, quando Emerson venceu seus primeiros GPs e conquistou o primeiro t\u00edtulo mundial. No rastro dele veio Pace, igualmente bem-sucedido e potencial campe\u00e3o.\u00a0Habituados a\u00a0cobrir um esporte vencedor, tricampe\u00e3o do mundo, os jornalistas transferiram para a F-1 o mesmo tipo de cobran\u00e7a que reservavam\u00a0\u00e0 sele\u00e7\u00e3o. S\u00f3 interessava ganhar. Derrotas seriam tratadas com a crueldade aplicada no futebol.<\/p>\n<p>S\u00f3 que F-1 n\u00e3o \u00e9 futebol, nunca foi, e quando a primeira gera\u00e7\u00e3o de jornalistas realmente especializados em automobilismo passou a ganhar espa\u00e7o e a ser compreendida, a Copersucar j\u00e1 era, destru\u00edda pela m\u00eddia sem d\u00f3, nem piedade.<\/p>\n<p>Hoje, 40 anos depois, a maioria compreende\u00a0o valor da equipe brasileira e sua import\u00e2ncia para o desenvolvimento do automobilismo nacional. Enormes.<\/p>\n<p>Anos atr\u00e1s, j\u00e1 contei isso aqui milhares de vezes, encontrei dois Copersucar jogados numa oficina em Interlagos. Aquele material, publicado no di\u00e1rio &#8220;Lance!&#8221;, talvez tenha acelerado o processo de restaura\u00e7\u00e3o dos carros, levado a cabo pela Dana. H\u00e1 dois Copersucar restaurados hoje no Brasil. Outros, n\u00e3o sei exatamente quantos, est\u00e3o pelo mundo, participando de corridas de F-1 cl\u00e1ssicos.<\/p>\n<p>Essa hist\u00f3ria, portanto, n\u00e3o acabou. Vive na mem\u00f3ria de quem viu os carros correrem, daqueles que foram a Interlagos acompanhar os primeiros testes, de quem trabalhou nos projetos, de quem os pilotou. E nos modelos sobreviventes, felizmente salvos por quem sempre compreendeu o tamanho do desafio que os Fittipaldi encararam.<\/p>\n<p>Longa vida \u00e0 Copersucar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO (melhor do que pensam) &#8211; Foi num dia 12 de janeiro, exatamente 40 anos atr\u00e1s, que a aventura brasileira na F-1 deu seu primeiro passo. 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