{"id":48251,"date":"2014-12-11T01:57:24","date_gmt":"2014-12-11T03:57:24","guid":{"rendered":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/blogs\/sem-autor\/noticias\/kombosa-trip-dias-2-3-e-4\/"},"modified":"2026-06-16T23:41:06","modified_gmt":"2026-06-17T02:41:06","slug":"kombosa-trip-dias-2-3-e-4","status":"publish","type":"42wp_blog","link":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/blogs\/flavio-gomes\/noticias\/kombosa-trip-dias-2-3-e-4\/","title":{"rendered":"KOMBOSA TRIP, DIAS #2, #3 E #4"},"content":{"rendered":"\n\n<p><strong>MONTEVID\u00c9U<\/strong> <em>(sempre chega)<\/em> &#8211; Tiv\u00e9ssemos de fazer um relat\u00f3rio mec\u00e2nico da Kombosa at\u00e9 agora, com mais de 2 mil km rodados desde s\u00e1bado, seria necess\u00e1rio anotar: 1) boia do carburador travada; 2) fio do alternador solto; 3) para-sol do lado do motorista quebrado; 4) escapamento furado.<\/p>\n<p>Para o primeiro problema, fomos ao Rodrigo, mec\u00e2nico da Pinheira, do lado da Guarda. Talvez seja preciso desmontar o carburador, disse. Mas n\u00e3o vou conseguir fazer isso hoje, emendou. Como estava pingando gasolina, achei que dever\u00edamos fazer algo. Ele pegou um bico de ar, colocou numa mangueira e assoprou. E sugeriu que f\u00f4ssemos ao Rigatoni, mec\u00e2nico do lado, n\u00e3o sei bem se o nome era esse.<\/p>\n<p>Fomos. Estacionei no Rigatoni, abri a tampa do motor, o vazamento parou e a marcha lenta estava OK. Resumo do primeiro problema: se auto-resolveu, como tudo em carros antigos. Fomos para a estrada. A esticada era longa, exatos 666 km at\u00e9 Pelotas, e sa\u00edmos \u00e0s 14h, quando o plano inicial era deixar a Guarda \u00e0s 9h. Mas atrasamos por causa do meu rim, ou algo assim.<\/p>\n<p>J\u00e1 na BR, acende a luz do alternador. Ora, ora. Paramos no primeiro posto onde havia um auto-el\u00e9trico. Abrimos a tampa do motor, um fio solto. Trocamos um terminal, prendemos o fio, gastamos 10 reais. Resumo do segundo problema: n\u00e3o era um problema.<\/p>\n<p>O para-sol, eu que quebrei. Estava para quebrar h\u00e1 um bom tempo, em S\u00e3o Paulo troco. J\u00e1 o escapamento, foi aqui perto, j\u00e1, a uns 60 km de Montevid\u00e9u. O barulho aumentou, pode ter furado, pode ser uma junta. Veremos amanh\u00e3 com especialistas no assunto, o que n\u00e3o falta por aqui.<\/p>\n<p>O rim. Era ter\u00e7a de manh\u00e3, ontem, estava tudo pronto para picarmos a mula quando senti uma pontada no lado esquerdo da barriga. A\u00ed come\u00e7ou a doer de verdade e Aguena, esta santa, arrumou transporte para me levar a um hospital.<\/p>\n<p>Fomos parar no posto de sa\u00fade da Pinheira, do SUS. Em menos de 20 minutos eu estava medicado e assistido, e foi um jovem m\u00e9dico paraense quem fez o diagn\u00f3stico e acertou na mosca. Das 10h ao meio-dia fiquei me contorcendo de dor e queria morrer. S\u00f3 quem tem essas c\u00f3licas renais sabe como d\u00f3i. \u00c9 foda. A\u00ed, de repente, ela para. N\u00e3o sei se \u00e9 pedra, c\u00e1lculo, picas. Sei que, do nada, a dor some, voc\u00ea levanta, agradece \u00e0s enfermeiras e vai embora.<\/p>\n<p>Foi o que fizemos. Ah, mas voc\u00ea foi no SUS? E seu plano de sa\u00fade premium-master? N\u00e3o precisei dele. O SUS me atendeu perfeitamente, e o rapaz do Mais M\u00e9dicos foi preciso e eficiente. Uma hora depois de sair do posto de sa\u00fade est\u00e1vamos na Kombi despencando rumo ao sul do sul.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o foi uma viagem f\u00e1cil.\u00a0Primeiro, um susto dos infernos chegando a Porto Alegre, na tal da Freeway. Escura, hostil, desprovida de servi\u00e7os, e a uns 15 ou 20 km da entrada da cidade levamos uma pedrada. O barulho foi terr\u00edvel, parecia que tinham explodido uma garrafa na minha porta. Olhei pelo espelho e vi dois ou tr\u00eas vultos atravessando a pista. Tentativa de assalto, claro. Miraram no vidro.<\/p>\n<p>Quando paramos para abastecer, vimos onde a pedra acertou. No friso, bem abaixo da minha janela. Uns 5cm para cima, me mataria, simplesmente. Nem mais, nem menos. Entraria pela janela e acertaria minha cabe\u00e7a. A pedra bateu no friso, que \u00e9 grosso e tem uma borracha no meio, e espalhou peda\u00e7os (parecia ter sido arrancada do asfalto) pela canaleta da janela, machucando um pouco a pintura na coluna da porta e riscando levemente o vidro.<\/p>\n<p>Foi assustador. Bela recep\u00e7\u00e3o. Anotado mentalmente: estrada brasileira \u00e0 noite, <em>no more<\/em>.<\/p>\n<p>Passamos por Porto Alegre e pegamos a BR116 de novo, pista \u00fanica, sem sinaliza\u00e7\u00e3o de solo, uma merda federal. N\u00e3o h\u00e1 explica\u00e7\u00e3o aceit\u00e1vel para essa estrada, nesse trecho, continuar sendo a bosta que sempre foi. Nota zero para os dois governos Lula e o primeiro Dilma. N\u00e3o tem cabimento, simplesmente. OK, a estrada sempre foi um cu. Mas em 12 anos o PT j\u00e1 deveria ter resolvido esse neg\u00f3cio. Nada que \u00e9 urgente pode levar tanto tempo. E morre gente que nem mosca ali.<\/p>\n<p>Por tr\u00eas ou quatro horas, a caminho de Pelotas, pegamos\u00a0o maior dil\u00favio que uma Kombi jamais enfrentou em qualquer ponto do planeta. Foi bem tenso. Mas, finalmente, chegamos \u00e0 terra do Xavante s\u00e3os e salvos. Saldo da ter\u00e7a: uma crise renal resolvida, um carburador que se autoconsertou, um fio de alternador solto, uma tantativa frustrada de assalto na Freeway, uma tempestade na madrugada e boas horas de sono no incr\u00edvel Motel Arizona com sua fonte no p\u00e1tio.<\/p>\n<p>Depois disso, encarar mais 600 km at\u00e9 Montevid\u00e9u foi barbada. E a Casa Tatu \u00e9 o m\u00e1ximo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MONTEVID\u00c9U (sempre chega) &#8211; Tiv\u00e9ssemos de fazer um relat\u00f3rio mec\u00e2nico da Kombosa at\u00e9 agora, com mais de 2 mil km rodados desde s\u00e1bado, seria necess\u00e1rio anotar: 1) boia do carburador travada; 2) fio do alternador solto; 3) para-sol do lado do motorista quebrado; 4) escapamento furado. 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