{"id":49835,"date":"2014-05-01T02:48:50","date_gmt":"2014-05-01T05:48:50","guid":{"rendered":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/blogs\/sem-autor\/noticias\/154453\/"},"modified":"2026-06-16T23:45:54","modified_gmt":"2026-06-17T02:45:54","slug":"154453","status":"publish","type":"42wp_blog","link":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/blogs\/flavio-gomes\/f1\/154453\/","title":{"rendered":"MEM\u00d3RIAS DE UNS DIAS DE MAIO"},"content":{"rendered":"\n<div id=\"attachment_154457\" style=\"width: 730px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/grandepremio.com\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/imolanapista.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-154457\" class=\"size-full wp-image-154457\" src=\"https:\/\/grandepremio.com\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/imolanapista.jpg\" alt=\"A Tamburello na segunda-feira, 2 de maio.\" width=\"720\" height=\"484\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-154457\" class=\"wp-caption-text\">A Tamburello na segunda-feira, 2 de maio.<\/p><\/div>\n<p><strong>S\u00c3O PAULO<\/strong> &#8211; O grande drama de todos que estavam cobrindo o GP de San Marino em 1994 era conseguir alguma informa\u00e7\u00e3o, qualquer uma, que ajudasse a esclarecer o que tinha acontecido no domingo. Havia duas perguntas b\u00e1sicas, a saber: 1) o que causou o acidente? e 2) o que matou Senna?<\/p>\n<p>N\u00e3o era f\u00e1cil. Williams, FIA e autoridades italianas se fecharam num sil\u00eancio sepulcral. Quem sabia alguma coisa, n\u00e3o dizia. Quem n\u00e3o sabia nada, chutava. Se havia uma trag\u00e9dia evidente, havia igualmente a necessidade de tentar explic\u00e1-la. Era para isso que est\u00e1vamos l\u00e1, os jornalistas. Para informar, antes de chorar a morte de algu\u00e9m com quem conviv\u00edamos regularmente \u2014 uns mais, outros menos.<\/p>\n<p>Na segunda-feira p\u00f3s-acidente, o trabalho se deu em duas frentes, It\u00e1lia e Brasil. Para al\u00e9m da dor e da tristeza que os brasileiros sentiam, havia tamb\u00e9m um certo ar de indigna\u00e7\u00e3o e de busca por culpados. \u00c9 natural, em casos t\u00e3o rumorosos. A indigna\u00e7\u00e3o vinha do fato de a corrida ter sido realizada mesmo depois da morte de Ratzenberger, um dia antes. Mais tarde, essa indigna\u00e7\u00e3o se estenderia \u00e0 equipe, que acabou sendo acusada de neglig\u00eancia na solda da coluna de dire\u00e7\u00e3o do carro de Senna.<\/p>\n<div id=\"attachment_154464\" style=\"width: 650px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/grandepremio.com\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/imola94.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-154464\" class=\"size-full wp-image-154464\" src=\"https:\/\/grandepremio.com\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/imola94.jpg\" alt=\"S\u00e1bado, 30 de abril. No paddock, mec\u00e2nico da Simtek lava as rodas do carro de David Brabham. Horas antes, Ratzenberger morrera na curva Villeneuve.\" width=\"640\" height=\"433\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-154464\" class=\"wp-caption-text\">S\u00e1bado, 30 de abril. No paddock, mec\u00e2nico da Simtek lava as rodas do carro de David Brabham. Horas antes, Ratzenberger morrera na curva Villeneuve.<\/p><\/div>\n<p>As causas do acidente ainda s\u00e3o controversas. A per\u00edcia levada a cabo pela Justi\u00e7a Italiana concluiu que a coluna quebrou. H\u00e1 quem n\u00e3o acredite nisso. Damon Hill, por exemplo, tem outra tese. Companheiro de Senna em 1994, o ingl\u00eas tem convic\u00e7\u00e3o de que a press\u00e3o dos pneus do carro do brasileiro caiu dramaticamente durante as voltas atr\u00e1s do safety-car, novidade naquela temporada. Na Tamburello, que tinha ondula\u00e7\u00f5es respeit\u00e1veis, o carro bateu no ch\u00e3o e Ayrton perdeu o controle. \u201cEle estava para uma parada, com o carro pesado e muito r\u00e1pido, pneus frios, press\u00e3o baixa. Se numa curva daquela o carro oscila por alguma raz\u00e3o, \u00e9 muito f\u00e1cil perder o controle. D\u00e1 para ver claramente pela c\u00e2mera do Schumacher que o carro de Senna bate no ch\u00e3o. Quando isso acontece, ele d\u00e1 uma balan\u00e7ada. Levanta o bico, e ele corrige. A\u00ed bate de novo e vem uma grande ondula\u00e7\u00e3o. O carro balan\u00e7a de novo, aponta para o muro e vai direto. Ele freia, mas a\u00ed est\u00e1 na grama. E \u00e9 isso. Tinha muita press\u00e3o sobre Ayrton naquele fim de semana. Ele n\u00e3o queria ser segundo para Schumacher de jeito nenhum.\u201d<\/p>\n<p>Esse depoimento de Hill est\u00e1 no livro \u201cSenna versus Prost \u2013 The story of the most deadly rivalry in Formula One\u201d, do jornalista Malcolm Folley (Arrow Books, 2009), do \u201cMail on Sunday\u201d. No mesmo livro, Hill conta que depois do acidente de Senna a Williams desligou em seu carro o sistema de dire\u00e7\u00e3o hidr\u00e1ulica que, pelo regulamento, n\u00e3o poderia ter outra fun\u00e7\u00e3o que n\u00e3o reduzir o esfor\u00e7o do piloto para virar o volante.<\/p>\n<p>Tal informa\u00e7\u00e3o vai ao encontro de o que me disse um dia, na B\u00e9lgica, o ex-piloto Emanuele Pirro, que participou como consultor das per\u00edcias feitas pelos italianos. Foi numa noite em que tomamos umas a mais no hotel em que nos hosped\u00e1vamos em Malmedy, depois de uma animada partida de ping-pong. Pirro me contou que uma das hip\u00f3teses para o acidente era de que o sistema teve algum tipo de pane e a dire\u00e7\u00e3o ficou louca, ou pesada demais, ou sei l\u00e1 o qu\u00ea. A Williams nunca teria admitido uma falha porque o sistema era, segundo ele, possivelmente irregular. O regulamento t\u00e9cnico, repito, dizia no item 4.2 do artigo 10 que tais sistemas eram permitidos. Na \u00edntegra: \u201c4.2 \u2013 Power steering systems which do anything other than reduce the physical effort required to steer the car are not permited\u201d.<\/p>\n<p>Mas o que havia naquele sistema da Williams que levou a equipe a deslig\u00e1-lo no carro de Hill para o rein\u00edcio da corrida? Jamais saberemos, desconfio. Talvez nada. Mas talvez a suspeita da pr\u00f3pria equipe reca\u00edsse sobre ele.<\/p>\n<p>Voltando \u00e0 segunda-feira p\u00f3s-acidente, eu precisava de alguma coisa al\u00e9m do factual que todos teriam: se o corpo seria submetido a alguma aut\u00f3psia, quando seria liberado, quando iria para o Brasil, quais as medidas que seriam tomadas pela diplomacia brasileira na It\u00e1lia, essas coisas.<\/p>\n<p>J\u00e1 surgiam, \u00e0quela altura, informa\u00e7\u00f5es desencontradas sobre a suspeita de que Senna tinha morrido na pista. Algo que, na pr\u00e1tica, n\u00e3o mudaria em nada a situa\u00e7\u00e3o \u2014 ele estava morto, e suspeitava-se que Ratzenberger tinha morrido no circuito, tamb\u00e9m, embora tenha sido declarado morto oito minutos depois de chegar ao Hospital Maggiore. Mas era algo relevante na constru\u00e7\u00e3o daquele quebra-cabe\u00e7as, para tentar compreender a real causa da morte. Ningu\u00e9m sabia, na segunda-feira, se ele tinha batido a cabe\u00e7a no muro, se tinha quebrado o pesco\u00e7o, se tinha tido um ataque card\u00edaco, nada.<\/p>\n<p>Um dos epis\u00f3dios mais controversos daquele dia foi o do di\u00e1logo entre Bernie Ecclestone e Leonardo Senna, que teria ouvido do chef\u00e3o da F-1 que \u201che is dead\u201d, quando na verdade Bernie teria dito algo como \u201cinjuries in his head\u201d. Isso nunca foi, igualmente, esclarecido. Como nunca se soube direito qual o teor de um suposto dossi\u00ea que Leonardo teria levado ao seu irm\u00e3o com informa\u00e7\u00f5es sobre sua namorada Adriane Galisteu, de quem a fam\u00edlia n\u00e3o gostava. Senna estava, sim, mais tenso que o normal naquele fim de semana \u2014 disso me lembro bem. Sem saber de dossi\u00ea nenhum, que poderia ter contribu\u00eddo para esfacelar seu estado de esp\u00edrito, eu e todos que l\u00e1 estavam, antes do acidente, atribu\u00edamos seu humor especialmente amargo \u00e0 situa\u00e7\u00e3o dele no campeonato: duas corridas, zero ponto, com Schumacher j\u00e1 somando duas vit\u00f3rias. E, de quebra, um carro dific\u00edlimo de guiar.<\/p>\n<p>Algo que j\u00e1 tinha ficado claro para ele depois das primeiras voltas que deu no Estoril, em janeiro, com sua nova equipe. Era um carro complicado, arisco, nervoso, quase incontrol\u00e1vel. Eu estava nos boxes da equipe em Portugal, me escondendo do frio cortante daquele inverno, quando ele saiu do cockpit com cara de poucos amigos, passou do meu lado e eu mandei um singelo \u201ce a\u00ed?\u201d. Ayrton me respondeu com uma frase t\u00e3o singela quanto: \u201cPuta que pariu, bem na minha vez cagaram no carro\u201d. Frase que repetiria semanas depois a amigos em Aida, no Jap\u00e3o. Depois, foram mais tr\u00eas dias de intenso trabalho com o h\u00edbrido FW15C e a conclus\u00e3o: \u201cSem suspens\u00e3o ativa, esse carro n\u00e3o \u00e9 tudo isso que a gente via, n\u00e3o\u201d.<\/p>\n<div id=\"attachment_154458\" style=\"width: 690px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/grandepremio.com\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/imolacomruffo.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-154458\" class=\" wp-image-154458  \" src=\"https:\/\/grandepremio.com\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/imolacomruffo.jpg\" alt=\"\" width=\"680\" height=\"463\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-154458\" class=\"wp-caption-text\">Quarta-feira, 27 de abril de 1994: na porta do aut\u00f3dromo, eu e o colega Alex Ruffo fotografados por Lemyr Martins na barraca de credenciamento para a corrida. Foi nesse Punto que, tr\u00eas dias depois, a caminho do hospital, soube que Senna tinha morrido.<\/p><\/div>\n<p>A \u00faltima entrevista, digamos, agendada de Senna naquele fim de semana de Imola aconteceu na quinta-feira, como em todas as semanas de GP. Ele recebia a imprensa brasileira no motorhome da equipe e falava sobre a corrida, sobre o campeonato, sobre os advers\u00e1rios e tal. Dela, me lembro de um detalhe irrelevante. Senna vestia uma cal\u00e7a impecavelmente branca e comia macarr\u00e3o com molho de tomate enquanto falava. Eu achava que uma hora aquele molho ia respingar na cal\u00e7a. N\u00e3o lembro direito o que disse. Mas escrevi, naquele dia, baseado na entrevista de Ayrton, algo que, visto 20 anos depois, tem ar de profecia: \u201cO maior problema da Williams \u00e9 a falta de estabilidade em pisos irregulares. O carro \u2018salta\u2019 muito e n\u00e3o desfruta de seu potencial aerodin\u00e2mico. A suspens\u00e3o, muito dura, agrava os defeitos de nascimento do projeto \u2014 originalmente concebido para utilizar um sistema computadorizado, que mant\u00e9m o carro a uma altura constante do solo (proibido neste ano pelo regulamento da F-1).\u201d<\/p>\n<p>No dia seguinte, depois de fazer o melhor tempo no primeiro treino oficial (os tempos de sexta valiam para formar o grid e Ayrton largaria na pole com essa volta, j\u00e1 que n\u00e3o treinou no s\u00e1bado depois do acidente de Ratzenberger), Senna continuava reclamando do carro. \u201cN\u00e3o d\u00e1 para dizer muita coisa porque de manh\u00e3 o carro estava razo\u00e1vel e de tarde imposs\u00edvel de guiar. Foi assim com todo mundo. Eu n\u00e3o consegui fazer uma volta inteira bem. N\u00e3o conseguia me sentir tranquilo para guiar r\u00e1pido.\u201d Reclamou do vento. \u201cO carro fica imprevis\u00edvel. Vai bem numa volta e mal em outra. Faz bem uma curva e mal a outra. Voc\u00ea \u00e9 pego de surpresa.\u201d<\/p>\n<p>No s\u00e1bado, Senna n\u00e3o falou mais.<\/p>\n<p>Segunda-feira, 2 de maio. J\u00e1 sabendo que seria feita uma aut\u00f3psia, que o corpo embarcaria no dia seguinte para o Brasil, que a pol\u00edcia instaurara um inqu\u00e9rito para apurar as causas do acidente, fui atr\u00e1s de algo que pudesse acrescentar \u00e0 cobertura mais informa\u00e7\u00f5es que ajudassem a esclarecer o que matou Senna. Queria falar com a m\u00e9dica que o recebeu no Maggiore, Maria Teresa Fiandri. Ir ao hospital achando que toparia com ela na recep\u00e7\u00e3o era fantasia. Foi quando me lembrei da minha namorada.<\/p>\n<p>Maria Cristina Gervasi fora minha namorada em 1981, quando eu estava no terceiro colegial e morava em Campinas. Italiana, mudou-se para a cidade porque seu pai trabalhava com telecomunica\u00e7\u00f5es e veio para o Brasil para tocar um projeto qualquer durante um ano. Cris estudava na minha classe no Objetivo e come\u00e7amos a namorar. \u00c9ramos apaixonados, como s\u00e3o os adolescentes. Acabou o ano, ela voltou para a It\u00e1lia em meio a l\u00e1grimas e juras de amor eterno.<\/p>\n<div id=\"attachment_154454\" style=\"width: 970px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/grandepremio.com\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/cris22.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-154454\" class=\"size-full wp-image-154454\" src=\"https:\/\/grandepremio.com\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/cris22.jpg\" alt=\"Eu e minha namorada Cristina em Campinas, 1981. Nos reencontramos 13 anos depois em Bolonha. Eu, jornalista cobrindo F-1; ela, m\u00e9dica legal na It\u00e1lia. \" width=\"960\" height=\"681\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-154454\" class=\"wp-caption-text\">Eu e minha namorada Cristina em Campinas, 1981. Nos reencontramos 13 anos depois em Bolonha. Eu, jornalista cobrindo F-1; ela, m\u00e9dica legal na It\u00e1lia.<\/p><\/div>\n<p>Mantivemos contato durante meses em 1982, quando eu j\u00e1 voltara para S\u00e3o Paulo para fazer faculdade. Meu \u00fanico objetivo de vida era juntar dinheiro para morar com ela na It\u00e1lia. Troc\u00e1vamos cartas. Cris, que era de Roma, tinha entrado na universidade para fazer medicina. Em Bolonha.<\/p>\n<p>Ainda em 1982, ela arrumou um namorado, engravidou e casou. A \u00faltima not\u00edcia que tive dela foi essa. Estudava medicina em Bolonha e tinha casado. Perdemos o contato, tocamos a vida.<\/p>\n<p>Achei que tinha uma chance ali. Se ela tivesse se formado em Bolonha, talvez trabalhasse na cidade e conhecesse a doutora Fiandri. Mas podia ser que tivesse desistido da faculdade, que tivesse mudado de pa\u00eds, qualquer coisa. Fui a uma cabine de telefone perto do IML, no centro da cidade. Se me jogarem em Bolonha hoje, saberei chegar \u00e0quela cabine sem grandes problemas. Algumas coisas daqueles dias permanecem muito claras na minha mem\u00f3ria.<\/p>\n<p>Naquela \u00e9poca, era poss\u00edvel consultar listas telef\u00f4nicas nas cabines, presas com correntinhas para ningu\u00e9m roubar. Era uma tentativa. A lista continha os n\u00fameros dos assinantes de Bolonha e das cidades da regi\u00e3o metropolitana. Comecei a procurar o sobrenome Gervasi nas listas. N\u00e3o tinha grandes esperan\u00e7as. Ela tinha se casado, poderia estar usando o sobrenome do marido.<\/p>\n<p>Passei por todas as cidades, at\u00e9 chegar a Casalecchio di Reno, pequena vila a sudoeste de Bolonha. No G, surgiu uma Gervasi. Gervasi, Maria Cristina, <em>dottoressa<\/em>.<\/p>\n<p>Cris tinha virado m\u00e9dica e vivia nas redondezas. A chance de trabalhar no Maggiore aumentara consideravelmente. De conhecer a doutora Fiandri, idem. Eu precisava tentar alguma coisa. Coloquei alguns milhares de liras no telefone e liguei. Entrou uma secret\u00e1ria eletr\u00f4nica. Reconheci a voz e devo ter sorrido brevemente. Era bom ouvir uma voz familiar \u00e0quela hora, mesmo sendo de algu\u00e9m que eu n\u00e3o via, ou ouvia, desde 1981.<\/p>\n<p>Deixei um recado em portugu\u00eas. Imaginei que ela se lembrava de mim, mas me alonguei para explicar o que estava fazendo em Bolonha 13 anos depois. N\u00e3o havia internet em 1994. Ningu\u00e9m rastreava a vida dos outros como hoje. Para se ter not\u00edcias de algu\u00e9m, s\u00f3 escrevendo ou telefonando. Eu n\u00e3o escrevia para minha ex-namorada fazia muito tempo. Muito mesmo.<\/p>\n<div id=\"attachment_154478\" style=\"width: 970px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/grandepremio.com\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/objetivo81.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-154478\" class=\"size-full wp-image-154478\" src=\"https:\/\/grandepremio.com\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/objetivo81.jpg\" alt=\"A turma do Objetivo em 1981: eu estou com o chapeuzinho rid\u00edculo, ao lado de minha namorada.\" width=\"960\" height=\"680\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-154478\" class=\"wp-caption-text\">A turma do Objetivo em 1981: eu estou com o chapeuzinho rid\u00edculo, ao lado de minha namorada.<\/p><\/div>\n<p>Terminei minha mensagem dizendo onde estava hospedado, no Novotel de Bolonha, para onde me mudara depois do acidente. Na semana do GP de San Marino, sempre ficava em Riolo Terme, a uns 15 km de Imola. Naquela segunda-feira, sa\u00ed de mala e cuia da pens\u00e3o para ficar no mesmo lugar onde estavam os diplomatas brasileiros e a turma do Senna. Ali seria um ponto natural de concentra\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00c0 noite, quando voltei ao hotel, havia um recado para ligar para a <em>dottoressa<\/em> Gervasi. Liguei. Para quem n\u00e3o falava comigo havia 13 anos, ela foi at\u00e9 rude. \u201cOnde voc\u00ea estava? Te procurei o tempo todo no IML!\u201d N\u00e3o entendi direito. Como, me procurou? Como voc\u00ea sabia que eu estava l\u00e1?<\/p>\n<p>Cristina tinha uma irm\u00e3 mais velha, Simona, que se casou no Brasil e ficou morando em Campinas. Naqueles anos todos, acompanhou meu trabalho no jornal e no r\u00e1dio. Elas se falavam, e por isso minha ex-namorada sabia perfeitamente que eu tinha virado jornalista, que trabalhava na \u201cFolha\u201d e na Jovem Pan, e que cobria F-1. Assim, seria bastante plaus\u00edvel que eu aparecesse no IML na manh\u00e3 de segunda-feira.<\/p>\n<p>O que n\u00e3o era muito plaus\u00edvel, e isso eu n\u00e3o sabia, \u00e9 que Cristina se formou em medicina e estava se especializando em Medicina Legal. Fazia o \u00faltimo ano da especializa\u00e7\u00e3o e suas aulas eram ministradas no IML. Seus professores eram os m\u00e9dicos que fizeram a aut\u00f3psia no corpo de Senna. \u201cEu sabia que voc\u00ea estava l\u00e1. Podia ter te mostrado o corpo!\u201d, bronqueou. Parecia que t\u00ednhamos nos falado um dia antes. Engra\u00e7ado, isso. N\u00e3o havia tempo para muitas demonstra\u00e7\u00f5es de sentimentalismo, e ela entendia isso bem melhor do que eu.<\/p>\n<p>Nos encontramos na ter\u00e7a-feira \u00e0 noite, depois que o corpo de Senna embarcou, do aeroporto de Bolonha, num avi\u00e3o militar italiano rumo a Paris, de onde voltaria para o Brasil na classe executiva de um voo da Varig.<\/p>\n<p>Cris me deu uma longa entrevista. Descreveu em detalhes tudo que viu, o que acompanhou, o que disseram os m\u00e9dicos. Contou sobre a aula que teve naquela ter\u00e7a-feira, dia em que a aut\u00f3psia foi realizada, por um dos legistas que realizaram o trabalho, Pierludovico Ricci, um exc\u00eantrico professor que trabalhava sem luvas porque acreditava que v\u00edrus nenhum resistia \u00e0 morte de um corpo \u2014 n\u00e3o entendo nada disso, mas a Cristina me disse que ele tinha alguma raz\u00e3o, cientificamente falando; n\u00e3o vem ao caso, por\u00e9m.<\/p>\n<p>Ricci, \u201cestranho e psic\u00f3tico\u201d, saiu da aut\u00f3psia e foi para a sala de aula com o jaleco sujo de sangue. Mal-afamado na cidade, era um doidivanas que conhecia todas as putas de Bolonha e costumava convoc\u00e1-las para noites de lux\u00faria no IML tocando uma corneta pela janela. Um dia os estudantes roubaram a corneta, enlouquecendo o m\u00e9dico. Mas Ricci tinha princ\u00edpios \u00e9ticos muito fortes e ministrou uma aula vigorosa sobre o que chamou de \u201cmorte S\u00e9rie A e morte S\u00e9rie B\u201d, indignado com a indiferen\u00e7a a Ratzenberger, cujo corpo era vizinho do de Ayrton no IML.<\/p>\n<p>Encontrei a Cristina algumas vezes depois daqueles primeiros dias de maio de 1994. J\u00e1 n\u00e3o lembro bem quando. Tr\u00eas ou quatro anos depois, talvez. Jantamos uma noite em Bolonha, num belo restaurante numa colina, e em outra oportunidade visitei-a em Casalecchio, onde fiquei comovido com um cantinho de sua casa onde havia na parede uma placa de carro com o escudo da Portuguesa, algumas fotos nossas em porta-retratos e pequenas lembran\u00e7as de nosso namoro adolescente.<\/p>\n<p>Nos falamos de vez em quando pelo Facebook. Ela se casou novamente e divide o tempo entre a It\u00e1lia e Zurique, de onde vem seu marido. Acabou de ter um beb\u00ea e est\u00e1 feliz da vida. Esta semana, entrei em contato para lembrarmos aqueles dias de 20 anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi uma conversa triste e melanc\u00f3lica. M\u00e9dicos sabem lidar melhor com certas coisas como a morte. Me escreveu:<\/p>\n<blockquote><p>Trabalhar como m\u00e9dico legista lhe permite ver a vida a partir de um ponto de vista diferente. Ou, talvez, voc\u00ea pode apenas ver a sua vida&#8230; Corremos atr\u00e1s de nossos sonhos e ilus\u00f5es, corremos de manh\u00e3 \u00e0 noite, e quantas vezes nos perguntamos o que fazemos? No final, tudo \u00e9 o resultado de nossas escolhas. H\u00e1 os que escolhem uma vida de rotina, tranquila, e h\u00e1 aqueles que arriscam suas vidas, e fazem isso de modo bem consciente. E um dia o final da corrida vem, vem para cada um de n\u00f3s.<\/p>\n<p>Os mortos s\u00e3o todos iguais, n\u00e3o h\u00e1 mortes de s\u00e9rie A ou de s\u00e9rie B. Dois jovens sa\u00edram daqui h\u00e1 20 anos com seus sonhos e suas esperan\u00e7as, tirando as esperan\u00e7as e sonhos de milh\u00f5es de pessoas. Era o que t\u00ednhamos aqui no dia 1\u00b0 de maio, no Instituto de Medicina Legal de Bolonha, onde eu cursava o \u00faltimo ano de especializa\u00e7\u00e3o em medicina forense.<\/p>\n<p>N\u00e3o sou daquelas que seguem os eventos esportivos, por isso n\u00e3o sabia direito o que estava acontecendo quando me vi presa no tr\u00e2nsito da Via Irnerius, incapaz de chegar ao Instituto. Depois de muito tempo consegui alcan\u00e7ar o port\u00e3o vigiado pela pol\u00edcia, que s\u00f3 me deixou entrar quando mostrei minha identidade. Estacionei o carro no lugar de costume, em um pequeno recesso logo atr\u00e1s do port\u00e3o de entrada.<\/p>\n<p>Notei os rostos consternados e as l\u00e1grimas de dor. Me lembro, na entrada para o necrot\u00e9rio, de v\u00e1rias pessoas que falavam com uma cad\u00eancia e uma musicalidade que me trouxeram lembran\u00e7as doces e nost\u00e1lgicas da minha juventude. Eles falavam portugu\u00eas e tinham a bandeira do Brasil nas m\u00e3os.<\/p>\n<p>A entrada foi inundada com flores, flores em todos os lugares, nunca vi tantas flores juntas, bilhetes, mensagens&#8230; Nesse dia, as atividades normais do Instituto foram suspensas e ficamos na varanda observando esse estranho fen\u00f4meno que se desenvolvia sob nossos olhos.<\/p>\n<p>Os dois jovens pilotos estavam na ante-sala da c\u00e2mara frigor\u00edfica, e pareciam dormir. Senna tinha uma ferida costurada na parte frontal da base do couro cabeludo, mas seu rosto estava sereno e j\u00e1 n\u00e3o apresentava muito incha\u00e7o. Ratzenberger era de uma beleza t\u00edpica do Tirol Austr\u00edaco. Um belo rapaz. Senna, o grande campe\u00e3o. Ratzenberger, o piloto que fazia apenas sua terceira corrida. Ambos apaixonados pela mesma coisa, ambos rapazes que fizeram do risco e da velocidade suas vidas, e que estavam ali na nossa frente para mostrar como a exist\u00eancia \u00e9 ef\u00eamera, a realidade concreta da transitoriedade da vida.<\/p>\n<p>Com alguns colegas , oramos por suas almas, que agora corriam em dire\u00e7\u00e3o a outros objetivos e para os seus entes queridos que precisassem de ajuda e conforto. Pegamos algumas rosas e colocamos nas m\u00e3os dos jovens pilotos antes do fechamento dos caix\u00f5es. A rua estava cheia de pessoas que se amontoavam nos port\u00f5es. E de jornalistas \u00e0 espera de not\u00edcias. Mas n\u00e3o havia muito o que dizer.<\/p>\n<p>Senna saiu em primeiro lugar, e centenas de pessoas com gritos e aplausos acompanharam o caix\u00e3o saindo do beco atr\u00e1s do Instituto. Aplaudiam um grande campe\u00e3o que perdera a vida na Tamburello, deixando um enorme vazio nos cora\u00e7\u00f5es de f\u00e3s em todo o mundo. No dia seguinte, saiu Ratzenberger. Em sil\u00eancio, sem aplausos, l\u00e1grimas ou c\u00e2meras de TV. Membros de sua fam\u00edlia chegaram e n\u00f3s, do Instituto, o aplaudimos. Aplaudimos o rapaz corajoso que perdeu a vida na busca de um sonho que nunca alcan\u00e7ou. Aplaudimos com todo vigor aquele cuja fama n\u00e3o tinha despertado o clamor do povo.<\/p>\n<p>Os mortos est\u00e3o mortos, e eles s\u00e3o todos iguais. N\u00e3o h\u00e1 desculpas e\/ou atenuantes para aqueles que \u201cesqueceram\u201d muito rapidamente que por aquela corrida, naquele circuito, dois jovens rapazes haviam perdido suas vidas. E que estavam viajando juntos na sua \u00faltima corrida para a linha de chegada.<\/p>\n<p>Reunimos todos os buqu\u00eas, colocamos tudo em v\u00e1rios carros e levamos para o cemit\u00e9rio da cidade, que foi inundado de cores, doando uma beleza f\u00falgida e fugaz, como fora a vida daqueles jovens pilotos, a t\u00famulos desbotados e esquecidos por suas fam\u00edlias e amigos. Nesse dia, aqueles mortos puderam rever as cores da vida e o fasc\u00ednio da natureza, num sofrido contraponto \u00e0 realidade da morte e da dor.<\/p><\/blockquote>\n<p>Li com aten\u00e7\u00e3o e solenidade cada palavra da Cris, que escreveu em italiano. J\u00e1 era madrugada em Zurique, onde ela estava no in\u00edcio desta semana, quando apareceu a bolinha verde na janela de mensagens do Facebook.<\/p>\n<p>Posso fazer umas perguntas, Cris?, perguntei, depois das amenidades de praxe. \u201cSim, claro\u201d, ela respondeu em portugu\u00eas. Depois, s\u00f3 escreveu em italiano. E eu, sempre em portugu\u00eas. Era assim quando \u00e9ramos adolescentes. Para escrever, n\u00e3o falar. Minha namorada aprendeu portugu\u00eas muito r\u00e1pido. Era uma excelente aluna.<\/p>\n<p>Cris me contou que a aut\u00f3psia seguiu os padr\u00f5es de sempre. \u201cCome\u00e7amos pelo cr\u00e2nio e depois vai descendo. N\u00e3o se deve negligenciar nada, mesmo os \u00f3rg\u00e3os aparentemente n\u00e3o atingidos. S\u00e3o retirados os \u00f3rg\u00e3os principais, que s\u00e3o pesados e medidos, e deles retiramos pequenas amostras para an\u00e1lises. Durante uma aut\u00f3psia, se descreve continuamente tudo que est\u00e1 sendo feito, para que seja gravado e, depois, transcrito.\u201d<\/p>\n<p>Foi Cristina quem, h\u00e1 20 anos, me disse que a base do cr\u00e2nio de Senna tinha inchado de tal forma que ele ficou bastante desfigurado, \u201ca cabe\u00e7a em forma de pir\u00e2mide, com a base larga\u201d. \u201cO que eu me lembro foi que no estudo das meninges cerebrais foram encontradas les\u00f5es que lembravam ferimentos t\u00edpicos de soldados que morreram em conflitos militares por explos\u00f5es pr\u00f3ximas de bombas.\u201d<\/p>\n<p>Cristina lembrava da roupa com que o corpo de Senna foi vestido: terno preto, gravata cinza e camisa branca, comprados em Bolonha. A cabe\u00e7a desinchou porque os m\u00e9dicos usaram f\u00e1rmacos para reduzir os edemas cerebrais.<\/p>\n<p>Ele morreu na pista?, repeti a pergunta feita h\u00e1 20 anos no meu quarto de hotel em Bolonha. A resposta foi exatamente a mesma, a mesma que estaria no primeiro laudo dos legistas, que acabou sendo minha \u00faltima mat\u00e9ria na \u201cFolha\u201d, porque me demiti depois. \u201cDo ponto de vista jur\u00eddico, o conceito de morte n\u00e3o \u00e9 o que mesmo que se usa em linguagem normal. O que se pode dizer \u00e9 que as les\u00f5es encontradas eram incompat\u00edveis com a vida, e como consequ\u00eancia ele podia ser considerado morto, sim.\u201d<\/p>\n<div id=\"attachment_154455\" style=\"width: 650px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/grandepremio.com\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Picture-009.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-154455\" class=\"size-full wp-image-154455\" src=\"https:\/\/grandepremio.com\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/Picture-009.jpg\" alt=\"Picture 009\" width=\"640\" height=\"480\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-154455\" class=\"wp-caption-text\">O pr\u00e9dio onde vive a doutora Maria Teresa Fiandri, em Bolonha.<\/p><\/div>\n<p>Fui encontrar a doutora Maria Teresa dez anos depois, em 2004, na pen\u00faltima vez em que estive em Imola. Fiz uma entrevista com ela que <a href=\"http:\/\/revista.warmup.com.br\/edicoes\/49\/stop-and-go-maria-teresa-fiandri.shtml\" target=\"_blank\">pode ser lida aqui.<\/a>\u00a0Foi nesse pequeno pr\u00e9dio na periferia de Bolonha, na Via dei Lamponi. Ela nos recebeu numa segunda-feira ensolarada e luminosa, com aquele c\u00e9u de um azul p\u00e1lido e profundo e um ar fresco que, por alguma raz\u00e3o, s\u00f3 se percebe na Emilia Romagna no come\u00e7o da primavera. Ela nos recebeu em seu pequeno apartamento com cortesia e gentileza. Dias antes fomos \u00e0 Tamburello, pelo lado de fora da pista, margeando o rio Santerno. As fotos n\u00e3o s\u00e3o boas<\/p>\n<div id=\"attachment_154456\" style=\"width: 650px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/grandepremio.com\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/tamburello.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-154456\" class=\"size-full wp-image-154456\" src=\"https:\/\/grandepremio.com\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/tamburello.jpg\" alt=\"tamburello\" width=\"640\" height=\"480\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-154456\" class=\"wp-caption-text\">A Tamburello, vista de tr\u00e1s. \u00c0 direita fica o rio Santerno.<\/p><\/div>\n<p>Em 1994, n\u00e3o t\u00ednhamos celulares, ou c\u00e2meras digitais. Tampouco t\u00ednhamos \u00a0o h\u00e1bito de fotografar tudo, de quartos de hotel a pratos em restaurantes, como hoje. Mas de vez em quando faz\u00edamos um ou outro registro. As fotos que acompanham este texto, que receio ter sido exaustivo e bocejante, foram feitas naquele fim de semana.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-154473\" src=\"https:\/\/grandepremio.com\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/crisgervasi-291x300.jpg\" alt=\"crisgervasi\" width=\"291\" height=\"300\" \/><\/p>\n<p>Outras s\u00e3o de 1981, dos tempos de col\u00e9gio, quando conheci a Cris, esta bela m\u00e9dica de sorriso t\u00edmido e olhinhos espertos que um dia entrou na minha vida e, como todas as pessoas que amamos um dia, nela ficou para sempre, porque ao contr\u00e1rio do que j\u00e1 escreveram tantos, nenhum amor acaba.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO &#8211; O grande drama de todos que estavam cobrindo o GP de San Marino em 1994 era conseguir alguma informa\u00e7\u00e3o, qualquer uma, que ajudasse a esclarecer o que tinha acontecido no domingo. Havia duas perguntas b\u00e1sicas, a saber: 1) o que causou o acidente? e 2) o que matou Senna? N\u00e3o era f\u00e1cil. [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"42wp_featured_image_caption":"","42wp_featured_image_credits":"","42wp_featured_video":"","42wp_featured_image_hidden":false,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[5386,3324],"42wp_author":[47111],"class_list":["post-49835","42wp_blog","type-42wp_blog","status-publish","hentry","category-f1","tag-imola","tag-senna","42wp_author-flavio-gomes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/42wp_blog\/49835","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/42wp_blog"}],"about":[{"href":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/42wp_blog"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49835"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/42wp_blog\/49835\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":49836,"href":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/42wp_blog\/49835\/revisions\/49836"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49835"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49835"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49835"},{"taxonomy":"42wp_author","embeddable":true,"href":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/42wp_author?post=49835"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}