{"id":53469,"date":"2013-04-21T13:16:35","date_gmt":"2013-04-21T16:16:35","guid":{"rendered":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/blogs\/sem-autor\/noticias\/nareia-3\/"},"modified":"2026-06-16T23:55:55","modified_gmt":"2026-06-17T02:55:55","slug":"nareia-3","status":"publish","type":"42wp_blog","link":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/blogs\/flavio-gomes\/f1\/nareia-3\/","title":{"rendered":"N&#8217;AREIA (3)"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><a href=\"https:\/\/grandepremio.com\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/nareia3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-147407\" alt=\"nareia3\" src=\"https:\/\/grandepremio.com\/wp-content\/uploads\/2013\/04\/nareia3-300x199.jpg\" width=\"300\" height=\"199\" \/><\/a>S\u00c3O PAULO<\/strong><em> (gosto pra tudo)<\/em> &#8211; Veje bem. Isso mesmo, veje. Eu adorava quando meu colega Cyro Cesar, locutor da Pan, me parava no corredor e dizia: &#8220;Veje bem&#8221;. Cyro falava um portugu\u00eas perfeito. E n\u00e3o se conformava quando entrevistados soltavam um &#8220;veje bem&#8221; no ar. Ou um &#8220;previl\u00e9gio&#8221;. Sempre que ele mandava um &#8220;veje bem&#8221;, era melhor &#8220;vejar&#8221;, porque vinha coisa boa.<\/p>\n<p>Pois vejem bem. A corrida de hoje no Bahrein teve uma caralhada de ultrapassagens e, possivelmente, recorde de pit stops. Foram 71 passagens pelos boxes. Se n\u00e3o foi recorde, ficou perto. Depois levanto esses n\u00fameros. Muita gente ficou empolgad\u00edssima com a prova.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o.<\/p>\n<p>Ainda sou um pouco reticente com algumas dessas novidades nem t\u00e3o novas assim que, verdade, aumentaram bastante o n\u00famero de ultrapassagens na F-1. A que mais me incomoda \u00e9 a asa m\u00f3vel. Desde o in\u00edcio acho uma covardia. O cara da frente n\u00e3o tem como se defender. Por isso que hoje Galv\u00e3o, sabiamente, sepultou o famoso &#8220;chegar \u00e9 uma coisa, passar \u00e9 outra&#8221;. Passar ficou f\u00e1cil. Passar \u00e9 uma coisa igual a chegar.<\/p>\n<p>Eu costumava fazer uma compara\u00e7\u00e3o grosseira entre Indy e F-1 com uma analogia usando basquete e futebol. \u00c9 \u00f3bvia. O basquete tem dezenas de cestas por jogo, e a gente n\u00e3o se lembra de nenhuma em especial, com raras exce\u00e7\u00f5es. O futebol, n\u00e3o. Poucos gols, resultantes de jogadas constru\u00eddas, da habilidade especial de um ou outro, aquela coisa toda. E a gente lembra dos gols. S\u00e3o mais escassos que cestas. Mais marcantes e decisivos.<\/p>\n<p>Na Indy, que perdeu relev\u00e2ncia, mas v\u00e1 l\u00e1, em algum momento da hist\u00f3ria foi usada como par\u00e2metro para criticar a F-1, as ultrapassagens s\u00e3o fartas por motivos diversos. Sempre foram. Na F-1, mais raras, certas ultrapassagens s\u00e3o lembradas com admira\u00e7\u00e3o por serem parecidas com os gols: estudadas, elaboradas, o bote na hora certa, o talento se sobrepondo \u00e0 facilidade.<\/p>\n<p>Claro que \u00e9 melhor corrida com ultrapassagens \u00e0 farta do que trenzinhos entediantes. Mas em alguns momentos acho que elas est\u00e3o sendo banalizadas. Hoje foi assim. Apesar de P\u00e9rez, que lutou bravamente por posi\u00e7\u00f5es o tempo todo, com alguma agressividade, sem olhar o advers\u00e1rio \u2014 com Button, eu diria que ele foi, em alguns momentos, meio deselegante. P\u00e9rez passou onde era mais dif\u00edcil. Brigou onde era mais perigoso. Talvez pudesse fazer o mesmo que fez de forma menos complicada usando v\u00e1cuo e asa m\u00f3vel. Mas ainda bem que preferiu o inesperado ao previs\u00edvel.<\/p>\n<p>Outros duelos tamb\u00e9m foram bonitos. Hamilton contra Webber, por exemplo, no final da corrida. E devo estar esquecendo alguns outros. Talvez, justamente, porque foi tudo t\u00e3o fren\u00e9tico que resvalou na banalidade. No geral, o para-para e o passa-passa foram resultado desses componentes que t\u00eam tornado as corridas um pouco mais artificiais do que o desejado. Pode ser uma quest\u00e3o de gosto. N\u00e3o \u00e9 nostalgia barata, garanto. Na m\u00e9dia, a combina\u00e7\u00e3o pneus complicados + asa m\u00f3vel tem produzido mais corridas boas do que ruins. S\u00f3 que, sei l\u00e1 por qu\u00ea, hoje n\u00e3o curti muito.<\/p>\n<p>De qualquer maneira, vamos \u00e0 corrida, e com um olhar n\u00e3o t\u00e3o amargo assim.<\/p>\n<p>Come\u00e7ando com n\u00fameros. Vettel chegou a 28 vit\u00f3rias e deixou para tr\u00e1s Jackie Stewart nas estat\u00edsticas. \u00c9 o sexto da lista agora, atr\u00e1s de Schumacher, Prost, Senna, Mansell e Alonso. Raikkonen, o segundo colocado, completou 21 corridas seguidas nos pontos. A \u00faltima prova em que ele zerou foi o GP da China do ano passado. O recorde pertence a Schumacher, 24 corridas pontuando direto e reto entre os GPs da Hungria de 2001 e da Mal\u00e1sia de 2003. Alonso tem 23 consecutivas, de Europa\/2011 a Hungria\/2012. Kimi subiu ao p\u00f3dio pela terceira vez em quatro corridas neste ano e tem 72 trof\u00e9us na estante. \u00c9 o quinto maior frequentador de p\u00f3dios da hist\u00f3ria, perdendo para Schumacher (155), Prost (106), Alonso (88) e Senna (80).<\/p>\n<p>Isso posto, ao GP.<\/p>\n<p>Muito quente, 29 graus. Galv\u00e3o falou que eram 38 duas vezes, n\u00e3o sei bem por qu\u00ea. Talvez o ar-condicionado da cabine n\u00e3o estivesse funcionando. Arquibancadas vazias, tempo meio nublado, sem aquele sol de rachar, temperatura caindo a ponto de, na segunda metade da corrida, Hamilton melhorar barbaramente seu desempenho por conta de alguns graus a menos no asfalto. Est\u00e3o muito sens\u00edveis, esses carros.<\/p>\n<p>Rosberg manteve a ponta na largada, Alonso saltou bem e passou Vettel, mas nem teve o gostinho de fechar a primeira volta em segundo, porque o alem\u00e3o deu o troco. Foi na terceira volta que Rosberguinho n\u00e3o resistiu ao ass\u00e9dio de Sebasti\u00e3o \u2014 ele nunca resiste \u2014 e perdeu a lideran\u00e7a. Na quinta, Fernandinho fez o mesmo. Na sexta, Resta Um. Uma festa. A Mercedes, moedora de borracha, precisa se entender com esses pneus. &#8220;Mas eles s\u00e3o iguais para todos e temos de encontrar uma forma de us\u00e1-los melhor&#8221;, disse Ross Brawn, num rasgo de sinceridade, depois da corrida. Nico teve de fazer quatro paradas e terminou em nono. N\u00e3o lembro de um pole ter chegado t\u00e3o atr\u00e1s numa corrida em condi\u00e7\u00f5es normais, sem toques, falhas, erros de pit stops ou pneus furados.<\/p>\n<p>Alonso estava na briga, tinha carro para enfrentar Vettel. Mas na oitava volta sua asa m\u00f3vel travou aberta. Ele foi para os boxes e os mec\u00e2nicos deram-lhe uns cascudos. Na asa, n\u00e3o no Alonso. Ele voltou, abriu e travou de novo. A\u00ed danou-se. Mais um pit stop na volta seguinte, novos cascudos e a conclus\u00e3o \u00f3bvia: n\u00e3o ia poder mais abrir aquela asa dos infernos e teria de passar todo mundo na marra. &#8220;Ah, por que n\u00e3o trocaram a asa?&#8221;, pode perguntar algu\u00e9m. \u00c9 demorado. N\u00e3o \u00e9 como um bico, que voc\u00ea arranca com dois ou tr\u00eas parafusos. Asa traseira demanda um certo trabalho e n\u00e3o valeria a pena.<\/p>\n<p>Massa, que tinha largado de pneus duros para tentar a lideran\u00e7a quando os de pneus m\u00e9dios come\u00e7assem a parar, n\u00e3o logrou grande sucesso. Porque teve de parar cedo, tamb\u00e9m. Na 11\u00aa l\u00e1 estava o brasileiro no box, assim como o l\u00edder Vettel. Di Resta e Raikkonen, com carros mais amiguinhos da borracha, ficaram na pista e assumiram a ponta. O force\u00edndico parou na 15 e Kimi, na 17. Vettel reassumiu a ponta e, j\u00e1 naquele momento, precocemente, era poss\u00edvel dizer que estava decidida a corrida.<\/p>\n<p>Felipe teve um pneu furado logo depois e a\u00ed j\u00e1 era. Antes, na largada, tocou em Sutil e furou o pneu do piloto da Force India. Est\u00e1 nas t\u00e1buas de Mois\u00e9s: quem pneu furou, pneu ter\u00e1 furado. Foi o que acabou acontecendo com o brasileiro. E n\u00e3o uma, mas duas vezes. Acabou a prova em 15\u00b0, um resultado bem decepcionante para quem largara com expectativas t\u00e3o altas.<\/p>\n<p>Na altura da 20\u00aa volta abriu-se a segunda janela de paradas. Vettel cuidava bem de seus pneus e s\u00f3 foi trocar na 26\u00aa. Mais para tr\u00e1s, outra corrida acontecia, com uma intensa altern\u00e2ncia de posi\u00e7\u00f5es muito em fun\u00e7\u00e3o das estrat\u00e9gias diferentes de cada um. A impress\u00e3o que eu tinha era que a maioria das ultrapassagens era desnecess\u00e1ria. As trocas de posi\u00e7\u00f5es aconteceriam do mesmo jeito nos boxes, uma ou duas voltas depois.<\/p>\n<p>Na metade da corrida Button e P\u00e9rez come\u00e7aram a se esfregar pela primeira vez. Jenson se espantou com a fome do jovem devorador de nachos. Apetite que a gente gosta de ver de fora, mas que poderia resultar num Mal de Montezuma se um dos toques do mexicano na traseira do gentil brit\u00e2nico desse num pneu furado. Bonitton deixaria a gentileza de lado, certamente, e enfiaria uma tortilla no rabo do companheiro depois da corrida.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi necess\u00e1rio, por\u00e9m. P\u00e9rez livrou-se da tortilla no rabo e ainda chegou bem na frente de Button: sexto, em sua melhor corrida pela McLaren, contra um d\u00e9cimo do ingl\u00eas.<\/p>\n<p>Rom\u00e3 Groj\u00e3 foi um dos grandes destaques do domingo barenita, num ritmo pr\u00f3ximo do alucinante o tempo todo, saindo de 11\u00b0 no grid para terceiro no final. O p\u00f3dio, ali\u00e1s, foi id\u00eantico ao do ano passado: Ti\u00e3o, Tagarela e Groj\u00e3. Muito interessante. O franc\u00eas parou tr\u00eas vezes. Kimi, duas. Di Resta foi o quarto tamb\u00e9m com duas paradas e Hamilton, que ningu\u00e9m nem lembrava que estava na corrida na primeira metade, surgiu em quinto com um bom ritmo por conta dos j\u00e1 supracitados graus a menos no asfalto.<\/p>\n<p>L\u00e1 na frente, Vettel passeava. Fez seu terceiro pit stop na boa e ganhou sem dificuldades. Alonso, aos trancos e barrancos, passando gente sem asa m\u00f3vel e abrindo caminho do jeito que dava, salvou uns pontinhos com um oitavo lugar. Webber, em seu 200\u00b0 GP, foi o s\u00e9timo, perdendo duas posi\u00e7\u00f5es na \u00faltima volta.<\/p>\n<p>Lendo tudo isso, d\u00e1 para depreender que foi uma corrida bem agitada. OK, foi. OK, deixemos a amargura de lado e OK, coloquemos esse GP do Bahrein na categoria &#8220;corridas legais&#8221;. Mas n\u00e3o na coluna de &#8220;corridas excepcionais&#8221;. Pronto, fica todo mundo feliz.<\/p>\n<p>Na classifica\u00e7\u00e3o, Vettel foi a 77 pontos, contra 67 de Raikkonen, 50 de Hamilton, 47 de Alonso, 32 de Webber e 30 de Massa. A diferen\u00e7a de 30 pontos entre o tedesco rubrotaurino e o asturiano vermelho certamente preocupa a Ferrari e \u00e9 mais do que El Fod\u00f3n esperava em quatro corridas. Vai ter de remar e torcer para seus advers\u00e1rios come\u00e7arem a gastar logo suas cotas de infort\u00fanios. Alonso j\u00e1 teve dois, na Mal\u00e1sia e hoje, com a asa travada.<\/p>\n<p>Enquanto isso, o finland\u00eas vai comendo pelas beiradas. \u00c9 um belo carro, esse da Lotus. S\u00f3 precisa classificar melhor para brigar de verdade por vit\u00f3rias. Se isso acontecer, Kimi pode sonhar em ser campe\u00e3o, embora isso n\u00e3o v\u00e1 mudar muito sua vida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO (gosto pra tudo) &#8211; Veje bem. Isso mesmo, veje. Eu adorava quando meu colega Cyro Cesar, locutor da Pan, me parava no corredor e dizia: &#8220;Veje bem&#8221;. Cyro falava um portugu\u00eas perfeito. E n\u00e3o se conformava quando entrevistados soltavam um &#8220;veje bem&#8221; no ar. Ou um &#8220;previl\u00e9gio&#8221;. 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