{"id":72446,"date":"2009-04-30T10:44:38","date_gmt":"2009-04-30T13:44:38","guid":{"rendered":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/blogs\/sem-autor\/noticias\/30-de-abril\/"},"modified":"2026-06-17T00:56:29","modified_gmt":"2026-06-17T03:56:29","slug":"30-de-abril","status":"publish","type":"42wp_blog","link":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/blogs\/flavio-gomes\/f1\/30-de-abril\/","title":{"rendered":"30 DE ABRIL"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>S\u00c3O PAULO<\/strong> <em>(mais horas, preciso de mais horas)<\/em> &#8211; Tomo a liberdade de reproduzir, abaixo, a coluna que fiz para a edi\u00e7\u00e3o de hoje do &#8220;Lance!&#8221;. A foto (explico no texto) \u00e9 uma das cinco que bati com minha maquininha vagabunda naquele fim de semana de 1994. Este blog hoje vai ficar meio \u00e0s moscas, porque tenho muita coisa para fazer durante o dia. Grava\u00e7\u00f5es, imposto de renda, programa na TV, chope com os velhos amigos da &#8220;Folha&#8221; \u00e0 noite, enfim&#8230;<\/p>\n<p>Bom, \u00e9 isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\">**********<\/p>\n<p><a href=\"\/wp-content\/uploads\/2009\/04\/imola94.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-119685\" src=\"\/wp-content\/uploads\/2009\/04\/imola94.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"338\" \/><\/a>A batida foi forte e assustadora. O socorro, nessas horas, parece demorar mais do que deveria. O tempo que se leva para tirar o piloto do cockpit \u00e9 intermin\u00e1vel. O corpo estendido no ch\u00e3o e os param\u00e9dicos fazendo massagem card\u00edaca eram imagens a que n\u00f3s, os jornalistas mais novos naquele mundo, n\u00e3o est\u00e1vamos acostumados. Afinal, a \u00faltima morte num fim de semana de corrida havia acontecido 12 anos antes, no Canad\u00e1. E a \u00faltima de um piloto de F-1 pouca gente viu, em 1986, em testes privados na Fran\u00e7a. Mas o corpo estava estendido no ch\u00e3o, e a realidade daquele esporte despencava sobre n\u00f3s sem tempo para grandes reflex\u00f5es enquanto os param\u00e9dicos tentavam salvar aquela vida. Corri para o pequeno hospital do aut\u00f3dromo, ao p\u00e9 dos boxes, na entrada do paddock. Ligaram os motores do helic\u00f3ptero. O corpo saiu apressado numa maca, com um tubo de soro pendurado no vazio, isso eu notei, n\u00e3o havia nada conectado \u00e0quele corpo p\u00e1lido, e os m\u00e9dicos continuavam batendo em seu peito, at\u00e9 que entrou no helic\u00f3ptero e decolou contra o c\u00e9u azul daquela tarde de primavera no norte da It\u00e1lia. Poucas horas depois chegava a informa\u00e7\u00e3o de que aquele piloto de 33 anos estava morto. A F-1 era seu sonho, depois de passar pela F-Ford, pela F-3000, por Le Mans, pelo Jap\u00e3o. Tinha um contrato de cinco corridas com uma equipe nanica, a Simtek. Nem se classificou no Brasil, mas conseguiu largar em Aida, chegou em 11\u00ba, era a felicidade em pessoa, embora fosse t\u00edmido e desconhecido. Bateu a 314,9 km\/h na curva Villeneuve, depois de perder a asa dianteira de seu carro. N\u00e3o teve a menor chance. Seu nome era Roland Ratzenberger. Hoje, dia 30 de abril, faz exatamente 15 anos de sua morte. A foto acima foi tirada no fim daquela tarde. Uma das cinco que bati naquele fim de semana, num tempo em que n\u00e3o havia m\u00e1quinas digitais ou celulares cheios de megapixels. A Simtek ocupava o \u00faltimo box, ao lado do centro m\u00e9dico. O mec\u00e2nico, fora do mundo, lavava as rodas dos carros da equipe como se nada tivesse acontecido, como se tudo n\u00e3o passasse de um pesadelo. A aut\u00f3psia aconteceu na segunda-feira no Instituto M\u00e9dico Legal de Bolonha. O legista que comandou os trabalhos, pouco depois, deu uma aula de \u00e9tica m\u00e9dica aos seus residentes naquele mesmo pr\u00e9dio cinzento e sinistro. Com certa indigna\u00e7\u00e3o pelo movimento que observava pelas janelas, ensinou aos seus alunos que n\u00e3o existiam categorias de morte, morte classe A e morte classe B. Dois corpos foram autopsiados naquele dia. Uma de suas residentes, quando foram fechados os caix\u00f5es, colocou uma rosa na m\u00e3o do mais conhecido. E duas na m\u00e3o daquele rapaz que parecia esquecido pelo mundo. O mais famoso, soube-se depois, carregava uma bandeira da \u00c1ustria dobrada no bolso do macac\u00e3o no dia seguinte, quando morreu de forma semelhante. N\u00e3o queria que esquecessem aquilo que tinha acontecido no s\u00e1bado. A bandeira no bolso do macac\u00e3o foi o \u00faltimo dos exemplos que deixou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO (mais horas, preciso de mais horas) &#8211; Tomo a liberdade de reproduzir, abaixo, a coluna que fiz para a edi\u00e7\u00e3o de hoje do &#8220;Lance!&#8221;. A foto (explico no texto) \u00e9 uma das cinco que bati com minha maquininha vagabunda naquele fim de semana de 1994. 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