{"id":74386,"date":"2009-01-23T17:02:15","date_gmt":"2009-01-23T19:02:15","guid":{"rendered":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/blogs\/sem-autor\/noticias\/rodrigues-responde-a-zonta\/"},"modified":"2026-06-17T01:04:41","modified_gmt":"2026-06-17T04:04:41","slug":"rodrigues-responde-a-zonta","status":"publish","type":"42wp_blog","link":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/blogs\/flavio-gomes\/f1\/rodrigues-responde-a-zonta\/","title":{"rendered":"RODRIGUES RESPONDE A ZONTA"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>S\u00c3O PAULO<\/strong> <em>(estou atrasado, de novo!)<\/em> &#8211; Sumi\u00e7o, n\u00e3o? Compromissos, compromissos&#8230; Seguinte, macacada: o Geraldo Rodrigues, empres\u00e1rio de marketing esportivo com forte atua\u00e7\u00e3o no automobilismo e s\u00f3cio da ag\u00eancia Reunion, mandou ao <strong>Grande Pr\u00eamio<\/strong> a carta abaixo, contestando algumas declara\u00e7\u00f5es de Ricardo Zonta na <a href=\"http:\/\/ultimosegundo.ig.com.br\/paginas\/grandepremio\/materias\/506501-507000\/506660\/506660_1.html\">Grande Entrevista<\/a> publicada no \u00faltimo dia 21. Como ele foi citado, acho justo conceder o mesmo espa\u00e7o para que d\u00ea sua vers\u00e3o dos fatos mencionados na entrevista, em particular o epis\u00f3dio envolvendo a Sauber, quando Zonta acabou assinando como piloto de testes da Jordan.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 publicado no <strong>Grande Pr\u00eamio<\/strong>, tamb\u00e9m. Mas j\u00e1 adianto aqui, na \u00edntegra, para quem quiser ler.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\">**********<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Primeiramente, gostaria de afirmar que fiquei surpreso com a quantidade de imprecis\u00f5es contidas na entrevista do Zonta. Como muitas t\u00eam a ver com o meu trabalho, decidi escrever os fatos corretos. Como empres\u00e1rio, tenho aqui diversos documentos (contratos, e-mails, minutas) que comprovam o que relato a seguir. Os profissionais citados tamb\u00e9m podem ser consultados.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Apesar de nossas diferen\u00e7as atuais, gostaria de deixar aqui minha admira\u00e7\u00e3o pelo Ricardo Zonta-piloto. Ele \u00e9 provavelmente o piloto mais impressionante que j\u00e1 representei. Fiz uma op\u00e7\u00e3o dif\u00edcil na \u00e9poca. Deixei de trabalhar com o Rubinho Barrichello para me dedicar ao Ricardo. Eu, sinceramente, achava que Zonta seria campe\u00e3o do mundo. Mas para isso n\u00e3o basta ser um piloto sensacional. H\u00e1 outros fatores que influenciam, pessoais, inclusive. Ricardo fez o que p\u00f4de. Eu tamb\u00e9m. Juntos, conseguimos coisas bem incr\u00edveis. E que foram reconhecidas dentro da F\u00f3rmula 1, como eu mostro a seguir.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Ricardo s\u00f3 conseguiu a oportunidade na McLaren em 1998 como resultado de um teste na Jordan. Na \u00e9poca, convenci o Gary Anderson (diretor t\u00e9cnico da equipe) e o Trevor Forster (diretor esportivo) a lhe darem uma chance de mostrar seu talento com um Jordan. A disputa da vaga era com o Ricardo Rosset.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Na \u00e9poca do teste da Jordan, o Zonta ainda tinha alguma dificuldade com o idioma ingl\u00eas na parte t\u00e9cnica, e ent\u00e3o consegui que o Jos\u00e9 Avallone Neto (um grande amigo que era engenheiro na Jordan) ficasse ao seu lado para ajudar. Zonta foi muito bem no teste, e felizmente naquele mesmo dia a McLaren tamb\u00e9m estava testando e notou a velocidade dele. Ent\u00e3o, para aproveitar o momento, eu telefonei ao Ron Dennis e pedi uma oportunidade para conversar. Foi assim que conseguimos o contrato de teste com a McLaren que, como se v\u00ea, n\u00e3o surgiu do nada. Foi, sim, resultado do talento do Ricardo. Mas a oportunidade veio com o trabalho da minha ag\u00eancia, a Reunion, que abriu as portas na Jordan, onde j\u00e1 t\u00ednhamos bom conhecimento devido ao trabalho que eu fiz anteriormente com o Rubens Barrichello.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Da mesma forma, Ricardo erra ao dizer a McLaren sugeriu espontaneamente que ele competisse no FIA GT. Eu na \u00e9poca fiquei preocupado pelo fato de Zonta estar escalado apenas para fazer testes \u2013 uma quest\u00e3o que hoje continua bastante atual entre os pilotos de teste de F-1. Sem competir, eles perdem um pouco dos reflexos e do racioc\u00ednio de corrida. \u00c9 preciso se manter em atividade. Al\u00e9m disso, estar no FIA GT deixaria o Ricardo em evid\u00eancia. Ent\u00e3o procurei um amigo, o portugu\u00eas Domingos Piedade, que era diretor geral da AMG, que corresponde ao departamento de competi\u00e7\u00f5es da Mercedes. Eu o convenci da minha tese, e negociei com ele uma vaga para o Ricardo, que competiria como piloto oficial da marca. Juntos, n\u00f3s costuramos um acordo com a McLaren. O Ron Dennis entendeu na hora que isso s\u00f3 trazia benef\u00edcios para o Zonta, e ele teve a oportunidade de fazer uma das temporadas mais belas de sua carreira.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">J\u00e1 a oportunidade na BAR foi tamb\u00e9m conseguida atrav\u00e9s de contatos e da apresenta\u00e7\u00e3o do Ricardo como o melhor piloto que eu j\u00e1 havia tido \u2013 ou seja, simplesmente n\u00e3o foram bater \u00e0 nossa porta. Eu conhecia o Sr. Antonio Monteiro de Castro, que na \u00e9poca era diretor-geral da British American Tobacco (BAT) para a Am\u00e9rica Latina. Ent\u00e3o, houve duas coincid\u00eancias: o Affonso Serra, irm\u00e3o do Chico Serra, me disse que a BAT queria lan\u00e7ar no Brasil a marca de cigarros Lucky Strike (que viria a ser o patrocinador da BAR). Depois, soube que a equipe BAR tentava identificar um piloto brasileiro que tivesse bom n\u00edvel para ajudar o time durante o ano, ao lado do Jacques Villeneuve. Era uma grande oportunidade. Na \u00e9poca, eles estavam falando com o Gil de Ferran que, ent\u00e3o, n\u00e3o era cliente da minha ag\u00eancia. Assim que tive chance, coloquei o Ricardo como op\u00e7\u00e3o. Zonta era mais jovem e comprovadamente veloz. Ent\u00e3o, n\u00f3s t\u00ednhamos boas possibilidades. Com muito trabalho, conseguimos a vaga. Lembro de uma foto na sala do Ron Dennis na qual aparec\u00edamos n\u00f3s dois e uma enorme pilha de papel, que era formada por uma s\u00e9rie de vers\u00f5es de rascunhos que, desde a primeira proposta, fomos modificando e apresentando um para o outro at\u00e9 chegarmos \u00e0 reda\u00e7\u00e3o final do documento. Foi uma negocia\u00e7\u00e3o repleta de exig\u00eancias.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Lembro que para convencer o Craig Pollock peguei na McLaren uma p\u00e1gina da telemetria que mostrava o Zonta dando um coro, em condi\u00e7\u00f5es iguais, no Mika Hakkinen e no David Coulthard, durante um teste. Tenho essa folha at\u00e9 hoje. De outro lado, o Ron Dennis n\u00e3o queria saber do assunto, e n\u00e3o ia liberar o Zonta para a BAR. Demorei muitos dias insistindo com ele, tentando estabelecer um di\u00e1logo, pois ele sequer falava com o Pollock, e eles eram uma esp\u00e9cie de desafetos declarados no paddock. Mas devo admitir, sem falsa mod\u00e9stia, que me sa\u00ed muito bem. O Zonta n\u00e3o apenas p\u00f4de ir para a BAR, mas tamb\u00e9m foi para l\u00e1 recebendo um sal\u00e1rio anual de US$ 1 milh\u00e3o. Isso era in\u00e9dito na \u00e9poca. Assim, ao contr\u00e1rio do que disse o Ricardo, a BAR n\u00e3o \u201cveio e ofereceu um contrato\u201d. N\u00f3s constru\u00edmos essa oportunidade. Tenho at\u00e9 hoje aqui o contrato final de 69 p\u00e1ginas \u2013 al\u00e9m de muitos outros documentos que provam tudo o que exponho aqui.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Esse epis\u00f3dio foi marcante para mim. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que, justamente naquele ano, fui apontado pelo Who Works (anu\u00e1rio que divulga os profissionais que trabalham na F-1) como o terceiro melhor empres\u00e1rio daquela temporada, atr\u00e1s apenas do Willy Weber (que cuidava dos irm\u00e3os Schumacher) e do Keke Rosberg (Mika Salo e Mika Hakkinen). E eu s\u00f3 cuidava do Zonta. Ou seja, a pr\u00f3pria F-1 via a nossa escolha e os resultados que obtivemos com ela como algo muito bem trabalhado. Ningu\u00e9m jamais apostaria em uma parceria entre Dennis e Pollock \u00e0quela altura. Mas n\u00f3s fizemos acontecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Para o segundo ano de BAR, ao contr\u00e1rio do que Zonta diz, n\u00e3o era poss\u00edvel haver \u201coutra escolha\u201d de equipe. Simplesmente por que t\u00ednhamos contrato tanto com a McLaren quanto com a BAR, com prefer\u00eancia para a primeira, o que era \u00f3timo, pois o time era melhor. Simplesmente, a situa\u00e7\u00e3o que t\u00ednhamos era muito boa, e \u00e9 injusto reclamar agora, pois Ricardo ficaria na F-1 de um jeito ou de outro, bastando McLaren ou BAR fazer a op\u00e7\u00e3o. E foi a BAR quem o escolheu novamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">O trecho do acidente em Hockenheim tem outra incorre\u00e7\u00e3o. E ela foi uma prova muito mais importante do que parece para a carreira de Zonta. Antes da corrida, t\u00ednhamos j\u00e1 pronta e aprovada uma minuta de contrato para renova\u00e7\u00e3o de mais dois anos com a BAR. A renova\u00e7\u00e3o poderia ter sido tranq\u00fcila. R\u00e1pido, o Ricardo sempre era. Mas naquela altura estava adquirindo fama de batedor. Tinha tido uma s\u00e9rie de acidentes, e isso era preocupante, por que uma batida na F-1 n\u00e3o apenas tira as chances de pontuar, mas tamb\u00e9m custa muito caro. As equipes n\u00e3o querem pilotos assim. E a BAR estava em uma situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil. Precisava pontuar para ganhar os subs\u00eddios de transporte da organiza\u00e7\u00e3o, que valem muito dinheiro. Antes da prova, eu o procurei e disse: \u201cDessa vez, tenta s\u00f3 terminar a corrida. N\u00e3o arrisca hoje, precisamos apenas terminar. Com o contrato assinado, a\u00ed voc\u00ea manda brasa de novo\u201d. Mas Zonta bateu. E n\u00e3o foi uma batida qualquer: ele bateu justamente com o Villeneuve. Tirou Jacques da prova. Voltas depois, ao contr\u00e1rio do que ele afirma no texto (ele diz na entrevista que o carro quebrou), Zonta bateu sozinho. A chuva apertou e ele passou direto no hairpin do Est\u00e1dio. A equipe inteira ficou revoltada. Dos mec\u00e2nicos aos engenheiros. Quando eu sa\u00eda do aut\u00f3dromo, o Pollock me chamou e disse: \u201cEsquece, Geraldo. Aqui, ele n\u00e3o corre mais\u201d. Ficamos sem moral para tentar negociar qualquer coisa. E eu fiquei 15 dias sem falar com o Ricardo.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Depois, o Villeneuve, muito irritado, e passou a acusar o Zonta de pilotagem irrespons\u00e1vel. Era ruim um campe\u00e3o do mundo falando mal de um companheiro praticamente novato. Tentei ent\u00e3o abrir uma porta na Sauber. Claro, eu j\u00e1 tinha contatos l\u00e1. Sempre tive um plano B. Ricardo erra ao dizer que o contrato proposto por eles era de piloto titular. Era, sim, de piloto de testes, sem garantia alguma de se tornar titular. E, sim, sem ganhar nada, como ele afirma. Entre outros, um dos candidatos \u00e0 vaga de titular na \u00e9poca era o Kimi Raikkonen. Mesmo que tiv\u00e9ssemos optado pela Sauber, n\u00e3o seria f\u00e1cil ganhar a posi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Para 2001, na Jordan, contei com a vantagem de ter uma grande amizade com os diretores Eddie Jordan (dono) e Ian Phillips (marketing). \u00c9ramos amigos da \u00e9poca do Rubinho. Pedi a eles uma chance para o Ricardo, claro, acenando com a qualidade dele como piloto. Conseguimos a proposta de piloto de testes, com op\u00e7\u00e3o de competir no ano seguinte. Como o Ricardo j\u00e1 tinha alguma experi\u00eancia, e como o Ian n\u00e3o queria mais ter na equipe o Heinz-Harald Frentzen, ele nos segurou oferecendo um sal\u00e1rio e me garantiu que Zonta substituiria o alem\u00e3o em pelo menos uma corrida. Eu, claro, fiquei feliz. E o Zonta tamb\u00e9m. Conseguimos US$ 600 mil anuais \u2013 soma at\u00e9 ent\u00e3o in\u00e9dita na Jordan para um piloto de testes.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Ian Phillips cumpriu a promessa. Zonta substituiu muito bem Frentzen no GP do Canad\u00e1. Mas j\u00e1 na pr\u00f3xima corrida, em Nurburgring, Ricardo bateu forte com o Arrows do Jos Versttapen, jogando fora a chance de se tornar titular no ano seguinte.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Na \u00e9poca, Sauber e Jordan eram equipes equivalentes, ent\u00e3o a proposta da Jordan era realmente t\u00e9cnica e financeiramente superior. Fiquei surpreso ao ler que Zonta considera esse o maior erro de sua carreira. Pois, como empres\u00e1rio, eu nunca tive a palavra final. Essa era sempre ele quem decidia na hora H. E ele sempre foi muito apegado ao dinheiro, mas muitos profissionais s\u00e3o assim. At\u00e9 hoje, todos os pilotos com os quais eu trabalho t\u00eam a decis\u00e3o final a respeito de seus futuros. Eu n\u00e3o tenho nem quero ter esse poder. Minha fun\u00e7\u00e3o \u00e9 abrir portas e mostrar e melhorar as op\u00e7\u00f5es. Mas sempre exponho o que acho. E eu achava que a proposta da Jordan era melhor. Como ainda acho hoje em dia.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Outra incorre\u00e7\u00e3o se deve \u00e0 quest\u00e3o da World Series. A Reunion, minha ag\u00eancia de marketing esportivo, negociava para trazer uma etapa da categoria para o Brasil. Isso tamb\u00e9m n\u00e3o apareceu ao acaso, como d\u00e1 a entender a entrevista. Quem iria fazer os testes para entrar na categoria era o Tarso Marques. Mas ele se desinteressou pela vaga, e eu prontamente ofereci o Zonta para o Jaime Alguersuari, dono daquele campeonato. Imediatamente fui para Curitiba, na casa do Zonta, e passei duas horas tentando convenc\u00ea-lo a aceitar a proposta. Eu disse: \u201cVamos dar um passo atr\u00e1s, para depois darmos dois \u00e0 frente\u201d. Eu achava que se tivesse sucesso na World Series, Zonta voltaria \u00e0 F-1. E foi exatamente o que aconteceu, com a oportunidade na Toyota.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Quando \u00e0 F\u00f3rmula Indy, gostaria de lembrar que consegui um teste para o Ricardo na Newman-Haas. Houve, ao contr\u00e1rio do que ele disse, uma oferta concreta da equipe para que competisse l\u00e1. Mas, no dia dos testes, Zonta estava com problemas pessoais e n\u00e3o rendeu bem. Todo mundo tem uma fase assim, e eu acredito que em condi\u00e7\u00f5es normais ele massacraria o S\u00e9bastien Bourdais. Mas Ricardo ficou atr\u00e1s na folha de tempos. E, infelizmente, perdeu a vaga.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO (estou atrasado, de novo!) &#8211; Sumi\u00e7o, n\u00e3o? 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