{"id":97172,"date":"2006-03-30T01:23:50","date_gmt":"2006-03-30T04:23:50","guid":{"rendered":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/blogs\/sem-autor\/noticias\/ao-infinito-e-alem\/"},"modified":"2026-06-17T02:38:55","modified_gmt":"2026-06-17T05:38:55","slug":"ao-infinito-e-alem","status":"publish","type":"42wp_blog","link":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/blogs\/flavio-gomes\/noticias\/ao-infinito-e-alem\/","title":{"rendered":"Ao infinito e al\u00e9m"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>RIO DE JANEIRO<\/strong> <em>(Canopus, Aldebaran&#8230;)<\/em> &#8211; A esta hora Marcos Pontes est\u00e1 a mais de 200 km de altitude, bandeira do Brasil no bra\u00e7o, a bordo da Soyuz e a caminho da Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional. O <a href=\"http:\/\/www.marcospontes.net\" target=\"_blank\">lan\u00e7amento<\/a> da base de Baikonur pode ser visto no seu site oficial.<\/p>\n<p>Quando eu tinha 12 para 13 anos fui fazer um curso de astronomia no Planet\u00e1rio de SP, que inexplicavelmente est\u00e1 desativado h\u00e1 um temp\u00e3o. Meus primos eram diretores e cheguei a fazer sonoplastia em algumas sess\u00f5es de s\u00e1bado \u00e0 tarde.<\/p>\n<p>Adorava o cheiro de mofo do carpete pu\u00eddo e o sil\u00eancio na ab\u00f3bada \u00e0 meia-luz, o Zeiss imponente no centro, como uma aranha gigante. Passava horas ali, vendo maquetes prim\u00e1rias do Sistema Solar, pain\u00e9is de cartolina explicando nossa pequenez diante do universo.<\/p>\n<p>Meu professor, Ac\u00e1cio, era cego. Mas me fez ver muito mais do que qualquer outro. Meu pai, acho que naquele ano mesmo, 1977, me trouxe um telesc\u00f3pio dos EUA. Eu, que sempre quis ser jornalista, cheguei a pensar em ser astr\u00f4nomo. No fundo, queria apenas entender o espa\u00e7o, saber mais sobre as estrelas e constela\u00e7\u00f5es que meus primos descreviam com tanta intimidade e rever\u00eancia. Queria ver um disco-voador e viajar com alien\u00edgenas. At\u00e9 hoje o filme que mais me comove \u00e9 Contatos Imediatos.<\/p>\n<p>Ainda hoje olho para o c\u00e9u e identifico o Centauro, \u00d3rion, Escorpi\u00e3o, as Pl\u00eaiades. No auge da paix\u00e3o, fiz at\u00e9 observa\u00e7\u00f5es de explos\u00f5es solares com meu telesc\u00f3pio e um anteparo de papel\u00e3o. Meu primo dizia que iria mandar os dados para o INPE. Acho que foi a coisa mais importante que fiz na vida, embora eu mesmo n\u00e3o me convencesse da import\u00e2ncia daqueles n\u00fameros, hor\u00e1rios e desenhos.<\/p>\n<p>Fui ser jornalista na vida, e durante uns tr\u00eas anos atuei num incipiente jornalismo cient\u00edfico, primeiro pela SBPC, em r\u00e1dio, depois na &#8220;Folha&#8221;. Convivi de perto com pessoal do IA, do INPE, do Instituto de F\u00edsica da USP. Visitei observat\u00f3rios, li Carl Sagan, confrontei ci\u00eancia e religi\u00e3o, pirei.<\/p>\n<p>Descontada a babaquice nacionalista (na Band, o apresentador chegou ao c\u00famulo de chamar a base de &#8220;Baiacu&#8221;, gritando como se o Brasil tivesse tomado posse de Saturno), o feito de Pontes \u00e9 not\u00e1vel e merece o destaque que a m\u00eddia est\u00e1 dando, embora sua &#8220;miss\u00e3o&#8221; l\u00e1 em cima n\u00e3o seja propriamente heroica: plantar feij\u00e3o num copinho com algod\u00e3o, algo assim.<\/p>\n<p>De qualquer maneira, ele ver\u00e1 o que nenhum de n\u00f3s jamais ter\u00e1 a chance de ver. Aqui embaixo, ver os olhos vermelhos de seu pai numa casinha em Bauru, de certa forma, \u00e9 um consolo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"\/wp-content\/uploads\/2006\/03\/pontes.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>RIO DE JANEIRO (Canopus, Aldebaran&#8230;) &#8211; A esta hora Marcos Pontes est\u00e1 a mais de 200 km de altitude, bandeira do Brasil no bra\u00e7o, a bordo da Soyuz e a caminho da Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional. O lan\u00e7amento da base de Baikonur pode ser visto no seu site oficial. 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