{"id":1057,"date":"2019-08-25T05:00:00","date_gmt":"2019-08-25T08:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/grandepremium\/materias\/ele-deixou-o-automobilismo-e-foi-lutar-pela-preservacao-da-natureza\/"},"modified":"2019-08-25T05:00:00","modified_gmt":"2019-08-25T08:00:00","slug":"ele-deixou-o-automobilismo-e-foi-lutar-pela-preservacao-da-natureza","status":"publish","type":"42wp_premium","link":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/grandepremium\/noticias\/materias\/ele-deixou-o-automobilismo-e-foi-lutar-pela-preservacao-da-natureza\/","title":{"rendered":"Ele deixou o automobilismo e foi lutar pela preserva&ccedil;&atilde;o da natureza"},"content":{"rendered":"\n<div>\n<div class=\"imagem-noticia\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s3-us-east-2.amazonaws.com\/cdngp\/grandepremium\/images\/2019825056533_Fera_Gustavo_Figueiroa-edit-1_O.jpg\" width=\"1920\" height=\"1080\" \/><\/div>\n<blockquote class=\"destaque-imagem\">\n<p>Antes, Mario Haberfeld corria nas pistas pela gl&oacute;ria pessoal, de sua equipe e dos patrocinadores. Era, ent&atilde;o, figurinha repetida no notici&aacute;rio do Grande Pr&ecirc;mio pelos seus resultados nas pistas do mundo. Hoje, a corrida &eacute; outra: a da preserva&ccedil;&atilde;o. Fundador e presidente do conselho do On&ccedil;afari, o agora ex-piloto busca usar o terceiro maior felino do mundo, a on&ccedil;a-pintada, como bandeira de um projeto que usa o ecoturismo e o capitalismo como aliados do meio ambiente.&nbsp;<\/p>\n<p>Caso voc&ecirc; n&atilde;o conhe&ccedil;a &#8211; ou n&atilde;o lembre &#8211; o brasileiro foi um dos destaques de uma gera&ccedil;&atilde;o promissora no automobilismo mundial, j&aacute; na segunda metade dos anos 1990. Foi campe&atilde;o da F3 Inglesa, que era a principal categoria do automobilismo de base no mundo e j&aacute; tinha sido vencida por gente do calibre de Ayrton Senna, Jackie Stewart e Jim Clark. Depois, foi piloto de testes da McLaren na F&oacute;rmula 1, correu pela equipe j&uacute;nior do time de Ron Dennis na F3000 e, mais tarde, foi para a finada CART e para a Grand-Am, onde venceu uma corrida em 2006. Se aposentou aos 32 anos, relativamente novo para os padr&otilde;es do automobilismo. Hoje, d&aacute; entrevista para o Fant&aacute;stico, da Rede Globo, sem citar as corridas em nenhum momento. O assunto, claro, s&atilde;o as on&ccedil;as.&nbsp;<\/p>\n<p>O GRANDE PREMIUM partiu, ent&atilde;o, atr&aacute;s de Haberfeld para entender uma mudan&ccedil;a de rumos t&atilde;o grande e para conhecer um pouco mais do projeto. N&atilde;o foi exatamente f&aacute;cil: ele continua acess&iacute;vel e cordial, mas agora com uma enorme rotina de viagens e saf&aacute;ris. Depois de alguns desencontros, o ex-piloto conversou conosco direto do Pantanal<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<div>\n<div class=\"imagem-noticia\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s3-us-east-2.amazonaws.com\/cdngp\/grandepremium\/images\/20198242353607_haberfeld-f1_O.jpg\" width=\"1080\" height=\"665\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda-imagem\">Haberfeld pilotando a McLaren em testes da F1  <\/div>\n<\/div>\n<div style=\"float: left;margin-right: 15px;margin-bottom:15px\"><\/div>\n<p>&ldquo;Eu realmente pilotei por tudo isso que voc&ecirc; t&aacute; falando&rdquo;, respondeu Mario Haberfeld &#8211; ao fundo, o som de algumas aves d&aacute; um colorido especial para o &aacute;udio enviado via WhatsApp. &ldquo;Acho que foi uma carreira relativamente longa, eu corri por 20 anos. Desde o kart a, como voc&ecirc; falou a&iacute;, piloto de testes da F&oacute;rmula 1, F&oacute;rmula Indy l&aacute;, que era a CART, e, por &uacute;ltimo, corrida de Endurance, na Grand-Am.&rdquo;<\/p>\n<p>Seria poss&iacute;vel ter al&ccedil;ado voos maiores, com uma carreira mais vitoriosa nas categorias maiores? Mario acredita que sim. &ldquo;&Eacute; f&aacute;cil olhar para tr&aacute;s, depois, e saber o que poderia ter feito diferente, mas ganhei o campeonato ingl&ecirc;s de F3, tinha muita chance de ir [direto] para a F1, tudo isso, mas na &eacute;poca a gente achou que era melhor fazer um pouco de F&oacute;rmula 3000. E, na F3000, acabei indo correr l&aacute; na equipe da West, que era a equipe da McLaren, e foi um ano bem ruim. Acho que tinha muito enfoque no [companheiro de equipe] Nick Heidfeld, e acabou que n&atilde;o me dei bem. Era um ano muito complicado, onde a maioria dos pilotos j&aacute; estava&nbsp;l&aacute; h&aacute; dois, tr&ecirc;s anos. Tinha muito pouco treino, a maioria das pistas eu n&atilde;o conhecia. Tanto que a primeira corrida, em &Iacute;mola, em nem classifiquei. Eu, que era o campe&atilde;o ingl&ecirc;s; o campe&atilde;o franc&ecirc;s, David Saelens; e outro campe&atilde;o de F3 [Bas Leinders, campe&atilde;o alem&atilde;o de 98] n&atilde;o classificaram para a corrida. Ent&atilde;o acho que tinha alguma coisa errada com o modelo de como eram feitas as coisas. No fim, na F3000, nenhum ano foi muito bom. Acho que n&atilde;o me adaptei com aquele tipo de carro. E, depois, acho que foi legal de novo na Indy, mas com certeza esses anos de F3000 fizeram com que minha carreira andasse um pouco para tr&aacute;s&rdquo;.<\/p>\n<p>Muitas das dificuldades citadas pelo brasileiro foram motivadas por uma grande mudan&ccedil;a na categoria-escola em seu ano de estreia. A partir de 1999, a F&oacute;rmula 3000 abandonou o calend&aacute;rio pr&oacute;prio e passou a ser uma categoria de suporte para a F&oacute;rmula 1, correndo aos s&aacute;bados nos mesmos circuito da f&oacute;rmula principal, o que diminuiu o tempo de pista e os testes. Al&eacute;m disso, novos chassis Lola foram adotados naquela temporada, ampliando a diferen&ccedil;a aerodin&acirc;mica para a F3.&nbsp;<\/p>\n<p>O fato de dividir os boxes com a F1 tamb&eacute;m diminuiu a categoria de 33 para 26 carros, enquanto o n&uacute;mero de inscrito saltou dos mesmos 33 para 42. Resultado: nada menos que 16 pilotos n&atilde;o conseguiram se classificar na corrida em &Iacute;mola, incluindo os citados campe&otilde;es da F&oacute;rmula 3<\/p>\n<div>\n<div class=\"imagem-noticia\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s3-us-east-2.amazonaws.com\/cdngp\/grandepremium\/images\/20198242357435_Mario-F3000_O.jpg\" width=\"1200\" height=\"800\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda-imagem\">Haberfeld no carro da West Competition, em 1999 <\/div>\n<\/div>\n<div style=\"float: left;margin-right: 15px;margin-bottom:15px\"><\/div>\n<p>Foram outros tr&ecirc;s anos de Haberfeld na F3000, por equipes como Fortec, Astromega e a tradicional Super Nova &#8211; com, no total, 21 pontos, numa &eacute;poca em que apenas os seis primeiros pontuavam. Em seguida veio a CART (que, pouco depois, mudaria o nome para Champ Car), correndo dois anos (2003 e 2004) por Conquest e Walker.&nbsp;<\/p>\n<p>&ldquo;Eu acho que sa&iacute; na hora certa da Indy, da CART l&aacute;, que ia juntar com a IRL [para formar a atual IndyCar]&rdquo;, afirma o ex-piloto. &ldquo;Enquanto que na CART tinha dois ovais por ano, na IRL ia passar a ser metade das corridas, quando juntassem. Teve um per&iacute;odo que n&atilde;o foi f&aacute;cil de adaptar, corriam com carros diferentes da IRL e da CART. E a F&oacute;rmula Indy estava indo realmente para o buraco, n&atilde;o tinha patroc&iacute;nio para sobreviver as duas categorias, e hoje juntou, amadureceu de novo, e est&aacute; uma categoria legal de novo. Mas, infelizmente, eu estava l&aacute; na &eacute;poca errada e achei que era melhor correr de carro de Endurance, na Grand-Am. Corri com o Adri&aacute;n Fernandez, amigo meu, que era dono da equipe, e acho que foi um ano bem legal. Mas, depois disso, cheguei a conclus&atilde;o de que n&atilde;o era mais o que eu queria fazer. Eu gostava mesmo &eacute; de carro &lsquo;single-seater&rsquo;, F&oacute;rmula Indy, F&oacute;rmula 1, esse tipo de carro, e n&atilde;o carro de Endurance onde eu perdia, digamos, eu viajava a mesma quantidade de tempo para guiar o carro pela metade [do tempo]. Ent&atilde;o achei que era hora de aposentar. Decidi parar. E, por coincid&ecirc;ncia, foi quando deu a crise a crise de 2008, onde todas as equipes sofreram bastante. Por sorte, eu acho que parei no momento certo&rdquo;<\/p>\n<div>\n<div class=\"imagem-noticia\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s3-us-east-2.amazonaws.com\/cdngp\/grandepremium\/images\/201982501507_foto_eduardo-12_O.jpg\" width=\"2835\" height=\"1961\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda-imagem\">Turistas do projeto On\u00e7afari observam uma on\u00e7a-pintada na natureza  <\/div>\n<\/div>\n<h2><strong>Entre as on&ccedil;as<\/strong><\/h2>\n<p>Ao pendurar o capacete, Mario Haberfeld deixou de lado os Jaguares motorizados pelos jaguares &#8212; o outro nome pelo qual a Panthera onca &eacute; conhecida no resto do mundo &#8212; de carne e osso. Esse, no entanto, foi um desejo que havia surgido muitos anos antes.&nbsp;<\/p>\n<p>&ldquo;Quando eu tinha 12 anos eu fui pela primeira vez para a &Aacute;frica, com meu pai, fazer um saf&aacute;ri. Na &eacute;poca n&atilde;o era como &eacute; hoje em dia, com hot&eacute;is e tudo isso. A gente foi meio que na ca&ccedil;amba de um caminh&atilde;o &#8211; preparado para saf&aacute;ri, mas continuava sendo a ca&ccedil;amba de um caminh&atilde;o &#8211; por 15 dias no Serengeti, o maior parque nacional da Tanz&acirc;nia, acampando toda noite, tomando banho no dia em que achava uma cachoeira. Foi uma coisa que me inspirou muito, gostei muito dessa viagem. Desde a&iacute;, eu voltei para a &Aacute;frica todos os anos da minha vida, s&oacute; que n&atilde;o tinha tempo de me dedicar a isso enquanto eu corria.&rdquo;<\/p>\n<p>&ldquo;Ent&atilde;o, quando eu parei de correr, eu tirei dois anos sab&aacute;ticos onde eu fui visitar v&aacute;rios animais no mundo &#8211; o gorila em Uganda, o panda na China, urso polar no Canad&aacute;, tigre na &iacute;ndia, v&aacute;rios lugares da &Aacute;frica &#8211; vendo o que estava sendo feito em termos de conserva&ccedil;&atilde;o para esses bichos, e da&iacute; surgiu a ideia de fazer o On&ccedil;afari. Eu n&atilde;o sou bi&oacute;logo, veterin&aacute;rio, pol&iacute;tico, nem nada, e achei que por meio do ecoturismo seria uma grande forma de agregar valor aos bichos, gerar emprego e tudo isso.&rdquo;&nbsp;<\/p>\n<div>\n<div class=\"imagem-noticia\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s3-us-east-2.amazonaws.com\/cdngp\/grandepremium\/images\/201982506143_haberfeld-criancas_O.jpg\" width=\"640\" height=\"640\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda-imagem\">A funda&ccedil;&atilde;o do projeto aconteceu em 2011, um pouco mais de tr&ecirc;s anos ap&oacute;s Mario se aposentar das pistas, e hoje atua em quatro biomas do Brasil (Mata Atl&acirc;ntica, Cerrado, Pantanal e na Amaz&ocirc;nia) com cerca de 15 funcion&aacute;rios. &ldquo;Fazemos coisas diferentes em cada bioma e o principal objetivo do On&ccedil;afari &eacute; desenvolver o ecoturismo no Brasil, principalmente por meio da on&ccedil;a-pintada e do lobo-guar&aacute;&rdquo;, explica o ex-piloto. &ldquo;Ent&atilde;o temos essa parte de ecoturismo, tem a parte de ci&ecirc;ncia, tem uma parte de educa&ccedil;&atilde;o, uma parte de melhoria social, de preserva&ccedil;&atilde;o de floresta e outra de reintrodu&ccedil;&atilde;o, onde a gente fez alguns projetos de reintroduzir on&ccedil;as pintadas na natureza. Basicamente, on&ccedil;as que perderam a m&atilde;e, fazemos todo um processo para ensin&aacute;-las a ca&ccedil;ar e solta na natureza.&rdquo;\n <\/div>\n<\/div>\n<p>Entre as atividades com turistas est&aacute; justamente que os animais se acostumem com a presen&ccedil;a humana, permitindo uma aproxima&ccedil;&atilde;o maior dos visitantes &#8211; algo que n&atilde;o acontece em outras situa&ccedil;&otilde;es, por conta dos h&aacute;bitos das on&ccedil;as-pintadas e pelas agress&otilde;es que a esp&eacute;cie recebeu (e ainda recebe). Hoje, <a href=\"https:\/\/www.oncafari.org\/oncas.html\">s&atilde;o 17 os felinos listados no site da ONG<\/a>, cada um com a sua personalidade, h&aacute;bitos e territ&oacute;rios descritos. No total, s&atilde;o 132 as on&ccedil;as identificadas pela organiza&ccedil;&atilde;o, com 35 r&aacute;dios-colares instalados nos animais, que se soltam ap&oacute;s oito meses de monitoramento.&nbsp;<\/p>\n<div>\n<div class=\"imagem-noticia\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s3-us-east-2.amazonaws.com\/cdngp\/grandepremium\/images\/2019825115609_oncapadrao_O.jpg\" width=\"2000\" height=\"1335\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda-imagem\">A on\u00e7a, por ser o maior felino da Am\u00e9rica, \u00e9 o bicho que tem um grande atrativo aqui no Brasil. Ent\u00e3o a gente fez esse projeto, que visa fazer com que as pessoas consigam ver as on\u00e7as livres na natureza.\u201d <\/div>\n<\/div>\n<div style=\"float: left;margin-right: 15px;margin-bottom:15px\"><\/div>\n<p>A partir da on&ccedil;a, como um grande chamariz, o ex-piloto v&ecirc; o surgimento de todo um sistema de preserva&ccedil;&atilde;o dos biomas nacionais. &ldquo;&Eacute; como se fosse o le&atilde;o da &Aacute;frica. Ningu&eacute;m vai para a &Aacute;frica ver uma zebra, por exemplo, mas 99% das pessoas v&atilde;o para ver o le&atilde;o. Se ver uma zebra tamb&eacute;m, tento o le&atilde;o l&aacute;, o cara fica contente tamb&eacute;m. Eu acho que &eacute; isso que faltava no Brasil. Ningu&eacute;m &#8212; quer fizer, 99% das pessoas n&atilde;o v&atilde;o vir para o Brasil para ver uma capivara, um jacar&eacute;, seja l&aacute; qual outro bicho, mas sim, se puder ver a on&ccedil;a com certeza as pessoas v&ecirc;m. Usar a on&ccedil;a como &lsquo;desculpa&rsquo;, entre aspas, &eacute; um jeito bom de atrair as pessoas e para conhecer toda a fauna e a flora aqui do Brasil.&rdquo;<\/p>\n<p>No entendimento de Haberfeld, a preserva&ccedil;&atilde;o ambiental passa pela gera&ccedil;&atilde;o de valor da natureza &#8211; se a popula&ccedil;&atilde;o entende a import&acirc;ncia daquele bioma e que consegue tirar uma renda melhor com a sua preserva&ccedil;&atilde;o, todos saem ganhando. &ldquo;Acho que a gente tem que desenvolver o ecoturismo no Brasil, mostrar que a on&ccedil;a vale mais viva do que morta&rdquo;, explica. &ldquo;Gera muito emprego. Muito mais que a pecu&aacute;ria. Emprego para homem, emprego para mulher &#8211; que na pecu&aacute;ria &eacute; s&oacute; pra homem. E, com isso, faz com que as pessoas passem a valorizar a on&ccedil;a e ver ela como um ativo e n&atilde;o como um passivo.&rdquo; Haberfeld, inclusive, cita casos em que a renda familiar aumentou em 20 vezes, tudo porque antes apenas o chefe de fam&iacute;lia tinha emprego, como pe&atilde;o de gado, e agora a esposa e os filhos trabalham diretamente ligados ao ecoturismo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div>\n<div class=\"imagem-noticia\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s3-us-east-2.amazonaws.com\/cdngp\/grandepremium\/images\/2019825016924_haberfeld-ford-Flockhart_O.jpg\" width=\"809\" height=\"719\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda-imagem\">Haberfeld ao lado de dois visitantes ilustres do On\u00e7afari: o casal Harrison Ford e Calista Flockhart <\/div>\n<\/div>\n<h2><strong>Os maiores perigos<\/strong><\/h2>\n<p>Isso n&atilde;o quer dizer que n&atilde;o existam problemas. &ldquo;De vez em quando a on&ccedil;a come um boi, e em retalia&ccedil;&atilde;o os fazendeiros matam as on&ccedil;as. &Eacute; um n&uacute;mero menor que de 1% ao ano, de que a on&ccedil;a come o rebanho das pessoas, mas, de qualquer jeito, alguns fazendeiros n&atilde;o gostam disso. Ent&atilde;o, desenvolvendo o ecoturismo, a gente consegue compensar essas perdas [financeiras da pecu&aacute;ria] e muito mais&rdquo;, afirma Haberfeld, que lembra tamb&eacute;m que 95% das terras no Pantanal s&atilde;o privadas, com muitas tendo o desenvolvimento da agropecu&aacute;ria.&nbsp;<\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; s&oacute; isso: a ONG enfrenta tamb&eacute;m a quest&atilde;o do desmatamento na Mata Atl&acirc;ntica e no cerrado. Se antes a on&ccedil;a-pintada era comumente encontrada desde a regi&atilde;o do Texas, nos EUA, at&eacute; o norte da Argentina, hoje ela foi exinta em diversos lugares e pode ser vista em apenas uma fra&ccedil;&atilde;o desse territ&oacute;rio &#8211; basicamente no centro-oeste e no norte do Brasil, al&eacute;m de regi&otilde;es da Am&eacute;rica Central, Col&ocirc;mbia, Peru e Venezuela. De acordo com a Uni&atilde;o de Conserva&ccedil;&atilde;o da Natureza, a esp&eacute;cie &eacute; &ldquo;quase amea&ccedil;ada&rdquo;, ou seja, um est&aacute;gio antes de entrar em risco, mas em alguns regi&otilde;es, como nos Pampas, ela &eacute;&nbsp;classificada como &quot;crticamente em perigo&quot;, que &eacute; um est&aacute;gio antes da extin&ccedil;&atilde;o na natureza.&nbsp;<\/p>\n<p>Outro perigo &eacute; a ca&ccedil;a esportiva, que &eacute; proibida no Brasil desde 1967 &#8211; s&oacute; que a fiscaliza&ccedil;&atilde;o acaba sendo ineficiente. &ldquo;O Pantanal &eacute; do tamanho na &Aacute;ustria, da B&eacute;lgica e da Su&iacute;&ccedil;a juntas. Se voc&ecirc; colocar tudo isso ainda sobra espa&ccedil;o. Ent&atilde;o &eacute; muito dif&iacute;cil de policiar, por isso que acreditamos muito na educa&ccedil;&atilde;o e etc. Tem um problema grave correndo a&iacute; na C&acirc;mara dos Deputados, que querem liberar a ca&ccedil;a de novo e seria um grande absurdo. O Brasil n&atilde;o consegue controlar a ca&ccedil;a nem sendo proibida, imagina se legaliza, a confus&atilde;o que vai virar isso. E, no projeto de lei, n&atilde;o tem nem distin&ccedil;&atilde;o de bicho que est&aacute; em extin&ccedil;&atilde;o ou n&atilde;o est&aacute; em extin&ccedil;&atilde;o. Para variar, uma confus&atilde;o pol&iacute;tica tremenda.<\/p>\n<div>\n<div class=\"imagem-noticia\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s3-us-east-2.amazonaws.com\/cdngp\/grandepremium\/images\/201982502858_esperanc\u0327a-m_O.jpg\" width=\"1000\" height=\"692\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda-imagem\">Esperan\u00e7a, uma das on\u00e7as-pintadas acompanhadas pela ONG <\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div class=\"imagem-noticia\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s3-us-east-2.amazonaws.com\/cdngp\/grandepremium\/images\/2019825011128_jaguar_O.jpg\" width=\"1920\" height=\"1075\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda-imagem\">\n<p>Atualmente, existem quatro projetos de lei sobre o assunto no Brasil. Um deles &eacute; o de n&uacute;mero 6268\/2016, de autoria do deputado federal Valdir Colatto (MDB\/SC), regulamentado o manejo e a ca&ccedil;a em reservas privadas &#8211; e que est&aacute; desde 2017 na Comiss&atilde;o de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustent&aacute;vel da C&acirc;mara. Outro, que &eacute; mencionado pelo ex-piloto, &eacute; o 1019\/2019, de de autoria do deputado Alexandre Leite (DEM\/SP), que v&ecirc; como &ldquo;direito&rdquo; de todos os brasileiros as atividades de &ldquo;tiro de desporto e ca&ccedil;a&rdquo;. H&aacute;, ainda, PLs dos deputados Onyx Lorenzoni (DEM\/RS), que &eacute; o atual ministro-chefe da Casa Civil, e de Rog&eacute;rio Peninha Mendon&ccedil;a (MDB\/SC).<\/p>\n<p>O assunto de pol&iacute;tica, claro, levanta outra bola: se Haberfeld sentiu alguma diferen&ccedil;a nas pol&iacute;ticas ambientais em tempos recentes, quando o Brasil teve tr&ecirc;s presidentes (Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro) com alinhamentos ideol&oacute;gicos completamente diferentes em cerca de quatro anos. &ldquo;Diretamente, sinceramente, n&atilde;o teve mudan&ccedil;a na parte que fazemos com on&ccedil;a, com ecoturismo, e todas as outras frentes que a gente atua. L&oacute;gica que vemos um grande problema hoje em dia, com desmatamento na Amaz&ocirc;nia e tudo isso. &Eacute; um problema ambiental para o Brasil e acho que para o mundo inteiro. Mas at&eacute; hoje, no nosso trabalho, n&atilde;o tem afetado&rdquo;, explica.&nbsp;<\/p><\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div class=\"imagem-noticia\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s3-us-east-2.amazonaws.com\/cdngp\/grandepremium\/images\/2019825032481_on\u00e7a-veterinarios_O.jpg\" width=\"4608\" height=\"2592\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda-imagem\">Os veterin\u00e1rios do On\u00e7afari instalam um r\u00e1dio-colar na on\u00e7a Vereda <\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div class=\"imagem-noticia\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s3-us-east-2.amazonaws.com\/cdngp\/grandepremium\/images\/2019825035912_queimadas-amazonia_O.jpg\" width=\"1920\" height=\"1247\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda-imagem\">\n<p>Al&eacute;m disso, entre o contato inicial e a realiza&ccedil;&atilde;o da entrevista em si, o debate sobre as queimadas na Amaz&ocirc;nia tomou propor&ccedil;&otilde;es mundiais &#8211; virando desde assunto na reuni&atilde;o do G7, com as sete economias mais avan&ccedil;adas do planeta, e posts de diversas celebridades e esportistas, incluindo o pentacampe&atilde;o mundial de F1 Lewis Hamilton. O assunto, claro, n&atilde;o poderia deixar de vir &agrave; tona em nosso papo. &ldquo;Sendo bem sincero, eu n&atilde;o estou por dentro disso. Eu t&ocirc; aqui no Pantanal, e n&atilde;o tenho muito acesso &agrave; internet. Mas vi que est&aacute; uma consterna&ccedil;&atilde;o muito grande a&iacute;&rdquo;, explicou Haberfeld. &ldquo;Mas que a gente tem um problema s&eacute;rio de desmatamento, a gente tem.<\/p>\n<p>De qualquer forma, o ex-piloto cr&ecirc; que iniciativas como a do On&ccedil;afari podem ajudar justamente na busca pelas queimadas. &ldquo;H&aacute; v&aacute;rios modelos, de ecoturismo, de cr&eacute;dito de carbono e de v&aacute;rias outras coisas, s&atilde;o uma alternativa muito melhor e muito mais inteligente para ganhar, vamos dizer assim, dinheiro da floresta do que queimar para fazer pasto.&rdquo;<\/p>\n<p>&ldquo;Isso [das cr&iacute;ticas internacionais] mostra a necessidade de um projeto como o nosso, que &eacute; de conserva&ccedil;&atilde;o, que realmente &eacute; o que falta. Que &eacute; o que as ONGs de fora est&atilde;o reclamando&rdquo;, conta Haberfeld, que, do lado oposto, v&ecirc; que a situa&ccedil;&atilde;o atual pode afetar negativamente outros envolvidos com a preserva&ccedil;&atilde;o da natureza. &ldquo;N&atilde;o sei, pode ser que outras pessoas que fazem coisas na Amaz&ocirc;nia se prejudiquem porque, sei l&aacute;, o cara que faz ci&ecirc;ncia pura e vive de recurso do governo, eu acho que isso realmente acabou. V&atilde;o sofrer.&rdquo;<\/p>\n<p>Na vis&atilde;o de Mario Haberfeld, o que levou ao momento de atual &eacute; mais uma quest&atilde;o pol&iacute;tica. &ldquo;Precisa melhorar tudo isso, e a comunica&ccedil;&atilde;o entre todos. O Brasil precisa ficar mais unido e dar mais import&acirc;ncia para a preserva&ccedil;&atilde;o&rdquo;, resume.<\/p><\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div class=\"imagem-noticia\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s3-us-east-2.amazonaws.com\/cdngp\/grandepremium\/images\/2019825041215_mario-haberfeld_O.jpg\" width=\"600\" height=\"600\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda-imagem\">O desafio de continuar crescendo<\/p>\n<p>&ldquo;Em quantas mais &aacute;reas podermos fazer os nossos projetos, maior a &aacute;rea que vai estar sendo conservada, maior a &aacute;rea de preserva&ccedil;&atilde;o dos bichos e das florestas&rdquo;, explica Mario, que diz que h&aacute; a oportunidade de come&ccedil;ar iniciativas em outros lugares ou at&eacute; mesmo fora do Brasil. Ele tamb&eacute;m v&ecirc; o formato de seu projeto como um caminho a ser replicado em outras regi&otilde;es do pa&iacute;s. &ldquo;No nosso mundo de conserva&ccedil;&atilde;o, quanto mais gente seguir o exemplo do On&ccedil;afari, mais &aacute;rea que vai estar sendo conservada e esse &eacute; um dos nossos objetivos&rdquo;, explica.<\/p>\n<p>Mais recentemente, a ONG expandiu a sua atua&ccedil;&atilde;o para proteger o lobo-guar&aacute;, o maior can&iacute;deo &#8212; a mesma fam&iacute;lia dos c&atilde;es &#8212; da Am&eacute;rica do Sul, que tamb&eacute;m &eacute; considerado quase amea&ccedil;ado pela IUCN.\n <\/p><\/div>\n<\/div>\n<div style=\"float: left;margin-right: 15px;margin-bottom:15px\"><\/div>\n<p>&ldquo;Come&ccedil;amos, h&aacute; pouco mais de um ano no cerrado, numa pousada chamada Pousada Trijun&ccedil;&atilde;o, onde fazemos&nbsp;todo o processo que a gente fez com as on&ccedil;as&rdquo;, conta com orgulho. &ldquo;Tem funcionado muito bem e os h&oacute;spedes l&aacute; tem visto os lobos quase que diariamente.&rdquo;<\/p>\n<p>Tudo isso, explica o ex-piloto, &eacute; bancado pela renda do ecoturismo, produtos culturais e pela ajuda de pessoas e empresas. &ldquo;Somos uma ONG, vivemos&nbsp;de doa&ccedil;&otilde;es e&nbsp;tem alguns patroc&iacute;nios, o principal sendo o Bank of America, e uma marca de carro que acabou de assinar o contrato, mas ainda n&atilde;o vale revelar. Fazemos muitas coisas para arrecadar recursos, tem doa&ccedil;&otilde;es de pessoas f&iacute;sicas, de pessoas jur&iacute;dicas, de fundos familiares e etc. Produzimos document&aacute;rios, livros, tudo isso, e de vez enquanto fazemos&nbsp;campanhas de crowdfunding.&nbsp;<a href=\"https:\/\/oncafari.ajudenos.org\/\">Estamos&nbsp;com uma no ar agora<\/a>, que &eacute; para a constru&ccedil;&atilde;o de um recinto, que &eacute; um lugar onde a gente possa introduzir outros bichos na natureza, que s&atilde;o bichos que s&atilde;o apreendidos ou no tr&aacute;fico, ou de pessoas que tem ilegal, etc. &Eacute; para animais de pequeno porte, como jaguatirica, lobinho, tamandu&aacute; e por a&iacute; vai &#8211; o de on&ccedil;a j&aacute; temos&nbsp;pronto. Seria muito legal e as pessoas pudessem ajudar com isso.&rdquo;<\/p>\n<p>At&eacute; o fechamento desta mat&eacute;ria,&nbsp;<a href=\"https:\/\/oncafari.ajudenos.org\/\">o financiamento coletivo do On&ccedil;afari<\/a>&nbsp;havia arrecadado cerca de 10% do valor pretendido, faltando 10 dias para o fim da campanha.<\/p>\n<div>\n<div class=\"imagem-noticia\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s3-us-east-2.amazonaws.com\/cdngp\/grandepremium\/images\/2019825052588_esperanc3a7a-adam-bannister_O.jpeg\" width=\"1280\" height=\"853\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda-imagem\">Esperan\u00e7a cuidando de seu filhote enquanto \u00e9 observada pelos turistas <\/div>\n<\/div>\n<h2><strong>Volta ao automobilismo?<\/strong><\/h2>\n<p>Com um projeto t&atilde;o bem desenvolvido dentro da &aacute;rea de preserva&ccedil;&atilde;o ambiental e plenamente realizado com o novo caminho que escolheu, Mario Haberfeld n&atilde;o se v&ecirc; mais acelerando em um carro de corrida. &ldquo;Foi um per&iacute;odo da minha vida que eu gostei muito, mas na vida eu sempre tive duas paix&otilde;es e me sinto muito sortudo, n&atilde;o sei se &eacute; essa palavra, de poder ter feito, realizado, trabalhado com as duas [&aacute;reas]&rdquo;, diz, afirmando tamb&eacute;m que n&atilde;o tem mais nenhuma liga&ccedil;&atilde;o com o automobilismo &#8211; fora os amigos que deixou e o fato de, quando a rotina de viagens ao Pantanal permite, assistir &agrave;s corridas. &ldquo;Hoje eu dedico 100% do meu tempo ao On&ccedil;afari, como eu falei &eacute; um projeto que vem crescendo bastante e n&atilde;o falta oportunidade ou coisas para fazer.&rdquo;<\/p>\n<p>O ex-piloto menciona outro ponto: enquanto no automobilismo corria por si pr&oacute;prio, equipe e, no m&aacute;ximo, pelos patrocinadores, a preserva&ccedil;&atilde;o ambiental &eacute; uma luta pelo nosso futuro. &ldquo;Aqui &eacute; sobre deixar um legado de conserva&ccedil;&atilde;o e poder salvar v&aacute;rias vidas, tanto animais e vegetais quanto humanas, e deixar um legado para os meus filhos, para os netos e todas as gera&ccedil;&otilde;es que vierem.&rdquo;<\/p>\n<p>&ldquo;As pessoas n&atilde;o acreditam quando eu falo isso, mas se me chamassem para correr na Ferrari em M&ocirc;naco eu preferia muito mais vir para o Pantanal e fazer o que eu estou fazendo. A &eacute;poca do automobilismo foi &oacute;tima, mas &eacute; uma &eacute;poca que j&aacute; passou&rdquo;, finaliza Haberfeld.<\/p>\n<p>&Eacute; quase imposs&iacute;vel condenar a escolha. Afinal, pilotos de Jaguar existem aos montes, j&aacute; aqueles que decidem dedicar a sua vida aos jaguares da natureza s&atilde;o em n&uacute;mero muito menor &#8211; enquanto s&atilde;o, definitivamente, muito mais importantes para o mundo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mario Haberfeld, campe&atilde;o da F3 Inglesa em 1998 e ex-piloto de testes da McLaren na F1, relembra a carreira nas pistas e conta como foi parar em projeto que busca a preserva&ccedil;&atilde;o da on&ccedil;a-pintada e do lobo-guar&aacute; no Brasil<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":0,"template":"","meta":{"42wp_featured_image_caption":"","42wp_featured_image_credits":"","42wp_featured_video":"","42wp_featured_image_hidden":false,"42wp_authors_list":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"42wp_author":[47127],"class_list":["post-1057","42wp_premium","type-42wp_premium","status-publish","hentry","category-noticias","42wp_author-renan-martins-frade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/42wp_premium\/1057","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/42wp_premium"}],"about":[{"href":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/42wp_premium"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/42wp_premium\/1057\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1057"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1057"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1057"},{"taxonomy":"42wp_author","embeddable":true,"href":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/42wp_author?post=1057"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}