{"id":1138,"date":"2019-05-21T05:00:00","date_gmt":"2019-05-21T08:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/grandepremium\/materias\/os-25-anos-da-indy-500-da-discordia\/"},"modified":"2019-05-21T05:00:00","modified_gmt":"2019-05-21T08:00:00","slug":"os-25-anos-da-indy-500-da-discordia","status":"publish","type":"42wp_premium","link":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/grandepremium\/noticias\/materias\/os-25-anos-da-indy-500-da-discordia\/","title":{"rendered":"Os 25 anos da Indy 500 da disc&oacute;rdia"},"content":{"rendered":"\n<div>\n<div class=\"imagem-noticia\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s3-us-east-2.amazonaws.com\/cdngp\/grandepremium\/images\/20191142119729_Fittipaldi_indy_O.jpg\" width=\"2186\" height=\"1405\" \/><\/div>\n<blockquote class=\"destaque-imagem\">\n<p>Um dom&iacute;nio acachapante da Penske. Assim podemos definir as 500 Milhas de Indian&aacute;polis de 1994, h&aacute; quase 25 anos. Naquele 29 de maio de 1994, Emerson Fittipaldi, no carro vermelho e branco com o n&uacute;mero 2, dominou a corrida. At&eacute; que, na volta 184, o brasileiro errou e beijou o muro. A vit&oacute;ria acabou no colo de Al Unser Jr., companheiro de equipe do brasileiro, que fechou a prova com uma volta de vantagem em rela&ccedil;&atilde;o a todo o resto do pelot&atilde;o&nbsp;menos o segundo colocado, Jacques Villeneuve.&nbsp;<\/p>\n<p>Roger Penske sorria de orelha a orelha.&nbsp;<\/p>\n<p>Aquela vit&oacute;ria era resultado de uma das mais pol&ecirc;micas e arriscadas manobras do chefe de equipe na hist&oacute;ria da Indy &#8211; e que levaria n&atilde;o s&oacute; a Penske ao desastre nas 500 Milhas de 1995, mas que seria pe&ccedil;a importante numa disputa de bastidores que culminaria na separa&ccedil;&atilde;o entre CART e Indianapolis Motor Speedway, resultando na cria&ccedil;&atilde;o da Indy Racing League.&nbsp;<\/p>\n<p>E tudo isso come&ccedil;ou 15 anos antes daquela tarde em Indiana.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<div>\n<div class=\"imagem-noticia\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s3-us-east-2.amazonaws.com\/cdngp\/grandepremium\/images\/2019525147803_2f4bc7f24722fc5f908a49644b3110b4_O.jpg\" width=\"1200\" height=\"800\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda-imagem\">Unser Jr. naquele dia que mudou tudo para a Indy <\/div>\n<\/div>\n<p>At&eacute; meados dos anos 1970, o principal campeonato de corridas de monopostos dos EUA &#8211; chamada oficialmente de National Championship Trail &#8211; era sancionada pelo United States Auto Club, a USAC. A entidade &eacute;, guardadas as devidas propor&ccedil;&otilde;es, como a nossa CBA: eles exercem a governan&ccedil;a e as estabelecem regras das disputas automobil&iacute;sticas, entre outras fun&ccedil;&otilde;es.&nbsp;<\/p>\n<p>Acontece que os principais donos de equipe&nbsp;n&atilde;o estavam contentes com a USAC, principalmente em rela&ccedil;&atilde;o ao repasse do crescente dinheiro dos direitos de TV e outras receitas, que ficavam sob o controle da entidade. Para piorar, oito cartolas da organiza&ccedil;&atilde;o perderam a vida em um acidente a&eacute;reo em 1978. Al&eacute;m disso, Tony Hulman, m&iacute;tico presidente do Indian&aacute;polis Motor Speedway (tamb&eacute;m conhecido pela sigla IMS) e respons&aacute;vel por muito do crescimento da Indy 500 a partir dos anos 1940, morreu pouco antes, em 1977.&nbsp;<\/p>\n<p>Em meio a essa confus&atilde;o, os donos de equipe Dan Gurney, Roger Penske e Pat Patrick lideraram um movimento de ruptura, inspirado naquilo que Bernie Ecclestone (at&eacute; ent&atilde;o tamb&eacute;m dono de um time, a Brabham) estava fazendo na F&oacute;rmula 1. Os tr&ecirc;s fundaram a Championship Auto Racing Teams, CART, e fizeram uma s&eacute;rie de exig&ecirc;ncias &#8211; que n&atilde;o foram aceitas. Os rebeldes ent&atilde;o estabeleceram um campeonato concorrente, que teve a primeira prova em mar&ccedil;o de 1979.<\/p>\n<div>\n<div class=\"imagem-noticia\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s3-us-east-2.amazonaws.com\/cdngp\/grandepremium\/images\/2019525149468_d4ac22b1c97be0779047a8b40a9b5c8b_O.jpg\" width=\"1800\" height=\"1215\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda-imagem\">Indy 500 de 1979: a primeira ap\u00f3s a divis\u00e3o entre CART e USAC e tamb\u00e9m a primeira vit\u00f3ria da Penske como construtora, com Rick Mears ao volante <\/div>\n<\/div>\n<div style=\"float: left;margin-right: 15px;margin-bottom:15px\"><\/div>\n<p>O IMS ficou do lado da USAC, que continuou sancionando as 500 Milhas. Mesmo dentro dessa batalha pol&iacute;tica, as equipes da CART n&atilde;o podiam ficar de fora da prova mais importante do ano, que passou a contar pontos para os dois campeonatos. Para resumir um pouco a hist&oacute;ria a partir da&iacute;, basta dizer que as duas partes nunca se entenderam muito bem. Primeiro, a USAC tentou barrar as equipes da CART na Indy 500 de 79. Depois, tiraram a vit&oacute;ria de Bobby Unser na prova de 1981 e a deram para Mario Andretti, esperando causar um racha entre Roger Penske e Pat Patrick &#8211; o que n&atilde;o aconteceu, com Unser meses depois&nbsp;sendo finalmente creditado como o vencedor.&nbsp;<\/p>\n<p>O importante, aqui, &eacute; que o campeonato da USAC &#8211; a essa altura chamado de Gold Crown Championship &#8211; perdeu relev&acirc;ncia at&eacute; se resumir a uma prova &uacute;nica: as 500 Milhas de Indian&aacute;polis. J&aacute; a CART, soberana e com um verdadeiro campeonato, fechou um acordo de licenciamento da marca Indy com o IMS, assumindo o nome fantasia de &ldquo;IndyCar&rdquo; a partir de 1992.&nbsp;<\/p>\n<p>Todo este pre&acirc;mbulo para explicar um detalhe importante: a temporada regular da Indy era sancionada pela pr&oacute;pria CART, que definia as regras do certame, inclusive as t&eacute;cnicas. S&oacute; que o campeonato consistia tamb&eacute;m de uma prova, a Indy 500, que era sancionada por outro &oacute;rg&atilde;o &#8211; que podia ter as suas pr&oacute;prias regras. E tinha!<\/p>\n<p>Uma confus&atilde;o, n&atilde;o &eacute;? Mas j&aacute; continuamos isso. H&aacute; um outro ponto-chave que &eacute; necess&aacute;rio lembrar<\/p>\n<div>\n<div class=\"imagem-noticia\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s3-us-east-2.amazonaws.com\/cdngp\/grandepremium\/images\/20189171616404_SG190383-1_O.jpg\" width=\"1600\" height=\"1067\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda-imagem\">Roger Penske foi figura importante nas grandes transforma\u00e7\u00f5es que aconteceram na Indy (INDY 2018; ROGER PENSKE; GP DE SONOMA; INDYCAR)<\/div>\n<\/div>\n<div style=\"float: left;margin-right: 15px;margin-bottom:15px\"><\/div>\n<p>A partir do anos 1970, a Penske se estabeleceu como a grande equipe dos EUA. Um dos segredos era que Roger&nbsp;Penske percebeu que n&atilde;o poderia contar com chassis de fornecedores como McLaren, Parnelli e Eagle, que faziam sucesso na &eacute;poca. Ele precisava de carros que fossem &uacute;nicos, s&oacute; dele, em uma&nbsp;vantagem t&eacute;cnica em rela&ccedil;&atilde;o aos advers&aacute;rios. Come&ccedil;ou assim a constru&ccedil;&atilde;o dos chassis Penske na Inglaterra, f&aacute;brica criada&nbsp;durante a aventura do norte-americano na F&oacute;rmula 1.&nbsp;<\/p>\n<p>Ainda assim a Penske continuou dependendo dos motores Ford-Cosworth, que eram utilizados por quase todos os times a esta altura. Tratava-se de uma varia&ccedil;&atilde;o do projeto que fazia sucesso na F1 &#8211; a grande diferen&ccedil;a &eacute; que o V8 teve a capacidade c&uacute;bica disminuida de 3l para 2,65l, passou a ser movido a metanol e ainda teve o turbo adicionado. Por&eacute;m, dois engenheiros da Cosworth, no come&ccedil;o dos anos 1980, n&atilde;o estavam contentes com a evolu&ccedil;&atilde;o do projeto para a Indy. Os nomes deles? Mario Illien e Paul Morgan. Ambos sa&iacute;ram da empresa.<\/p>\n<p>Os dois engenheiros ligaram para Roger, oferecendo um novo motor para o dono de equipe &#8211; que aceitou financiar a empreitada. Juntos, no final de 1983, Illien e Morgan fundaram a Ilmor &#8211; jun&ccedil;&atilde;o dos sobrenomes de ambos &#8211; e, em poucos meses, j&aacute; estavam construindo um novo motor para o time norte-americano. Penske, que ficou com 50% da nova empresa, vendeu ent&atilde;o metade do que tinha (25% do total) para a General Motors, que injetou mais dinheiro no neg&oacute;cio. Em 1986, a Penske apareceu em Indian&aacute;polis com o primeiro carro do time com motor Chevrolet &#8211; na pr&aacute;tica, projetado e fabricado pela Ilmor. A primeira vit&oacute;ria do Chevy Indy V-8 no famoso Brickyard aconteceria em 1988. Em 1989, eram seis equipes que competiam com a usina &#8211; e o conjunto Penske-Chevy era o mais forte do grid.<\/p>\n<p>No final de 1993, a GM saiu do neg&oacute;cio e, em 1994, os motores de Illien e Morgan passaram a competir na IndyCar simplesmente como Ilmor. Foi a&iacute; que a genialidade de Roger Penske surgiu mais uma vez<\/p>\n<div>\n<div class=\"imagem-noticia\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s3-us-east-2.amazonaws.com\/cdngp\/grandepremium\/images\/201952515328_imsc5506_O.jpg\" width=\"2560\" height=\"1600\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda-imagem\">Em 1993, Fittipaldi venceu a Indy 500 com um Penske com motor Ilmor-Chevrolet <\/div>\n<\/div>\n<div style=\"float: left;margin-right: 15px;margin-bottom:15px\"><\/div>\n<p>Como j&aacute; foi explicado, a USAC tinha regras espec&iacute;ficas para as 500 Milhas de Indian&aacute;polis. Em sua maioria elas eram iguais aos regulamentos da CART, mas havia aqui e ali alguma exce&ccedil;&atilde;o. Uma delas era justamente nas especifica&ccedil;&otilde;es dos motores. Por algum motivo os dirigentes do Automovel Club buscaram diminuir os custos dos times que quisessem participar da corrida &#8211; e isso, na cabe&ccedil;a deles, incluia poder usar os arcaicos motores small block produzidos para carros de passeio em Detroit.&nbsp;<\/p>\n<p>Por isso, os times poderiam pegar motores &ldquo;pushrod&rdquo; (OHV, com comando de v&aacute;lvulas por meio de varetas) de produ&ccedil;&atilde;o em massa&nbsp;e modific&aacute;-los extensamente, desde que o bloco e poucas pe&ccedil;as ainda fossem originais &#8211; al&eacute;m de existirem algumas restri&ccedil;&otilde;es de projeto, como apenas duas v&aacute;lvulas por cilindro. Para compensar essas limita&ccedil;&otilde;es, as unidades de pot&ecirc;ncia poderiam ter 3,43l (contra 2,65l das regras da CART) e a press&atilde;o do turbo de chegava a 1860 hPa (enquanto os outros tinham o limite de 1520 hPa).<\/p>\n<p>A artimanha havia se popularizado por meio dos Buick V8, que eram baratos e tinham muito torque, mas,&nbsp;em compara&ccedil;&atilde;o aos concorrentes, ficavam devendo&nbsp;em confiabilidade e bebiam muito metanol. Foi com esse motor que Roberto Guerrero fez a pole em 1992, <a href=\"https:\/\/grandepremium.grandepremio.com\/br\/10\/materias\/os-maiores-vexames-da-indy-500\">para rodar ainda na segunda volta de apresenta&ccedil;&atilde;o<\/a>.<\/p>\n<p>Por outra raz&atilde;o&nbsp;nunca explicada e sem fazer alarde, a USAC tirou as limita&ccedil;&atilde;o do uso de bloco de motor de produ&ccedil;&atilde;o nas unidades OHV em 1991. Foi essa brecha no regulamento que Roger Penske viu. Em segredo, a Ilmor come&ccedil;ou a desenvolver um motor OHV totalmente constru&iacute;do propositalmente para corridas, se aproveitando de todas as vantagens do regulamento &#8211; ainda que tamb&eacute;m houvesse desvantagens.&nbsp;<\/p>\n<p>Poucos sabiam do projeto, mesmo na pr&oacute;pria Penske &#8211; um pequeno time de engenheiros e mec&acirc;nicos ficou respons&aacute;vel pela parte final da montagem&nbsp;nos EUA, trabalhando durante noites e madrugadas em uma oficina da&nbsp;Penske Truck Rental&nbsp;sem que o resto da equipe soubesse. O contato com a Ilmor, na Inglaterra, era feito por telefone&nbsp;e, quando era necess&aacute;rio enviar ou receber um pe&ccedil;a, compravam assentos no Concorde para transport&aacute;-las.&nbsp;<\/p>\n<p>Nessa parte final, a Mercedes, que j&aacute; era parceira da Ilmor na F1 e havia comprado a parte da empresa que estava nas m&atilde;os da Chevrolet, entrou e financiou o projeto &#8211; batizado oficialmente de Mercedes-Benz 500l.&nbsp;<\/p>\n<p>A artimanha se tornou p&uacute;blica no final de abril, quando o motor concluiu 500 milhas pela primeira vez em um teste em Michigan. Por isso, o&nbsp;burburinho era geral quando a Penske chegou ao Indian&aacute;polis Motor Speedway com o PC-23 equipado com aquela surpreendente usina de pot&ecirc;ncia decorada com a estrela de tr&ecirc;s pontas. Dizia-se que o motor chegava aos 1.024 hp, que era entre 150 a 200 hp a mais que os V8 dos concorrentes. Outra grande vantagem era o torque, muito superior ao&nbsp;resto. Tudo isso para ser usado em uma &uacute;nica corrida &#8211; e, podemos dizer&nbsp;tamb&eacute;m, em uma corrida &uacute;nica. Mas, ser&aacute; que o 500l aguentaria a prova inteira sem quebrar?<\/p>\n<div>\n<div class=\"imagem-noticia\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s3-us-east-2.amazonaws.com\/cdngp\/grandepremium\/images\/2019525153534_80f9bd639198b81f3f0b561d74fcf240_O.jpg\" width=\"1200\" height=\"800\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda-imagem\">Mercedes-Benz 500l, o motor da disc\u00f3rdia <\/div>\n<\/div>\n<p>No Pole Day, Al Unser Jr., no Penske-Mercedes #31, garantiu o primeiro lugar no grid. Um surpreendente Raul Boesel, dirigindo um Lola-Ford da Dick Simon Racing, ficou em segundo, seguido pela Penske-Mercedes #2 de Emerson Fittipaldi. O terceiro carro de vermelho e branco, o #3, ficou de fora do primeiro dia da classifica&ccedil;&atilde;o ap&oacute;s Paul Tracy sofrer uma concuss&atilde;o causada por um acidente nos treinos. Por isso canadense classificou o carro apenas no domingo, conseguindo o segundo melhor tempo do dia &#8211; e o 25&ordm; lugar do grid.&nbsp;<\/p>\n<p>No dia 29 de maio, a luta pela vit&oacute;ria foi uma batalha quase particular entre Unser e Fittipaldi &#8211; Jacques Villeneuve, com um Reynard-Ford da Forsythe Green Racing, foi o &uacute;nico intruso, assumindo a lideran&ccedil;a quando a diferen&ccedil;a de estrat&eacute;gias permitia. Ainda assim, a confiabilidade e o consumo eram preocupa&ccedil;&otilde;es para a Penske.&nbsp;<\/p>\n<p>No trecho final, o brasileiro e o norte-americano estavam em compassos diferentes. Fittipaldi havia liderado nada menos que 145 voltas e tinha ao menos um giro de vantagem em rela&ccedil;&atilde;o a todos os concorrentes, incluindo o companheiro de equipe. Por&eacute;m, o bicampe&atilde;o da F1 fatalmente precisaria fazer um splash and go na volta 194 ou torcer para uma longa bandeira amarela, caso contr&aacute;rio teria uma pane seca. Para tentar chegar ao final, o #2 passou a andar mais devagar e foi ultrapassado pelo #31, descontando a volta atr&aacute;s. Al Jr n&atilde;o precisaria mais parar e acelerava para tentar assumir a lideran&ccedil;a justamente no pit stop de Emerson.&nbsp;<\/p>\n<p>O brasileiro ent&atilde;o errou, deixou o carro escapar e acertou o muro no 184&ordm; giro. O leite da vit&oacute;ria era de Al Unser Jr.&nbsp;<\/p>\n<div>\n<div class=\"imagem-noticia\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s3-us-east-2.amazonaws.com\/cdngp\/grandepremium\/images\/201836152442_8a6493cd9c73f1e88f123ababd44f14e_O.jpg\" width=\"1200\" height=\"800\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda-imagem\">Unser Jr., o Penske-Mercedes e o famoso trof\u00e9u Borg-Warner <\/div>\n<\/div>\n<p>Da mesma forma que o Brasil vive, ap&oacute;s cada elei&ccedil;&atilde;o, um eterno terceiro turno, aquelas 500 Milhas de Indian&aacute;polis demoraram a acabar. O inovador motor da Ilmor dividiu USAC e CART. O &oacute;rg&atilde;o queria permitir a unidade de pot&ecirc;ncia em 1995, ainda que preocupada com o aumento de custos causado pela medida. J&aacute; a associa&ccedil;&atilde;o dos construtores queria a proibi&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Duas semanas ap&oacute;s a Indy 500, a USAC anunciou as regras para 1995: o Mercedes-Benz 500l (e qualquer outro que quisesse seguir a mesma brecha no regulamento) estava permitido, mas com uma press&atilde;o menor no turbo. Algumas equipes encomendaram motores &agrave; Ilmor, enquanto Cosworth e Menard estavam considerando construir seus pr&oacute;prios OHV. Tudo isso trazia um cen&aacute;rio tenebroso para custos, no qual os times teriam um motor de 2,65l para a temporada regular e um pushrod espec&iacute;fico para as 500 Milhas.&nbsp;<\/p>\n<p>A medida durou pouco. Por motivos que Roger Penske chamaria de &ldquo;press&otilde;es pol&iacute;ticas&rdquo;, semanas depois a&nbsp;USAC baixou&nbsp;novas regras que&nbsp;neutralizaram a brecha no regulamento para o ano seguinte. Na pr&aacute;tica, o&nbsp;Mercedes-Benz 500l estava inviabilizado e nunca mais seria utilizado em competi&ccedil;&atilde;o.&nbsp;<\/p>\n<p>&Agrave;quela altura, Tony George, neto de Tony Hulman e presidente do Indian&aacute;polis Motor Speedway, n&atilde;o estava nada contente. O executivo acreditava que a categoria estava muito cara, corria muito em circuitos mistos &#8211; e a acusava de favorecer apenas as equipes nas decis&otilde;es pol&iacute;ticas. George havia pouco antes renunciado ao posto que tinha no conselho da CART por esses motivos.&nbsp;<\/p>\n<p>Em julho, em meio a confus&atilde;o do regulamento, o executivo&nbsp;aproveitou a deixa para anunciar a pr&oacute;pria categoria, a Indy Racing League, que seria inicialmente sancionada em parceria com a USAC. A&nbsp;IRL contaria apenas com carros pr&eacute;-aprovados para participar, encerrando qualquer possibilidade de um time repetir o que a Penske havia feito.&nbsp;<\/p>\n<p>O Mercedes-Benz 500l foi a desculpa perfeita para que Tony George botasse seu plano em pr&aacute;tica.<\/p>\n<p>A Indy 500 de 1995 foi a &uacute;ltima no modelo em voga at&eacute; ent&atilde;o. Sem os pushrods, a Penske n&atilde;o s&oacute; tinha perdido sua grande vantagem em rela&ccedil;&atilde;o aos concorrentes, como o retorno aos tradicionais Ilmor V8 de 2,65l (agora chamados de Mercedes-Benz IC108B) deixou o time defasado&nbsp;em rela&ccedil;&atilde;o aos dados que tinham da pista. Quando Roger Penske viu que n&atilde;o conseguiria classificar Fittipaldi e Unser Jr, chegou a coloc&aacute;-los em chassis Lola da Rahal-Hogan. Nem isso deu certo.<\/p>\n<p>Depois do amplo dom&iacute;nio de 1994, Penske e seus dois pilotos ficaram de fora das 500 Milhas de Indian&aacute;polis de 1995.<\/p>\n<div>\n<div class=\"imagem-noticia\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s3-us-east-2.amazonaws.com\/cdngp\/grandepremium\/images\/2019525156394_s-l1000_O.jpg\" width=\"1000\" height=\"800\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda-imagem\">Arie Luyendyk e o G-Force-Oldsmobile que venceu a Indy 500 de 1997, a primeira sob um regulamento t\u00e9cnico totalmente diferente do da CART <\/div>\n<\/div>\n<div style=\"float: left;margin-right: 15px;margin-bottom:15px\"><\/div>\n<p>Em 1996, como prometido, Tony George iniciou seu novo campeonato. Ap&oacute;s ver evocado um &ldquo;bloqueio&rdquo; para entrada de mais de oito carros de fora da nova liga na Indy 500, a CART passou a boicotar a prova &#8211; e foi em busca da internacionaliza&ccedil;&atilde;o da categoria. Com o fim do contrato de licenciamento com IMS, em 1997, trocaram a express&atilde;o IndyCar por Champ Car.&nbsp;&nbsp;No mesmo ano, a IRL come&ccedil;ou a usar um regulamento t&eacute;cnico completamente diferente da rival para diminuir custos,&nbsp;incluindo motores V8&nbsp;aspirados. O distanciamento havia se tornado inconcili&aacute;vel.&nbsp;<\/p>\n<p>Essa hist&oacute;ria s&oacute; mudaria a partir de 2000, quando a Chip Ganassi, at&eacute; ent&atilde;o na CART, comprou um chassi G-Force com motor Oldsmobile e inscreveu Juan Pablo Montoya na principal prova da categoria dissidente &#8211; e o colombiano se sagrou o vencedor. Ao ver que, mesmo em um certame mais fraco, as 500 Milhas continuavam a ter toda a aten&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia e dos patrocinadores, Roger Penske engoliu o orgulho e foi participar da prova no ano seguinte.<\/p>\n<p>Houve, no entanto, um por&eacute;m: as regras de publicidade de tabaco nos EUA permitiam, na &eacute;poca, que uma marca de cigarros estivesse presente no pa&iacute;s em apenas uma categoria esportiva por vez. Como competia na CART com o nome da Marlboro em seus carros, a Penske foi proibida de usar a marca na IRL &#8211; e, dessa forma, H&eacute;lio Castroneves conquistou a primeira vit&oacute;ria nas 500 Milhas em um carro sem patroc&iacute;nio m&aacute;ster, ainda que mantivesse o design e as cores da caixa dos famosos cigarros.&nbsp;<\/p>\n<p>Para 2002, a Philip Morris, a dona da marca, bateu o p&eacute;: queria ver escrito Marlboro na mais prestigiosa prova do automobilismo norte-americano. Restou a Roger Penske romper com a categoria que havia ajudado a criar e migrar de vez para a concorrente. A Champ Car definharia at&eacute; ser absorvida pela IRL &#8211; agora chamada de IndyCar &#8211; no final de 2007.&nbsp;<\/p>\n<p>E pensar que tudo isso aconteceu porque, um dia, o m&iacute;tico dono de equipe resolveu explorar uma brecha no regulamento&hellip;&nbsp;<\/p>\n<h2><strong>Leia tamb&eacute;m:<\/strong><\/h2>\n<p>&#8211;&nbsp;<a href=\"https:\/\/grandepremium.grandepremio.com\/br\/10\/materias\/os-maiores-vexames-da-indy-500\">Os maiores vexames da Indy 500<\/a><\/p>\n<p>&#8211;&nbsp;<a href=\"https:\/\/grandepremium.grandepremio.com\/br\/box\/materias\/os-50-anos-da-penske-na-indy\">Os 50 anos da Penske na Indy<\/a><\/p>\n<p>&#8211;&nbsp;<a href=\"https:\/\/grandepremium.grandepremio.com\/br\/box\/materias\/muito-antes-de-alonso-as-vitorias-da-mclaren-na-indy-500\">Muito antes de Alonso: as vit&oacute;rias da McLaren na Indy 500<\/a><\/p>\n<p>&#8211;&nbsp;<a href=\"https:\/\/grandepremium.grandepremio.com\/br\/10\/materias\/as-melhores-corridas-da-indy-500\">As melhores corridas da Indy 500<\/a>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nas 500 Milhas de Indian&aacute;polis de 1994, a Penske aproveitou uma brecha no regulamento para introduzir um dos mais controversos motores da hist&oacute;ria do automobilismo &#8211; e que seria uma das pe&ccedil;as importantes no racha entre CART e IRL que aconteceria pouco depois<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":0,"template":"","meta":{"42wp_featured_image_caption":"","42wp_featured_image_credits":"","42wp_featured_video":"","42wp_featured_image_hidden":false,"42wp_authors_list":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"42wp_author":[47127],"class_list":["post-1138","42wp_premium","type-42wp_premium","status-publish","hentry","category-noticias","42wp_author-renan-martins-frade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/42wp_premium\/1138","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/42wp_premium"}],"about":[{"href":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/42wp_premium"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/42wp_premium\/1138\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1138"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1138"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1138"},{"taxonomy":"42wp_author","embeddable":true,"href":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/42wp_author?post=1138"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}