{"id":1950,"date":"2016-10-22T06:00:00","date_gmt":"2016-10-22T08:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/grandepremium\/materias\/heroi-pela-primeira-vez\/"},"modified":"2016-10-22T06:00:00","modified_gmt":"2016-10-22T08:00:00","slug":"heroi-pela-primeira-vez","status":"publish","type":"42wp_premium","link":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/grandepremium\/noticias\/materias\/heroi-pela-primeira-vez\/","title":{"rendered":"Her&oacute;i pela primeira vez"},"content":{"rendered":"\n<p>Para Felipe Massa, o GP do Brasil de 2006 foi um ato de hero&iacute;smo. Representante de um pa&iacute;s que j&aacute; estava carente de &iacute;dolos, Massa chegava em Interlagos com a miss&atilde;o de trazer uma conquista que n&atilde;o vinha desde 1993 &ndash; a vit&oacute;ria de um brasileiro em terra natal. Com a sequ&ecirc;ncia de tr&ecirc;s campe&otilde;es mundiais j&aacute; no passado, Felipe carregava um fardo. Agora na Ferrari, o objetivo era cumprir a miss&atilde;o que Rubens Barrichello n&atilde;o havia cumprido. Em uma prova marcante, Massa come&ccedil;ou a sentir o peso do futuro que tinha pela frente.<\/p>\n<p>Ao vencer aquele GP do Brasil de 2006 de forma incontest&aacute;vel, Massa come&ccedil;ava a se portar como aquele cara que seria o grande nome da Ferrari, o grande nome do pa&iacute;s no automobilismo. Felipe entrou em Interlagos naquele 22 de outubro como o parceiro de Schumacher e saiu como um l&iacute;der de uma equipe que ficava &oacute;rf&atilde;.<\/p>\n<p>Era o in&iacute;cio de um ciclo que culminaria na briga &eacute;pica pelo t&iacute;tulo de 2008. Contra Lewis Hamilton, o que fez a diferen&ccedil;a foi um &uacute;nico ponto. A batalha voltava a acontecer na mesma Interlagos de 2006 e Massa, mesmo vencendo, sa&iacute;a derrotado.<\/p>\n<div>\n<div class=\"imagem-noticia\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s3-us-east-2.amazonaws.com\/cdngp\/grandepremium\/images\/201610211618676_attachment_86092_O.jpg\" width=\"3557\" height=\"2362\" \/><\/div>\n<blockquote class=\"destaque-imagem\"><p>\n&nbsp;<\/p>\n<p>Para entender como Massa iniciou o melhor per&iacute;odo de sua carreira na F1, &eacute; preciso voltar alguns anos no tempo. Felipe foi adotado pela Sauber ainda em 2002, ap&oacute;s o t&iacute;tulo na Euro Formula 3000. O brasileiro ainda n&atilde;o sabia, mas a ida para a equipe su&iacute;&ccedil;a foi important&iacute;ssima: Peter Sauber era muito pr&oacute;ximo da Ferrari, consequ&ecirc;ncia direta do contrato de motor entre as duas equipes.<\/p>\n<p>Mas &eacute; evidente que s&oacute; estar na Sauber n&atilde;o bastaria. Era preciso alcan&ccedil;ar resultados nas pistas &ndash; e os resultados n&atilde;o vieram com facilidade. A temporada 2002 de Massa foi bastante apagada, o que resultou em um p&eacute; na bunda para 2003 &ndash; Heinz-Harald Frentzen viria para seu lugar. Restava ser piloto de testes da Ferrari.<\/p>\n<p>Depois de um ano em Maranello, Massa tinha o apoio necess&aacute;rio para voltar ao cockpit da Sauber. Voltou e, em dois anos, se consolidou como primeiro piloto da equipe. Ao fim de 2005, a sa&iacute;da de Rubens Barrichello da Ferrari abriu caminho para a chegada de um piloto que ainda n&atilde;o havia dado provas de seus verdadeiro potencial.<\/p>\n<p>A temporada 2006 foi um divisor de &aacute;guas para Felipe Massa. O brasileiro, antes acostumado com os carros medianos da Sauber, tinha a rara chance de brilhar em um carro de ponta. Mesmo ofuscado por Michael Schumacher, Massa tinha tudo para colher seus frutos na Ferrari &ndash; equipe que, ap&oacute;s um 2005 bem abaixo da m&eacute;dia, vinha com tudo para desafiar a poderosa Renault.<\/p>\n<p>Apesar das promessas, o ano come&ccedil;ou devagar. Nos quatro primeiros GPs, Massa s&oacute; pontuou duas vezes. Na sequ&ecirc;ncia veio o GP da Europa, em N&uuml;rburgring, reservando o primeiro p&oacute;dio da carreira.<\/p>\n<p>Conforme os meses passavam, as coisas seguiam ficando mais positivas: mais cinco p&oacute;dios antes do GP do Brasil, tendo como ponto alto a vit&oacute;ria no GP da Turquia. Com uma performance dominante, Massa finalmente convertia seu carro vencedor em presen&ccedil;a no topo do p&oacute;dio &ndash; algo bastante dif&iacute;cil, considerando a presen&ccedil;a constante de Schumacher.<\/p>\n<p>Assim, Massa chegou ao &uacute;ltimo GP do ano com as coisas ao seu favor: uma corrida em casa, um carro vencedor e um campeonato j&aacute; praticamente definido &ndash; Felipe n&atilde;o tinha mais nada a perder em Interlagos. Essa combina&ccedil;&atilde;o de fatores serviu para alcan&ccedil;ar um dos resultados mais brilhantes da carreira do brasileiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p> (Felipe Massa 2006)<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<p>Os treinos livres n&atilde;o chegavam a apontar para uma grande performance da Ferrari &ndash; a McLaren liderou o TL1 com Kimi R&auml;ikk&ouml;nen, enquanto Alexander Wurz, reserve, levou o TL2 com a Williams. Os italianos s&oacute; foram mostrar servi&ccedil;o no TL3: Massa em primeiro, Schumacher em segundo. Depois do bom resultado na manh&atilde; de s&aacute;bado, a tarde de treino classificat&oacute;rio prometia bastante.<\/p>\n<p>E, de fato, Massa conseguiu fazer seu trabalho no treino classificat&oacute;rio.&nbsp; Com folga &ndash; 0s619 sobre R&auml;ikk&ouml;nen &ndash; o brasileiro carimbou a pole, relativamente previs&iacute;vel. Com Michael Schumacher largando em d&eacute;cimo, Felipe tinha tudo para controlar a corrida.<\/p>\n<p>A lideran&ccedil;a foi mantida na largada com certa facilidade. Ap&oacute;s uma boa partida de Massa, uma leve virada de volante para a direita foi suficiente para conter qualquer manobra mais agressiva de R&auml;ikk&ouml;nen, que se contentou com o segundo lugar na largada. Nem mesmo o safety-car trazido por Nico Rosberg ainda na primeira volta conseguiu acalmar os &acirc;nimos de Felipe, que voltou a pisar fundo assim que p&ocirc;de.<\/p>\n<p>O pneu furado de Schumacher, logo na volta nove, j&aacute; praticamente decidia uma disputa pelo t&iacute;tulo que n&atilde;o dizia respeito a Massa. Alonso, que j&aacute; tinha uma m&atilde;o na ta&ccedil;a, colocou a outra. Felipe, &agrave; luz do retrospecto de ordens de equipe da Ferrari, sorriu: n&atilde;o havia companheiro que pudesse amea&ccedil;a-lo nesse dia.<\/p>\n<p>Assim, sem nada para se preocupar, Massa seguiu abrindo. 7s, 10s, 15s, 18s658. Com uma folga dessas sobre o bicampe&atilde;o Alonso, Felipe havia se transformado em um her&oacute;i para o pa&iacute;s.<\/p>\n<div>\n<div class=\"imagem-noticia\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s3-us-east-2.amazonaws.com\/cdngp\/grandepremium\/images\/20161021155971_attachment_86889_O.jpg\" width=\"1960\" height=\"1301\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda-imagem\">Felipe Massa foi incr\u00edvel no GP do Brasil de 2006 (Felipe Massa 2006         )<\/div>\n<\/div>\n<p>Os poderes de her&oacute;i de Massa trouxeram, de fato, responsabilidades. O ferrarista herdou todos aqueles f&atilde;s que talvez gostem mais de ver brasileiro ganhando do que do pr&oacute;prio automobilismo. Uma s&eacute;rie de f&atilde;s que o colocariam contra a parede em qualquer oportunidade, at&eacute; que o t&atilde;o aguardando t&iacute;tulo viesse.<\/p>\n<p>O t&iacute;tulo n&atilde;o veio em 2007. Mas sem problemas: o companheiro R&auml;ikk&ouml;nen levou a ta&ccedil;a e evitou um clima amargo na Ferrari. O &uacute;nico problema foi entregar a vit&oacute;ria no Brasil para o companheiro, que precisava de cada pontinho poss&iacute;vel. Mas v&aacute; l&aacute;, sempre existe um pr&oacute;ximo ano.<\/p>\n<p>Em 2008, Massa veio com tudo. Seis vit&oacute;rias, uma delas no Brasil, a segunda da carreira. Todos conhecem a hist&oacute;ria: Lewis Hamilton veio, passou Timo Glock e abocanhou o t&iacute;tulo nos acr&eacute;scimos do segundo tempo. Felipe foi o her&oacute;i que j&aacute; havia sido dois anos antes, vencendo em Interlagos, mas a gl&oacute;ria logo come&ccedil;aria a ir embora. Ningu&eacute;m acreditava nisso, mas aquela tarde chuvosa em Interlagos serviu de cen&aacute;rio para o &uacute;ltimo triunfo na F1.<\/p>\n<p>Os anos seguintes foram um pesadelo. Em 2009, o incidente da mola quase acabou com a carreira na F1. Em 2010, o retorno e o &lsquo;Fernando is faster than you&rsquo;. Em 2011, um ano sem qualquer p&oacute;dio. Em 2012, uma breve esperan&ccedil;a, mas que n&atilde;o resultou em nada espetacular em 2013. 2014 trouxe outra esperan&ccedil;a com a Williams, mas que se desmanchou ao longo de 2015 e 2016.<\/p>\n<p>Quando Massa pendurar o capacete em definitivo, ap&oacute;s o GP de Abu Dhabi deste ano, o que vai restar &eacute; a imagem de algu&eacute;m que foi longe, mas n&atilde;o o suficiente. N&atilde;o fosse a sequ&ecirc;ncia horr&iacute;vel de eventos que marcou a metade final da carreira, Felipe poderia muito bem ser o primeiro brasileiro campe&atilde;o desde Ayrton Senna &ndash; jejum que acabou de completar 25 anos.<\/p>\n<p>N&atilde;o ter sido o respons&aacute;vel pelo fim do jejum do Brasil n&atilde;o &eacute; dem&eacute;rito nenhum &ndash; &eacute; preciso acabar com essa cultura que tanto valoriza o t&iacute;tulo. Mas &eacute; ineg&aacute;vel que a reta final da carreira de Massa n&atilde;o &eacute; condizente com a daquele piloto que tanto empolgou o pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Ap&oacute;s o hero&iacute;smo simb&oacute;lico de 2006, Felipe n&atilde;o foi capaz de arcar com as expectativas criadas. Uma pena. Depois de tanto sucesso, ningu&eacute;m merece passar o resto da carreira se indagando sobre o que deixou de ser.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na primeira temporada como piloto da Ferrari, Felipe Massa ainda precisava cumprir o papel de escudeiro de Michael Schumacher. Foi s&oacute; no GP do Brasil de 2006, &uacute;ltimo da temporada, que o brasileiro virou um verdadeiro protagonista. Era o in&iacute;cio de seu melhor ciclo na F1<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":0,"template":"","meta":{"42wp_featured_image_caption":"","42wp_featured_image_credits":"","42wp_featured_video":"","42wp_featured_image_hidden":false,"42wp_authors_list":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"42wp_author":[47118],"class_list":["post-1950","42wp_premium","type-42wp_premium","status-publish","hentry","category-noticias","42wp_author-vitor-fazio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/42wp_premium\/1950","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/42wp_premium"}],"about":[{"href":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/42wp_premium"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/42wp_premium\/1950\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1950"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1950"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1950"},{"taxonomy":"42wp_author","embeddable":true,"href":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/42wp_author?post=1950"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}