{"id":329,"date":"2023-09-08T05:00:00","date_gmt":"2023-09-08T08:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/grandepremium\/materias\/campo-as-pistas-caminhada-lucas-staico-esporte-a-motor\/"},"modified":"2023-09-07T18:47:45","modified_gmt":"2023-09-07T21:47:45","slug":"campo-as-pistas-caminhada-lucas-staico-esporte-a-motor","status":"publish","type":"42wp_premium","link":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/grandepremium\/automobilismo\/materias\/campo-as-pistas-caminhada-lucas-staico-esporte-a-motor\/","title":{"rendered":"Do campo \u00e0s pistas: a caminhada de Lucas Staico no esporte a motor"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora tenha a sua tradi\u00e7\u00e3o cravada na hist\u00f3ria do esporte a motor, o Brasil \u00e9 conhecido mundialmente por ser o pa\u00eds do futebol. Com in\u00fameras gera\u00e7\u00f5es de craques al\u00e7ados ao mundo e que inspiraram a molecada, n\u00e3o \u00e9 raro encontrar uma crian\u00e7a que afirme com toda naturalidade que o sonho \u00e9 se tornar um jogador profissional quando crescer. Algo similar aconteceu com <strong>Lucas Staico<\/strong>, piloto brasileiro que hoje defende a <strong>Douglas Motorsport<\/strong> na <strong>GB3<\/strong>, a <strong>F\u00f3rmula 3<\/strong> brit\u00e2nica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda sem tantas pretens\u00f5es de ser atleta profissional, o jovem nascido em Belo Horizonte, Minas Gerais, praticava t\u00eanis e futebol quando crian\u00e7a. O automobilismo? Algo distante e que nem passava pela cabe\u00e7a. No entanto, quis o destino que, aos nove anos de idade, o caminho de Staico no esporte seguisse por outro rumo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cQuando eu era menor, era o menino do futebol, t\u00edpico brasileiro que o pai coloca na escolinha e fica jogando bola. E pouco antes de come\u00e7ar com o Kart eu jogava t\u00eanis. Ent\u00e3o, fazia t\u00eanis e futebol. A\u00ed chegou um dia que meu pai convidou meu primo para ir em um kart\u00f3dromo para ir andar de Kart indoor, aqueles de crian\u00e7a, e s\u00f3 porque meu primo foi eu quis ir. A\u00ed acabou que fui junto com ele e desde a primeira vez eu me apaixonei\u201d, relembra Lucas em entrevista exclusiva ao <strong>GRANDE PREMIUM<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>\u25b6\ufe0f&nbsp;Inscreva-se nos dois canais do GRANDE PR\u00caMIO no YouTube:&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UC9OlHEgxoaY6QY6nWPoiqQg?sub_confirmation=1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">GP<\/a>&nbsp;|&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UC9csiS6q_C3C0FYhyr1rnFA?sub_confirmation=1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">GP2<\/a><\/strong><br><strong>\u25b6\ufe0f&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.twitch.tv\/grandepremio\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Conhe\u00e7a o canal do GRANDE PR\u00caMIO na Twitch clicando aqui!<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.grandepremio.com\/br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Lucas-Staico-Kart-2016-1024x682.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-719968\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Lucas precisou ir para S\u00e3o Paulo, em 2016, quando decidiu levar o automobilismo um pouco mais a s\u00e9rio (Foto: Arquivo pessoal)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A partir da\u00ed, o brasileiro se apaixonou pela adrenalina e velocidade proporcionadas pelas corridas e come\u00e7ou a andar de kart com mais frequ\u00eancia, ainda por hobby, at\u00e9 que seu pai, Ronaldo, lhe comprou um kart e os treinos come\u00e7aram a se tornar mais s\u00e9rios. O lado um pouco mais profissional come\u00e7ou a aflorar por volta de 2015.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos tempos de Kart, o belo-horizontino conquistou mais de 20 t\u00edtulos, com destaque para o bicampeonato <strong>Sul-Americano<\/strong>, o tri da <strong>Copa do Brasil<\/strong> e o t\u00edtulo no <strong>Brasileiro J\u00fanior<\/strong>. Contudo, foi preciso ir para S\u00e3o Paulo para come\u00e7ar a competir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cQuando voc\u00ea \u00e9 kartista, e tem a inten\u00e7\u00e3o de competir em campeonatos nacionais, quer levar um pouco mais a s\u00e9rio, quer uma rotina de competi\u00e7\u00e3o, voc\u00ea tem de ir para S\u00e3o Paulo. Existe uma diferen\u00e7a do n\u00edvel dos kartistas de BH quando comparados com os de SP, tanto em n\u00famero quanto em qualidade. Mas n\u00e3o porque em S\u00e3o Paulo eles s\u00e3o melhores, mas sim porque todos os kartistas do Brasil v\u00e3o para l\u00e1 para fazer o regional e se preparar para os campeonatos nacionais que t\u00eam ao longo do ano\u201d, admite.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201c\u00c9 o estado mais competitivo que tem, ent\u00e3o o quanto antes voc\u00ea for para S\u00e3o Paulo para competir, n\u00e3o precisa necessariamente morar l\u00e1, mas enquanto tiver competindo l\u00e1 o quanto antes, melhor. O quanto antes tiver contato com pilotos mais experientes, com grid mais volumoso e compacto em termos de tempo\u201d, revela o mineiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Antes de ir para S\u00e3o Paulo, no entanto, Lucas come\u00e7ou a competir nos campeonatos de Belo Horizonte. Em um ano que participou no<strong> Campeonato Mineiro<\/strong>, aproveitou tamb\u00e9m para fazer uma etapa do <strong>Paulista<\/strong>, e o <strong>Campeonato Brasileiro<\/strong>, no Rio Grande do Sul. A participa\u00e7\u00e3o, como ele mesmo diz, foi uma boa experi\u00eancia para conhecer como era o n\u00edvel dos pilotos e o que de fato iria enfrentar quando fosse participar para valer da competi\u00e7\u00e3o. Foi uma forma de come\u00e7ar a se adaptar sem ter de se mudar para S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cNesse meu primeiro ano [2015], fui campe\u00e3o Sul-Americano da Copa do Brasil, e logo em 2016, que os campeonatos principais j\u00e1 n\u00e3o eram mais em BH, acabou que com os resultados de 2015 eu tive a vontade de continuar me dedicando e de conseguir outros t\u00edtulos. Comecei a fazer as temporadas inteiras em S\u00e3o Paulo, correr o campeonato Paulista por completo, e os dois nacionais, que s\u00e3o a Copa Brasil e o Brasileiro de Kart\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sabendo das dificuldades que o automobilismo proporciona, a ida para a capital paulista ainda n\u00e3o era algo pensando j\u00e1 no profissional. Segundo o mineiro, foi uma esp\u00e9cie de per\u00edodo de adapta\u00e7\u00e3o para saber se realmente andaria bem, se sentiria falta dos amigos e familiares e coisas do tipo. E o per\u00edodo foi um sucesso.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.grandepremio.com\/br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Lucas-Staico-Kart-2017-1024x683.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-719970\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Os primeiros anos em SP tamb\u00e9m serviram como adapta\u00e7\u00e3o (Foto: Arquivo pessoal)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cDesde que eu era mais novo sempre fui muito extrovertido, ainda mais quando crian\u00e7a. Ent\u00e3o quando comecei as primeiras corridas em S\u00e3o Paulo fiz v\u00e1rios amigos, gostava muito de correr. Porque al\u00e9m de fazer algo que gostava eu encontrava amigos diferentes, que eu gostava bastante&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Como eu era muito novo n\u00e3o tinha aquela coisa de sair com os amigos fim de semana, eu encontrava mais s\u00f3 durante a semana na escola, ou festa de anivers\u00e1rio, mas n\u00e3o era nada muito constante. Acho que consegui levar na boa por esse fato de ter v\u00e1rios amigos l\u00e1 no meio tamb\u00e9m&#8221;, explica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A virada de chave para perceber que poderia trilhar o caminho profissional aconteceu em 2018. Embora tenha enfrentado uma primeira metade de ano marcada pelo azar em que teve muitas quebras e alguns acidentes que n\u00e3o teve culpa, a sorte sorriu para Staico no segundo semestre e os resultados come\u00e7aram a aparecer. Foram cinco vit\u00f3rias em seis etapas no <strong>Paulista Light<\/strong>, e ainda t\u00edtulo da Copa Brasil. Os resultados chamaram a aten\u00e7\u00e3o da academia <strong>Shell<\/strong> de pilotos, da qual come\u00e7ou a fazer parte em 2019.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cQuando eu comecei no Kart, em 2015, eu vi os pilotos da Shell que chamavam muita aten\u00e7\u00e3o, com aquele macac\u00e3o vermelho. Desde a \u00e9poca do Kart voc\u00ea via pilotos como Diego Ramos, Gianluca Petecof, <strong>Felipe Baptista<\/strong>. Voc\u00ea via esses caras andando super r\u00e1pido e tive a oportunidade de entrar nessa academia em 2019. Foi bem legal, tive experi\u00eancias boas e ruins. Consegui meu t\u00edtulo do <strong>Campeonato Brasileiro<\/strong> justamente nesse ano com a Shell. Ent\u00e3o foi algo muito positivo\u201d, recorda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cAcabou que no final do ano a Shell saiu do Kart. N\u00e3o sei se foram problemas internos, n\u00e3o sei muito bem o que aconteceu. Mas acho que foi nesse ano que eu acabei representando uma marca que virou essa chavinha a\u00ed de \u201cvamos dedicar mais que est\u00e1 dando certo, tem gente olhando, e pode resultar em algo bom\u201d, disse.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.grandepremio.com\/br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Lucas-Staico-Kart-2019-Shell-Racing-1024x682.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-719972\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Participar da academia Shell de pilotos foi vital Staico decidir seguir no automobilismo (Foto: Arquivo pessoal)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O bom desempenho no Kart acabaram levando o rapaz para competir nos monopostos. O primeiro contato com um carro, de fato, foi com um <strong>F\u00f3rmula 3<\/strong>, mas como forma de se preparar para a primeira temporada da <strong>F4 Brasil<\/strong> em 2022. A divis\u00e3o nasceu com o intuito de preparar os jovens pilotos brasileiros para competir no exterior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cSa\u00ed para correr em uma categoria que era acima da F4. Se voc\u00ea pegar, por exemplo, em <strong>Silverstone<\/strong>, a GB3 \u00e9 cerca de 10s mais r\u00e1pida que um F4, ent\u00e3o \u00e9 muita coisa. E a GB3 \u00e9 cerca de 6s ou 7s mais lento que a <strong>F3<\/strong>, sendo que a maior diferen\u00e7a est\u00e1 na velocidade de reta. Ent\u00e3o \u00e9 um carro totalmente diferente do F4. Em termos assim de carro \u00e9 bem dif\u00edcil de falar, porque o n\u00edvel de aerodin\u00e2mica \u00e9 diferente, o motor \u00e9 diferente, apesar da velocidade de reta da F4 e GB3 serem parecidas\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cAl\u00e9m disso, as pistas s\u00e3o bem diferentes das que eu estava acostumado no Brasil. At\u00e9 a forma de esquentar pneu mudava, porque na Europa os pa\u00edses s\u00e3o bem mais frios. Ent\u00e3o l\u00e1 [GB3] precisei aprender muita coisa que aprendi de um jeito no Brasil e l\u00e1 precisava ser de outro. N\u00e3o por conta da categoria ter ensinado errado, mas porque precisava ser diferente devido ao clima, carro\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cPor causa dessas diferen\u00e7as t\u00e3o grandes, a F4 foi importante no que diz respeito a visibilidade, de me dar a oportunidade de estar l\u00e1. Se n\u00e3o fosse a F4 Brasil eu n\u00e3o teria a oportunidade de correr na GB3. Mas em termos de adapta\u00e7\u00e3o de carro n\u00e3o foi t\u00e3o importante porque os carros s\u00e3o extremamente diferentes\u201d, reconhece.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O piloto de Belo Horizonte ainda tra\u00e7ou um paralelo entre a F4 Brasil e a GB3. Segundo ele, umas das maiores diferen\u00e7as estava no fator \u201cnovidade\u201d da categoria nacional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cAcho que pela F4 Brasil foi um bom trabalho, levando em considera\u00e7\u00e3o que era o primeiro ano da categoria. As equipes n\u00e3o estavam t\u00e3o acostumadas assim, tinha tempo que eles n\u00e3o trabalhavam em carros de f\u00f3rmula, eram carros novos, era tudo novo. Era um desafio at\u00e9 para os pilotos conseguirem se adaptar, conseguirem passar informa\u00e7\u00e3o para o engenheiro para acertar o carro o mais r\u00e1pido poss\u00edvel para conseguir se acostumar com o equipamento que ningu\u00e9m tinha muitos dados. Tanto que voc\u00ea pode ver esse ano que as equipes est\u00e3o mais pr\u00f3ximas, mais r\u00e1pidas, e os pilotos tamb\u00e9m\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cOs pilotos que est\u00e3o no segundo ano de F4 evolu\u00edram bastante, e acho que ano passado foi bem isso, pegou todos do zero e foi uma base muito boa. Acho que ensinou n\u00e3o s\u00f3 n\u00f3s pilotos, mas tamb\u00e9m as equipes e a pr\u00f3pria organiza\u00e7\u00e3o de como funciona o campeonato\u201d afirma o mineiro.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.grandepremio.com\/br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Lucas-Staico-pole-em-Interlagos-F4-Brasil.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-719975\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O pai, Ronaldo, \u00e9 um dos maiores incentivadores no esporte (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Instagram Lucas Staico)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA GB3 \u00e9 outra experi\u00eancia, outro pa\u00eds. Estar na Europa \u00e9 outro mundo, as equipes estavam mais adaptadas, elas est\u00e3o acostumadas com o meio, com o carro. Outra coisa que era bastante diferente, eu chegava l\u00e1 antes de um treino, assistia uma onboard, via dados de outros pilotos que j\u00e1 tinham andado no carro. Isso no Brasil n\u00e3o acontecia, os dados quem tinha de plantar era a gente. Acho que foram dois extremos n\u00e3o s\u00f3 por serem categorias com carros diferentes, mas acho que por ser o primeiro ano da F4 Brasil foi uma discrep\u00e2ncia de n\u00edvel absurda\u201d, admite Lucas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lucas teve uma boa primeira temporada com os carros na F4 e conseguiu vit\u00f3rias e o segundo lugar no fim do ano. Nunca tendo competido com um f\u00f3rmula antes, o belo-horizontino confessou que teve algumas dificuldades em adapta\u00e7\u00e3o. Entre eles estava, principalmente, a no\u00e7\u00e3o de espa\u00e7o em uma disputa por posi\u00e7\u00e3o e o procedimento de largada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cDimens\u00e3o de disputa foi algo que senti muita diferen\u00e7a tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o aos f\u00f3rmulas. Porque no kart voc\u00ea v\u00ea direto o pessoal se jogando de longe, encostando, e a corrida segue. No monoposto, voc\u00ea n\u00e3o pode encostar, voc\u00ea acaba com dano no carro se tiver algum toque. \u00c0s vezes se subir muito na zebra voc\u00ea quebra o carro, s\u00f3 encostou roda lado a lado voc\u00ea quebra a suspens\u00e3o. Ent\u00e3o em termos de disputa senti muita diferen\u00e7a\u201d, relata.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA largada tamb\u00e9m muda bastante, a largada parada, a quest\u00e3o da embreagem. A troca de marcha foi bem suave, j\u00e1 que n\u00e3o \u00e9 preciso apertar a embreagem. Mas as largadas, em que precisa da embreagem e era algo que n\u00e3o est\u00e1vamos acostumados no kart, acho que foi algo bem diferente pra mim\u201d, lembra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para a temporada 2023, Staico deu mais um passo na carreira e, por n\u00e3o querer fazer outro ano em carros de F4, escolheu a GB3. A <strong>FRECA<\/strong> chegou a ser sondada pelo brasileiro, no entanto, a categoria \u00e9 completamente dominada pela <strong>PREMA<\/strong> \u2014 que tem um processo de <a href=\"https:\/\/www.grandepremio.com\/br\/grandepremium\/conteudo-especial\/indy\/materias\/concessionaria-ate-escadaria-indy-viagem-lucas-fecury\/\" class=\"ek-link\">admiss\u00e3o de pilotos<\/a> um tanto complicado \u2014 e por isso \u00e9 dif\u00edcil se destacar por l\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, outras duas raz\u00f5es para optar pela categoria brit\u00e2nica: a primeira, de acordo com Lucas, foi o fato de as pistas do calend\u00e1rio serem bastante t\u00e9cnicas e dif\u00edceis de aprender, o que lhe concederia mais experi\u00eancia. Ainda, a Inglaterra \u00e9 um dos ber\u00e7os do automobilismo e uma grande formadora de pilotos \u2014 s\u00f3 na <strong>F\u00f3rmula<\/strong> <strong>1<\/strong>, oito pilotos do pa\u00eds se sagraram campe\u00f5es \u2014 e hoje conta com fortes nomes na principal categoria do esporte a motor como <strong>Lewis Hamilton, George Russell<\/strong> e <strong>Lando Norris<\/strong>. A escolha pela equipe <strong>Douglas Motorsport<\/strong>, no entanto, foi uma indica\u00e7\u00e3o de seu coach, Dennis Dirani.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEle tinha contato com uma outra equipe que n\u00e3o tem mais na F3 inglesa, que corria l\u00e1, e por ter esse contato f\u00e1cil acabou indicando a Douglas para a gente fazer alguns testes e acabou que quando eu fiz o primeiro teste j\u00e1 estava praticamente certo de que eu iria correr com eles. Ent\u00e3o acabou que foi algo mais por conta do contato que o coach tinha com uma equipe e essa equipe indicou a Douglas j\u00e1 que ela n\u00e3o trabalhava mais na F3 inglesa\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao chegar na F3, por estar guiando um carro com mais velocidade e mais downforce, Staico disse que a prepara\u00e7\u00e3o f\u00edsica foi uma das coisas que ele mais precisou adaptar. Isso porque os modelos fazem as curvas consideravelmente mais r\u00e1pidas e a for\u00e7a G passa a ser ainda mais intensa. Se acostumar com tudo isso foi descrito pelo brasileiro como um desafio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cAcho que a equipe tentou me ajudar bastante com isso, mas \u00e9 algo que eu fui entendendo a cada etapa. \u00c0s vezes tem coisas que eu olho para tr\u00e1s nas primeiras etapas e penso &#8216;nossa, se tivesse feito isso com meu carro talvez conseguisse um resultado muito melhor&#8217;. Mas isso \u00e9 de n\u00e3o conhecer muito bem o carro, n\u00e3o conseguir passar a informa\u00e7\u00e3o precisa para o time sobre o que mudar no carro para dar uma melhorada no carro. Mas eu j\u00e1 senti uma melhora nessas duas \u00faltimas etapas. J\u00e1 senti que tenho um dom\u00ednio maior do carro, j\u00e1 posso lev\u00e1-lo pr\u00f3ximo ao limite e consigo saber o que mexer no carro de acordo com o que estou sentindo\u201d, diz o piloto de 17 anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cTanto que a gente v\u00ea uma diferen\u00e7a nas primeiras etapas bem grande em rela\u00e7\u00e3o aos pilotos novatos da categoria para os pilotos que j\u00e1 t\u00eam alguns anos. Essa diferen\u00e7a diminuiu bastante, o grid est\u00e1 mais compacto nesse meio de campeonato. Um grid que muitos novatos j\u00e1 est\u00e3o pulando l\u00e1 pra frente, ent\u00e3o \u00e9 bem legal nessa parte assim. N\u00e3o era s\u00f3 eu que tinha dificuldades, mas todos os novatos. E todos est\u00e3o evoluindo cada vez mais\u201d, celebra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante a campanha na GB3, Staico j\u00e1 somou 75 pontos e tem como melhores resultados um quinto lugar em <strong>Spa-Francorchamps<\/strong> e o terceiro posto em <strong>Snetterton<\/strong>. Lucas acredita que os bons resultados foram fruto de uma boa adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 categoria. No entanto, viu seu carro sofrer problemas de perda de rendimento ap\u00f3s um acidente no circuito brit\u00e2nico.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.grandepremio.com\/br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/O-quinto-lugar-em-Spa-Francorchamps-foi-um-dos-melhores-resutlados-de-Lucas-na-GB3.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-719979\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A etapa na B\u00e9lgica foi uma das melhores de Staico na GB3 (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Instagram Lucas Staico)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cSofremos uma perda estranha de velocidade do carro em sa\u00eddas de curva e de reta. \u00c9 uma perda estranha que n\u00e3o conseguimos descobrir o que \u00e9, ent\u00e3o j\u00e1 trocamos partes de dentro do carro que pareciam estar quebradas, mas parece que n\u00e3o funcionou. Em Silverstone senti que estava andando muito bem, em um ritmo que poderia estar no top-5, mas acabou que por essa perda de rendimento, e pelas retas grandes, n\u00e3o consegui ir melhor. Acho que n\u00e3o ter conseguido achar onde estamos perdendo rendimento prejudicou nosso resultado\u201d, lamenta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cAcho que mesmo que a gente n\u00e3o resolva o problema o restante do calend\u00e1rio n\u00e3o tem pistas com retas t\u00e3o grandes, ent\u00e3o acaba sendo um problema que n\u00e3o vai nos prejudicar tanto por causa das caracter\u00edsticas da pista. A tend\u00eancia \u00e9 os resultados seguirem melhorando at\u00e9 o fim do ano\u201d, ameniza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A GB3 tamb\u00e9m passou por um per\u00edodo de f\u00e9rias no ver\u00e3o e vai retomar suas atividades neste fim de semana, nos dias 9 e 10, com a etapa que ser\u00e1 realizada em <strong>Brands Hatch<\/strong>. O campeonato ainda vai passar por <strong>Zandvoort<\/strong> antes de ser conclu\u00eddo em <strong>Donnington<\/strong>. Staico se mostrou muito ansioso por essa nova fase. Principalmente pela corrida na Holanda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cZandvoort \u00e9 uma pista que sempre gostei muito no simulador, ent\u00e3o tenho muita vontade de conhecer. Olhando a F1 deve ser muito legal em volta r\u00e1pida, parece uma pista bem desafiadora. Ela parece um pouco com as pistas da Inglaterra, com bastante curva cega e partes bem estreitas, mas estou bem ansioso para correr nela. E l\u00e1 \u00e9 uma pista nova para todo mundo, j\u00e1 que no ano passado n\u00e3o teve corrida em Zandvoort, \u00e9 uma pista nova para todos\u201d, diz animado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pista que mais lhe agrada na Europa, no entanto, \u00e9 o <strong>Red Bull Ring<\/strong>, na \u00c1ustria, mas que n\u00e3o est\u00e1 presente no calend\u00e1rio da competi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.grandepremio.com\/br\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Primeiro-podio-de-Lucas-Staico-na-GB-3-em-Snetterton-Foto-Reproducao-Insagram.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-719984\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Primeiro p\u00f3dio de Lucas Staico na GB 3, em Snetterton (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Instagram Lucas Staico)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cN\u00e3o sei porque, mas acho que deve ser bem legal de correr [no Red Bull Ring], tem bastante ponto de ultrapassagem. E tem o ponto de alta ali nos setores 2 e 3 que parece ser bem dif\u00edcil. A gente v\u00ea na F1, F2 e F3 que os pilotos sofrem com os limites de pista, deve ser desafiador em quest\u00e3o de ultrapassagem, desgaste de pneu, de manter o carro dentro da pista indo o mais r\u00e1pido pr\u00f3ximo do limite. Ent\u00e3o \u00e9 uma pista que quando perguntam qual eu tenho vontade de correr, essa \u00e9 a primeira que me vem \u00e0 cabe\u00e7a\u201d, admite.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pr\u00f3ximo do fim da temporada na GB3, Lucas Staico afirma que ainda n\u00e3o est\u00e1 pensando no pr\u00f3ximo passo da carreira e diz estar totalmente focado em conseguir resultados convincentes nessa reta final.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201c\u00c9 dif\u00edcil dizer que vou esperar o fim da temporada para escolher meu caminho. Ainda tenho muita coisa para demonstrar e os resultados nas \u00faltimas etapas n\u00e3o foram meu real potencial. Acho que no in\u00edcio do ano a gente estava com um carro bom para conseguir disputar e acho que nessas tr\u00eas \u00faltimas etapas n\u00e3o tivemos um acerto legal. Estava me acostumando melhor com o carro, estava conseguindo extrair mais, mas mesmo assim junto com a equipe n\u00e3o consegui acertos legais\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cMas espero que a gente consiga continuar trabalhando para ter bons resultados nas \u00faltimas etapas, porque eu acho que a gente est\u00e1 devendo muito. Podemos entregar muito mais, tanto eu, enquanto piloto, quanto a equipe. Acho que a gente consegue um top-5 e um p\u00f3dio com bastante tranquilidade\u201d, finaliza Staico.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lucas Staico &#8216;caiu de paraquedas\u2019 no automobilismo depois de andar de Kart pela primeira vez por influ\u00eancia do pai e do primo. O amor pelo esporte foi imediato, e a troca da chuteira pelo capacete, tamb\u00e9m. 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