{"id":406,"date":"2022-12-21T04:00:00","date_gmt":"2022-12-21T07:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/grandepremium\/materias\/de-bruno-junqueira-a-felipe-drugovich-tao-perto-tao-longe-formula-1\/"},"modified":"2022-12-20T14:35:52","modified_gmt":"2022-12-20T17:35:52","slug":"de-bruno-junqueira-a-felipe-drugovich-tao-perto-tao-longe-formula-1","status":"publish","type":"42wp_premium","link":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/grandepremium\/f1\/materias\/de-bruno-junqueira-a-felipe-drugovich-tao-perto-tao-longe-formula-1\/","title":{"rendered":"De Junqueira a Drugovich: t\u00e3o perto e t\u00e3o longe da F1"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Imagine vencer a principal categoria de acesso \u00e0 F\u00f3rmula 1, superando nomes como Fernando Alonso, Mark Webber e Justin Wilson, vencendo quatro de dez corridas e, mesmo assim, n\u00e3o conseguir uma vaga na principal categoria do automobilismo mundial. Bruno Junqueira fez isso na F3000 em 2000 e era, at\u00e9 esse ano, o \u00faltimo brasileiro a vencer a categoria imediatamente abaixo da F1. At\u00e9 que Felipe Drugovich decidiu dominar a temporada de 2022 da F\u00f3rmula 2, vencendo cinco corridas e terminando mais de 100 pontos na frente do segundo colocado. E, assim como Bruno, o paranaense tamb\u00e9m n\u00e3o conseguiu a t\u00e3o desejada vaga na F\u00f3rmula 1.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2018, o Brasil ficou pela primeira vez sem um piloto do grid, algo que n\u00e3o acontecia desde que Emerson Fittipaldi fez sua estreia na F\u00f3rmula 1, em 1970. Desde ent\u00e3o, o p\u00fablico brasileiro, um dos mais apaixonados pelo esporte, est\u00e1 na expectativa por um novo representante. Em entrevista exclusiva ao GRANDE PREMIUM, Junqueira exaltou a conquista de Drugovich e acredita que o pa\u00eds voltou a ter grandes pilotos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Eu acho que \u00e9 muito importante a vit\u00f3ria do Felipe para o automobilismo brasileiro. Para mim, ganhar a F2 \u00e9 uma categoria em que o carro \u00e9 igual para todo mundo. Ent\u00e3o o piloto faz muita diferen\u00e7a. Claro, \u00e9 uma equipe boa e importante, mas saber que a gente tem hoje um piloto brasileiro que ganhou a F2, a gente tem um piloto com capacidade de correr de F1 e andar bem na F1. O Brasil voltou a ter grandes pilotos&#8221;, ressaltou o mineiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>\u25b6\ufe0f\u00a0Inscreva-se nos dois canais do GRANDE PR\u00caMIO no YouTube:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UC9OlHEgxoaY6QY6nWPoiqQg?sub_confirmation=1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">GP<\/a>\u00a0|\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UC9csiS6q_C3C0FYhyr1rnFA?sub_confirmation=1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">GP2<\/a><\/strong><br><strong>\u25b6\ufe0f\u00a0<a href=\"https:\/\/www.twitch.tv\/grandepremio\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Conhe\u00e7a o canal do GRANDE PR\u00caMIO na Twitch clicando aqui!<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.grandepremio.com\/br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Felipe-Drugovich-f2-Italia-e1662829250217.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-613278\"\/><figcaption>Felipe Drugovich comemora o t\u00edtulo da F\u00f3rmula 2 nos boxes (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/F2)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sem apoio de nenhuma academia ao longo das \u00faltimas temporadas, Drugovich comemorou o t\u00edtulo da F\u00f3rmula 2 em Monza ainda sem saber seu futuro. Com poucas aberturas no grid da F\u00f3rmula 1 para 2023, o piloto da MP Motorsport <a href=\"https:\/\/www.grandepremio.com\/br\/f1\/noticias\/felipe-drugovich-admite-desanimo-fora-f1-2023-seria-impossivel\/\" class=\"ek-link\">acabou se contentando com uma vaga de piloto reserva da Aston Martin<\/a>. Junqueira j\u00e1 havia perdido uma oportunidade em 1999, quando perdeu um vestibular feito pela Williams para Jenson Button e acabou se tornando piloto de testes do time brit\u00e2nico. Nem o t\u00edtulo da F3000 no ano seguinte foi o suficiente, e Bruno destaca que n\u00e3o h\u00e1 garantias no mundo do automobilismo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;\u00c9 muito dif\u00edcil voc\u00ea colocar num contrato que quem ganhar a F2 vai ser piloto da F1. \u00c9 uma coisa que aconteceu na minha \u00e9poca com a F3000, eu ganhei e eu lembro que nos dois ou tr\u00eas anos seguintes, quem ganhou tamb\u00e9m n\u00e3o foi para a F\u00f3rmula 1 direto. Acabou que outros pilotos foram para a F1, mas muitos anos depois por outras circunst\u00e2ncias, outros campe\u00f5es da F3000.&nbsp;E aconteceu a mesma coisa quando mudaram para GP2. No come\u00e7o, o Lewis Hamilton foi, o Nelsinho Piquet foi e depois a\u00ed passou uns dois, tr\u00eas anos, teve o Giorgio Pantano, teve uns dois ou tr\u00eas caras que ganharam e n\u00e3o foram para a F1. A\u00ed realmente perde a motiva\u00e7\u00e3o dos pilotos, dos patrocinadores, dos pais que v\u00e3o investir 2,5 milh\u00f5es de euros numa categoria em que se for campe\u00e3o voc\u00ea acaba n\u00e3o indo para a F1&#8221;, disse Junqueira.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Mas s\u00e3o as circunst\u00e2ncias n\u00e9, ent\u00e3o espero que o campe\u00e3o do ano que vem v\u00e1 para a F1 e espero que o Felipe acabe encontrando um caminho para no futuro correr de F\u00f3rmula 1, que eu acho que ele tem toda a qualidade do mundo para estar na F\u00f3rmula 1. Acho que ele est\u00e1 entre os 20 melhores pilotos, tem qualidades t\u00e9cnicas e mentais para isso. Al\u00e9m disso, ainda tem at\u00e9 apoio de empresas brasileiras, o que \u00e9 muito legal. Ent\u00e3o ele tem o pacote perfeito para estar correndo na F\u00f3rmula 1&#8221;, elogiou o mineiro.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.grandepremio.com\/br\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/FeF6JKOWQAAIbiL.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-640834\"\/><figcaption>Bruno Junqueira foi piloto de testes da Williams em 2000 (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Twitter)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As conquistas de Bruno em 2000 e Felipe em 2022 tamb\u00e9m possuem outra semelhan\u00e7a: ambos os t\u00edtulos vieram no terceiro ano dos brasileiros em suas respectivas categorias, algo que vez ou outra \u00e9 utilizado para duvidar se Drugovich de fato mereceria estar na F\u00f3rmula 1. Junqueira defende o compatriota e ressalta que \u00e9 dif\u00edcil ganhar campeonatos independentemente do tempo de experi\u00eancia e destacou que a press\u00e3o sobre o paranaense neste ano era ainda maior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Eu j\u00e1 falei algumas vezes, mas muitas pessoas falam que &#8216;ah, mas ele ganhou o campeonato no terceiro ano e a\u00ed \u00e9 mais f\u00e1cil&#8217;. Vai l\u00e1 ent\u00e3o. Te dou cinco anos para ganhar o campeonato. \u00c9 dif\u00edcil de qualquer jeito.&nbsp;Na minha avalia\u00e7\u00e3o, no primeiro ano ele ganhou corridas, foi bem no campeonato. Ele trocou de equipe, foi para uma outra que teoricamente seria melhor e n\u00e3o deu certo. Ele foi para equipe tal, agora est\u00e1 no segundo ano, agora ele tem que ganhar o campeonato. Nem sempre d\u00e1 isso. Ele foi para o terceiro ano com muito mais press\u00e3o. Voltou para a equipe dele e, a\u00ed sim, era aquele ano ou aquele ano. E ganhou o campeonato bem, com duas corridas de anteced\u00eancia. Ent\u00e3o, tem que dar os parab\u00e9ns para ele, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil n\u00e3o. \u00c9 muito f\u00e1cil estar aqui sentado na cadeira e criticar, que o piloto ganhou no terceiro ano. A gente tem que aplaudir e torcer para que ele consiga andar na F1 e andar bem&#8221;, destacou Bruno.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Drugovich se tornou o primeiro membro da academia de pilotos da Aston Martin e inclusive j\u00e1 teve a oportunidade de pilotar o carro de 2022 <a href=\"https:\/\/www.grandepremio.com\/br\/f1\/noticias\/felipe-drugovich-usou-tl1-abu-dhabi-experimentar-coisas-aston-martin\/\" class=\"ek-link\">no primeiro treino livre no GP de Abu Dhabi<\/a> e tamb\u00e9m no teste de p\u00f3s-temporada em Yas Marina. Contudo, a equipe brit\u00e2nica n\u00e3o deve ter oportunidade de vaga titular para o brasileiro, j\u00e1 que Lance Stroll \u00e9 filho de Lawrence Stroll, um dos donos da equipe, e Fernando Alonso, rec\u00e9m-contratado, tem v\u00ednculo at\u00e9 2024.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.grandepremio.com\/br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/astonmartin-felipedrugovich-06-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-634529\"\/><figcaption>Felipe Drugovich fez sua estreia numa sess\u00e3o oficial da F\u00f3rmula 1 (Foto: Aston Martin)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Ele se colocou em uma posi\u00e7\u00e3o que \u00e9 triste pela qualidade de piloto que ele \u00e9, por ele ter sido campe\u00e3o da F2. Acho que ele merecia estar correndo, mas, se n\u00e3o estivesse correndo, talvez como piloto de teste numa equipe que ele soubesse que uma das duas vagas vai abrir no ano seguinte. Que ele pudesse mostrar o trabalho e para no ano que vem estar dentro. E n\u00e3o foi o caso&#8221;, lamentou Junqueira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Felipe chegou a ter seu nome especulado na Indy na Ganassi, uma das principais equipes da categoria americana, mas preferiu se manter pr\u00f3ximo \u00e0 F\u00f3rmula 1. Bruno, que optou pelo caminho oposto em 2001 ao justamente acertar com a Ganassi, acredita que o momento vivido pela Indy hoje \u00e9 bem diferente e que o jovem de 22 anos diminuiria muito suas chances de chegar \u00e0 F1 caso tivesse optado por se mudar para os Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;\u00c9 muito dif\u00edcil julgar, s\u00f3 o futuro dir\u00e1. Se eu for analisar pela experi\u00eancia que eu tenho de automobilismo, eu na \u00e9poca fui para a Ganassi porque a Indy, eu acho que em 2000, 2001, era uma categoria muito forte. Muito, muito mais forte do que \u00e9 hoje. Ent\u00e3o, muita gente pode achar que n\u00e3o, mas a Indy era metade do que \u00e9 a F\u00f3rmula 1 hoje. Voc\u00ea tinha tr\u00eas, quatro fabricantes de chassis, quatro de motor, at\u00e9 1999, 2000, dois fabricantes de pneus. Era uma categoria estilo F\u00f3rmula 1, porque voc\u00ea tinha v\u00e1rios chassis, v\u00e1rios motores, e quem coloca dinheiro s\u00e3o fabricantes. A gente tinha Ford, Honda, Toyota e Mercedes, tinha quatro grandes fabricantes colocando dinheiro l\u00e1. Ent\u00e3o a categoria era muito forte&#8221;, recordou o piloto mineiro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.grandepremio.com\/br\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Cx5IxIHWgAAUyaC-1024x768.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-640860\"\/><figcaption>Bruno Junqueira perdeu vaga na Williams para Jenson Button em 2000 (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o \/ Twitter)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Os anos passando, a categoria foi ficando mais fraca, hoje, n\u00e3o desmerecendo a Indy, \u00e9 bem mais fraca do que era antes. A gente tem dois fabricantes de motor, um chassi, que \u00e9 o mesmo h\u00e1 muitos anos, nem trocam o chassi, \u00e9 o mesmo, e um pneu. Os or\u00e7amentos e tudo s\u00e3o bem piores, mas eu acho que, analisando nesse ponto, a decis\u00e3o que eu fiz de ter ido para a Ganassi foi uma decis\u00e3o boa. Acho que, se o Felipe fosse para a Ganassi hoje, ele estaria diminuindo muito as chances dele de um dia correr de F1&#8221;, disse Junqueira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar de ter escolhido ir para a Indy, a decis\u00e3o de Bruno tamb\u00e9m teve o mesmo motivo da de Felipe: chegar \u00e0 F\u00f3rmula 1. O sonho era vencer o t\u00edtulo da categoria americana e, em uma \u00e9poca na qual o interc\u00e2mbio de pilotos, tentar cavar uma vaga de volta na F1. Mas o piloto da Ganassi acabou sendo superado pelo compatriota Cristiano da Matta, que ganhou uma oportunidade na Toyota, algo que raramente acontece atualmente: ap\u00f3s Cristiano, s\u00f3 o franc\u00eas S\u00e9bastien Bourdais tamb\u00e9m seguiu o mesmo caminho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Eu fui para l\u00e1 e sou sincero, uma das estrat\u00e9gias que eu tinha, eu tive uma oferta de contrato de cinco anos da Toyota para ser piloto de testes. A minha ideia foi: vou para a Indy, corro dois anos, se eu ganhar, se eu mandar bem, posso voltar pela Toyota para acabar correndo em 2003. Acabou que fui vice-campe\u00e3o, o Cristiano da Matta foi campe\u00e3o e ele acabou indo para a F\u00f3rmula 1. Ent\u00e3o, foi culpa minha e do bom trabalho do Cristiano. Acho que, se eu tivesse ganhado o campeonato de 2002 da Indy, eu teria voltado para a F\u00f3rmula 1&#8221;, contou Junqueira.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.grandepremio.com\/br\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/B-27-xRXEAEH8z4.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-640835\"\/><figcaption>Bruno Junqueira em seu ano de estreia na Indy pela Ganassi (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Twitter)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Mas hoje, por exemplo, se o Felipe for para a Indy, a Ganassi anda de motor Honda, chegou l\u00e1 no primeiro ano, ou no segundo e ganhou. E a\u00ed? A Honda n\u00e3o tem carro na F\u00f3rmula 1. Ent\u00e3o, n\u00e3o vejo ele voltando, tendo um caminho para poder voltar para a F1, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil assim. Nesse ponto, acho que ele est\u00e1 certo&#8221;, afirmou o ex-piloto da Ganassi.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os anos 2000 viram uma enorme quantidade de brasileiros correndo nos Estados Unidos. Al\u00e9m de Bruno e Cristiano, Tony Kanaan, Helio Castroneves e V\u00edtor Meira fizeram carreira na Indy, al\u00e9m de uma s\u00e9rie de outros pilotos que participaram das temporadas da IRL e da CART. Castroneves e Kanaan s\u00e3o os \u00fanicos remanescentes e ressaltam uma seca geracional. Para Junqueira, a falta de \u00eddolos nacionais nos \u00faltimos anos acaba tirando o interesse dos jovens no automobilismo americano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Eu acho que ter um \u00eddolo \u00e9 muito importante. No Brasil, e durante esse intervalo, quando eu comecei a correr de kart, o Emerson come\u00e7ou a correr aqui na Indy e a ir muito bem. A\u00ed voc\u00ea come\u00e7a a olhar para a Indy tamb\u00e9m. A\u00ed vieram outros pilotos brasileiros. No final dos anos 90, at\u00e9 o meio dos anos 2000, a gente tinha sete brasileiros na Indy. Eu lembro que teve temporada, em 2002, eu e o Cristiano, a gente ganhou nove corridas de dezenove. Ganhamos quase mais do que a metade das corridas&#8221;, relembrou.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Ent\u00e3o, o brasileiro assistia e queria correr, ou F\u00f3rmula 1 ou Indy. E, nos \u00faltimos anos, com todo o respeito, o Helinho ganhou as 500 Milhas de Indian\u00e1polis, mas, no dia a dia, no campeonato, tirando a Indy 500, que \u00e9 a mais importante, acho que tem uns quatro ou cinco anos que nenhum brasileiro ganha corrida na Indy. A \u00fanica vit\u00f3ria foi as 500 Milhas de Indian\u00e1polis, que \u00e9 a mais importante.&nbsp;Aquele neg\u00f3cio repetitivo, que voc\u00ea acorda de manh\u00e3 ou vai l\u00e1 ver a corrida, porque voc\u00ea sabe que tem um brasileiro que tem chance de ganhar, tem uns cinco anos que n\u00e3o tem. Sem desmerecer o Helinho, nem o Tony, pelo equipamento que eles t\u00eam, a condi\u00e7\u00e3o, eles n\u00e3o est\u00e3o tendo chances de disputar o campeonato ou ganhar corridas. Acho que isso tira um pouco o desejo do piloto de ir correr na Indy&#8221;, explicou Junqueira.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.grandepremio.com\/br\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/01-05-Classic-Rewind-Junqueira-Denver2002.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-640840\"\/><figcaption>Bruno Junqueira foi vice-campe\u00e3o em 2002 (Foto: IndyCar)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A carreira de Bruno deslanchou nos Estados Unidos, mas ele n\u00e3o esconde a decep\u00e7\u00e3o por ter chegado n\u00e3o perto da F\u00f3rmula 1 e sequer ter feito uma corrida. Uma prova espec\u00edfica no Canad\u00e1 em 2000 ficou na mem\u00f3ra do piloto de Belo Horizonte ap\u00f3s Ralf Schumacher se lesionar e ele ser chamado para substitu\u00ed-lo. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Eu acho que a gente n\u00e3o pode olhar muito para tr\u00e1s. O que foi, passou. Mas, se eu pudesse voltar no passado, eu queria ter feito ao menos uma corrida de F\u00f3rmula 1. Lembro que o Ralf Schumacher machucou a perna em M\u00f4naco e eu fui para Montreal para correr. E o Ralf foi &#8216;just in case&#8217;. E a\u00ed chegou l\u00e1, sexta de manh\u00e3 ele fez um teste, &#8216;ah, acho que d\u00e1, acho que d\u00e1 e vou tentar&#8217;. E acabou fazendo o final de semana e n\u00e3o foi um final de semana bom pra ele. N\u00e3o andou bem. Se eu pudesse mudar alguma coisa, nem que eu tivesse feito aquela corrida para falar que eu fiz uma corrida de F\u00f3rmula 1. J\u00e1 fiz muito mais do que o sonho de um cara que saiu de Belo Horizonte sem muitas condi\u00e7\u00f5es, de ter sido piloto de F1 por muitos anos e depois em Indy, com v\u00e1rias vit\u00f3rias&#8221;, admitiu o campe\u00e3o da F3000.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Mas faltou talvez, se eu pudesse mudar, faltou aquela corrida. Mas o ser humano \u00e9 assim. Se eu tivesse feito uma corrida, depois eu ia querer ter feito o campeonato inteiro, feito um p\u00f3dio, ganhado uma corrida. Depois que voc\u00ea ganha uma, quer ganhar um campeonato, depois voc\u00ea quer ganhar sete n\u00e9. A\u00ed voc\u00ea tenta bater o recorde e ganhar oito. A gente \u00e9 competitivo, esportista para ter sucesso tem que ser assim e nunca pode parar de sonhar e querer mais&#8221;, prosseguiu.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.grandepremio.com\/br\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Cristiano_da_Matta_-_2002_Sure_For_Men_Rockingham_500_1-1024x769.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-640850\"\/><figcaption>Cristiano da Matta superou Bruno Junqueira em 2002 (Foto: Wikimedia Commons)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na Indy, Junqueira tamb\u00e9m acabou tendo uma carreira agridoce. A temporada de estreia em 2001 n\u00e3o foi brilhante, mas ficou marcada por uma vit\u00f3ria em Road America. Nos tr\u00eas anos seguintes, um com a Ganassi e dois com a Newman\/Haas, Bruno seria um dos grandes nomes da CART. O problema \u00e9 que o t\u00edtulo acabou escapando por tr\u00eas temporadas consecutivas, e o mineiro foi tri vice-campe\u00e3o, sendo derrotado por tr\u00eas advers\u00e1rios diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Eu tive grandes momentos na Indy. Ter conseguido o vice-campeonato tr\u00eas vezes foi bom e duro ao mesmo tempo, principalmente 2003 e 2004, que foram at\u00e9 a \u00faltima corrida. E, nos tr\u00eas anos que eu fui vice-campe\u00e3o, eu perdi o campeonato para tr\u00eas vencedores diferentes. O Paul Tracy eu ganhei dele dois anos e perdi em um, cada vez vinha um e naquele ano dava tudo certo para o cara e para mim n\u00e3o t\u00e3o certo e eu acabava sendo vice-campe\u00e3o. Mas acho que faz parte&#8221;, lamentou o ex-piloto de testes da Williams.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois dos tr\u00eas vices consecutivos, 2005 parecia destinado a ser o ano de Junqueira. Um terceiro lugar em Long Beach e uma vit\u00f3ria em Monterrey e o brasileiro era o l\u00edder do campeonato antes das 500 Milhas de Indian\u00e1polis. O mineiro se classificou em 12\u00ba, mas o sonho virou pesadelo em uma curva. Bruno foi tocado ao tentar ultrapassar o retard\u00e1rio Aj Foyt IV na curva 2. O forte impacto em alta velocidade de frente para o muro resultou em uma concuss\u00e3o e uma fratura na v\u00e9rtebra que o tiraram do restante da temporada.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.grandepremio.com\/br\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/junqueira.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-640852\"\/><figcaption>Bruno Junqueira foi vice-campe\u00e3o da Indy por tr\u00eas anos consecutivos (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Eu acho que meu acidente foi uma daquelas experi\u00eancias que a gente tem que passar na vida. Realmente eu estava num ano muito bom, a gente tinha mudado muito o acerto do carro, eu estava liderando o campeonato. Acho que 2005 eu ia acabar sendo o campe\u00e3o, mas fiquei um ano fora, foi um tempo para eu me repensar muito como pessoa. Acho que o \u00e1pice da minha carreira foi at\u00e9 o acidente. Depois eu n\u00e3o consegui, por estar em equipes menores, ter tantos resultados t\u00e3o expressivos quanto at\u00e9 aquele ponto.&nbsp;Ao mesmo tempo, aprendi muito como ser humano, como pessoa. Eu evolu\u00ed muito. Sou uma pessoa muito melhor depois do acidente do que antes. Vejo mesmo talvez o momento mais dif\u00edcil da minha vida como um momento positivo e de aprendizagem&#8221;, disse o mineiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Junqueira retornou para mais uma temporada com a Newman\/Haas em 2006, mas n\u00e3o conseguiu manter o n\u00edvel de antes da les\u00e3o. Na temporada seguinte, acabou fechando com a Dale Coyne, uma das piores equipes do grid. Surpreendentemente, o brasileiro conquistou tr\u00eas p\u00f3dios e terminou o ano na s\u00e9tima coloca\u00e7\u00e3o geral, melhor resultado da hist\u00f3ria at\u00e9 ent\u00e3o de um piloto da equipe.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Para mim, 2007 foi um ano muito bom, ainda na Indy. Eu sempre falo, corri pela Dale Coyne, que na \u00e9poca era a pior equipe disparada. Hoje em dia, a Dale Coyne melhorou muito e eu at\u00e9 fico feliz, em 2009, quando o Dale ganhou uma corrida, ele falou at\u00e9 na entrevista, &#8216;Uma das pessoas que eu quero homenagear \u00e9 o Bruno, que ele mudou minha mentalidade de pensar no automobilismo para fazer uma equipe melhor&#8217;. Foi um ano que eu andei muito bem, depois do acidente e que eu estava feliz. Isso para mim foi muito importante&#8221;, relembrou o tr\u00eas vezes vice-campe\u00e3o da Indy.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sua \u00faltima temporada completa na Indy foi em 2008, tamb\u00e9m com a Dale Coyne. Depois disso, Bruno migrou para o mundo do endurance, competindo na American Le Mans e tamb\u00e9m no IMSA, onde disputou t\u00edtulos e conquistou vit\u00f3rias e p\u00f3dios. Tamb\u00e9m participou de corridas no Brasil na Stock Car e na Copa Truck.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.grandepremio.com\/br\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/preview-928x522-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-640857\"\/><figcaption>Bruno Junqueira sofreu grave acidente na Indy 500 em 2005 (Foto: Honda)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tudo isso enquanto se dividia com um segundo trabalho, que hoje ocupa a maior parte de seu tempo: o de corretor imobili\u00e1rio. Tudo come\u00e7ou gerindo neg\u00f3cios familiares ap\u00f3s a crise de 2008. Misture a\u00ed um bom tempo de estudo e o interesse de amigos em comprar im\u00f3veis nos Estados Unidos e Junqueira pasou a pilotar casas e n\u00e3o carros. &#8220;A\u00ed eu ajudei o meu amigo. A\u00ed depois um outro queria comprar um apartamento. Ent\u00e3o como quem n\u00e3o quer nada, eu fiz para mim, eu comecei a fazer&#8221;, contou o mineiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pandemia da Covid-19 acabou mudando um pouco o rumo da carreira de Bruno, que passou a ser cada vez menos nas pistas e mais no escrit\u00f3rio. O ex-piloto da Ganassi e Haas voltou a competir neste ano pela primeira vez desde 2019 em uma prova amadora no M\u00e9xico e confessou que a corrida reacendeu a vontade de se manter ativo no mundo do automobilismo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Meu trabalho aqui com o neg\u00f3cio imobili\u00e1rio aumentou muito e fiquei a\u00ed tr\u00eas anos e pouco sem correr at\u00e9 m\u00eas passado no M\u00e9xico, que eu fiz uma corrida de Legends Cup, foi no final de semana da F1. Teve uma corrida que juntaram 12 pilotos da Indy que correram no M\u00e9xico nos anos 2000 e eu corri. Mas foi uma corrida amadora, mas que foi bem legal.&nbsp;Isso acendeu totalmente. Desde que eu voltei, ainda n\u00e3o fiz nada para trabalhar para o ano que vem, mas que deu vontade deu. E eu andei muito bem, ent\u00e3o, apesar de estar mais de tr\u00eas anos sem correr, eu andei bem no carro e isso me d\u00e1 essa vontade de querer voltar&#8221;, relatou Junqueira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Ainda n\u00e3o tenho nada em mente, mas a minha ideia \u00e9 correr de carros de turismo ou de prot\u00f3tipo aqui nos Estados Unidos. No IMSA, na American Le Mans, que \u00e9 a categoria que eu sempre venho correndo. A ideia \u00e9 correr aqui, fazer entre seis e dez corridas no ano. Eu tenho trabalho agora o tempo todo, n\u00e3o posso me dar o luxo, a n\u00e3o ser que algu\u00e9m possa me pagar um bom sal\u00e1rio que eu possa parar de trabalhar. Aqui eu acho que vai ser mais dif\u00edcil, porque eu estou fora do mercado h\u00e1 muito tempo. Mas a minha ideia \u00e9 voltar a fazer algumas corridas no ano que vem&#8221;, concluiu o campe\u00e3o da F3000.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>22 anos depois, a hist\u00f3ria parece se repetir. Um brasileiro vence a principal categoria de acesso \u00e0 F\u00f3rmula 1, mas n\u00e3o consegue vaga para a temporada seguinte. 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