{"id":844,"date":"2020-07-22T06:00:00","date_gmt":"2020-07-22T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/grandepremium\/materias\/garra-charrua\/"},"modified":"2020-07-22T06:00:00","modified_gmt":"2020-07-22T09:00:00","slug":"garra-charrua","status":"publish","type":"42wp_premium","link":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/grandepremium\/indy\/materias\/garra-charrua\/","title":{"rendered":"Garra Charrua"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Garra Charrua \u00e9 uma express\u00e3o bastante comum usada para se referir \u00e0 sele\u00e7\u00e3o de futebol do Uruguai. A Celeste Ol\u00edmpica j\u00e1 teve muitos craques como Alcides Ghiggia, Dar\u00edo Pereyra, Pedro Rocha, \u00c1lvaro Recoba, Diego Forl\u00e1n, Luis Su\u00e1rez e Edinson Cavani, mas sempre se destacou pela disposi\u00e7\u00e3o, pela ra\u00e7a, pela disciplina em conquistar seus objetivos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Voltando ainda mais na hist\u00f3ria da constru\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica do Sul, os charruas foram uma tribo de \u00edndios do Uruguai, da Argentina e do Sul do Brasil de resist\u00eancia que, mesmo com poucos recursos, lutou e suportou at\u00e9 onde conseguiu diante das investidas imperialistas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dos campos e da hist\u00f3ria para as pistas: \u00e9 poss\u00edvel dizer que Santi Urrutia se tornou um grande exemplo da garra charrua: em um meio t\u00e3o cheio de dinheiro e influ\u00eancias, segue no caminho de seus sonhos. Ainda que n\u00e3o tenha os recursos financeiros de seus rivais, sequer pensa em abrir m\u00e3o de tudo, mesmo diante de portas que insistiram em se fechar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Um cara que luta muito por seus sonhos e que nunca desiste&#8221;. \u00c9 assim que Santiago Urrutia Lausarot se define em entrevista exclusiva ao <strong>GRANDE PREMIUM<\/strong>. Nascido em 30 de agosto de 1996 na cidade de Miguelete, em Colonia, interior do Uruguai, Santi \u00e9 o grande \u00eddolo nacional do momento no esporte a motor e carrega, com orgulho, a miss\u00e3o de manter de p\u00e9 a paix\u00e3o da fam\u00edlia e de Gonzalo &#8216;Gonchi&#8217; Rodr\u00edguez, sua grande inspira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/grandepremium.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Santi-Urrutia-11-1024x765.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3676\" \/><figcaption>Santi Urrutia \u00e9 um \u00eddolo do esporte uruguaio (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Twitter)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em um pa\u00eds de pouco menos de 3,5 milh\u00f5es de habitantes e apaixonado e vitorioso no futebol, Santi vem de uma fam\u00edlia que j\u00e1 gostava de acompanhar o esporte a motor. Assim, desde pequeno, ou melhor, desde muito pequeno, conheceu e se encantou pela velocidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Minha paix\u00e3o come\u00e7ou desde cedo e pela minha fam\u00edlia, meu av\u00f4 j\u00e1 acompanhava as corridas da F\u00f3rmula 1. Meu pa\u00eds \u00e9 apaixonado por futebol, mas meu caso foi diferente: meu av\u00f4 me deu uma minimoto quando eu tinha 3 anos e eu comecei a correr de motocross. S\u00f3 que a\u00ed eu sofri um acidente feio quando tinha 5 anos e a minha m\u00e3e, professora escolar, falou: &#8216;Santi, se voc\u00ea quiser correr, que seja de kart, n\u00e3o mais de motocross&#8217;. Ela me deu um kart e, com cinco anos, comecei e n\u00e3o parei mais&#8221;, conta.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/grandepremium.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Santi-Urrutia-9.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3674\" \/><figcaption>Santi Urrutia e seu pai nos tempos de kart (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Twitter)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ali\u00e1s, Urrutia diz que pouca coisa mudou no automobilismo uruguaio nos quase 20 anos que tem de carreira. O piloto, inclusive, n\u00e3o v\u00ea muita perspectiva de evolu\u00e7\u00e3o pela barreira econ\u00f4mica em um pa\u00eds que est\u00e1 longe de ser dos mais populosos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O esporte a motor nunca foi profissional no Uruguai e, do meu ponto de vista, talvez nunca seja, \u00e9 muito dif\u00edcil. Somos s\u00f3 3 milh\u00f5es de pessoas, \u00e9 dif\u00edcil fazer virar profissional algo que precisa de tanto dinheiro. Mesmo o basquete sofre pela falta de dinheiro, at\u00e9 o futebol sofre. Acho que o esporte a motor \u00e9 praticamente o mesmo da \u00e9poca em que comecei, n\u00e3o tem muito mais que 60 ou 70 karts, nos carros eu acho que \u00e9 um n\u00famero parecido. Sempre foi algo de altos e baixos, mas, com o coronav\u00edrus, a coisa fica ainda mais complicada. Espero que o esporte fique mais profissional algum dia, mas acho realmente dif\u00edcil&#8221;, explica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi por isso que Santi precisou passar por uma forma\u00e7\u00e3o diferente em seus primeiros passos. Foi na Argentina que o jovem se tornou um piloto promissor e se preparou para um desafio imenso: o Mundial de Kart de 2010. Em um grid cheio de nomes de futuro, o uruguaio brilhou e mudou sua hist\u00f3ria, migrando para o kartismo europeu e, posteriormente, a disputa da ent\u00e3o Formula Abarth.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Fiz poucos anos de kart no Uruguai, a maior parte foi na Argentina, onde aprendi muita coisa, como ser um piloto melhor, mais profissional, \u00e9 um pa\u00eds maior. A grande oportunidade veio em 2010, disputei o Mundial de Kart em Braga, Portugal, com gente como Alexander Albon, que venceu, Charles Leclerc, Esteban Ocon, tinha muita gente da F1 ali. Fui muito bem, disputei o segundo lugar com Max Verstappen e, no fim, o dono da equipe chegou e me convidou para correr com eles no ano seguinte. S\u00f3 que n\u00e3o era f\u00e1cil dizer sim ali, tinha s\u00f3 14 anos, era uma mudan\u00e7a grande e ainda precisava de algumas coisas como arranjar algum dinheiro, eu estava indo para virar profissional. Conversei com meus pais, falamos com patrocinadores e meus pais disseram para eu fazer o que quisesse, mas que prestasse aten\u00e7\u00e3o em tudo, tomasse cuidado. Sa\u00ed de casa com 14 anos e fui para a Europa, j\u00e1 em 2011 consegui algumas corridas no que hoje \u00e9 a F4, enfim, cumpri meu primeiro objetivo, que era correr na Europa, pelo trabalho que fiz no Mundial em Braga&#8221;, lembra.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/grandepremium.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Santi-Urrutia-5.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3670\" \/><figcaption>Santi Urrutia (Foto: Indy Lights)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desde muito cedo se aventurando nos monopostos europeus, Urrutia teve uma passagem de muito aprendizado, adquiriu experi\u00eancia, mas tamb\u00e9m enfrentou poucas e boas. Sem o or\u00e7amento dos rivais e longe de casa, teve bons resultados no que hoje \u00e9 a F4 Italiana e na F3 Open, mas chegou na GP3, em 2014, longe das condi\u00e7\u00f5es ideais, com a equipe Koiranen.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Estava vivendo meu sonho na Europa, era algo que eu sempre quis. Mas foi bem dif\u00edcil, no come\u00e7o eu senti muita falta da minha fam\u00edlia, n\u00e3o falava bem ingl\u00eas ou italiano, tive problemas na comunica\u00e7\u00e3o. N\u00e3o tinha o or\u00e7amento dos outros pilotos, precisava trabalhar na f\u00e1brica para pagar minhas contas e eu s\u00f3 tinha 14 anos. Os outros tinham a minha idade, mas chegavam nas corridas com os pais, sem problema de dinheiro, eu tinha, vinha de outro lugar, da Am\u00e9rica do Sul. Sentia falta de muita coisa, tudo que pessoas daquela idade fazem e eu n\u00e3o tinha como fazer l\u00e1, n\u00e3o tinha tempo tamb\u00e9m. Mas \u00e9 isso: sabia que precisava passar por essa experi\u00eancia para chegar aonde eu queria, dei 100% o tempo inteiro, trabalhei duro comigo mesmo, com o time, com os patrocinadores. Aprendi muito, tem vezes que \u00e9 assim, que voc\u00ea aprende muito na dificuldade, quando est\u00e1 sozinho e foi o que aconteceu comigo na Europa&#8221;, recorda.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/grandepremium.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Santi-Urrutia-4-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3669\" \/><figcaption>Santi Urrutia foi campe\u00e3o na Pro Mazda (Foto: IndyCar)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A temporada de GP3 foi um importante marco na carreira do piloto. Basicamente, foi o momento em que a primeira das maiores portas se fechou: o sonho de um dia estar no grid da F1 acabava de vez. Era tempo de recalcular rota e buscar novos horizontes, estabelecer novas metas. Foi quando ganhou for\u00e7a o objetivo de chegar at\u00e9 a Indy, come\u00e7ando pela Pro Mazda, j\u00e1 em 2015.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A ida para os EUA veio depois de um \u00faltimo ano muito complicado na Europa. Estava sofrendo bastante com o or\u00e7amento, j\u00e1 sabia que ir para a F1 era algo praticamente imposs\u00edvel, n\u00e3o tinha dinheiro, n\u00e3o tinha apoio pol\u00edtico, meu pa\u00eds n\u00e3o tem tradi\u00e7\u00e3o na categoria, n\u00e3o tinha empres\u00e1rio, nada. Foi a\u00ed que reparei que precisava me mexer se quisesse seguir correndo. Fui pesquisar e vi o Road to Indy, decidi que tinha de fazer a Pro Mazda para conhecer as pistas e descobri que poderia ganhar a bolsa para a Indy Lights caso fosse campe\u00e3o. Era o cen\u00e1rio perfeito, meus patrocinadores gostaram tamb\u00e9m da ideia, ganhei o t\u00edtulo da Pro Mazda. A\u00ed, na Indy Lights, estava garantido com o dinheiro da Pro Mazda e pude seguir meu objetivo de tentar chegar na Indy, \u00e9 como se fosse a F3, F2 e F1. Ent\u00e3o diz aquela escada&#8221;, diz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Santi n\u00e3o demorou nem um pouco para se estabelecer como uma for\u00e7a do Road to Indy. Em 2015, pela Pelfrey, derrotou nomes como Pato O&#8217;Ward para se sagrar campe\u00e3o. E a escadinha tinha tudo para ser conclu\u00edda j\u00e1 no ano seguinte, quando venceu quatro corridas na temporada da Indy Lights, mas seu futuro mudou por causa de uma volta. A \u00faltima volta da \u00faltima corrida de 2016, em Laguna Seca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Zach Veach venceu a corrida 2 da decis\u00e3o na pista californiana e Urrutia foi segundo, resultado que lhe garantiria a ta\u00e7a e, principalmente, a bolsa para correr na Indy em 2017 caso Ed Jones terminasse abaixo do quinto lugar, justamente a posi\u00e7\u00e3o que o rival estava quando abriu a volta derradeira. S\u00f3 que a Carlin entrou em a\u00e7\u00e3o, e F\u00e9lix Serrall\u00e9s saiu da frente do companheiro para dar a Jones a quarta coloca\u00e7\u00e3o e os dois pontos que faltavam para o t\u00edtulo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/grandepremium.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Santi-Urrutia-6.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3671\" \/><figcaption>Santi Urrutia quase foi campe\u00e3o em 2016 (Foto: Indy Lights)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O p\u00f3s-corrida foi bastante emblem\u00e1tico. Por mais que Jones e a Carlin comemorassem, n\u00e3o tinha clima algum para aquela festa de encerramento. Parte do p\u00fablico vaiou, reclamou de Serrall\u00e9s e Santi chorou, sabia que era mais uma porta que se fechava, ao menos naquele momento. Para 2017, enquanto o rival se garantia como piloto da Dale Coyne, o uruguaio se virava para fechar uma nova temporada na Lights com a Belardi, uma vez que a Schmidt Peterson, sua equipe de 2016, deixava a categoria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Vou ser bem sincero: acho que tive temporadas melhores do que alguns pilotos que est\u00e3o na Indy. N\u00e3o acho que eu seja melhor que os pilotos que est\u00e3o l\u00e1, mas que tenho talento suficiente para correr na Indy, s\u00f3 que ningu\u00e9m me d\u00e1 uma chance e s\u00f3 consigo ver a falta de dinheiro como motivo para isso. Venci a Pro Mazda, fui vice da Indy Lights por 2 pontos quando o cara [Ed Jones] passou o companheiro de equipe dele [F\u00e9lix Serrall\u00e9s] na \u00faltima volta da \u00faltima corrida e ali eu perdi a bolsa de $ 1 milh\u00e3o, teria tr\u00eas ou quatro corridas na Indy. Quis continuar na Indy Lights, mas n\u00e3o foi f\u00e1cil, n\u00e3o tinha dinheiro, sofri com a equipe, o Sam Schmidt deixou a categoria, foi tudo muito dif\u00edcil, ningu\u00e9m me deu a chance que eu queria para provar o meu talento&#8221;, lembra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O que me deixa feliz, at\u00e9 orgulhoso, \u00e9 que os caras que disputavam comigo na Indy Lights est\u00e3o andando na frente na Indy, vencendo corridas, fazendo poles, mas \u00e9 complicado, eu venho de um pa\u00eds pequeno e n\u00e3o posso fazer o mesmo por n\u00e3o ter $ 2 ou 3 milh\u00f5es que me garantissem uma vaga na Indy. Acho que foram bons anos no Road to Indy, poderiam at\u00e9 ter sido melhores, claro, cometi uns erros como todo mundo, mas o grande problema \u00e9 nunca ter recebido a grande chance de estar no grid da Indy&#8221;, completa.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/grandepremium.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Santi-Urrutia-2-1024x685.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3667\" \/><figcaption>Santi Urrutia teve grandes momentos na Indy Lights (Foto: IndyCar)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O jovem piloto esteve na Indy Lights tamb\u00e9m em 2017 e 2018, os dois anos com a Belardi. E novamente brigando pelo t\u00edtulo, inclusive foi vice de Kyle Kaiser em 2017. S\u00f3 que, nesse meio tempo, uma nova porta se abriu e fechou de forma inesperada. A Harding, equipe que entrava no grid da Indy em 2018, chamou Urrutia para fazer parte do projeto. O uruguaio topou, acertou o acordo e esperou o contrato. Que simplesmente nunca chegou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;A hist\u00f3ria \u00e9 bem simples. O Mike Harding me ligou, disse que queria que eu corresse pela equipe dele no ano seguinte [2018], me reuni com ele e com outras pessoas em Indian\u00e1polis e a\u00ed o Mike apertou minha m\u00e3o e disse: &#8216;Bem-vindo ao time, voc\u00ea vai correr conosco no ano que vem&#8217;. E a\u00ed, de repente, Gabby Chaves, que n\u00e3o sabia da hist\u00f3ria, foi anunciado l\u00e1. Eles ainda me falaram que eu correria junto com Gabby, aquele papo de sempre. Fui para o Uruguai e eles disseram que enviariam o contrato dois ou tr\u00eas dias depois. A\u00ed esperei uma semana, duas semanas, um m\u00eas, a temporada ia se aproximando e pensei: &#8216;Que porra est\u00e1 acontecendo?&#8217;. Foi ent\u00e3o que eles falaram que estavam sem dinheiro e que eu n\u00e3o teria uma vaga, mas eles esperaram at\u00e9 o \u00faltimo momento para me dizer isso e ainda ficaram com aquele papo de que arrumariam uma solu\u00e7\u00e3o, mas era tudo mentira. Apertaram minha m\u00e3o, me fizeram promessas, mas era tudo mentira. Acho que foi algo terr\u00edvel para o esporte o que fizeram comigo, com Gabby e com outras pessoas. Esse cara [Mike Harding] \u00e9 realmente um cara mau. E isso aconteceu tamb\u00e9m com Pato [O&#8217;Ward] no ano seguinte: ele estava na equipe, mas n\u00e3o tinha carro para ele, s\u00f3 para o Colton [Herta]&#8221;, revela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De fato, o relato de Urrutia remete imediatamente ao que aconteceu com O&#8217;Ward antes de 2019. O mexicano chegou a ser anunciado pela equipe, participou de eventos representando a Harding e, \u00e0s v\u00e9speras do in\u00edcio do campeonato, acabou sacado, j\u00e1 que tinha apenas um carro e que ficou mesmo com Colton Herta. Pato ainda conseguiu se ajeitar e usou o dinheiro da bolsa do t\u00edtulo da Lights para arranjar uma vaga na Carlin, mas Santi n\u00e3o teve a mesma sorte. Obrigado a fazer mais um ano na base e longe das condi\u00e7\u00f5es ideias para tal, foi o \u00fanico momento em que o uruguaio cogitou desistir do sonho.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/grandepremium.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Santi-Urrutia-1024x682.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3678\" \/><figcaption>Santi Urrutia teve um acordo com a Harding quebrado (Foto: IndyCar)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Pensei em desistir n\u00e3o s\u00f3 da Indy, mas do esporte a motor como um todo. Fiquei cansado disso tudo, era sempre a falta de dinheiro, \u00e9 sempre isso que dita tudo, que me impediu de chegar mais longe, que mais me irritou, principalmente nos monopostos. Tem muito piloto na Indy que \u00e9 bom, mas que n\u00e3o teve uma grande carreira no Road to Indy, s\u00f3 que tem dinheiro. Estava cansado, cansado de trabalhar tanto, me esfor\u00e7ar tanto e a\u00ed chutarem e darem um p\u00e9 na bunda assim. Mas a\u00ed pensei: acredito em mim, vou seguir em frente, quero provar que posso chegar na Indy, que posso ser um piloto profissional, um dia ainda quero realizar, por isso eu n\u00e3o paro. N\u00e3o quero voltar para o Uruguai e dizer aos meus amigos que eu desisti, \u00e9 a \u00faltima coisa que eu farei. Vou seguir em frente, se as coisas n\u00e3o rolarem na Indy, v\u00e3o acontecer em outro lugar, mas eu vou fazer o que sempre sonhei, vou ser um piloto profissional&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois das portas fechadas, foi hora de buscar uma nova rota, mais uma vez. O destino? A Europa, ap\u00f3s cinco anos. Mas em outra realidade: era tempo de p\u00e9s no ch\u00e3o e, assim, Santi foi para o Europeu de TCR, em uma oportunidade interessante com a Audi que parecia ter um bom futuro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O TCR foi bem legal, bem melhor at\u00e9 do que eu poderia imaginar. Foi um ano muito bom para mim, ganhei o campeonato dos novatos, fui o melhor da Audi, do grupo Volkswagen, enfim, fui terceiro no campeonato Europeu com pouca experi\u00eancia e pouco or\u00e7amento. Estava pronto para correr no WTCR em 2020 com a Audi, mas a\u00ed eles decidiram sair do programa e tive de recome\u00e7ar outra vez, da\u00ed a volta para os EUA. Mas minha ideia era seguir para o WTCR, tive reuni\u00f5es, estava tudo certo, mas a Audi fechou o programa do WTCR e precisei mudar meus planos novamente&#8221;, conta.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/grandepremium.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Santi-Urrutia-12-1024x412.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3677\" \/><figcaption>Santi Urrutia no WTCR (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Twitter)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com s\u00f3 23 anos nas costas, Urrutia se via obrigado a um novo recome\u00e7o, j\u00e1 incont\u00e1vel em sua trajet\u00f3ria. Ent\u00e3o, mais uma vez, o retorno aos EUA se deu. A ideia era fazer a Indy Lights em 2020 pela HMD, mas outro contratempo: a categoria cancelou a temporada, e Santi e seu time tiveram de tentar a sorte na F-Regional Americas, que garante bolsa ao campe\u00e3o na Lights 2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Foi bem complicado porque o Henry Malukas, dono da MHD, me deu uma bela chance. Ele \u00e9 um \u00f3timo chefe de equipe, um cara legal e me ajudou em tudo que ele conseguiu, sou bem grato a ele. Eu ia correr com o filho dele, David Malukas, a gente tinha formado um belo time, com potencial para t\u00edtulo. A\u00ed tudo foi cancelado, foi bem ruim para todo mundo. Fomos para a F-Regional Americas porque l\u00e1 vai ter uma bolsa para o campe\u00e3o na Indy Lights em 2021, ent\u00e3o vamos trabalhar muito para que eu ou ele, um dos dois seja campe\u00e3o e a\u00ed a gente fica com o dinheiro para a temporada que vem corrermos na Indy Lights com esse dinheiro&#8221;, explica.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/grandepremium.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Santi-Urrutia-10.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3675\" \/><figcaption>Santi Urrutia teve de ir para a F-Regional Americas (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Twitter)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A persist\u00eancia e luta de Urrutia t\u00eam tamb\u00e9m uma origem al\u00e9m de seu pr\u00f3prio esp\u00edrito e do amor de sua fam\u00edlia pelo esporte. \u00c9 que o piloto \u00e9 f\u00e3 declarado de Gonzalo &#8216;Gonchi&#8217; Rodr\u00edguez, compatriota que foi \u00eddolo nacional nos anos 1990, se destacando na F3000 e dono de um lugar no grid da Indy em 2000, mas que nunca chegou a ocupar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Gonchi morreu em um acidente em 1999, quando faria a etapa de Laguna Seca pela Penske. Desde ent\u00e3o, seu legado ficou, bem como a hist\u00f3ria de supera\u00e7\u00e3o que teve para atingir seus objetivos no esporte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Gonchi era o n\u00famero #1, \u00e9 o n\u00famero #1 e para sempre vai ser o n\u00famero #1. Ele foi o cara a chegar na Indy, eu amo ele mesmo sem ter conhecido, ele \u00e9 para a gente algo parecido com o que o Ayrton Senna \u00e9 para voc\u00eas no Brasil. Ele foi o cara que me inspirou l\u00e1 no come\u00e7o, espero que hoje eu possa inspirar outros pilotos, os meninos do kart, mas minha rela\u00e7\u00e3o com ele, com a Nani Rodr\u00edguez, irm\u00e3 dele, que cuida da funda\u00e7\u00e3o dele, \u00e9 excelente, somos muito pr\u00f3ximos. Ele vai ser nossa inspira\u00e7\u00e3o e n\u00e3o apenas no esporte a motor, mas tamb\u00e9m na vida por tudo que ele fez e como ele virou o grande piloto que foi. Para mim, ele \u00e9 o melhor de todos, vou sempre lev\u00e1-lo nos momentos bons e ruins, respeito muito tudo que ele fez&#8221;, explica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Santi, uma das melhores coisas de sua jornada tem sido o apoio do povo uruguaio a cada conquista, a cada vit\u00f3ria ou mesmo nas dificuldades. O piloto tem total no\u00e7\u00e3o de como preenche uma lacuna que n\u00e3o era ocupada desde Gonchi.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/grandepremium.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Santi-Urrutia-7.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3672\" \/><figcaption>Santi Urrutia leva a bandeira uruguaia pelo mundo (Foto: Indy Lights)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;\u00c9 muito bom, \u00e9 incr\u00edvel. Recebo muito carinho do meu pa\u00eds, sou o \u00fanico piloto fora do Uruguai, sou o cara que vim 20 anos depois do Gonchi, tivemos de esperar esse tempo todo, isso me deixa bem orgulhoso. N\u00e3o sinto a press\u00e3o, s\u00f3 me faz bem. Quando ven\u00e7o, minhas redes sociais explodem, muitas mensagens mesmo. Quando perco, muita gente me d\u00e1 apoio, uns poucos me mandam parar de correr, mas nem ligo, s\u00f3 fico orgulhoso com tudo isso. O pessoal sabe que eu fa\u00e7o o meu melhor&#8221;, diz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Inspirado em Rodr\u00edguez e sempre muito resiliente, Urrutia s\u00f3 pensa em seguir trilhando seu caminho e conseguir ganhar a vida como piloto profissional, &#8220;por qualquer categoria que seja&#8221;. Seu objetivo, mais do que qualquer outra coisa, \u00e9 ser lembrado como algu\u00e9m que deu a vida pelo esporte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;S\u00f3 quero fazer o meu melhor, dar o meu melhor. O que estiver dentro do meu controle, eu vou buscar, n\u00e3o quero desistir, quero estar preparado e pronto para lutar nos bons e nos maus momentos. Quando eu voltar para casa com 23, 24, 30 ou 40 anos, n\u00e3o importa se como campe\u00e3o ou um perdedor, mas quero ter a certeza de que dei sempre meus 100%, \u00e9 disso que quero que as pessoas se lembrem l\u00e1 na frente, do quanto eu me dediquei, do quanto eu lutei pelo meu sonho&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E como lutou. E vai seguir lutando. Afinal, Santi tem no sangue a garra charrua.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed-spotify wp-block-embed is-type-rich is-provider-spotify wp-embed-aspect-21-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Spotify Embed: O que esperar da MotoGP 2020? | Paddockast #70\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/5HrCv7W9fXW2DyE1X1DUql?utm_source=oembed\"><\/iframe>\n<\/div><figcaption><strong>Paddockast #70 | O QUE ESPERAR DA MOTOGP 2020?<\/strong><br>Ou\u00e7a tamb\u00e9m:\u00a0<a href=\"http:\/\/podcasts.apple.com\/br\/podcast\/paddockast\/id1371540198\">PODCASTS APPLE<\/a>\u00a0|\u00a0<a href=\"https:\/\/www.subscribeonandroid.com\/www.central3.com.br\/category\/podcasts\/paddockast\/feed\/podcast\/\">ANDROID<\/a>\u00a0|\u00a0<a href=\"https:\/\/player.fm\/series\/paddockast\">PLAYERFM<\/a><\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Santi Urrutia \u00e9 um dos melhores nomes da nova gera\u00e7\u00e3o de pilotos, mas nunca teve uma chance na Indy. Apesar disso e al\u00e9m do talento, o piloto \u00e9 exemplo de dedica\u00e7\u00e3o e persist\u00eancia<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":1000571926,"template":"","meta":{"42wp_featured_image_caption":"","42wp_featured_image_credits":"","42wp_featured_video":"","42wp_ai_content_disclaimer":"","42wp_is_ai_content":false,"42wp_featured_image_hidden":false,"42wp_authors_list":[],"footnotes":"","42wp_breaking_news":false},"categories":[3],"tags":[],"42wp_author":[47117],"class_list":["post-844","42wp_premium","type-42wp_premium","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","category-indy","42wp_author-gabriel-curty"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/42wp_premium\/844","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/42wp_premium"}],"about":[{"href":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/42wp_premium"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/42wp_premium\/844\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1000571926"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=844"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=844"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=844"},{"taxonomy":"42wp_author","embeddable":true,"href":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/42wp_author?post=844"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}