{"id":885,"date":"2020-05-19T06:00:00","date_gmt":"2020-05-19T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/grandepremium\/materias\/as-corridas-em-tempos-de-crise\/"},"modified":"2020-05-19T06:00:00","modified_gmt":"2020-05-19T09:00:00","slug":"as-corridas-em-tempos-de-crise","status":"publish","type":"42wp_premium","link":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/grandepremium\/noticias\/materias\/as-corridas-em-tempos-de-crise\/","title":{"rendered":"As corridas em tempos de crise"},"content":{"rendered":"\n<p>Ap&oacute;s mais de dois meses sem corridas pelo mundo, a Nascar recome&ccedil;ou a temporada no &uacute;ltimo fim de semana, em Darlington, nos Estados Unidos. Daqui em diante, a categoria de stock-cars norte-americano segue o campeonato normalmente, ao passo que a F&oacute;rmula 1 projeta o retorno para julho, a Indy quer retornar em junho e o mundo do esporte a motor pensa como retornar suas atividades.<\/p>\n<p>&Eacute; com isso em mente que o <strong>GRANDE PREMIUM<\/strong> aproveita o espa&ccedil;o para lembrar a situa&ccedil;&atilde;o do esporte a motor em outros tempos de crise. As recorda&ccedil;&otilde;es v&atilde;o desde corridas no meio de momentos tenebrosos ou provas realizadas logo ap&oacute;s situa&ccedil;&otilde;es de interrup&ccedil;&atilde;o, em que correr com autom&oacute;veis n&atilde;o era uma op&ccedil;&atilde;o.&nbsp;<\/p>\n<div>\n<div class=\"imagem-noticia\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s3-us-east-2.amazonaws.com\/cdngp\/grandepremium\/images\/20165211517721_INDR 2_O.jpg\" width=\"534\" height=\"401\" \/><\/div>\n<blockquote class=\"destaque-imagem\"><p>A largada da Indy 500 de 1916 (A largada da Indy 500 em 1916 (Foto: Indy Star))<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<h2><strong>&#8211; Gripe espanhola: Indy 500, 1916<\/strong><\/h2>\n<p>A lista come&ccedil;a com uma licen&ccedil;a po&eacute;tica. A pandemia da gripe espanhola assolou o mundo entre 1918 e 1920 e matou um contingente estimado de 50 milh&otilde;es de pessoas pelo mundo, o que, ajustando a quantidade de seres humanos viventes no planeta atualmente, significaria o &oacute;bito de mais de 250 milh&otilde;es de pessoas. Ent&atilde;o por que usamos uma corrida realizada em 1916, quase dois anos antes?<\/p>\n<p>Na verdade, o automobilismo dos Estados Unidos n&atilde;o parou naqueles tempos. A Indy 500 foi interrompida em virtude da Primeira Guerra Mundial, mas o restante do campeonato chancelado pela finada AAA seguiu transcorrendo durante aqueles anos. A corrida escolhida para registrar o per&iacute;odo &eacute;, assim, a Indy 500 de 1916, &uacute;ltima que contou com Johnny Aitken nas pistas.<\/p>\n<p>Quem &eacute; Johnny Aitken? &Eacute; o piloto que mais venceu corridas na hist&oacute;ria do Indianapolis Motor Speedway. Disputou mais de 40 delas&nbsp;por l&aacute;, grande maioria na era pr&eacute;-Indy 500, quando a pista ainda organizava diversos eventos por ano &#8211; depois&nbsp;passou a olhar apenas para a corrida de 500 milhas. Aposentado em 1910, voltou &agrave;s pistas para tr&ecirc;s edi&ccedil;&otilde;es da Indy 500, mas apenas duas largando como titular por ele mesmo &#8211; na outra fez o papel de substituto&nbsp;de outros dois pilotos para que estes descansassem um pouco. Chegou a ser pole em 1916, mas um problema com a v&aacute;lvula do motor de seu Peugeot encerrou as chances. Em outubro de 1918, aos 33 anos de idade, Aitken morreu em virtude do v&iacute;rus Influenza H1N1.<\/p>\n<div>\n<div class=\"imagem-noticia\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s3-us-east-2.amazonaws.com\/cdngp\/grandepremium\/images\/2020515149348_DEMA9_O.jpg\" width=\"1600\" height=\"800\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda-imagem\">Howdy Wilcox venceu a Indy 500 de 1919 (Indy 500, 1919 (Foto: IMS))<\/div>\n<\/div>\n<h2><strong>&#8211; P&oacute;s-Primeira Guerra: Indy 500, 1919<\/strong><\/h2>\n<p>Ap&oacute;s dois anos de hiato, as 500 Milhas de Indian&aacute;polis foram retomadas em 1919, ao fim da Primeira Guerra Mundial. O per&iacute;odo n&atilde;o foi t&atilde;o grande, mas serviu para uma verdadeira troca de guarda: dos 33 inscritos, 19 eram considerados novatos &#8211; n&uacute;mero menor apenas que na edi&ccedil;&atilde;o original da Indy 500. A corrida estava inicialmente marcada para o feriado do Memorial Day, data&nbsp;que as autoridades dos Estados Unidos tiram para homenagear combatentes de guerra. Aqui, cabe uma explica&ccedil;&atilde;o: atualmente, o Memorial Day acontece sempre na &uacute;ltima segunda-feira de maio, mas durante mais de 100 anos, at&eacute; 1970, a data esteve fixada no dia 30 de maio. E 30 de maio, em 1919, era uma sexta-feira.<\/p>\n<p>Mas houve protesto. Como o pa&iacute;s acabara de sair de uma guerra de grandes propor&ccedil;&otilde;es, o pedido era para deixar o dia 30 apenas como uma data de homenagens, e a organiza&ccedil;&atilde;o cedeu. Preferiu correr um dia depois, no s&aacute;bado, 31 de maio.<\/p>\n<p>Com o nome de Liberty Sweepstakes, a corrida foi adiante. A vit&oacute;ria ficou com Howdy Wilcox, um dos mais experientes do grid, e seu mec&acirc;nico, Leo Banks &#8211; em tempos que o mec&acirc;nico andava ao lado do piloto no carro. Tr&ecirc;s fatalidades foram registradas em dois momentos distintos: os pilotos Arthur Thurman e Louis LeCocq e o mec&acirc;nico de LeCocq, Robert Bandini, que estava no b&oacute;lido.<\/p>\n<div>\n<div class=\"imagem-noticia\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s3-us-east-2.amazonaws.com\/cdngp\/grandepremium\/images\/2020515149660_DEMA8_O.jpg\" width=\"1280\" height=\"975\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda-imagem\">Giulio Masetti durante GP da It\u00e1lia de 1921 (Temporada de Grand Prix, 1921 (Foto: Wikiwand))<\/div>\n<\/div>\n<h2><strong>&#8211; I Circuito del Garda, Temporada de GPs, 1921<\/strong><\/h2>\n<p>Como &eacute; poss&iacute;vel de se imaginar numa Primeira Guerra que detonou a Europa, o continente levou algum tempo a mais que os Estados Unidos at&eacute; julgar que poderia voltar &agrave;s corridas. Dois anos e meio haviam passado desde o fim da guerra, os pa&iacute;ses seguiam em franca reconstru&ccedil;&atilde;o das pilastras mais fundamentais da sociedade e o automobilismo voltou a ocupar seu papel dentro do esporte.<\/p>\n<p>No dia 22 de maio, no tra&ccedil;ado&nbsp;italiano de Sal&ograve;, em Brescia, na Lombardia, a temporada de Grand Prix &#8211; campeonato precursor da F1 &#8211;&nbsp;podia retornar. E retornava em local simb&oacute;lico: entre os anos de 1943 e 1945, o fascista Benito Mussolini transformou Sal&ograve; na capital de um regime que tentava resistir ap&oacute;s perder o controle de Roma.<\/p>\n<p>A corrida contava com a dist&acirc;ncia de 200 km e viu o italiano Eugenio Silvani completar o percurso em 2h47 minutos a bordo do Type 22, da franco-italiana Bugatti. As corridas estavam de volta na Europa e ainda passariam por outras diversas etapas na It&aacute;lia, algumas na Fran&ccedil;a, uma na Inglaterra e uma na Espanha naquele ano.<\/p>\n<div>\n<div class=\"imagem-noticia\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s3-us-east-2.amazonaws.com\/cdngp\/grandepremium\/images\/2020515149544_DEMA7_O.jpg\" width=\"1000\" height=\"550\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda-imagem\">GP de Belgrado, 1939 (GP de Belgrado, 1939 (Foto: Pinterest))<\/div>\n<\/div>\n<h2><strong>&#8211; Segunda Guerra: GP de Belgrado, 1939<\/strong><\/h2>\n<p>Apenas 18 anos ap&oacute;s a retomada das corridas&nbsp;tudo estava&nbsp;em vias de ser interrompido novamente. A d&eacute;cada de 1930 chegava ao fim em meio aos ausp&iacute;cios de um novo conflito generalizado. O campeonato oficial de Grand Prix daquele ano ainda contava com pilotos provenientes do que logo viriam a ser as for&ccedil;as do Eixo e Aliadas. A guerra estava&nbsp;no horizonte, mas alem&atilde;es, italianos, ingleses e franceses ainda coexistiam nas pistas.<\/p>\n<p>O campeonato acabou em 20 de agosto, no GP da Su&iacute;&ccedil;a em Bremgarten, com a vit&oacute;ria de Hermann Lang a bordo de um&nbsp;Mercedes. O campe&atilde;o tamb&eacute;m era um alem&atilde;o, Hermann Paul M&uuml;ller, ent&atilde;o guiando pela Auto Union, a predecessora da Audi. Mas por um &uacute;nico momento nesta lista vamos escapar das corridas que contaram para algum tipo de campeonato. Ficaremos com uma corrida que aconteceu sem contar qualquer ponto para uma batalha por t&iacute;tulo.<\/p>\n<p>Menos de duas semanas ap&oacute;s a corrida em Bremgarten, no dia 1&ordm; de setembro de 1939, o ex&eacute;rcito alem&atilde;o cruzou a fronteira da Pol&ocirc;nia. Agora, sim, a guerra estava declarada. Mesmo assim, no dia 3 de setembro, os organizadores do GP de Belgrado, na antiga Iugosl&aacute;via, foram adiante com a corrida. O evento aconteceu como parte das festividades para o anivers&aacute;rio de 16 anos do ent&atilde;o Pr&iacute;ncipe Peter &#8211;&nbsp; pr&iacute;ncipe-regente desde&nbsp;1934 e, a partir de&nbsp;1941, o &uacute;ltimo rei da Iugosl&aacute;via. A corrida contou com um piloto da casa e sete alem&atilde;es, mas foi o &uacute;nico italiano que ficou com a vit&oacute;ria. A bordo de um Auto Union D, o &iacute;dolo do entreguerras Tazio Nuvolari conquistou a &uacute;ltima vit&oacute;ria de grande porte da carreira.<\/p>\n<p>O GP de Belgrado de 1939 ficou para a hist&oacute;ria como a &uacute;nica corrida&nbsp;de autom&oacute;veis em territ&oacute;rio europeu durante o per&iacute;odo da Segunda Guerra Mundial.<\/p>\n<div>\n<div class=\"imagem-noticia\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s3-us-east-2.amazonaws.com\/cdngp\/grandepremium\/images\/202051514991_DEMA6_O.jpg\" width=\"1280\" height=\"987\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda-imagem\">Syracuse 100, 1941 (Syracuse, 1941 (Foto: Syracuse.com))<\/div>\n<\/div>\n<h2><strong>&#8211; Campeonato da AAA, Syracuse 100, 1941<\/strong><\/h2>\n<p>Se durante a Primeira Guerra e a Gripe Espanhola as corridas seguiram vivendo nos Estados Unidos, a situa&ccedil;&atilde;o mudou quando o novo conflito se estabeleceu. Entre 1939 e 1941, j&aacute; em tempos de guerra, nada mudou, mas o pa&iacute;s ainda n&atilde;o estava oficialmente nos combates. Desta maneira, a temporada de 1941 transcorreu normalmente. Foi&nbsp;encerrada&nbsp;em 1&ordf; de setembro de 1941 com as 100 Milhas de Syracuse.<\/p>\n<p>No oval de terra estabelecido na New York State Fairgrounds, durante as festividades da New York State Fair, um tradicional evento anual organizado pelo Departamento de Agricultura do Estado de Nova York, Rex Mays simplesmente dominou. Largou na pole-position, ponteou por todas as 100 voltas e venceu, confirmando o t&iacute;tulo da temporada do campeonato da AAA, precursora da Indy.<\/p>\n<p>Os ventos da guerra sopravam forte, por&eacute;m, e j&aacute; se sabia que os EUA n&atilde;o conseguiriam evitar o combate por muito mais tempo. Em novembro, ingressos para as 500 Milhas de Indian&aacute;polis de 1942 foram colocados &agrave; venda, seguindo com algum grau de normalidade. Duraria pouco. Em 7 de dezembro&nbsp;o Servi&ccedil;o A&eacute;reo Imperial da Marinha Japonesa atacou, de surpresa, a base naval norte-americana de Pearl Harbor, no Hava&iacute;. 2.403 cidad&atilde;os americanos foram mortos, o que fez com que o presidente Franklin Roosevelt declarasse o dia 7 de dezembro como aquele que &quot;viveria em inf&acirc;mia&quot;. Na manh&atilde; do dia 8, os Estados Unidos estavam em guerra contra as for&ccedil;as do Eixo. A AAA deu um passo &agrave; frente e proibiu as corridas durante os anos seguintes, pressionada por &oacute;rg&atilde;os federais, com a inten&ccedil;&atilde;o de n&atilde;o desperdi&ccedil;ar importantes recursos realocados para a guerra.<\/p>\n<div>\n<div class=\"imagem-noticia\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s3-us-east-2.amazonaws.com\/cdngp\/grandepremium\/images\/2020515149962_DEMA4_O.jpeg\" width=\"717\" height=\"564\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda-imagem\">500 Milhas de Indian\u00e1polis, 1946 (Indy 500, 1946 (Foto: IMS))<\/div>\n<\/div>\n<h2><strong>&#8211; P&oacute;s-Segunda Guerra: Indy 500, 1946<\/strong><\/h2>\n<p>Assim como no fim dos anos 1910, os Estados Unidos retomaram as corridas antes da Europa ap&oacute;s a Segunda Guerra. As 500 Milhas de Indian&aacute;polis abriram a temporada 1946 do Campeonato da AAA ap&oacute;s uma certa correria. Quando o Indianapolis Motor Speedway foi fechado, em 1941, estava em condi&ccedil;&otilde;es j&aacute; bastante complicadas. O Gasoline Alley, por exemplo, fora devastado por um inc&ecirc;ndio e, com a pista fechada e as aten&ccedil;&otilde;es voltadas para o conflito, o IMS estava em situa&ccedil;&atilde;o deplor&aacute;vel de desgaste em 1945. Era um local abandonado e as discuss&otilde;es sobre o futuro tratavam at&eacute; da possibilidade de demolir o aut&oacute;dromo em prol da especula&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria.<\/p>\n<p>Sorte do automobilismo que n&atilde;o aconteceu. A Hulman &amp; Company, gigante f&aacute;brica de produtos aliment&iacute;cios, bebidas alco&oacute;licas e tabaco, comprou o circuito. O piloto Wilbur Shaw conseguiu convencer Tony Hulman, presidente da companhia, de que a pista poderia servir de boa publicidade. Hulman resolveu ir atr&aacute;s e investiu para promover um produto chamado Clabber Girl, esp&eacute;cie de levedura qu&iacute;mica. E gastou pesado para reformar a pista e realizar o espet&aacute;culo apenas meses depois.<\/p>\n<p>Na cerim&ocirc;nia pr&eacute;-corrida, pela primeira vez, a m&uacute;sica &#039;Back Home Again in Indiana&#039;, utilizada at&eacute; hoje, foi tocada. Tom Carnegie, que por mais de 60 anos foi a voz do IMS, tamb&eacute;m estreou em 1946. Na pista, George Robson foi o grande nome. Apesar de largar no 15&ordm; lugar, liderou 138 das 200 voltas a caminho da vit&oacute;ria. Infelizmente, Robson tinha um encontro com o destino poucos meses depois. No dia 2 de setembro daquele 1946, durante corrida no j&aacute; desativado Lakewood Speedway, em Atlanta, Robson e George Barringer morreram ap&oacute;s um acidente que envolveu diversos carros. Mesmo tendo apenas terminado duas corridas do campeonato &#8211; que tinha seis provas -, ainda acabou&nbsp;como terceiro colocado.<\/p>\n<div>\n<div class=\"imagem-noticia\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s3-us-east-2.amazonaws.com\/cdngp\/grandepremium\/images\/2020515149153_DEMA5_O.jpg\" width=\"900\" height=\"596\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda-imagem\">Luigi Chinetti no caminho para vencer as 24 Horas de Le Mans de 1949 (Le Mans, 1949 (Foto: Twitter))<\/div>\n<\/div>\n<h2><strong>&#8211; 24 Horas de Le Mans, 1949<\/strong><\/h2>\n<p>O retorno das corridas na Europa demorou, porque o continente estava novamente em reconstru&ccedil;&atilde;o. Fora sendo retomadas aos poucos e, em junho de 1949, as 24 Horas de Le Mans retornaram ap&oacute;s uma d&eacute;cada de aus&ecirc;ncia. O circuito de la Sarthe fora utilizado pelas for&ccedil;as armadas nazistas durante a ocupa&ccedil;&atilde;o na Fran&ccedil;a como pista&nbsp;de pousos e decolagens, bem como reparos de aeronaves &#8211; e, assim, foi v&iacute;tima tamb&eacute;m de&nbsp;bombardeios das for&ccedil;as Aliadas. O processo de reparo demorou algum tempo, pois.<\/p>\n<p>Com uma importante reforma supervisionada pelo Automobile Club de l&#039;Ouest, tudo estava pronto para os dias 25 e 26 de junho. Na pista, um feito. Luigi Chinetti guiou a Ferrari 166 MM por quase 23 das 24 horas, impressionante&nbsp;especialmente aos 47 anos de idade. O companheiro dele era&nbsp;Peter Mitchell-Thomson, que ficou ao volante somente por 72 minutos, mas entrou para a hist&oacute;ria. Foi a terceira vit&oacute;ria de Chinetti, um italiano naturalizado norte-americano. A corrida marcou tamb&eacute;m a morte do engenheiro e piloto Pierre Mar&eacute;chal, franc&ecirc;s que acabara de vencer as 24 Horas de Spa e ocupava o quarto posto a bordo de um Aston Martin. Com os freios quebrados, n&atilde;o conseguiu contornar as curvas Maison Blanches e sofreu um violento acidente. O dono da terceira posi&ccedil;&atilde;o, Louis G&eacute;rard, percebeu a gravidade e parou o carro para ajudar na retirada do compatriota. Mar&eacute;chal foi resgatado, mas morreu no dia seguinte.<\/p>\n<p>A corrida ficou marcada ainda pela primeira vit&oacute;ria de um motor V12 e por ter sido conquistada pelo menor motor de entre seus campe&otilde;es at&eacute; 2015.<\/p>\n<div>\n<div class=\"imagem-noticia\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s3-us-east-2.amazonaws.com\/cdngp\/grandepremium\/images\/2020515149195_DEMA3_O.jpg\" width=\"720\" height=\"481\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda-imagem\">Stirling Moss no GP da It\u00e1lia de 1955 (GP da It\u00e1lia, 1955 (Foto: Daimler-Benz))<\/div>\n<\/div>\n<h2><strong>&#8211; Desastre de Le Mans: GP da It&aacute;lia, 1955<\/strong><\/h2>\n<p>Maior desastre da hist&oacute;ria do esporte a motor, o acidente das 24 Horas de Le Mans de 1955, em 11 de agosto, causou a morte de, oficialmente, 83 pessoas. Tamanha foi a trag&eacute;dia que fez com que um processo come&ccedil;asse a se desenrolar mundo afora: a luta pelo aumento da seguran&ccedil;a do p&uacute;blico nos aut&oacute;dromos. Afinal, quase todos os mortos de Le Mans foram espectadores da prova francesa.<\/p>\n<p>O desastre de Le Mans fez a Mercedes abandonar a corrida horas depois por uma quest&atilde;o de rela&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas &#8211; recordem, acontecia apenas dez anos ap&oacute;s o fim da guerra. O conjunto que liderava no momento do abandono era precisamente a Mercedes de Juan Manuel Fangio e Stirling Moss, tamb&eacute;m pilotos da marca alem&atilde; na F1. Os dois, na realidade, batalhavam pelo t&iacute;tulo da F1 &agrave;quela altura. Moss&nbsp;vencera a &uacute;ltima prova antes de Le Mans, o GP da Inglaterra, e tinha mais cinco provas para descontar uma desvantagem de 11 pontos.<\/p>\n<p>Mas o efeito cascata atacou. O GP da Fran&ccedil;a, que j&aacute; havia sido adiado de julho para setembro, foi rapidamente cancelado. Na sequ&ecirc;ncia, o mesmo aconteceu com as provas da Alemanha, Su&iacute;&ccedil;a e Espanha. Sobrou somente o GP da It&aacute;lia. Como o vencedor das corridas levava apenas oito pontos para casa, Fangio se sagrou tricampe&atilde;o mundial entre os cancelamentos. Verdade seja dita, venceu a prova de Monza enquanto Moss abandonou com problemas de motor. Moss jamais seria campe&atilde;o na F1, enquanto Fangio celebraria outras duas conquistas. A Mercedes, entretanto, deixaria a F1 ap&oacute;s a corrida e retornaria como equipe de f&aacute;brica apenas na temporada 2010.&nbsp;<\/p>\n<div>\n<div class=\"imagem-noticia\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s3-us-east-2.amazonaws.com\/cdngp\/grandepremium\/images\/2020515149724_DEMA2_O.jpg\" width=\"1582\" height=\"879\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda-imagem\">O acidente entre Zanardi e Tagliani em Lausitz (Lausitz, 2001 (Foto: Red Bull\/GP Total))<\/div>\n<\/div>\n<h2><strong>&#8211; 11 de setembro: Indy, Lausitz, 2001<\/strong><\/h2>\n<p>A pen&uacute;ltima corrida desta lista &eacute; hist&oacute;rica em seus pr&oacute;prios termos. Sob o mesmo contexto, a Indy resolveu correr sua etapa no s&aacute;bado, 15 de setembro de 2001. Uma reuni&atilde;o de pilotos e equipes definiu que o show tinha de continuar &#8211; e continuou. No oval alem&atilde;o de Lausitz, hoje tamb&eacute;m desativado, o l&iacute;der do campeonato Gil de Ferran anotou a pole, mas a hist&oacute;ria do s&aacute;bado seria outra.<\/p>\n<p>A corrida n&atilde;o foi daquelas onde a lideran&ccedil;a pipoca de m&atilde;o em m&atilde;o, apesar de ser oval. Kenny Br&auml;ck tomou a dianteira de cara e passou mais de 60 voltas na frente, foi seguido por Patrick Carpentier, que tamb&eacute;m ponteou por boas voltas. Uma boa briga come&ccedil;ou na sequ&ecirc;ncia entre dois companheiros de equipe: o jovem Tony Kanaan e o experiente Alex Zanardi. O italiano, claro, fora bicampe&atilde;o da categoria com a Ganassi em 1997 e 1998, mas pulara para a F1 no que foi uma frustrada tentativa de se fixar na Williams. Voltou dois anos depois para retomar o sucesso nos Estados Unidos. Agora sem a Ganassi, a aposta era na equipe do engenheiro Morris Nunn. E estava dif&iacute;cil, porque Zanardi n&atilde;o conseguia repetir os resultados de Kanaan que, aos 26 anos, vivia o segundo campeonato na Mo Nunn.<\/p>\n<p>Mas Zanardi se saiu melhor em Lausitz. Tomou a frente a primeira vez, liderou por dez voltas e voltou &agrave; ponta 18 giros depois, na volta 124. Liderou por outras 18 voltas at&eacute; que entrou no pit-lane para um reabastecimento na volta 141. Zanardi retornou &agrave; pista na volta 142, a apenas 13 do fim, e reacelerou para n&atilde;o perder campo e seguir na briga. O carro n&atilde;o respondeu bem, por&eacute;m. Sem controle da traseira, Zanardi rodou, passou no gramado e voltou para a pista desgovernado. Carpentier conseguiu desviar, mas Alex Tagliani, piloto da Forsythe, n&atilde;o teve como: acertou o #66 em T. Tagliani, por enorme sorte, n&atilde;o sofreu les&otilde;es s&eacute;rias, mas Zanardi teve a imediata amputa&ccedil;&atilde;o das duas pernas. Foi levado de helic&oacute;ptero para o hospital, perdeu 75% do sangue no corpo e chegou a receber a extrema-un&ccedil;&atilde;o, mas sobreviveu.<\/p>\n<p>Zanardi passou pelo impass&aacute;vel. Deixou o hospital 45 dias ap&oacute;s o acidente e seguiu a vida. As 500 Milhas da Alemanha ficaram fora do calend&aacute;rio no ano seguinte, em virtude de dificuldades financeiras do circuito, mas voltaram em 2003. L&aacute;, no palco da quase-trag&eacute;dia, Zanardi entrou num carro adaptado e, antes da corrida, deu as 13 voltas que faltaram para completar a corrida dois anos antes. Hoje multicampe&atilde;o paraol&iacute;mpico, Zanardi virou uma lenda.<\/p>\n<p>Quem venceu a prova de 2001, ali&aacute;s, foi o sueco Br&auml;ck. Nas cinco corridas ap&oacute;s a etapa da Alemanha, entretanto, De Ferran se consagrou bicampe&atilde;o.<\/p>\n<div>\n<div class=\"imagem-noticia\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s3-us-east-2.amazonaws.com\/cdngp\/grandepremium\/images\/2020515149845_DEMA1_O.jpg\" width=\"970\" height=\"545\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda-imagem\">Dale Jr. vibra com a vit\u00f3ria em Dover, 2001 (Dover, 2001 (Foto: Twitter))<\/div>\n<\/div>\n<h2><strong>&#8211; Nascar, Dover, 2001<\/strong><\/h2>\n<p>A temporada 2001 da Nascar n&atilde;o era das mais felizes da hist&oacute;ria desde o in&iacute;cio, por conta do acidente que matou Dale Earnhardt, lenda da categoria, logo na abertura, em Daytona. Apesar disso, foi o ano em que a Dodge voltou ap&oacute;s longa aus&ecirc;ncia, mostrando como a Nascar encantava as fabricantes naquele momento. O campeonato come&ccedil;ou em fevereiro e deveria terminar, pela &uacute;ltima vez, em Atlanta, na segunda metade de novembro. E, ent&atilde;o, trag&eacute;dia.<\/p>\n<p>Os atentados de 11 de setembro de 2001 sacudiram os Estados Unidos. Os ataques terroristas contra o World Trade Center, em Nova York, o Pent&aacute;gono, na Virginia, e o voo United 93, que rumava para a Casa Branca, mas acabou derrubado num campo em Shankville, Pensilv&acirc;nia, ap&oacute;s uma batalha entre passageiros e terroristas, ceifou 3.000 vidas.<\/p>\n<p>A Nascar tinha corrida marcada para aquele fim de semana, em New Hapshire, mas achou que o prudente a fazer era adiar. Com o adiamento, a etapa acabou fechando o campeonato em vez de Atlanta. As mudan&ccedil;as deixaram a etapa de Dover, em 23 de setembro, como a primeira corrida da Nascar ap&oacute;s os ataques. O p&uacute;blico recebeu milhares de bandeiras nacionais e a cerim&ocirc;nia pr&eacute;-corrida contou com exibi&ccedil;&atilde;o das nacionalistas m&uacute;sicas &#039;God Bless the USA&#039; e &#039;God Bless America&#039;, al&eacute;m do hino. A vit&oacute;ria ficou com Dale Earnhadt Jr., que compilava o segundo triunfo ap&oacute;s a morte do pai.<\/p>\n<p>No fim das contas, Jeff Gordon acabou sendo o campe&atilde;o da temporada e doando a premia&ccedil;&atilde;o para as v&iacute;timas dos atentados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os tempos s&atilde;o dif&iacute;ceis. Apesar disso, as categorias est&atilde;o prontas &#8211; caso da Nascar &#8211; ou planejam o retorno &agrave;s atividades normais, mascarando o que h&aacute; de real no mundo. O GRANDE PREMIUM aproveita para lembrar situa&ccedil;&otilde;es semelhantes ao longo da hist&oacute;ria<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":0,"template":"","meta":{"42wp_featured_image_caption":"","42wp_featured_image_credits":"","42wp_featured_video":"","42wp_featured_image_hidden":false,"42wp_authors_list":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"42wp_author":[47120],"class_list":["post-885","42wp_premium","type-42wp_premium","status-publish","hentry","category-noticias","42wp_author-pedro-henrique-marum"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/42wp_premium\/885","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/42wp_premium"}],"about":[{"href":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/42wp_premium"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/42wp_premium\/885\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=885"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=885"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=885"},{"taxonomy":"42wp_author","embeddable":true,"href":"https:\/\/grandepremio.com\/br\/wp-json\/wp\/v2\/42wp_author?post=885"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}